Insanity
11 Capítulo 10 - Duas novas histórias
Notas iniciais
Einsegard
Não gostava de missões de campo, foi por isso que me alistei como médico na AIA, não era nada bom com armas. Apesar disso Felix estava me levando a uma. Claro que os outros agentes iriam me proteger, eles sabiam dessa minha impossibilidade. Mas só de pensar em todos os riscos que poderíamos passar eu já ficava enjoada. Eu tentei não pensar naquilo, mas não consegui, então fui correndo para uma lata de lixo e vomitei lá. Eu tinha um estômago fraco para aquele tipo de coisa. Achei ter vomitado todo o meu café da manha. Eu me sentei na minha cadeira de novo. Estava exausto, não tinha dormido nada desde que ouvira aquela notícia, mas logo eu teria que ir para a missão. Tinha que estar desperto. Eu sai da minha sala para o café, talvez eles já estivessem abertos. Fiquei surpreso por encontrar uma garota sentada comendo o seu café. Ela era uma das que tinha visto do time 46, os agentes com qual eu iria para a missão. Seria bom conhecer alguém deles antes de ir.
Eu me sentei ao lado dela.
- Olá, você deve se lembrar de mim, mas não sei seu nome – Falei tentando ser gentil.
Eu olhei no rosto dela, ela estava parecendo triste, muito triste, estava com os olhos encobertos de lágrimas. Mas ela parecia tentar se controlar.
- Meu nome é Amber – Falou tentando não mostrar a tristeza na sua voz.
- Ei, você está bem? – Perguntei preocupado.
- Sim, estou ótima, não se preocupe – Falou esboçando um sorriso forçado.
Era depressivo olhar para seu rosto, ela não era feia, mas dava para perceber a força com qual ela estava segurando seus sentimentos. Eu fiquei com pena, mas sabia que não ajudaria nada se eu falasse isso, então decidi ignorar.
- Ah bem. Está nervosa? Pois eu estou muito. Não consigo lidar com esse tipo de coisa – Falei tentando mudar de assunto.
- Não, não estou. Acostumei-me com as missões. Só vim aqui por gostar do café. Não consegui dormir bem a noite passada, não sei por que – Respondeu. Ela parecia um pouco mais descontraída, isso era bom, desse jeito ela poderia se acalmar.
- Não consigo dormir a dias, estou até alucinando, acho que não sou bom com missões, espero que nada de ruim aconteça... – Falei Pareceu funcionar, ela estava totalmente descontraída agora, ela só tinha que pensar em outra coisa.
- Não se preocupe. Vamos proteger você – Falou.
- Estou contando com isso. Vou pegar o meu café – Anunciei.
Quando eu voltei ela parecia ter limpado as lágrimas, e estava com a mesma expressão alegre de quando a vi.
Maria
Estava na praia olhando para o serviço de limpeza tirar os cadáveres de lá. Eu reconheci alguns, Jean, Rose, Philip, tinham vários. Meu irmão e irmãs que prometeram se sacrificar para minha segurança, eu iria sentir falta deles. Se não fosse aquele idiota do Hans nada teria acontecido. Ele havia sabotado o navio apenas para me matar, mas ele não conseguiu, ele deveria ter previsto que eu iria acabar o matando. Eu o julguei como um dos meus, alguém para confiar. Ainda me lembro das palavras dele pouco antes de morrer.
- Eu posso não mata-la, mas meu mestre irá. Ninguém pode mata-lo, nem mesmo você! – Falara.
Eu não entendi o que ele queria dizer, mas se ele me traiu. Quem garantia que alguém mais faria o mesmo? Sabia que não podia ser ninguém do grupo de elite com qual fazia parte. Eu olhei para os jovens que estavam fazendo aquele trabalho, eles pareciam ter a minha idade, e tinham um olhar aterrorizado no rosto, como se temessem que aquilo pudesse acontecer com eles também, o que era bem possível. Mas agora isso não era importante, eu não parecia, mas estava sofrendo.
Eu ouvi alguém se aproximando pelas minhas costas, então me virei e vi que era um dos garotos que tinham me ajudado quando estava no navio. Agora eu percebia que os cabelos dele eram castanho escuros e ele tinha os olhos da mesma cor que os meus. A me ver encarando para ele, ele parou aterrorizado. Às vezes esqueço-me de quanto posso dar medo só com um olhar, então me voltei para o naufrágio de novo. Ele pareceu ganhar um pouco de coragem e se aproximou mais, até ficar do meu lado e se sentar. Ele parecia um pouco mais calmo.
- Então, você é da Itália, certo? – Perguntou ele.
- Sim, eu sou – Falei.
- Então todos que estavam no navio eram seus subordinados? – Perguntou.
- Não, muitos deles eram irmão e irmãs para mim, eles vieram por que queriam me proteger, mas no final fui eu quem não pude protegê-los. Mas a morte deles me trará ainda mais força para lutar. Nunca vou esquece-los – Respondi.
- Me desculpe, não sabia que eles eram importantes, tenho certeza de que eles eram ótimas pessoas – Se desculpou.
- Nem todos... – Falei.
- Como assim? – Perguntou confuso.
- Você sabe aquele corpo que estava me prendendo, a pessoa que antes fora ele se chamava de Hans, eu confiei nele e ele me traiu descaradamente. Antes de morrer ele dissera que se mestre iria me matar. Até agora não consigo entender o que ele queria dizer – Expliquei. Era impressão minha ou eu estava mostrando meus sentimentos, não, fora só impressão.
- Bem, mudando de assunto, o que você acha que se trata a missão? – Perguntou.
- Eu já sei qual é, era para você também saber – Falei.
- É que eu ando bem distraído esses dias... – Falou.
Ficamos calados por um bom tempo, então ele se levantou e foi embora. Decidi fazer o mesmo, logo a missão começaria.
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