Insônia
1 Insônia
Notas iniciais
Acordo atordoado. Meu coração palpita forte; suo frio. A luz do luar perpassa a janela e ilumina a mulher ao pé de minha cama.
– Boa Noite –ela disse – meu nome é Insônia. Esta noite dormirei junto a ti.
E ao dizer isso, deitou-se a minha direita. Mas lá não permaneceu por muito tempo. Virou-se de um lado para o outro, levantou, passeou pela casa e foi ao banheiro. Retornou à cama e manteve-se de olhos abertos. Exclamei:
– Tu não me assustas. Sei que estou a dormir. Tu não és real; és fruto de minha imaginação.
– Tu vais assumir-me como real – ela respondeu — do contrário, não te permitireis cair em sono.
Virei-me e a ignorei. Fechei os olhos e esperei que o sono viesse.
Mas ele não veio, e Insônia visitou-me na noite seguinte – e nas noites que se seguiram. Até que uma noite fiquei à sua espera acordado, de luz e olhos bem abertos.
– Perdoai-me, insônia, — gritei- pois agora percebo que tu és real. Tu não és fruto de minha imaginação, meu sono o é.
Insônia não apareceu naquela noite, nem nas noites que se seguiram. Passei a dormir noites inteiras.
Às vezes tento me manter acordado a espera de sua visita. Mas nunca consigo.
Talvez tudo que ela quisesse era ser vista como real. E agora que é, simplesmente deixou de ser.
Insônia.
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