Insane

1 Capítulo 1


Quanto tempo faz desde que acordei?
Minutos? Horas? Devido às circunstâncias, não saberia. Nunca soube. Talvez segundos. Naquele quarto só havia uma cama, meus pensamentos e eu. Meus pensamentos completamente poluídos.
Como fui parar nesse quarto?
Era uma quarta-feira ensolarada. O sol tornava tudo mais bonito. Deus estava no sol. Eu ainda acreditava em Deus. O reflexo do sol batia nas plantas e as tornava mais verdes, batia nas pessoas e as tornava iluminadas. O sol tocava delicadamente no laguinho da praça em que eu passava transmitindo uma mensagem a qual eu nunca compreenderei, mas havia algo naquela água, naquele sol. Andava tranquilamente para almoçar no horário de almoço do meu trabalho até que ouço um policial se dirigir a mim.

-Preso? Por que estou sendo preso?

-Não se faça de sonso!

Foi o momento em que já não havia sol. Não havia mais nada. Apenas aquela arma apontada diretamente para minha cabeça, um policial completamente rude e um amontoado de pessoas me cercando enquanto murmuravam coisas.

“É ele?”
“As pessoas nos surpreendem! Nunca pensei que pudesse ser ele.”

“O que está acontecendo?”

“Ele quem cometeu todos aqueles crimes?”

O que eu havia feito demais? Admirar o sol agora é um crime? Admirar a vida é um crime?
Chegando na delegacia tive de esperar horas e horas dentro de uma cela, não a que citei anteriormente. Uma que eu tinha certas companhias e não posso dizer que eram agradáveis. Sem ir ao banheiro, sem comer, sem beber um gole de água e quase sendo estuprado, o desespero batia forte. Me chamaram e perguntaram dos crimes os quais eu supostamente havia cometido. Eu perguntava incansavelmente sobre o que eles estavam falando, mas não havia respostas além de "Se você não confessar, você voltará para a merda daquela cela. E será chamado de 'princesa' de agora em diante, princesa". Quando ele me chamou de princesa seu tom irônico me subiu à cabeça. Minha vontade era grampear a boca daquele homem.

-O que, exatamente, eu deveria confessar?

-Seus crimes, Senhor... –Ele olhou em uma pila de folhas que estava sobre a mesa- Bittencour.

-Que crimes? Estou há horas tentando descobrir que crimes eu cometi. –Fiz questão de levantar as mãos e fazer o sinal de aspas com as mãos quando falei “cometi”.

-Primeiramente, Sr. Bittencour, não altere seu tom de voz comigo se quiser ter uma chance de ter ao menos um advogado. Agora, você quer saber o que fez? Lhe digo com o maior prazer!

-Agradecido.

-Pelo o que chegou à mim, você sequestrou duas crianças de sete anos que brincavam em um parque. Essas daqui, está lembrado? –Ele pegou duas fotografias de duas garotinhas e me mostrou- Não responda! Você permaneceu com elas por seis meses. As torturou de todas as maneiras possíveis, todas. Elas foram encontradas mortas com sangue saindo por todos seus orifícios. Após o ocorrido uma jovem modelo italiana de vinte e três anos, Monalisa Lorenzia, foi encontrada sem pele e sem seus olhos. Também houve o caso uma senhora de oitenta e sete anos. A senhora foi encontrada viva, porém gravemente ferida. Uma de suas pernas foram arrancadas, ela não tinha mais grande parte dos dedos e estava sem seus dentes. Ela permaneceu viva tempo suficiente para declarar o que ocorreu com ela durante o período que permaneceu com o senhor. Ela foi amarrada em uma maca e assim, foi torturada. Seus dentes foram arrancados para que ela pudesse satisfazer o senhor sexualmente e sem machucá-lo. E nas últimas semanas recebemos ligações de uma jovem que diz que, toda noite, você vai observá-la em sua casa.

-Veja bem, eu posso afirmar para você, Senhor –Olho para a identificação em sua blusa- Eustáquio, que eu não fiz absolutamente nada que eu fui acusado.

-Ouço isso todo dia, princesa. E adivinhe só? Eu sempre estou certo.

Depois desse dia eu fui condenado a prisão perpétua. Porém, após algumas semanas na cadeia tiraram a conclusão de que meus atos foram muito doentios para um presidiário qualquer. Eu era mais perigoso que aparentava. Começaram a aprontar papeis para eu ser transferido para um manicômio. Um hospício.
Apesar de ter sido apenas algumas semanas na prisão, parecia uma eternidade. Eu dividia minha cela com mais cinco homens. Cinco. Eustáquio tinha razão. Eu era a nova “princesa” deles. Jurei que me vingaria. Nunca pensei que passaria por algo do tipo. Nunca pensei que eu imploraria pela morte e que um minuto pareceria anos e anos de tortura. Era um atrás do outro. Diziam que se continuasse no fluxo a dor não seria tão intensa. Escrotos.

Quando fui transferido para o hospício achei que enlouqueceria convivendo com aquelas aberrações. Na entrada tudo parecia na mais perfeita ordem, mas quando você entrava na “sala de convivência” era enlouquecedor. Havia pessoas batendo a cabeça na parede, gritando, rindo e conversando com ninguém, o que era assustador. Havia um homem que se masturbava em um sofá dessa sala, e os médicos não faziam nada. Era nojento. Minha vontade era de vomitar. As pessoas faziam sexo ali mesmo sem nada a esconder, como se fosse natural transar em público. Me jogaram ali como se eu fosse descartável.

-Você precisa me ajudar. Eu não sou como eles. Olha o que fazem! –Eu disse para o homem que me levou até a sala.

-Você não é como eles. É pior! As atrocidades que fez... Ficar preso é bom demais para você! Deveria agradecer.

Ele se virou e foi embora. Como eles podiam fazer isso comigo? Não é possível. Eu iria morrer nesse inferno? Quanto tempo isso iria durar? Em meio aos meus devaneios veio uma mulher que aparentava ter uns trinta anos falar comigo.

-Meu nome é Louraine. E o seu?

-Cesar.

Ela percebeu que eu não estava a fim de conversar, eu não queria me “introsar” com os loucos.

-Quantos anos você tem?

Revirei os olhos e olhei para os olhos dela. Ela tinha que entender que eu não queria conversa. Se eu me alterasse provavelmente iriam me sedar ou sei lá o que eles fazem.

-Vinte e sete.

-Eu tenho vinte e dois. Vivo aqui desde os meus dez anos. Por que está aqui? Você não me parece ter algum distúrbio mental.

-Porque eu não tenho! Eu sou normal. Completamente normal. -Alterei meu tom de voz e percebi que os homens já me encaravam- Me acusaram de crimes. Crimes que eu sei que não cometi.

-Compreendo. Eu vim parar aqui porque eu tinha amigos imaginários que me incentivavam a praticar a masturbação. Algo que é completamente normal para uma criança. Mas para meus pais, isso era uma atitude inaceitável.

Não me contive e ri. Uma leve risada, mas uma risada que pensei que nunca mais daria. Uma espécie de apito soou e tivemos que ir para nossos quartos. Havia uma cama, uma janela bem pequena, uma porta com um espaço em cima para sermos observados e embaixo para comida. Só. Não saberia dizer se suportaria passar por isso.

De madrugada era a hora que as aberrações mais gostavam. Acordavam e berravam, se jogavam contra as paredes e contra a cama. Podia ouvir claramente os médicos indo sedá-los a base da força física. Eu, com toda certeza, não queria ser pego por nenhum eles. Eram muito agressivos e usavam objetos para agredir as aberrações. Pedaços de madeira era o mais utilizado.

Sempre fingi que não acordava com os barulhos e, por isso, não vinham me incomodar. Apenas passavam direto pelo meu quarto dando uma leve olhada. Porém, um certo dia isso mudou. Havia um homem que berrava palavras incompreensíveis e fazia barulhos muito altos, o que era eu não sabia, pois não podia ver. Houve um tumulto enorme pelos corredores e as outras aberrações resolveram se acalmar mais cedo, exceto esse homem. Levantei e fui olhar pela pequena janela o que estava acontecendo e ele apareceu. Seus olhos estavam com muitas veias vermelhas, seu rosto estava com veias e completamente vermelho e sua risada era estridente, um médico o puxou e olhou no fundo dos meus olhos enquanto abria a porta. O que eu havia feito? Apenas fui ver o que estava acontecendo. Ele chegou mais próximo com algo na mão que não consegui ver direito, pois ele estava contra a luz e meu quarto estava completamente escuro.

-Está na hora de dormir.

Chegando cada vez mais perto, e eu cada vez mais para trás, levantou o objeto em sua mão e me acertou na cabeça. Senti uma dor indescritível, minha cabeça latejou, mas ainda não havia desmaiado. Oh, merda. Eu ainda não havia desmaiado. Ele veio novamente, mas acertou minha costela, minha perna, minha nuca, minha cabeça. Finalmente; eu desmaiei.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Por favor, comente alguma coisa para me ajudar a melhorar e incentivar a continuar escrevendo cada vez mais. Obrigada pra você que chegou até aqui ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.