Insanity

1 Cap. 1 - Recomeço


Numa loja de doces. Foi onde eu encontrei uma menina com cabelos aparentemente escuros e olhos avermelhados.

– O que está fazendo aqui? — Perguntei, sem qualquer expressão facial. Ela ficou em silêncio, me fitando com uma faca em mãos.

– Estou vendendo doces. É o meu emprego. — A garota se virou, havia uma expressão séria e vazia em seu rosto. — Você quer um? São dois dólares.

– Qual seu nome? — Falei, ignorando o que ela havia dito anteriormente.

– Matsuri Ayano. — Ela respondeu, fincando a faca no balcão, ainda me observando.

– Certo, Ayano, vou nomear-te. — Fui em direção à ela, pegando um dos doces que estariam ali perto, me afastando um pouco e a fitando. — Você vai ser minha escrava.

Logo após eu terminar minhas palavras, ela retirou a faca do balcão, ficando com ela em mãos novamente, e avançou contra mim, com a intenção de perfurar meu ombro.

– Eh.. — Dei um pequeno pulo para o lado, fazendo-a passar pelo vácuo. — Que agressiva.

Permanecemos em silêncio por algum tempo, até que ela abriu a boca para recitar algumas palavras.

– Não sou escrava de ninguém, mas aceito ficar ao lado de alguém como você.

Observei-a por um tempo, até que comecei a rir um pouco, voltando a expressão séria novamente.

– Não é você quem decide as coisas por aqui. Agora vamos. — Disse, virando-me e indo em direção a saída, enquanto jogava o doce que havia pego de volta para ela.

Ela pegou o doce, colocou-o no balcão e passou a me seguir. Nós andamos bastante. Realmente, estava tudo destruído. Paramos para descansar numa escola que havíamos encontrado ali perto. Começamos a olhar todas as salas, parecia estar tudo vazio. Em uma daquelas salas, havia um rapaz sentado na mesa que aparentemente seria do professor. Seu cabelo ela loiro e sua franja cobria um pouco seus olhos.

– Estranho. — Dei as costas e fui olhar as outras salas.

– Que rude. — O rapaz disse, enquanto se levantava, dando algumas risadas.

– Quem é você? — Perguntei, voltando a dar atenção ao loiro.

– Hiromo. É um prazer em conhecê-lo. — Ele respondeu, com um sorriso um pouco falso no rosto.

– Não posso dizer o mesmo. — Falei, num tom sarcástico.

Automaticamente formamos um trio, e ficamos naquela escola abandonada por um tempo. Eu dormi por um curto espaço de tempo, e acordei com um barulho muito alto, semelhante ao de um sino. E, bem, realmente era um sino.

– O que é isso? — Perguntei, num tom de voz alto.

Eu estava falando sozinho, afinal, não havia ninguém ali naquela sala. Saí para procurar os outros dois e acabei achando.

– O que vocês fizeram? — Novamente, perguntei, com o mesmo tom de voz de antes, mas agora eu não estava falando sozinho.

– Nós tocamos o sino da escola. Isso pode atrair aqueles "monstros". Fique atento. — Ayano respondeu, com uma expressão séria.

– E pode me explicar por que fizeram isso? — Respirei fundo, olhando para todos os lados possíveis.

– Não foi de propósito. — Disseram juntos.

Aqueles monstros começaram a chegar. A cada minuto aumenta o número deles. Ah, acho que os chamarei de "monstros" mesmo.

– Ayano, me dê a sua faca. — Falei, observando-a com uma expressão séria.

– Por que eu faria isso? — Ela perguntou, hesitando em entregar a faca.

– Não desobedeça ordens do seu líder. — Peguei a faca de suas mãos em grande velocidade. — Vá para dentro e não saia. Se vier, eu te mato. — Dou um sorriso meia-lua, voltando à expressão séria em poucos segundos.

Ela foi para dentro. Seria cansativo ter que matar todos eles, mas não eram muitos, então não teria muitos problemas.

– Você sabe o que deve fazer, não sabe? — Perguntei ao rapaz loiro, expressando estar despreocupado.

– Não é óbvio? — Ele respondeu, com um sorriso no rosto.

Rapidamente, eu avancei contra alguns daqueles bichos, andando em círculos, com a faca na mão direita, deixando-a a frente e mirando na garganta de cada um dos meus alvos, assim, acertando o local da mira, os matando em pouco tempo. O rapaz com olhos cobertos já havia feito sua parte, também, porém com uma katana de coloração preta. Voltamos para dentro, eu devolvi a faca para Ayano.

– Limpe isso. Não façam tal imprudência novamente. Isso foi ridículo e desnecessário. — Retirei-me do local, procurando uma sala para descansar.

Já estava anoitecendo. Eu dormi, e dessa vez sem nenhuma interrupção. Os outros dois fizeram a mesma coisa. Demorei um pouco para dormir, na realidade. Aquilo foi irritante. E teremos de andar novamente amanhã. É tão chato. Não há realmente nada de divertido para fazer quando o mundo está em uma situação assim. De qualquer modo, tenho a impressão de que vamos encontrar mais pessoas com o passar do tempo. Vai ser um tédio. Bem, não há nada que possamos fazer.

– Uwaa. — Eu acordei no meio da noite. Estava com fome. Decidi sair para procurar algo para comer.

– Onde está indo? — Era Ayano, então ela estava acordada também.

– Não me encha. Vou procurar algo para comer.

Ela voltou a dormir. Eu procurei por um tempo algum lugar que tivesse algo para comer, mas não achei nada que estivesse com vontade. Voltei para a escola, mas, bem, eu acabei dormindo no chão, no refeitório. Desagradável. Estava realmente com bastante sono. No fim, consegui uma escrava e um subordinado, apesar de serem ambos inúteis, pelo que parece.