Insônia -next Day-

1 Why cant you sleep?


Eu estava sentado na poltrona mais confortável da minha sala, já era muito tarde mas eu não sentia sono, então resolvi ler alguma coisa, no entanto eu não conseguia me concentrar, depois de reler a mesma frase 20 vezes fechei o livro e o joguei em cima do sofá.

Eu não queria mais tomar remédios pra dormir, mas desde que ela entrou no meu caminho não consegui mais tirar um cochilo se quer se não tomasse os remédios que o médico receitou.

Olhei no relógio para constatar que já eram cinco e meia da manhã. Me arrastei para o chuveiro pra ver se conseguia melhorar minha aparência, apesar de ter certeza que minhas olheiras estariam bem aparentes quando chegasse no trabalho em algumas horas.

Depois de tomar o café-da-manhã e me arrumar fui para o centro da cidade no prédio de advocacia YOUNG, o mais respeitado de Seoul. Mas não ache que sou um grande advogado, bem sucedido e conhecido, sou só um recém-formado que por ter boa nota conseguiu uma boa recomendação para um bom escritório. Eu tenho um bom carro que ganhei dos meus pais quando passei no vestibular, e o apartamento onde moro também foi presente deles que ganhei quando me formei na faculdade, moro ali há quatro meses, o mesmo tempo em que estou no escritório YOUNG. Mas o que eu acho ser o fator que realmente mostra o quanto eu sou patético é o fato de eu estar apaixonado. Cheguei no escritório e a primeira coisa que eu ouvi foi: — Nossa SeungRi, você tá horrível! — Bom dia pra você também Daesung. — Respondi seco. Entrei em minha sala, sim tenho uma sala só pra mim, e Daesung entrou logo atrás e fechou a porta antes de sentar-se. Daesung é meu melhor amigo há alguns anos, como eu também entrou aqui por recomendação com sua boa nota. Ele é uma daquelas pessoas que está sempre sorrindo e brincando, sempre encanta o ambiente com seu carisma, eu tenho um pouco de inveja dele quanto a sua personalidade. — Pelo jeito não dormiu essa noite, de novo, não é? — Não consegui pregar o olho. — Sentei em minha cadeira e larguei minhas coisas em cima da mesa. — Por que não tomou o remédio? — Não to afim de me intoxicar de remédios até morrer. — Ta afim de morrer de exaustão então? E essa era a parte do Daesung com a qual eu sempre me aborrecia. Ele se preocupava comigo. — Eu só quero poder dormir sem ter que me drogar pra isso. — Você não vai mesmo me contar o porque você não consegue dormir? — Eu já disse que não sei o que é! — Tudo bem se você não quiser me contar, só achei que você confiaria no seu melhor amigo. — E além de se preocupar, ele me conhece muito bem! Mas eu realmente não queria contar pra ele que um adulto como eu estava literalmente perdendo o sono por causa de uma mulher.

— Dae, já disse que não é nada! Vai pra sua sala, que o senhor Young já deve estar chegando. — Você ainda vai me contar. — Ele falou falsamente irritado e saiu cantarolando algo que parecia Trot. Finalmente sozinho, agora posso contar porque eu sou um cara tão patético. Você deve estar se perguntando qual o problema de eu estar apaixonado não é? Na verdade o problema não é exatamente \'estar\' apaixonado, mas \'por quem\'... Não, o problema é \'como\'! Vou explicar melhor: Há uns dois meses atrás eu tive que vir ao trabalho de metrô , meu carro ficou sem bateria porque eu esqueci de desligar o rádio durante a noite. Estava eu, muito irritado, na estação de metrô ao lado do prédio do meu apartamento, quando eu vi duas mulheres passarem na minha frente, uma morena e uma loira. A morena caiu e sua bolsa caiu perto dos meus pés, enquanto a outra moça a ajudava a se levantar eu apanhei a bolsa e fui em sua direção. — Tudo bem? — Perguntei enquanto lhe entregava a bolsa. — Obrigada. — Ela pegou a bolsa e me olhou com um sorriso tímido. E foi aí que meu mundo parou e eu perdi todas as minhas preciosas horas de sono. Eu não sou realmente patético? Eu me apaixonei por aqueles olhos verdes na primeira vez que os vi. Nós ficamos nos olhando sem perceber o que estava ocorrendo a nossa volta. — Vamos, Nikki! Nosso metrô chegou. — Já to indo, Cah! A moça loira que estava com ela a puxou e elas correram contra a multidão de pessoas que descia do metrô para entrarem nele. Voltei mais algumas vezes à estação no mesmo horário para vê-la (mais uma vez... Patético, eu sei, mas eu não conseguia dormir!). Algumas vezes eu a vi, outras não, e ela sempre estava acompanhada por alguém. Certa vez eu estava lá sentando no banco em frente ao metrô que ela usualmente pegava. Ela passou acompanhada por uma outra moça, dessa vez morena. Elas estavam conversando, quando de repente ela tropeçou e caiu novamente. A outra morena começou a rir enquanto a ajudava a se levantar. — Aish, Nikki, de novo! — Doeu, Luuh! Não ria! — Ela fazia um biquinho tão fofo que eu nem conseguia me mexer, só fiquei estático olhando pra ela. Mais uma vez elas correram até o metrô recém-chegado e eu não havia feito contato com os olhos verdes que me tiravam o sono. Ah! Preciso me focar no trabalho! Peguei a papelada e comecei a fazer o que tinha que ser feito. Almocei com o Daesung e depois voltei a trabalhar até seis e meia. Quando saímos do trabalho fomos para o bar onde íamos nas sextas-feiras (acho que a esperança do Dae era de conseguir me embebedar até eu apagar. A minha esperança era de que ele conseguisse). ----------------------------------------------------------------- Acordei com uma terrível dor de cabeça. Percebi que não estava no meu quarto, mas eu conhecia aquela sala, não era a sala do meu apartamento mas já estive alí muitas vezes. Levantei e praticamente me arrastei para o banheiro. Lavei meu rosto e tentei lembrar da noite anterior mas o esforço só fez minha cabeça latejar mais. Voltei a sala e me sentei. Não era a primeira vez que eu dormia ali. Não sou muito forte pra bebidas e quando eu exagerava o Daesung sempre me levava pra sua casa e eu dormia no sofá. A porta do seu quarto abriu e revelou um sorridente Daesung já vestido. — Acordado! Que bom, eu estava indo te acordar. — Que horas são? — Quase hora do almoço, se troque e venha na cozinha que eu vou fazer alguma coisa pra gente. — Fale baixo... — resmunguei enquanto sentia um sino gigante badalar dentro do meu cérebro. — Aish... Vou te fazer um café bem forte, tome uma aspirina, você sabe onde está né? — Ele foi pra cozinha e eu fui fazer o que ele mandou, apesar de que minha vontade era desabar no sofá novamente. Depois de me trocar e tomar a aspirina fui para a cozinha já sentindo o cheiro de alguma coisa boa que vinha das panelas. — Por que me deixou beber tanto? — Você precisava apagar, nem que precisasse de uma enxaqueca pra isso. — Ele sorria vitorioso. — E... — E...? — E... Você sempre fala TUDO quando está bêbado. — Quê? — É a mulher dos olhos verdes que não te deixa dormir, não é? Maldito álcool, eu havia esquecido que falava demais quando estava bêbado. — Com um amigo como você, não preciso de inimigos. — Ah qual é? Você podia ter me contado! — Ou não. — Eu não ia te zoar! — Sei... — Mas no fim acabei contando tudo direito pra ele, e a única coisa que ele falou foi: — Na próxima vez, fale com ela. Simples assim! Até parece que eu vou falar com ela... Imagina a apresentação: \"- Oi, meu nome é Seunghyun, vi você na estação há uns dois meses e desde então não tenho dormido. Como vai?\" Mas afinal o que eu posso fazer? Eu quero conhecê-la mas não sei como. Aliás... Preciso conhecê-la, ou vou passar o resto da vida dormindo sob efeito de remédios ou álcool.

Notas finais
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Fic especial pra Nikki, deu pra perceber não é?
Mais uma vez é uma double-shot xD Então o próximo capítulo é o último.