Insanidade
6 Destino
Notas iniciais
Mais um dia no Limbo, aquilo ficou tão comum para mim que eu já nem lembrava da minha vida na terra, era algo sem sentido, era como se tudo fosse recomeçado. Tudo havia mudado, minha vida, minha família, e até meus conceitos, era algo tão estranho, mas curioso.
Neste dia, era um dia diferente, nós estávamos caçando " wepers", eles são seres espirituais que viviam no Limbo, não sei do que são, mas, eles são comuns e até mansos no início, mas se eles não ingerirem uma substancia de la, eles se tornariam seres horríveis, e fariam coisas horríveis. Por isso, nós perseguimos eles. Eles são grandes, e alguns tem aparência meio humana, mas tem um olho apenas. Existem dois tipos, os azuis e os amarelos, os azuis eram calmos, e ingeriam menos daquela substancia , mas eram raros, e parecia que eles foram criados para servir, eles possuem uma aura azul em volta deles. Já os amarelos são poderosos, astutos e agressivos, mas eles precisam de ganância para ter poder, eles são mais instáveis, e quando não usam a substancia nociva, eles ficam mesmo loucos.
Lembro de certa manhã, eu encontrar com um deles, e ele me atacou.
– Não seja doido, estes seres são completamente nojentos !! — falou Arthur quando me salvou.
– Não acho... — falei, de forma rápida, mas abaixando o tom.
– COMO ASSIM !! — gritou Arthur inconformado.
– Eles só fazem oque são designados a fazer, fazem aquilo que foram destinado...- falei de forma melancólica, mas, filosófica.
– Não, eles podem escolher o destino, pois , eles tem varias opções — falou Arthur me retrucando.
– Talvez, mas talvez, o destino deles era rejeitar um destino, ou talvez eles fazem isso pois é oque eles fazem por natureza, mesmo que eles não tenham controle, acho que se eles tivessem escolha, alguns não fariam — falei novamente com um ar melancólico.
– Eles tem escolha Alan... só não conseguem enxergar... aceitar um destino que não quer é algo estúpido, pois se você não quer aquilo, então aquilo não é o seu destino, é o destino que os outros querem para você — falou Arthur.
Eu lembro de ter ficado em silêncio, mas, eu pensei nisso, até que cheguei em uma conclusão, "eu irei descobrir um jeito de sair daqui , achar respostas e resolver tudo ". Foi algo tão natural, como uma criança pobre, que sonha em ter aquele brinquedo, ou como uma adolescente que acabou de receber um "oi" do cara que gosta. Dias passaram, e hoje eu não consegui chegar a meu destino, mas eu ainda acredito que vou poder.
Quando os seres chegaram, eles estavam estáveis, eram um azul e um amarelo, eles tinham aparência humana, mas com um tapa-olho, o amarelo tinha cabelos amarelo forte, um paletó completamente amarelo, mas com uma gravata cinza. Ele tinha barba rala, e era baixinho, e também flutuava e ele possuía a tal aura.
Já o azul, era idêntico, mas, com o corpo e o paletó azul, e a gravata era preta, ele usava um chapéu vermelho. Eles tinham também aspectos diferentes, o azul era bem medroso e parecia ter chorado a pouco, já o amarelo tinha um ar malicioso, cruel e um olhar frio e um leve sorriso de lado.
Ambos estavam um do lado do outro, e estavam na janela da casa da árvore do Limbo, como chamamos nossa casa. Eles estavam pedindo mais comida, ou seja, a substancia, e em troca daria respostas corretas sobre o Limbo. Achei bizarro, ele apareceu do nada, e pede isso, mas, era algo comum até esse ponto, tirando o fato dele saber exatamente oque eu queria, ou , precisava.
–Heeey humano!!!- falou o amarelo.
– Quem são vocês?- preguntei, com uma das sobrancelhas franzidas.
– Somos wepers!!! sou Minn, e esse é Bily — falou o amarelo, ou melhor, Minn.
– Vocês querem oque mesmo? — perguntei, como se não acreditasse no que eles diziam.
– Ai , ai, eu gostaria muito de fechar negócio meu chapa, mas o negócio é o seguinte : me de comida que te dou mais respostas, sei que humanos querem isso — falou Minn , com um ar bem malicioso.
– Mas, como assim respostas? — falei rapidamente, de forma que quase me engasguei.
– Ué, respostas daqui do .... LIMBO, é sei que vocês chamam assim, eu te darei respostas, sobre como sair daqui — disse Minn. O que me chamou atenção, foi o fato de que ele mal sabia que nós chamamos aqui de Limbo, como se esse não fosse o termo certo.
– Mas, por que? você não tem achado mais "comida" por ai?- perguntei.
– A questão é que, eu preciso da comida que sei que tu tem!!!! — falou ele, como se não quisesse dizer, — E eu te prometi respostas depois — falou ele. Eu tinha bastante daquela "comida", pois era a única coisa que era boa para distrair, pois era possível criar bolinhas, que pareciam de borracha, ou até rodas e colocar em pedaços de algo parecido com madeira humana. Mas eu não tinha muito o que perder.
– Ótimo, então... por favor pegue! — falei, até andar e pegar um saco com aquilo. Arthur e as crianças estavam cochilando, e eu aproveitei. Óbvio que Arthur discordaria, e por isso decidi não falar depois. Quando entreguei a comida, Minn sorriu e abriu sua enorme boca, e devorou tudo sozinho. O azul, ou melhor, Bily, que estava em silêncio, começou a resmungar com insatisfação. Eu só perguntei : — Agora as minhas respostas — mas ele subiu mais e colocou o pé atrás do traseiro de Bily.
– Pergunta pra ele !! — falou até chutar o traseiro dele, e ele cair em cima de mim, eu logo vi ele chorar, mais, e me arrastei para trás já que havia caído, após isso levantei rápido, e corri para a janela, mas Minn já havia sumido.
Eu virei para Bily, e nem ao menos abri a boca, ele começou a chorar alto, e acordou todos. Arthur , num ato de desespero chutou Bily, que bateu na parede, ele gritou mais e chorou. Eu o impedi dizendo:
– Não, ele é amigo — falei de forma simples, Arthur deu dois passos para trás, e me encarou com aqueles olhos claros, eu pude ler seus pensamentos, perguntando oque havia ocorrido.
Fale com o autor