Insanidade

1 Capítulo Unico


Acordei de um sono de várias horas, e levantei-me. Demorou certo tempo para alcançar equilíbrio, pois as ondas do mar batiam na lateral do barco, causando pequenas balançadas. Andei sem rumo, esbarrando em paredes devido as ondas. Não avistando ninguém em nenhuma parte do barco, comecei a sentir uma ponta de curiosidade tomar conta de minha mente. Onde estavam todos? Talvez no convés. Tudo estava muito quieto. Até que o silêncio foi interrompido por um grito dilacerante, e o som de algum liquido atingindo o chão. Acelerei o passo, e entrei no convés, para me deparar com uma cena incomum. Nada, era o que eu via. Absolutamente nada. Nenhuma pessoa. Caminhei em direção a borda do barco, e olhei para baixo. A agua estava completamente parada, sem nenhuma onda. Observei meu reflexo, e uma coisa me chamou atenção ao fundo do mesmo. Pendurados do mastro, estavam os corpos de todos os tripulantes do navio. Todos sem algum membro do corpo, mas sem nenhuma gota de sangue. Temendo me virar e ver que a cena era real, mantive a posição. Até que passos foram dados, e uma voz saiu do fundo do convés. Palavras de uma língua desconhecida flutuaram em minha mente, e me vi encarando os corpos de meus colegas. Um deles, ainda vivo, olhou para baixo, e me viu. Abriu a boca, e antes que pudesse falar algo, sua cabeça foi arrancada de seu corpo, e foi parar na minha frente, nas mãos de uma criatura dificilmente humana. Sua forma humanóide era inegável, mas a criatura possuía uma altura anormal, braços extremamente longos, e não tinha unhas, pois o que se estendia em forma de garras eram os próprios dedos. Seu tom de pele acinzentado se misturava com a cor das nuvens, e sua anorexia deixava seus ossos à mostra. A criatura não tinha lábios, e seus dentes eram todos caninos. Paralisado de terror, não fiz nenhum movimento, enquanto aquela coisa abria sua boca o suficiente para colocar a cabeça de meu amigo dentro, e engoli-la. Seus movimentos eram duros e lentos, como se não se movesse há séculos. A mão da criatura se levantou e apontou em minha direção, e sem pensar duas vezes, corri. A criatura esboçou um sorriso, e em questão de segundos, estava na minha frente novamente. Corri em outra direção, e fui rápido o suficiente para alcançar um sinalizador. Novamente, a criatura apareceu, e atirei o sinalizador nela. Uma explosão de faíscas e berros agonizantes tomou conta do convés do barco, e aproveitando a distração da criatura, corri para o bote salva-vidas. Joguei-me no bote, e cortei a corda que o prendia ao barco o mais rápido que pude, usando um canivete que tinha no bolso, e olhei para cima enquanto o bote caia, esperando ver aquela coisa me olhando. Consegui sair do barco, e agora escrevo isso, para que ninguém passe pelo mesmo que passei. Uma tempestade começou, e não vou conseguir escrever mais. Sinto que a criatura está atrás de mim ainda, e escuto vozes me dizendo a saída de tudo isso. Morte, dizem as vozes. Já estou ficando louco, pois vejo os corpos de meus amigos na agua. Não aguento mais isso. Espero que essa carta não se perca no mar, junto com meu corpo.

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