Notas iniciais
Eu sei que eu tinha prometido tentar voltar mais rápido, e eu peço milhões de desculpas pela demora. Eu já sabia o que iria acontecer nesse capítulo, só estava com um pouco de dificuldades de por no papel. Mas enfim, é isso. Não ficou exatamente como eu esperava, mas eu espero que vocês gostem ou odeiem. Kisses e vejo vocês lá embaixo!

Thalia estava descendo do seu carro esportivo preto. O vento frio lhe açoitava, o sobretudo aberto não a aquecia o suficiente. Ela bateu à porta do carro e caminhou tranquilamente em cima dos saltos de vinte centímetros em direção ao prédio central do colégio. A recém cortada franja desfiada cobria parte de seus olhos e o cabelo negro e sedoso que costumava ir até a sua cintura agora estava repicado, num corte Channel despojado.

Ninguém falava enquanto ela caminhava por sua passarela particular. Thalia gostava disso, gostava de ser o centro das atrações. Pelo menos ali no colégio ela podia ser a rainha, podia realmente causar. Sente o calor se espalhar por seu corpo quando cruza as portas pesadas que levam a parte interna do colégio. Lá estava ainda mais cheio, mas Thalia não se amedrontava com multidões, principalmente multidões que falavam dela.

Seus olhos azuis gélidos passam por cada um dos rostos do corredor, e por alguns segundos encontram os negros e sem vida de Nico di Ângelo. Ele usava aqueles óculos de armações ridículas e aquele moletom cinza horrível, carregava um sorriso idiota no rosto e alguns livros na mão. Mas Thalia sabia, pelo brilho de seus olhos, que ele havia a notado, que ela havia despertado alguma coisa dentro do garoto. Desvia o olhar e continua caminhando até o seu armário.

Annabeth a encarou com uma das sobrancelhas arqueadas e o mesmo sorriso gentil que não tinha nada a ver com ela de sempre. Mas o que mais a surpreendeu, foi um Percy Jackson encostado em seu armário.

Ela pigarreou, as mãos no bolso do casaco.

– Com licença, mas eu acho que você está no armário errado. — disse, sem emoção

Percy sorriu, desviando o olhar do seu e encarando todo o seu corpo. Franziu as sobrancelhas ao ver seu cabelo, e depois deu de ombros.

– Na verdade, eu acho que não. — disse — Eu só queria, sei lá, ver se a gente pode sair qualquer dia desses...

Foi a vez de Thalia franzir as sobrancelhas. Percy estava a chamando para sair?

– Bom, eu vou anotar o meu número aqui e ai você me adiciona e sei lá, a gente marca... Pode ser gatinha?

Thalia tem que segurar a risada com esse tom de voz de Percy e essa sua forma vívida de falar. Não tinha realmente nada a ver com o Percy que ela conhecia.

– Hm... Claro. — ela diz, confusa

Percy a passa um pequeno papel com seu número falso. Ao o desembrulhar ela nota um papel menor ainda dentro deste.

– Thalia, Percy Jackson, o cara mais gato dessa merdinha de colégio, simplesmente acabou de te chamar para sair! — sua melhor amiga, Zoe, diz, dando pulinhos de animação como geralmente fazia para animar a torcida

– Ele é tão gato, tão quente... Aqueles olhos verdes, aquele bronzeado... — Pamela diz — Eu podia ter um orgasmo só de tocar naqueles bíceps.

– Você vai sair com ele, não vai? — Liz pergunta

Thalia lê a mensagem discretamente, suas amigas animadas demais à frente para notar a garota para trás.

Estamos com problemas. Galpão ás nove.

Thalia teria de sair com ele, mas não pela razão que as amigas imaginavam.

Insanity ☠

O colégio inteiro só comentava sobre o novo corte de cabelo de Thalia Grace. Mesmo ali, refugiada na sala de teatro, onde ninguém realmente ligava para as líderes de torcida, esse era o único assunto que causava os burburinhos entre os alunos.

– Eu achei que valorizou bastante os olhos azuis dela, de verdade, ficou muito bom. — Mandie diz, sua voz infantil em um sussurro

– Eu também gostei, mas ela ficava mais... Sensual com o cabelo grande. — Taylor sussurra ainda mais baixo

– Sei lá, ela ficou mais assustadora. Principalmente com aquela maquiagem preta. — Chelsea diz, sem se preocupar em falar baixo

Annabeth suspira, lendo mais uma vez as suas falas e as repassando mentalmente.

– E você, Annabeth? — Mandie pergunta

– O que tem eu?

– O que achou do novo corte de cabelo da Thalia? — Chelsea pergunta

– Ah, eu acho que ela fica linda de qualquer jeito né. — diz — Ficou muito bom, realçou o rosto fino dela... E também, com aquele corpo lindo, até careca ela fica bonita.

Annabeth sorri, expondo suas covinhas.

– É verdade, a Thalia é realmente muito bonita. — Mandie diz, roendo uma das unhas de nervosismo

– Mas Annie, você também tem um corpo lindo! — Taylor fala — Só que fica se escondendo por trás dessas roupas largas... Todo mundo para pra olhar quando uma de suas saias está acima do joelho.

Annabeth força seu rosto a corar, e depois dá um sorriso meio nervoso.

– Deixe de historia, Taylor. — diz, soprando uma das mechas de cabelo para fora do rosto — O meu corpo é simplesmente horrível, todo mundo sabe disso. E além do mais...

– Crianças, vamos iniciar os testes para os papéis principais da nossa peça deste ano. — o professor a interrompe e Annabeth suspira aliviada, porque não sabia mais o que falar — Suponho que já tenham dado uma lida na proposta e que saibam as falas. Peço então que todos se sentem em suas poltronas e abram os seus manuais na página quarenta e seis. Iremos iniciar os testes com Amanda Lincoln.

Annabeth e as outras garotas sussurram um "boa sorte" para a amiga e a veem subir no palco, nervosa. A figura pequena se movimentava com habilidade, e Annabeth achou que Mandie havia estudado bastante, pois interpretava uma Elizabeth incrível. Depois dela outras garotas tentaram o papel de protagonista e ai chegou a vez de Annabeth.

Ela subiu no palco, e todos imediatamente se calaram. Caminhou até achar uma iluminação que a favorecesse e abriu o seu exemplar de Orgulho e Preconceito na página marcada, dando uma última lida no enredo antes de começar.

– "Não tenho pretensão alguma pelo tipo de elegância que consiste em..."– Annabeth podia sentir a personagem aos poucos tomar conta dela, era o que sempre acontecia quando atuava

Sentia as emoções do personagem, as expunha. Vivia o personagem. Ali, já não era mais Annabeth Chase fingindo ser Annabeth Chase. Era Elizabeth, de sábias palavras e grande humildade, que sabe o que dizer na hora certa de se dizer. E que sabe amar.

Não se dá conta de que havia terminado, até que escuta os aplausos irromperem e a luz apagar.

– Excelente, Srta. Chase, excelente. — o professor a cumprimenta — Bom, por hoje é só! Os resultados estarão grudados no corredor do refeitório depois do almoço!

Annabeth olha ao redor, ainda em estado vegetativo. Ela pisca, se acostumando com a claridade e apanha a bolsa Marc Jacobs do piso amadeirado do palco. Seus sapatos de salto largo fazem barulho quando ela desce os degraus da escada, e suas amigas a esperavam a porta do teatro.

– Annabeth, você foi incrível! — Taylor fala, soprando algumas mechas de cabelo do rosto antes de continuar a falar — Você estava sendo modesta quando disse que tinha dado apenas uma lida.

Annabeth sente suas bochechas avermelharem e tenta sorrir sem jeito, ajeitando a alça de couro da bolsa sobre o ombro.

– Não é pra tanto, meninas, a Amanda também foi muito bem. — fala — Mandie, acho que dessa vez o papel é inteiramente seu!

A figura pequena e sardenta de Amanda Lincoln parece brilhar com o elogio, os olhos castanho avelã da garota reluziam e um sorriso casto e nervoso tomou sua face.

– Você acha mesmo, Annie? — pergunta, suas mãos nervosas gesticulavam — Eu sei que não tem nem como competir com você, porque você é uma Elizabeth perfeita, mas eu ficaria extremamente feliz em ser ao menos uma das irmãs... Ou sua substituta, quem sabe.

Annabeth revira os olhos, colocando uma das mãos na cintura.

– Não seja boba Mandie, você tem tantas chances quanto eu! — fala — De verdade, eu achei que você foi muito bem.

A garota então começa a tagarelar sobre como estava nervosa e como queria que os resultados saíssem logo para que ela pudesse começar a ler e estudar suas falas de uma vez. Annabeth suspira, procurando algo para a entreter enquanto escutava as conversas infantis e fúteis das amigas.

Encontra os olhos frios e azuis de Thalia, e sorri sem sentimentos.

– Annabeth. — Thalia a cumprimenta, como era de costume quando se encontravam pelos corredores

– Thalia, meu Deus, você está incrível! — Annabeth finge surpresa, seus olhos cinzas cuidadosamente delineados estavam arregalados com falsa emoção — Uau, você ficou maravilhosa com esse cabelo!

A morena sorri e agradece superficialmente e depois segue seu caminho na direção oposta à da garota. As duas não chegavam a ser colegas (nem dentro e muito menos fora da escola), mas no colégio, Annabeth era a garota boazinha do clube de teatro, a rainha dos bailes de primavera, e Thalia era a líder de torcida vadia. As duas eram populares, era natural que ao menos fossem cordeais uma com a outra, apesar das divergências.

– Vocês não vão acreditar! — Hazel Levesque, uma garota do clube de matemática de Mandie, chega correndo e bagunçando tudo por perto. Ela era pequena e frágil como a amiga, mas seus cabelos eram de um tom de castanho que refletia a luz e parecia vermelho, e possuía cachos tão modelados que pareciam pequenas molas. — Percy Jackson e Thalia Grace estão namorando!!

– O-o que? — Annabeth se interessa subitamente, desde quando isso estava acontecendo e por que ela não sabia?

– Isso mesmo! Meu Deus, como eu posso não ter pensado nisso antes?!!! — Hazel fala tão depressa e atropelado que as garotas tinham até dificuldade de entender — Eles simplesmente combinam tanto! Até porque essa história de líder de torcida e jogador de futebol é tão old, não tem nada a ver com a Thalia que é super descolada e tal... A Anna que faz aula de ciências sociais com a Penny que é do clube de música e mora no mesmo condomínio que a Michelle que é da minha sala de redação viu os dois conversando hoje perto do armário dela, parece que eles deram um beijão daqueles de cinema e de tirar o fôlego e que ele se ajoelhou e a pediu em namoro ali mesmo...

Annabeth arqueia uma das sobrancelhas, a própria já estava sem fôlego pela garota. Na parte que ela havia entendido, Percy havia pedido Thalia em namoro no meio do corredor, pra todo mundo ver, sendo que para todo o colégio eles sequer nem se falavam. Não fazia um pingo de sentido, porque até onde ela sabia, Thalia e Nico tinham uma espécie de caso de amor proibido e escondido. Algo dentro dela dizia que Percy simplesmente não faria isso. Não era possível.

Ela balança a cabeça e coloca um sorriso falso e radiante nos lábios.

– Eu não acredito que ela não me falou!! — diz — Pensando agora por esse lado, até que eles combinam. Imagina só, se eles ganham pra rei e rainha do baile!!

Amanda e Chelsea a encaram com os lábios franzidos.

– Mas Annie... Era pra você ganhar pra rainha! — Mandie diz — Você sabe, seria o quarto ano seguido, e você seria a primeira desde Karina Seahawks a ser tetrarainha. E ai, ano que vem você ia ganhar de novo e ia ser a primeira pessoa desde a criação do colégio em 1898 a ganhar pra rainha durante todo o período escolar!

Annabeth revira os olhos, enrolando um dos cachos dourados no dedo indicador.

– Deixe de besteira, Mandie, eu nunca quis ser rainha. — diz — Você sabe, foi simplesmente mera coincidência da primeira vez, e aliás, em todas as outras... Não sei como eu sempre sou indicada.

Ela pode ver Taylor revirando os olhos.

– Annabeth quando você vai entender que você é linda? Menina se toca, apesar de ficar se escondendo nesses casacos e nessas meias de bolinhas, todo mundo simplesmente para pra te ver passar. — ela diz, suspirando e a olhando com aquele olhar azul escuro intenso — Além de que, todo mundo simplesmente te adora. Tenho certeza que se existisse um miss simpatia no East High, você seria a miss simpatia vitalícia.

Annabeth revira os olhos e ri, entrando na fila do almoço.

– Meu Deus, eu preciso comer logo! Os resultados dos testes saem depois do almoço!! — Amanda diz, colocando com pressa a comida na bandeja

Annabeth suspira, escolhendo a salada com aparência de mais fresca. Ultimamente era isso que estava a dando mais trabalho: manter as aparências.

Insanity ☠

Nico di Ângelo não se considerava um cara misterioso. Na verdade, se alguém realmente prestasse atenção nele naquele colégio, os quatro já teriam sido descobertos a muito tempo. Mas como era basicamente invisível, passava facilmente despercebido por tudo e todos.

Ele sentia o cano da arma em seu bolso pressionar a sua coxa de uma forma que chegava a doer. Não se importava, no entanto, era acostumado com a dor, e chegava inclusive a a apreciar. Talvez fosse por isso que gostava tanto do perigo, da adrenalina. Testar até onde, até que ponto, poderia aguentar. Apenas não fazia parte de seus planos meter tantas outras pessoas no meio da história.

No início era só curtição. Queria descolar uma grana por conta própria, se sentir independente. E ai, quando surgiu a chance de traficar dentro do colégio, ele pensou "por que não?". O que não imaginava era que a coisa fosse tomar proporções tão grandes, e que agora girasse tanto dinheiro e envolvesse tanta gente. Era só ele e alguns pacotes de maconha, e agora... Ele estava falando de milhões de dólares. Centenas de pessoas.

Não podia sequer se lembrar de como Thalia, Percy ou Annabeth haviam entrado na história. Por mais que fizesse pouco tempo e tudo tivesse passado simplesmente rápido demais, aparentemente faziam aquilo a milênios. Era um círculo vicioso, um movimento circular sem atrito: se não houvesse uma força para os fazer parar, continuariam fazendo aquilo para sempre.

É interrompido de seus pensamentos pelo rangido agudo de quando a velha e enferrujada porta de metal do galpão é aberta. Annabeth tinha as bochechas rosadas por causa do frio. Qualquer um que a visse assim, os cabelos dourados, a pele branca e pálida, as bochechas rosas, a meia calça de lã e o enorme casaco de bolinhas, imaginaria que ela era exatamente a garota que todo o colégio imaginava que ela era. No entanto, Nico sabia o que havia por debaixo daquele agasalho, e por trás daqueles olhos cinzas. Annabeth tinha simplesmente a mente mais perversa e o sorriso mais maníaco que ele já vira.

– di Ângelo. — sua voz era gélida e sem emoção — Onde estão os outros?

Nico as vezes ficava hipnotizado pela sua beleza diabolicamente angelical.

– An? — piscou os olhos, limpando a mente de todos os pensamentos — Eu não sei, já deviam ter...

Antes que ele pudesse desviar os olhos para o relógio o barulho da porta abrindo o interrompe e Percy e Thalia entram. Annabeth arqueia as sobrancelhas loiras, sorrindo aquele sorriso sem dentes perturbador.

– Então era sério? — pergunta — Vocês estão mesmo namorando?

Nico sente os seus olhos praticamente pulando das órbitas quando os arregalou. Seu olhar desviava da figura de Percy, que como sempre usava o velho agasalho cinza e soprava as mãos na tentativa de se aquecer, para Thalia, com o nariz empinado e o olhar superior.

– O que? — Percy franze as sobrancelhas, como se não estivesse entendendo nada — Eu e Thalia...? O que?! Não!

Thalia revira os olhos, jogando a carteira preta em cima da mesa.

– Até parece que você não sabe como as histórias mudam quando passam de boca em boca. — fala — Ah, é. Você não sabe mesmo, ninguém fala de você, "senhora perfeitinha".

Annabeth revira os olhos, tirando o pesado casaco e o jogando em uma cadeira qualquer.

– Ele só foi me entregar o papel com as informações do encontro e ai alguém viu e enfim... O resto vocês já sabem. — conclui — Agora eu só quero saber por que nós estamos aqui.

– Bem, isso é algo que nós temos em comum. — Annabeth fala, observando a morena com desprezo

Nico troca um olhar com Percy, que estava muito à vontade em cima de uma mesa.

– Travis quer abandonar o barco. — Nico diz

Percy revira os olhos, enquanto Thalia e Annabeth tinham uma expressão de confusão.

– O que ele quer dizer é que o Travis desistiu, ele quer cair fora. — Percy explica

– Mas o que? — Annabeth ainda tinha a expressão calma, mas Nico conseguia imaginar os seus neurônios transmitindo mais impulsos nervosos do que o recomendado por segundo por detrás do rostinho de anjo — Ele não pode simplesmente abandonar o barco!

Percy revira os olhos diante da repetição do termo usado por Nico.

– Nossa, como você chegou a essa conclusão?! — Thalia ironiza — Qual o seu QI? Nem Einstein pensaria nisso!

Annabeth ignora, agora o único som que preenche o espaço é o barulho do batuque de suas unhas na mesa de metal.

– O que ele disse? — ela continua

– Não quer mais se envolver. Só quer ter uma vida normal. Cansou do crime. Coisas do tipo. — Nico suspira, bagunçando os cabelos negros — Ele disse que faz até juramento de sangue que não vai contar nada a ninguém, e que vai manter o bico fechado.

Annabeth ri, enquanto Percy tinha o olhar vago.

– É meio óbvio que ele não pode simplesmente largar tudo a essa altura do campeonato. — Thalia fala — Mas então? O que realmente viemos fazer aqui?

– Assistir ao show. — Annabeth diz, sua voz ecoa por todo o ambiente

Como em sincronia com as suas palavras, um Travis agitado passa pela porta dos fundos do local. Seus olhos estavam vermelhos, e ele mexia as mãos a todo o tempo. Seu olhar percorre o ambiente e para nos quatro, mais especificamente em Nico. Dois homens encapuzados o acompanhavam, ele possuía uma arma apontada para a cabeça.

– Travis, Travis. — Thalia diz — Eu esperava mais de você.

– Vocês não vão... Vocês não vão me matar, não é?– sua voz era frágil, e ele parecia prestes a desaparecer de tanto se encolher

– Nós nunca faríamos isso, e você sabe disso. — Thalia prossegue — Você é uma peça muito importante do nosso jogo, não abriríamos mão de você nunca.

– Mas eu não quero... Eu não posso mais continuar. — seu olhar vagava para a parte mais ao fundo do galpão, sem se fixar em nada — Eu só quero voltar a ser alguém normal de novo. Eu posso esquecer tudo isso... Eu juro que isso vai para o túmulo comigo...

– Infelizmente você abriu mão de ser alguém normal quando pisou pela primeira vez aqui. — a voz de Nico soava mais sombria do que ele esperava — Ainda está meio longe de você ir pro túmulo, não podemos correr o risco de não saber se você vai ou não guardar o nosso segredo.

– O que...? O que você quer dizer com isso? — Travis gaguejava, ele parecia prestes a chorar

– Podem entrar.

O grito de horror de Travis Stoll provavelmente era um som do qual nenhum deles jamais se esqueceria. Ele se contorcia nos braços dos dois homens que poderiam ter o dobro de sua altura, e as lágrimas brotavam de seus olhos e jorravam como em uma cachoeira.

– Não! Não! – ele soluçava e se debatia — Por favor não! Me matem! Me matem por favor, mas não façam nada com ela! Por favor!

A figura pequena de Katie Gardner, namorada de Travis, era carregada por dois outros homens, ela estava vendada e não conseguia gritar pois tinha um pano na boca. Seus braços pequenos tentavam a todo custo se livrar do aperto dos homens, e ela se debatia enquanto eles amarravam seus braços e pernas a cadeira de metal.

Travis tentava a todo custo se libertar, o seu olhar desesperado encontrou com o de Nico. Havia rancor, emoção, desprezo, súplica, desespero, amor, medo e tudo mais em seus olhos vermelhos.

– Não façam nada com ela. Eu faço o que vocês quiserem. — ele suplica

Katie resmungava, e da sua boca saiam sons ilegíveis. Nico tinha pena pela garota, afinal ela não tinha culpa de nada daquilo, mas não havia outra saída.

– Nós não vamos fazer nada que você não possa suportar, Travis. — ele diz — É só pra garantir que você sabe o que pode perder se pisar na bola conosco.

As lágrimas ainda corriam desesperadas pelo rosto vermelho do garoto.

– Tragam-no até aqui.

Os homens carregaram Travis até onde Nico estava. Katie possuía três armas apontadas para a sua cabeça. Nico retirou o próprio revólver do bolso e o girou na mão, sentindo a textura metálica e gelada em sua pele grossa e cheia de calos.

– É bem simples, você vai atirar onde quiser. — explica — Se desviar a bala da garota, as três pistolas ali vão disparar, e eu garanto que os homens têm a mira muito boa.

Travis ainda chorava muito enquanto Nico colocou a arma na sua mão.

– Você possui três balas, aproveite-as.

As mãos de Travis tremiam muito, e ele não parecia sequer capaz de erguer os braços para mirar. Nico sentou-se ao lado de Thalia, que parecia desconfortável diante da cena. Percy não parecia prestar muita atenção. E Annabeth, contra todas as expectativas de Nico, parecia nauseada. Apesar de psicopata, ela ainda tinha coração. Ou talvez fosse apenas o cardápio da cantina daquele dia que não estava dos melhores.

– Por favor não. — ele implora

– Dispare. Agora. — Nico ordenou

Travis soluçou, mas sabia que se demorasse mais a ordem seria atendida pelos três marmanjos.

O som da primeira bala ecoou por alguns segundos no ambiente fechado, Nico acompanhou o movimento da bala girando e girando até atingir o braço esquerdo da garota. Katie gemeu alto de dor, e Travis soluçou, fechando os olhos e deixando as lágrimas escorrerem.

A segunda e a terceira bala fizeram a mesma trajetória e se instalaram em alturas diferentes do mesmo braço da garota. Travis largou a arma e correu até estar ajoelhado aos pés da menina, que se contorcia de dor. Annabeth gritou ordens para que trouxessem gaze e água oxigenada para que o local não infeccionasse, mas bastou se aproximar mais um pouco para notar que não haveria jeito.

– Acho que vamos ter que amputar.

Thalia se distanciou, agora estava praticamente verde e ao a olhar Nico achou que ela fosse mesmo vomitar.

Katie gemia mais alto e protestava, se contorcendo e movimentando. O seu próprio sangue escorria pelo casaco de cor clara. Travis não conseguia fazer outra coisa se não chorar e repetir que tudo iria ficar bem. Annabeth pegou a injeção que um dos homens havia trago e a aplicou no braço da garota, que apagou quase que imediatamente.

– Ela não precisa ver isso. — falou — Já vai ser sofrimento demais acordar só com um braço.

Levaram Katie para algum lugar mais a dentro do balcão. Travis continuava deitado no chão, chorando e soluçando, mal conseguindo falar.

– Eu... Eu... — ele soluçava, mas finalmente conseguiu formular uma frase — Eu odeio vocês.

Annabeth se levantou, fria, apanhou a arma descarregada do chão e a colocou no cós da meia calça.

– Não precisamos que nos ame, só precisamos que nos tema. — disse — Espero que tenha aprendido a lição, ou isso pode ser só o começo.

Notas finais
Eu ja pedi de desculpas lá em cima, mas estou pedindo de novo porque sei que eu pisei na bola feio. Eu queria agradecer muito a todo mundo que comentou e tudo mais, eu fiquei mais que extremamente feliz com os comentários de vocês, de verdade, não tenho nem palavras. A Fic já tem mais de 70 pessoas acompanhando, meu Deus, isso é tão louco, uau! Muito muito muito obrigada a todo mundo haha! Espero que continuem aqui comigo e que favoritem e tudo mais, um simples review já me deixa muito feliz haha! E sim, eu estou mega ultra power emotiva hoje, então não reparem. No capítulo passado eu havia dito que esse capítulo não era recomendável para shippers de... É muita gente achou que era Percabeth, haha! Sinto muito se eu deixei vocês nervosos e tensos, mas eu não podia falar né! Ia perder totalmente a graça. Enfim, me digam o que vocês acharam disso é tudo mais, por favor! Eu tô muito insegura em relação a esse capítulo porque a minha escrita saiu muito diferente da normal, e foi bem estranho, de certa forma. Eu tentei retratar a visão do Nico e ficou bem estranho, porque mesmo que inconscientemente eu escrevi o ponto de vista dele de uma forma mais informal. Mas enfim, a filha do sol sumiu e se alguém tiver notícias dela agradeço se me informar, ok? O próximo capítulo pode demorar mais um pouco pra sair, então hold on ai! Eu juro que ele vai sair até o fim do mês que vem (muito tempo, eu sei) que é quando eu vou ter umas micro férias que serão muito bem vindas e vão ajudar a adiantar a história. Eu vou dar uma olhada na história pra saber o que vai rolar no próximo capítulo, e ai quem sabe eu já comece a adiantar nesse fim de semana (que eu estou de folga graças ao meu bom Deus, sem prova, redação, cursinho nem nada, Glória a o pai!). Enfim, ta uma barra danada pro meu lado e além de tudo que eu já tenho que estudar, ainda tem um debate que o louco do meu professor de redação marcou pro fim do mês e que vale a nota da etapa, então eu to tendo que estudar feito uma louca ao quadrado. Mas eu ainda tenho tempo pra responder os seus reviews então podem mandar (sentiram a indireta?). A filha do sol sumiu, como eu já disse, e era ela quem escrevia as partes do Nico e da Thalia, então se ficou estranho e diferente é porque eu ainda não estou habituada com eles dois haha. Ta o maior estresse com a minha família então ta tudo BEM complicado mesmo. Chega de falar dos meus problemas aqui né, então é isso! Espero que tenham gostado então comentem pra me dizer o que acharam. Quem não gostou também pode comentar. E quem tem piriquito papagaio cachorro e etc também pode comentar! Beijinhos e até o próximo! one less lonely girl