Insano Desastre
13 Epílogo
Notas iniciais
Epílogo
Byakuya piscou algumas vezes. O sono estava ótimo, mas, como não é possível que tudo seja sempre perfeito, alguma coisa tinha que atrapalhar. Fato. A luz solar parecia querer e gostar de encrencar eternamente com o pobre Kuchiki, machucando seus olhos claros, mesmo que eles estivessem fechados. Sem sentido. Sentou-se na cama, o lençol escorregando do peito e cobrindo apenas da cintura para baixo, deixando parte de sua nudez exposta. Byakuya nem se incomodava mais. Por favor, Renji já o viu nu tantas vezes que até perdeu a vergonha. Há muito tempo.
E por falar em Renji... Ele estava dormindo como uma pedra, nenhuma surpresa até aí. Também, pudera... Se Renji estivesse acordado e disposto depois do que fizeram na noite anterior até a madrugada (Byakuya está corando enquanto pensa nisso, tadinho), acharia que ele certamente não é normal. Não que ele seja lá muito norm... Ah, você entendeu. A sombra de um sorriso passou pelo rosto de traços finos e bem feitos do Kuchiki. Sinceramente, Renji é tão bobinho... Às vezes, sem querer, esses tipos de lembranças vinham lhe atormentar. As lembranças, isso quando não era desejo.
E o pior é que, quando começava a lembrar, começava a desejar também. A desejar ficar mais perto de Renji, sentindo seu cheiro de sabonete e suor (Byakuya mais uma vez ficou vermelho), seu sabor, a textura de sua pele. Começava a desejar mais dos sons eróticos que vinham apenas quando estavam a sós, entretidos em nada mais além do outro. Começava a desejar Renji de todas as formas. Sob ou sobre si. Dentro ou ao redor. Mesmo que sob e ao redor fossem realmente boas opções... 'Tá, Byakuya parece o Sr. Pimentão Vermelho agora. Porque esse pensamento foi muito pervertido. Sério, muito mesmo.
O moreno foi tirado de seus pensamentos pelo som de Renji bocejando.
– Já acordado, taichou? – Ele fez uma expressão preguiçosa, mas também sentou, de qualquer forma. Não que tenha sido prudente. Assim que ele o fez, o peitoral largo e bronzeado ficou a mostra. Byakuya não tinha a intenção, sério, mas, sem querer seus olhos ficaram presos ali. Quem vê até pensa que ele tem agora a mesma inocência de quando começou com essa história que parecia ter nada de futuro. Incrível! – Taichou? – Bem, certas coisas nunca mudam, como, por exemplo, a lerdeza de Renji. Ela continua exatamente igual.
– Eu já te falei sobre isso. Quando estivermos a sós, eu quero que você me chame pelo meu nome.
– Eu sei, desculpa. Força do hábito. – Ele se aproximou, abraçando o outro por trás. Aquele peitoral largo e bronzeado estava colado nas costas de Byakuya. O que era quase um chamado... O Kuchiki se obrigou a parar de pensar nisso. Credo, parecia até um tarado. Por que será que ficou assim?
Pergunto-me o porquê.
– Tudo bem, apenas tente se acostumar.
– Certo... – Renji se aconchegou mais no outro, tendo os sentidos invadidos por aquela essência perfeita. – Certo... – Ele puxou os cabelos escuros para o lado e beijou-lhe o ombro, parando com os lábios ali.
– Renji, o que você está fazendo? – Byakuya parou de falar para gemer. O Abarai subiu a boca pelo pescoço, passando a língua. Foi pura covardia, afinal, ele sabia que o Kuchiki era sensível ali. – Pare... – ele suspirou. – Nós vamos nos atrasar.
– Não tem problema. Uma rapidinha, só... – E o golpe baixo foi o golpe final. Ele sabia bem que Byakuya se excitava todo com sussurros ao pé do ouvido.
– Rapidinha?
– Sim...
– Quinze minutos?
– O tempo que o sen... que você quiser.
– Certo.
E o que veio a seguir foi uma deliciosa confusão de membros (em todos os sentidos, criatura mente suja). As bocas esmagavam uma a outra em fúria e desespero. Cada mínimo toque íntimo era recebido com sons lascivos e reações próprias. Já fazia tanto tempo desde que começaram uma relação, que conheciam muitíssimo bem o corpo um do outro. Sabiam onde cada ponto em especial dava prazer.
A confusão que a luxúria do momento trouxe foi tanta que nem perceberam como pararam ali. Byakuya no colo de Renji, o beijo cada vez mais profundo e selvagem e incontido, o lençol de alguma forma cobrindo a intimidade de ambos; mas não cobria a visão dos movimentos feitos pelos quadris. Byakuya gemeu um tom mais alto e jogou a cabeça para trás quando aquele seu ponto certo foi atingido. E, naturalmente, foi instigado a tentar mais e mais atingir lá. Renji nem controlava a voz como o outro. Os gemidos eram soltos e despudorados, como ele próprio perto do Kuchiki.
Os rostos dos dois estavam vermelhos pelo esforço. As sobrancelhas de Byakuya mais franzidas que o normal. Era evidente que eles tentavam prolongar a sensação, mesmo que disseram ser apenas uma rapidinha. Era assim com eles, sempre foi. Sexo era muito mais que alguns minutos de satisfação física; era íntimo e sinônimo de confiança. Não que isso anulasse ou aliviasse o prazer, pelo contrário. Era sempre melhor. Logo um orgasmo arrebatador chegou, sujando o abdômen de Renji e preenchendo o interior de Byakuya.
Uau, isso foi realmente intenso. Eles respiravam com dificuldades, sentindo o corpo ainda sensível. Byakuya poderia ter falado algo, mas preferiu dizer todo o que queria, não em palavras, mas com um beijo. Um beijo demorado e cheio de significados.
– Agora vamos. Estamos atrasados pelos quinze minutos que viraram meia hora.
– Desculpe. – Ele estava com a cabeça encostada no peito do outro, que ainda estava em seu colo, ouvindo os descompassados batimentos do coração. O cheiro de Byakuya era afrodisíaco, só pode. Ele beijou o queixo e a boca do Kuchiki, que logo correspondeu, finalizando com uma única mordida. – Vamos. – Eles se levantaram e foram direto ao banheiro, afinal, fazer esse tipo de coisa realmente desgasta.
– É a primeira vez que vai se atrasar? – Renji perguntou por perguntar, lavando os cabelos rubros e espessos.
– Que eu lembre.
– Eu não vejo problemas. Você é o capitão, no fim das contas.
– Eu vejo problemas. É culpa sua. – Byakuya falou meio brincando, meio sério. Não que Renji tenha percebido. Nem você perceberia, foi muito surreal.
– E por que isso?
– Porque você me fez te querer, te desejar, retribuir os sentimentos mais idiotas e ilógicos. – Renji ficou surpreso. Não esperava isso nem em mil anos.
– Hein?
– Apesar de a sua inteligência ser falha.
– O senhor poderia ter parado ali. – ele resmungou. – Mas isso é bom... Acha que vão sentir nossa falta no esquadrão hoje?
– Provavelmente. Eu sou o capitão.
– Sim. – Renji o abraçou. – O capitão que eu amo. O meu capitão.
Fale com o autor