Insanidade

1 Insanidade


Ela fugiu de mim.
Pegou suas trouxas e sumiu.
Pôs-se a caminhar, sem fim;
e nem por um momento refletiu.

Aparou a grama,
sentiu o frio,
pisou na lama
e partiu.

Por-me-ei a procurar,
sem ela não sou nada.
Terei que a morte lembrar
que ficou ultrapassada.

A intensa ausência
pariu o caos;
provocou a ânsia
e o gozo dos maus.

Morte, estupro,
assassinato, reluto;
crime, tragédia,
triste, faz média;
custou, matou
criou, enjoou;
rezava, sonhava,
o ego ralava;
reinado, imundo,
cortejou, o mundo;
exposto, deformado,
lugar abençoado.

O povo tem orado,
o povo tem pedido
sem pensar duas vezes
pelo nosso caos amado.

Aparou a grama,
sentiu o frio,
pisou na lama
e partiu.

Não lembro da sua última visita
nem dos mares onde habita,
mas deixo aqui minhas considerações
sobre ela que nunca existiu;
e a honra de nossos corações
que em mil pedaços se partiu,
pois fugindo da humanidade
abortou-se a sanidade.
Deu lugar à sua gêmea, a querida insanidade.

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