Insane
1 You make me go insane.
Notas iniciais
Ele estava atrasado novamente. Não importava com o que tentasse se distrair, o loiro mais alto não saia de sua cabeça. Inúmeras possibilidades de lugares e pessoas que ele podia estar não o deixavam simplesmente deitar naquela cama que parecia enorme sem o outro e dormir em paz.
Levantou-se com certa dificuldade devido às dores que ainda sentia em seu tornozelo. No dia anterior, havia ido a um bar afogar suas mágoas na bebida e quando voltava para casa, acabou por tropeçar na rua e torcer o local. Ainda estava mancando, mas a compressa de gelo já havia amenizado um pouco.
Abriu a porta do closet que nunca esteve tão bagunçado como em sua situação atual. As roupas de Uruha estavam mal colocadas nos cabides e os sapatos jogados de qualquer jeito na sapateira. Pacientemente, começou a tirar cada uma delas e jogar em cima da cama. Ao terminar, arrumou os sapatos um ao lado do outro separando por tonalidades começando pelo mais escuro até um tênis branco e simples que havia lhe dado de presente.
Com o ferro de passar em mãos, esticou cada uma das camisas sobre o colchão tirando todas as dobras indesejadas que haviam se formado no leve tecido que normalmente sentia prazer em tirar do corpo do outro. Não lembrava a última vez que tirou aqueles mesmo botões de suas casas e muito menos quando sentiu a pele alva abaixo de seus dígitos.
Eu senti que você sempre caminhava um pouco longe de mim. É a mesma coisa toda noite, você se afasta de mim.
Esticou todas as camisas e voltou a colocá-las em seus devidos cabides. Caminhou mais um pouco pelo corredor do closet até chegar a frente a uma prateleira que continha alguns perfumes e outros utensílios do namorado. Os dedos contornaram um pequeno frasco de vidro enquanto o outro envolvia uma fronha limpa de um travesseiro.
Entre tantas essências, Uruha sempre mostrou preferência por essa. Um potinho marrom e de certa forma pequeno. Fora o primeiro presente que deu a ele, antes mesmo do tal tênis branco. Sentia-se feliz em saber que o outro havia gostado tanto de algo que ele mesmo se dera ao trabalho de escolher e comprar. Conseguia se lembrar perfeitamente do rosto dele ao abrir o pacote e os agradecimentos que recebeu. Lembrava-se da época em que seu amor era recebido e correspondido.
Algumas borrifadas na fronha antes de seguir com a mesma de volta para a cama pegando o travesseiro que ficava ao lado de Uruha na cama e trocando o tecido que cobria o travesseiro, que já estava sem seu cheiro característico, pelo novo tecido com seu perfume. Abraçou o travesseiro com toda a força afundando o rosto no mesmo e aspirando o ar.
Eu não consigo esconder meu coração frustrado. O que deu errado?
Odiou-se internamente por ter deixado a primeira lágrima descer pela face já corada. Seu sentimento de ódio era mascarado por um amor descomunal. Amava o mais alto desde o colegial e teve que passar anos a observá-lo de longe até por fim ter a sua chance. Sempre soube que Uruha não era lá flor que se cheirasse, mas mesmo assim, seu coração nublava a razão.
–Onde você está, koi? –Disse baixinho em meio aos soluços de um choro cada vez mais intenso.
Não conseguia identificar onde tinha falhado para que o outro começasse a se afastar dele de forma tão aberta. Kouyou não respondia suas mensagens, não atendia seus telefonemas e, quando atendia, inventava uma reunião ou qualquer desculpa que estavam o chamando para desligar com rapidez.
Takanori sempre foi carente, começando por sua família. Era o mais novo de um total de quatro irmãos e, para ajudar, vinha de uma família pobre onde todos passavam a maior parte do tempo trabalhando para tentar colocar algum dinheiro e comida dentro de casa. Entendia perfeitamente essas dificuldades e por isso nunca cobrou nada de ninguém, mas isso não queria dizer que era uma pessoa feliz.
Tinha dificuldade de fazer amigos, de falar em público e até mesmo de assumir sua homossexualidade. Só foi entender que realmente era gay após uma prima ter-lhe agarrado em uma festa e ele simplesmente ter lavado a boca inúmeras vezes com o produto que encontrasse pela frente.
E Uruha sabia disso, pois fora o primeiro em quem Ruki conseguiu confiar e com quem pôde se abrir, mas não podia cobrar um sentimento semelhante ao seu. Não podia forçar que o outro o amasse daquela forma, entretanto, não pode esconder a felicidade que sentiu quando fora pedido em namoro por seu melhor amigo. Não pode esconder o quando entrou de cabeça e se entregou por completo naquele relacionamento.
Estou tão cansado de ser o único que se apega, pois, para mim, sempre foi você. Eu sempre confiei em você.
Haviam-se passado quatro anos que os dois estavam juntos e sempre sentira medo de que o que Uruha nutria por si acabasse perdendo o calor, o brilho. Ainda mais quando o maior era um membro requisitado de uma grande empresa e sempre estava em contato com pessoas novas e trabalhos fora da cidade e até mesmo do país. Eram incontáveis as vezes em que já estivera sozinho naquela cama como estava naquele momento. Eram incontáveis as vezes em que chorou daquele mesmo jeito por sentir falta do outro.
Mas dessa vez era diferente, porque Uruha não estava em uma reunião ou viajando. Tinha ligado no escritório do namorado há algumas horas atrás e ele já havia saído fazia tempo, como informou a secretária. Não fazia ideia de onde poderia encontrá-lo e o celular não ajudaria nessa descoberta, pois só caía na caixa postal.
Levantou-se um pouco cambaleante e seguiu até a cozinha abrindo a grande geladeira branca ao lado da pia, pegando uma latinha de energético. Sabia que não conseguiria dormir, então era melhor gastar seu tempo com alguma coisa mais importante do que pontos brancos no teto.
Aproveitava aqueles momentos para criar novas receitas para testar em sua doceria, seu segundo bem mais precioso. Quando sentia falta do outro, a única coisa que conseguia animar-lhe um pouco era pensar em agradar seus clientes e receber os elogios em troca. Sentia seu coração inflar quando aprovavam algo que ele fazia, já que não acontecia isso quando Uruha provava o jantar que fazia com tanto empenho no apartamento que dividiam.
Então toda noite é solitária, miserável e cansativa.
As pernas cruzadas no sofá da sala começaram a dar sinal de desconforto quando olhou no relógio do computador em seu colo e notou serem quase quatro da manhã. Espreguiçou-se como um felino recém-acordado e pegou o celular na tentativa falha de falar com o loiro. Jogou o aparelho dentro de um vaso de flores e fechou o notebook colocando-o sobre a mesinha de centro.
As mãos coçaram os olhos ainda inchados pelas lágrimas e os pés tocaram o chão frio voltando pelo mesmo caminho até o quarto, mas algo no corredor chamou sua atenção: um papelzinho branco embaixo de um livro que devia ter caído de seu lugar na estante. Pegou-o notando que se tratava de um cartão de identidade.
–Shiroyama Yuu, agente de vendas. –Leu em voz alta tentando puxar na memória alguma lembrança sobre aquele nome.
Sem se lembrar de nada e sem dar importância, colocou o cartão no bolso de sua calça de moletom e seguiu para o quarto escuro, entrando no banheiro em seguida. Um banho faria bem para si. Gostava do som da água em contato com o piso e principalmente a forma como relaxava sua pele. Gostava de usar sabonete liquido e uma espuma macia para espalhá-lo. Gostava mais ainda quando eram as mãos de Uruha fazendo isso para si.
Enrolou-se em uma toalha branca e seguiu até a muda de roupas limpas que havia separado e deixado sobre a poltrona no canto da parede. Até mesmo aquela poltrona continha um pouco dos dois. Já haviam feito amor inúmeras vezes naquele lugar e o pequeno não pode deixar de corar ao se lembrar de algum desses momentos. Já havia feito tanto com Uruha e por Uruha que simplesmente se considerava um sem vergonha em frente ao outro.
Mas aquilo tudo tinha se tornado passado. Sabia que não aconteceria nada com a intensidade de uma primeira, segunda ou até décima quinta vez. Nunca mais teria o outro inteiramente para si porque ele não mais o queria como quis um dia. Conseguia se sentir desprovido de qualquer beleza ou charme ao pensar que não servia mais para o namorado.
–Eu vou embora. –Resumiu tudo o que sentia naquela frase levantando-se e pegando uma escada para alcançar a mala na última prateleira do armário.
Eu irei embora por você.Agora eu não vou mais me apegar a você. Eu vou ser melhor. Vai ser melhor se eu não estiver aqui.
Jogou a grande mochila no chão e começou a tirar suas camisas, amontoando-as uma a uma dentro da mesma. Cuecas, meias, calças, bonés, perfumes, sapatos e tudo o que tinha para ser chamado de “dele” ali dentro. Na verdade, teria que levar parte dos móveis e até mesmo algumas paredes, já que o dinheiro para pagar o apartamento foi ganho com o esforço de ambos, mas não seria tão inferior assim. Queria se mostrar forte na hora em que o outro chegasse e ele explicasse a decisão que havia tomado.
Quando passou a acreditar que todas as suas coisas já estavam empacotadas, percebeu que já estava bem próximo das sete da manhã e teria de abrir a doceria, mas não sairia de casa sem antes falar com Kouyou. Correu até a sala pegando o celular no vaso de flores e discou o número de seu quase sócio.
–Bom dia, Matsumoto-Sama. –A voz alegre do outro soou pelo telefone nem fazendo parecer que era aquela hora da manhã.
–Bom dia, Kai-chan. Será que poderia me fazer uma favor? Eu estou com alguns probleminhas em casa e preciso resolver antes de ir para a doceria. –Deu uma pausa ouvindo um barulho estranho no corredor tratando de falar o mais rápido possível. –Eu preciso que a abra para mim, mas logo eu chego, sim? Obrigado. –E desligou antes mesmo de esperar a resposta do outro.
Ouviu uma batida forte na porta e seu corpo estremeceu. O porteiro não deixaria qualquer estranho entrar daquela forma sem antes avisá-lo. Só poderia ser alguém conhecido, mas já havia falado com Kai no telefone ele não parecia prestes a fazer-lhe uma visita. Só podia ser...
–Aahn... Yuu, calma. –Reconheceu prontamente aquela voz, mas nunca sentiu tanta submissão em uma única sentença.
Os olhos se arregalaram, a boca se abriu em um perfeito “O” e sentiu o salgado das lágrimas em seu paladar correndo para o quarto e escondendo sua mala e a si próprio atrás de algumas roupas dentro do closet.
–Calma, porra. Eu tenho que destrancar a porta. –Uruha ria enquanto o moreno prensava seu corpo contra a porta do apartamento. –Espera que eu preciso ver uma coisa.
Abriu a porta lentamente assim que o outro lhe deu um pouco de espaço colocando o rosto na fresta da mesma e observando se encontrava algum movimento.
–Ruki? –Chamou pela primeira vez entrando na sala de sapato e tudo caminhando até a cozinha por ser o cômodo mais próximo. –Chibi? –Chamou novamente para certificar-se de que ele não estava mesmo ali. –Ne, ele já foi trabalhar. Entra. –Chamou o moreno que esperava impaciente encostado no batente da porta.
O menor ouvia seu nome ser chamado, mas estava impressionado o suficiente para se manter congelado no mesmo lugar. Não queria acreditar que estava mesmo sendo traído e muito menos que Uruha teria a audácia de fazer isso enquanto ele provavelmente deveria estar no trabalho. A corrente de lágrimas marcava mais o seu rosto e ele as limpava em uma das camisas do maior.
Na sala, Shiroyama puxava a camiseta do mais alto por seu corpo jogando-a no chão e avançando contra seu corpo no sofá. Kouyou gemia a cada marca que o moreno fazia em seu pescoço com mordidas e chupões fortes seguidos de lambidas para amenizar a dor. Por mais que ainda sentisse um ponto de culpa em levar o outro até o local em que dividia com o “namorado”, estava cansado de dar foras em Yuu quando este pedia para fazerem em seu apartamento.
Afastou as pernas deixando o menor ficar em meio delas tirando a camiseta dele e jogando junto à própria no piso frio. O calor dos corpos aumentava gradativamente até o ponto em que uma fina cama do suor brilhava em cada um deles fazendo o loiro se levantar com certa dificuldade e puxar o outro pela mão trazendo-o junto consigo para o quarto.
Vai ser melhor se eu não estiver aqui, especialmente hoje. Você tem muitos segredos.
Takanori ouvia os passos se aproximarem de seu esconderijo e a mente vagava na tentativa de parar de imaginar Uruha sendo tocado pelas mãos de outra pessoa que não fosse ele. Nunca conseguira fazer o maior se entregar da forma como estava com o outro e percebeu isso apenas da forma como ele falava arrastado a fim de pedir a calma do acompanhante.
–Caralho! Você não disse que o cara era pequeno? Por que uma cama desse tamanho? –A voz grave ecoou no quarto fazendo o pequeno arrepiar-se em meio às roupas no armário.
–Ele é mesmo pequeno e... Ah, foda-se. O que te importa o tamanho da cama se não vai usar nem um terço disso? –Retrucou o loiro se deitando na cama e fazendo o barulho das molas chegar aos ouvidos de Ruki, que gemeu baixinho pela dor que sentia em sua alma.
O barulho das molas se fez presente novamente e Ruki supôs que o outro havia se deitado com seu amado. Por mais que não conseguisse, queria muito odiar Uruha naquele momento. Queria sair daquele esconderijo e se mostrar forte ao xingar o outro de todos os nomes possíveis. Não queria um final pacifico como havia pensado enquanto fazia suas malas. Agora era questão de honra terminar com aquela merda toda que acontecia embaixo do seu nariz, ou melhor, do seu teto.
Você me deixa insano. Ele me dá tanta dor. Eu não vou mais voltar. Eu quero te odiar.
–Yuu... Aaah!
Nunca pensou algo assim antes, pois não conhecia esse lado do namorado, mas ele sabia bem como parecer uma vadia para impressionar... Ou será que realmente estava tão bom assim? Por mais que soubesse que iria machucar mais do que já estava, queria ver com os próprios olhos aquilo que estava acontecendo. Queria ver quem era o cara por qual Kouyou o havia trocado. Queria saber quem era Yuu.
Yuu... Yuu... Shiroyama Yuu, o agente de vendas do cartão que encontrara. Seria coincidência demais não ser o mesmo cara. Seria muito jogo do destino (por mais que não acreditasse nisso) ter lhe colocado aquele papelzinho justo no dia que pegaria o homem que amava junto de outro. Seria muita má sorte.
–Onde fica o lubrificante aqui? –Ouviu a voz grossa perguntar e o barulho de uma das gavetinhas do seu criado mudo cair no chão.
–Eu sei lá se tem isso aqui em casa.
Era verdade. Ele simplesmente deixou de se preocupar com aquilo depois de um tempo. Afinal, nem se lembrava de quando fora a última vez que os dois deitaram naquela cama para fazer algo como o que estava prestes a acontecer naquele momento, mas Ruki guardava em uma gaveta, pois sua esperança simplesmente não morria. Ela seria a última a morrer, até aquele momento. Até ver que simplesmente não queria mais amá-lo. Não queria mais Uruha para si. Queria odiá-lo.
As memórias de quando te conheci estão fracas. O balanço do amor acabou. Estou a bordo de um trem que nunca vai voltar.
Aquele seria o momento perfeito para a abordagem perfeita. Esticou uma das mãos abrindo sua antiga gaveta de meias com calma e tirando de lá um pequeno frasco branco. Respirou fundo e limpou os olhos, colocando seriedade em sua feição na tentativa de mascarar sua tristeza. Puxou a porta de correr do closet atraindo sobre si olhos curiosos que se transformaram em espantados em poucos segundos.
–Está aqui, Yuu. –Jogou o lubrificante em direção aos dois seres parados sobre a cama. –Agora fode esse idiota com gosto. Faz ele gemer como uma cadela no cio, porque de vadia ele já passou. –E as lágrimas deixaram seus olhos escuros.
–Ru, não é o que você está-
–Por Kami, não começa com isso. Eu não preciso que me contem nada, Takashima. Eu estou vendo. Está diante dos meus olhos há tanto tempo e eu simplesmente era burro o bastante para ainda acreditar em nós dois. Isso nunca existiu, certo? Você nunca me amou de verdade. Desde sempre eu via você de longe e era melhor assim do que ter que vê-lo com outro quando eu te dei o melhor de mim.
O arrependimento sobre você ainda não me atingiu. As promessas que fizemos se foram como vento.
–Koi, espera. Deixa eu-
–Puta que pariu, cala essa boca! Nunca mais me chame assim. Nunca mais minta para mim! –Gritou antes de andar até sua mala e trazê-la junto ao corpo. –Eu vou embora, sim? Não precisa se preocupar porque eu não lhe procurarei para pedir nada. Fique com o “nosso” –Fez grandes aspas com o dedo mostrando toda a ironia naquele termo. –Apartamento e faça bom proveito.
Uruha caminhava em direção ao pequeno. Sabia das coisas que havia feito e sabia como elas eram erradas, mas sentir-se culpado agora não lhe valeria de nada. Estava cansado daquela rotina de casal que levava com Takanori, mas não saberia como dizer aquilo. Não saberia colocar seu melhor amigo para fora de sua vida e, para não perdê-lo por completo, era melhor ter feito como fez. Na verdade, era egoísta. Só isso.
Os dedos finos tocaram o rosto do baixinho e mesmo que não quisesse, ainda reagia àqueles toques, mas não daria para trás. Aquilo não tinha perdão, pois, mesmo se tentasse, sempre voltaria naquele assunto — junto da visão do único que amou intensamente na cama com outra pessoa. Respirou fundo e fechou os olhos. Esticou sua mão acertando firmemente no rosto do loiro maior a sua frente.
Não poderia existir fim mais acabado do que aquele.
–Aliás, Shiroyama Yuu, foi um prazer conhecê-lo. E sim, sou pequeno, mas ocupo bastante espaço. –Terminou antes de dar as costas junto de sua mala e passar pela porta.
Fechou a mesma, trancando-a com a chave e jogando tudo aquilo que chamava de chaveiro no chão, descendo de elevador até o térreo. Passou pelo porteiro e lhe lançou um sorriso satisfeito.
Chegou ao estacionamento e subiu em seu carro. Deixaria aquele lugar e provavelmente o seu antigo eu. O Ruki apaixonado, fiel e completamente submisso aos desejos de alguém que não soube amá-lo como devia. Aquilo que sentia era insano, concordava com isso, mas não podia se culpar. Não existia forma de não amar alguém como Uruha.
Não existia forma de esquecê-lo completamente, mas, com todo esse tempo vivendo ao lado dele, percebeu que o orgulho formava uma personalidade forte.
Como um infeliz, eu ainda sinto falta do seu sorriso. Eu me odeio por isso. Eu ainda não consigo reconhecer que é o fim para nós dois. Eu queria morrer.
Orgulho que nunca teria. Poderia ser pela forma como fora criado ou pelas coisas que viveu, mas não sabia anular o melhor sentimento que já sentiu na vida. Não conseguia anular que amava um traidor.
Seguiu com o carro até a doceria estacionando o mesmo na frente desta e adentrando somente para agradecer a Kai por tudo que havia feito por si naquele um ano que estava garantindo o sucesso do seu sonho como doceiro.
Após comer seu último pedaço de bolo, deixou o lugar e vagou por uma estrada longa, sem um rumo certo. Sua vida estava sem rumo, mas sabia que era capaz de mudar as coisas. Mudar de nome, endereço, país ou até mesmo, de plano.
Acelerou em uma curva e sentiu o frio na barriga que só sentia quando estava na cama com Uruha chegando ao ápice daquele amor. Era somente naquele momento que se sentia amado e só poderia deixá-lo se o sentisse pela última vez em vida.
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