Notas iniciais
Oi, desculpem a demora. Eu quero agradecer a todos os comentários, que são sempre carinhosos e educados e motivam demais. Fantasmas, eu sei que vocês existem, eu quero ao menos uma saudação :c enfim, eu gostaria de agradecer a quem leu até aqui e não desistiu de ler esse negócio ♡ o capítulo é dedicado a vcs, mas, é dedicado em especial à Yasmin. Aniversário dela, minha gente. Ela que apoia essa história, tem uma mente malvada pra caramba (lê-se fujoshi) e é parceria em um projeto super especial, assim como ela própria. Parabéns, Yasmin. Revisado.

Capítulo Onze – Comparações

O cheiro, as expressões e até a voz de Renji estavam impregnados em sua mente, mesmo após duas semanas. Duas semanas de reflexão. Veja bem, esse tempo foi... uma tortura. Byakuya bem que gostaria de dizer que estava bem sem a sua companhia de cama e tudo mais, mas, na verdade, não estava bem. Estava péssimo!

Agora, toda vez que via Renji, um ar de arrependimentos, culpas e formalidades pairava entre os dois. Era até difícil respirar quando estava perto do Abarai. Sinceramente, Byakuya acha que já foi menos idiota. Encontravam-se apenas no esquadrão para fins profissionais, e era tudo o mais frio e indiferente possível da parte de ambos, o que era engraçado. Renji sempre foi ardente. Enquanto Byakuya era mais frio que o mais frio iceberg, Renji era quente e receptivo como o sol da primavera.

Era engraçado que Renji tivesse se apaixonado por Byakuya. Ele poderia ter se apaixonado por alguém como Hisagi, com tanto calor humano. A ideia fez com que fechasse os olhos e trincasse os dentes, procurando não ser vencido pelos próprios pensamentos. Focou nos papéis que faziam volume em sua mesa, eram muitos, todos estúpidos.

Desviou o olhar discretamente para onde Renji estava trabalhando. O ruivo estava olhando fixamente para o Kuchiki, que não precisou fingir-se de desconcertado, o olhar podia facilmente passar despercebido. Pegou uma folha de papel e começou, com a sua impecável caligrafia, a praticamente desenhar algumas palavras.

– Taichou?

– Sim? – Não desviou o olhar dessa vez, continuava "concentrado". – O senhor está bem? – a voz dele saiu malditamente preocupada.

– E por que não estaria? – desafiou. – Por que não te vejo mais? Para que tanta presunção?

– Taichou... não é isso... – Byakuya o ignorou. Continuou com a escrita raivosa, como se necessitasse fazer aquilo. Como se o pobre papel tivesse culpa.

– Por que, sem nenhuma explicação, você foi se foi? Claro que não! – Renji disse mais alguma coisa, mas Byakuya não ouviu. – Por que você me usou em algo que para mim é quase um tabu e depois foi embora? Eu não fico chateado com esse tipo de coisa... Que idiota é você, Renji. – Escreveu mais alguma coisa, ainda não havia olhado nos olhos do outro. Não iria se entregar tão facilmente como foi das outras vezes, por favor. Enquanto ainda escrevia, ouviu o outro suspirar e, sem querer, exerceu um pouco de força desnecessária que fez o papel rasgar. Estava se tornando o que, diabos?

– Taichou, o senhor não está bem, eu vou chamar algum membro do quarto esquadrão. – De acordo com o barulho de passos e cadeiras arrastando, Renji se levantou. Mas, antes que este pudesse abrir a porta, Byakuya também se levantou, recebendo a atenção do outro. Assim que deu dois passos, sentiu seu elegante equilíbrio ser arruinado pela tontura que o acompanhava há dias. Renji se apressou e aparou a queda que seria cômica se não fosse trágica. – Taichou, vamos logo ver isso, por favor...!

– Não é nada, eu já disse.

– Tem certeza? – ainda tinha a voz preocupada. Que droga, Renji não consegue facilitar as coisas... Byakuya se desvencilhou dos braços do outro.

– Vá fazer seu trabalho. – Renji apenas acenou calmamente. Byakuya não tinha culpa, mas sabia o porquê de estar assim. Faz duas semanas que não come e dorme direito. Sabia também que não deveria estar fazendo isso, parecia até um adolescente perdido após ter o relacionamento com o primeiro namoradinho desfeito. Sem que pudesse evitar, um som de deboche escapou por sua garganta.

Renji olhou ainda mais preocupado, e tinha motivos. O Kuchiki estava corado, trêmulo, falando muito e, quando o tocou, pôde sentir a temperatura anormalmente quente da pele. Ele não estava bem, era claro.

– Taichou... – começou incerto. Queria poder ter a confiança necessária para falar com Byakuya, mas ainda estava muito machucado com as suas próprias ações, mesmo estas sendo precisas. Mesmo que tivesse rompido os laços com Byakuya, o amava. Ah, que frase ridícula. Não importa que tenha rompido os laços com Byakuya, é claro, óbvio, lógico que o amava! O amaria sempre, que patético. Porém, se planejava mesmo viver sem o Kuchiki, precisava demonstrar poucas emoções perto deste.

Byakuya voltou para sua mesa e para seus papéis sem olhar para Renji. Fechou os olhos com a vergonha do momento. Sabia bem o que deveria fazer, contudo, ainda era difícil aceitar a situação. Iria se resolver com os próprios sentimentos.

...

Ainda estava meio mole, o que era muito ridículo. Fala sério, era um capitão, não deveria se abalar com tão pouco. Apenas não era pouco. Era o momento da verdade ou algo estúpido do tipo. Estava no próprio quarto, pensando no que iria fazer a seguir. Sabia, de certa forma. O que faltava mesmo era coragem. Ou talvez nem fosse a coragem. Era o fato de saber que pisaria em seu orgulho, o esmagaria. Era doloroso, estupidamente doloroso. Vestiu-se apropriadamente e foi em direção ao livramento da culpa e do arrependimento.

...

A chuva caia forte. Renji achava estranha essa coisa de estar chovendo muito ultimamente. Estava fazendo exatamente nada. Se estar deitado em sua cama, pensando nas coisas que deveria e não deveria ter feito pode ser considerado nada, é isso. Kuchiki Taichou estava estranho pela manhã. A aparência estava um tanto frágil, diferente da imponência de sempre. E, ah, quando tocou aquela pele perfeita novamente, sentiu que era o homem mais controlado, azarado e burro do mundo. Isso porque não agarrou o cara ali mesmo, porque foi provocado e testado ao máximo e porque, além de não ter agarrado o cara ali mesmo, foi a única grande causa de não poder ter Byakuya novamente. Respectivamente.

Suspirou cansado. Esse tipo de pensamento, o de ser burro, era cada vez mais comum (porque é verdade). Ouviu uma batida na porta. Estranho, não estava esperando ninguém. Levantou-se de má vontade e foi até lá. Se fosse Hisagi, Kira ou Iba, mandaria pastar, sinceramente. Abriu a porta, pronto para pôr o infeliz pra correr, quando teve a surpresa do século. Byakuya Kuchiki, vacilante, ofegante e ruborizado, além de encharcado, parado na soleira de seu dormitório. Ele lhe olhou sob os longos cílios.

– Posso entrar? – Renji engoliu em seco antes de concordar.

...

Byakuya respirou fundo. Nem ele mesmo acreditava no que estava prestes a fazer. Enquanto ia para o esquadrão encontrar Renji, uma chuva torrencial começou. E isso agravou um pouco o seu estado de saúde. Renji tentava ser prestativo, era óbvio.

– Taichou, senta aqui. – Ele indicou uma das poltronas. – Espera! Tem que trocar de roupas primeiro, vai ficar resfriado desse jeito. – Parecia que nada havia mudado. Renji sempre foi assim, extremamente atencioso.

– Eu...

– Aqui tem uma muda de roupas suas, eu vou buscar. – Ele voltou para o quarto, deixando Byakuya sozinho. As coisas ali continuavam do mesmo jeito. Claro, nada mudaria tanto em um período tão curto de tempo. Nada além dos pensamentos e das decisões do nobre. Logo Renji voltou, com algumas roupas e uma toalha nas mãos. – Aqui, taichou. – Ele as entregou para o moreno e parecia estar tomando o cuidado de não encostar-se à pele do outro. Isso era bom, Byakuya percebeu que não é o único afetado quando há contato físico. Byakuya deu um olhar de relance para onde ficava o banheiro e Renji sorriu. – Ah, não tem nada aí que eu já não tenha visto. – O Kuchiki franziu as sobrancelhas e Renji pigarreou, constrangido. – Quer dizer, se quiser ir ao banheiro, conhece o caminho. Ou eu viro de costas e... – parou de falar, enquanto Byakuya tirava as roupas, secava-se e trocava pelas outras, sem se incomodar por estar sendo vigiado um par de olhos atentos. A cena era tão erótica...

– O que eu vim fazer é simples e não podia esperar. – ele declarou, ainda sem olhar nos olhos do outro. Se Renji estivesse o assistindo, veria o olhar profundo que ele mandava para a toalha. – Eu preciso conversar com você.

{···}