Insólito Ardor
6 05. Xof Hcir
Notas iniciais
Capítulo 05. Xof Hcir
[...]
Tara sentia-se confortavelmente quente naquela manhã. O despertador não tocara por ser fim de semana; o frio que fazia no apartamento deixava as cobertas e a cama mais aconchegantes e confortáveis; e as leves e controladas batidas do coração de Dick contra seu ouvido a tranquilizava.
Remexeu-se um pouco na cama ajeitando-se no peitoral do rapaz que acariciava seus cabelos delicadamente. Tara permitiu-se soltar um sorriso apreciando as caricias naquela manhã. Enlaçou a cintura do rapaz aproximando-se mais.
― Bom dia. ―murmurou Dick com a voz rouca contra seus cabelos.
― Bom dia. ― respondeu bocejando na sequência: ―Acordado faz tempo? ― perguntou sem abrir os olhos um minuto sequer. Dick continuou passando seus dedos pelos cabelos louros da princesa:
― Não muito, mas o suficiente pra te admirar dormindo. ― falou com um meio sorriso no rosto.
― Aprecio o carinho. ― comentou sentindo seu corpo relaxando quase o suficiente pra que voltasse a dormir: ― Sabe que horas são?
― Quase meio dia. ― respondeu abandonando os cabelos da mulher enlaçando-a em um abraço aproximando-a de seu rosto: ―O que acha de comer fora?
― Adoraria, mas daqui a pouco. ― respondeu manhosa levantando a cabeça para poder olhá-lo.
― Só mais cinco minutos em. ― zombou beijando sua testa enquanto ela retornava a deitar-se em seu peito ouvindo as batidas calmantes do rapaz.
Sem demorar muito caiu no sono novamente.
[...]
Dick tomou uma ducha rápida assim que conseguiu se desvencilhar de Tara na cama. Trocou-se e saiu do banho vendo Tara na cama do mesmo jeito que a deixara. Deu de ombros saindo do quarto indo até a cozinha.
Tomou um copo d’água pegando seu telefone do bolso. Havia algumas mensagens de Rachel perguntando como havia passado a noite e avisando que já estava em casa, inspirando fundo resolveu ligar para ela.
Avisou que ainda estava na casa de Tara e que iriam sair para almoçar, perguntando se ela tinha algo para comer na casa. Enquanto ouvia a resposta escutou Tara no quarto mexendo no guarda roupa e gavetas em certo frenesi. Não pode deixar de rir.
―Dick, está me ouvindo? ― perguntou Rachel do outro lado da linha.
― Estou sim, paixão. ― zombou o rapaz sentando-se no sofá.
A linha ficou muda por um tempo antes dela responder com um resmungo:
― Não me chame assim. ― bradou desligando o telefone. Dick balançou a cabeça jogando o celular para o lado aguardando a garota terminar de se arrumar.
Não demorou muito e os dois saíram do apartamento aproveitando um almoço juntos para mais conversas e troca de carícias.
[...]
― Ok, deixa eu ver se entendi. ― bradou Cassie andando de um lado para o outro no apartamento de Dick. O rapaz estava sentando no sofá vendo com certo divertimento na amiga dando voltas em sua mesa de centro: ― Você está namorando? É isso?
Dick aquiesceu: ― Sim, e já têm umas duas semanas. ― respondeu o óbvio revirando os olhos.
― Não, não, não. ― resmungou sentando-se do lado do rapaz apontando-lhe o dedo inquisidora: ― Há duas semanas você estava transando com a garota por diversão. Quando e por que se tornou um namoro?
― Tem de existir um por que para namorar? ― respondeu com uma pergunta que, no caso, não respondia absolutamente nada. Cassie franziu o cenho: ― Ok, ok. Pare de desconfiança, eu tenho algo em mente sim, mas no momento vou trata-la como se fossemos apaixonados ou coisa do tipo. Melhor me apoiar.
― Te apoiar no que exatamente? Pois a única coisa que vejo é uma loira de segunda zanzando pelo seu apartamento deixando a minha bebezinha desconfortável. ― ralhou Cassie extravasando sua raiva na almofada a seu lado rasgando-a ao meio. Dick iria cobrar pelo conserto mais tarde.
― De segunda? ― arqueando a sobrancelha, Dick ajeitou-se no lugar vendo a amiga olhando-o avida.
― Eu sou loira, sei das coisas. ― deu de ombros: ― Pare de se esquivar das minhas perguntas, Richard!
Ele respirou fundo cruzando os braços: ―Não posso dizer ainda, pois pode não funcionar. Mas o que vai matar fingir que gosta dela?
― Vai matar minha paciência que já é pouca. ― Cassie levantou-se fazendo menção de sair pela porta de entrada: ― O seguinte, faça o que precisa fazer, mas sem envolver a Rae nisso, entendeu?
Dick não respondeu, somente aquiesceu e despediu-se da mulher que saiu a passos firmes pelos corredores vazios do residencial.
Espreguiçou-se deitando no sofá e aproveitando o silêncio do apartamento antes da Rachel voltar para casa. Fechou os olhos pelo que pareceram minutos, mas no caso acabou acordando quando Rachel chegou a casa, três horas depois.
― Você dormiu o dia inteiro? ― perguntou Rachel da cozinha assim que percebeu que havia acordado.
― Quase. ― comentou sentando-se: ― Como foi na Universidade?
― Bem. ― respondeu simplesmente voltando para a sala com um lanche nas mãos. Deu uma mordida antes de falar algo: ― Mas o Roy quer falar com você.
Dick ficou tenso: ― Por que ele te procurou pra poder se encontrar comigo? ― indagou seriamente. Rachel deu de ombros, mas sentiu a tensão no irmão mais velho.
― Não sei. Ele me perguntou quando seria a próxima reunião dos Titãs e respondi que seria amanhã à noite ― disse sentando-se ao seu lado: ―, além de pedir pra você se encontrar como ele no bar.
― Que horas? ― perguntou sem tirar os olhos dela. Rachel remexeu-se incomodada:
― As sete. ― assim levantou-se com o lanche praticamente inteiro: ― Melhor se apressar, já é seis e meia.
Richard não disse mais nada, somente levantou-se e foi em direção ao quarto se arrumar. Fazia tempo que Roy não o chamava para conversar, nem mesmo sobre informações importantes para os Alelos. A última reunião do grupo havia sido há quase três semanas e desde então não via o amigo.
Quando contou a Roy sobre a traição do Leonid, o rapaz fez menção de suspeitar de algo; estava observando Leonid de perto antes de Dick intercepta-lo. Depois disso só jogaram conversa fora, até Garth aparecer e começarem a beber pelo restante da noite.
Isso o fez se lembrar que não conversava com Garth havia um bom tempo, então resolveu colocar isso em sua lista mental de tarefas a cumprir nos próximos dias. Colocou uma jaqueta, passou pela cozinha pegando algo para comer e saiu do apartamento.
O tempo esfriava cada vez mais, e a falta de uma estrela se fazia mais evidente. Por mais que boa parte da população sequer tenha visto uma, ou sentido seu calor, Dick já o havia feito inúmeras vezes, e isso sempre retornava a sua mente. Aleryn era um planeta frio, e sempre seria.
Apressou o passo escondendo as mãos nos bolsos da jaqueta preta e entrou em uma das ruelas próximas ao Parque Central. A placa do bar não estava mais lá, há muito fora arrancada em uma briga por homens já bêbados; mas ela ainda estava encostada na parede de tijolos ao lado da entrada do bar. As letras gastas ainda se faziam presentes nela, mas ao invés de Aurora, estava escrito Aura.
Antes que perguntem, o dono teve de mudar o nome do bar por questões de segurança; antes era Rich Fox, nome de uma das organizações contra o Império ― mesmo que o nome tenha sido uma imensa coincidência ―, onde a única diferença entre ela e os Titãs era que os Alelos não matavam; não mais.
Entrou no bar indo diretamente ao fundo dele encontrando Roy com uma caneca de cerveja nas mãos. Conversava com Donna Troy, filha do dono. Em cima do bar havia um Estúdio fotográfico com o mesmo nome da taverna, a qual foi criada pela moça quando possuía dezenove anos.
Ela era muito respeitada pelos Titãs e principalmente por Cassie, já que o manto de Moça-Maravilha pertencera a ela em outros tempos.
― Donna. Roy. ― cumprimentou Dick recebendo um aceno da mulher: ― Como estão?
― Com frio. ― respondeu a mulher sentada na cadeira negra.
― Estou com uma cerveja e a presenta dessa ilustre mulher, estou péssimo. ― zombou Roy recebendo um olhar severo de Donna.
― Então, por que me chamou aqui? ― pergunto Richard apoiando-se na mesa: ― Não entra em contato comigo há quase três semanas, já estava achando que havia se perdido por ai.
Roy não respondeu à sua brincadeira, já que geralmente o faria, o que preocupou o Grayson. Donna Troy respirou fundo antes de começar a conversa por Roy:
― Não conseguimos contatar o Garth tem quase uma semana. ― respondeu a mulher tensa: ― Mandamos mensagens, fomos até sua casa, ligamos, mas nada.
― Ele sempre faz isso. Ele sempre some para algum lugar ficando incomunicável igual da ultima vez que ficou uma semana dentro de uma caverna. ― rebateu Dick tentando mascarar uma pequena hipótese que surgiu na sua mente.
― Ele não some assim. ― contradisse Roy largando a cerveja de canto: ― Sempre nos avisa antes, ou pelo menos deixa um recado no seu apartamento.
Dick não disse nada. Eles três, Roy, Donna e Garth cresceram juntos no orfanato Kanigher. Até mesmo depois de Donna ter sido adotada continuaram se vendo todos os dias, são como uma grande família, praticamente inseparáveis.
Respirando fundo, Richard levantou-se: ― Vou procurar Zatanna, talvez ela consiga o rastro dele. Vamos torcer pra que esteja enfiado em uma caverna sem sinal.
Os dois aquiesceram levantando-se com ele: ― Vamos também! ― avisou Roy pegando sua jaqueta do encosto da cadeira. Donna colocou as luvas e os três saíram atrás da maga.
[...]
Zatanna estava sentada junto de Rachel na sala detrás da loja com diversos livros espalhados por ela com poções e velas dispersas cuidadosamente sobre os móveis. Rachel estava sentada no chão. Com um livro negro flutuando em sua frente, ela lia minunciosamente cada página enquanto Zatanna escrevia algo ao seu lado.
― Quando for executar um encantamento, precisa estar concentrada ao modo como irá pronunciar as palavras. O tom de voz e a eloquência fazem muita diferença. ― explicou Zatanna finalizando de escrever na folha: ― Esse encantamento aqui é bem simples, ótimo pra você que está começando.
Rachel aquiesceu levantando-se com o papel em mãos. Deixou o livro num canto e concentrou-se no encantamento:
― Emit ot yrt tuo eht wen kool! ― pronunciou a empata de olhos fechados. Assim que abriu suas roupas foram trocadas por novas: ― Uma magia pra mudar de roupa?
― Acredite, é muito útil! ― ressaltou Zatanna encarando o visual colorido demais na garota: ― Mas acho que você fica melhor com azul no final das contas.
Estalando os dedos, a magia se desfez e Rachel retornou à suas vestimentas anteriores. A garota balançou a cabeça:
― Não tem nada mais útil?― perguntou receosa. A mulher riu:
― Tenho, mas não acho que você precise deles. Já tem poderes o suficiente para ser perigosa. ― comentou levantando-se e ajeitando sua roupa: ― Por mais que eu ame ensinar, você não precisa.
Rachel suspirou: ― Eu sei, mas acho que ser capaz de fazer esses encantamentos pode me ajudar quando meus poderes falharem.
― Se seus poderes falharem não será capaz de usar os encantamentos, Rachel. ― relembrou a mulher saindo da sala. A menina foi atrás: ― Encantamentos não são simples, mesmo que pareçam.
― Entendo... ― murmurou em um muxoxo: ― Mas eu acho magia super interessante, mesmo que não seja útil pra mim.
Zatanna riu: ― Ok, eu te empresto alguns livros e você pode estuda-los. Mas tente não explodir ninguém com os testes.
Rachel riu apoiando-se na bancada enquanto Zatanna organizava alguns objetos em cima dela. Por mais que não fosse a pessoa mais organizada do mundo ― o que se percebia ao entrar na sala atrás delas ― a loja era impecável.
Os artigos eram separados por categoria, entre livros de magia a ingredientes para encantamentos. Rachel os achava um tanto sinistros e ao mesmo tempo cativantes. Ficou imaginando o que se poderia fazer com restos de gente morta.
― Existem muitas restrições na magia? ― perguntou a empata cruzando os braços. Zatanna deu de ombros:
― A maioria se aplica a não matar pessoas. Em suma, se você evitar magia negra evitará quase todas as restrições. ― explicou calmamente: ― Mas algumas coisas não foram feitas para serem conquistadas por magia.
― Como o que?
Zatanna ficou quieta por um tempo pensando: ― Quer saber? Não importa. O que interessa é que aprendeu magia de mudança de visual, isso será muito útil na Universidade. Vai por mim, chega uma hora que você só levanta da cama e sai.
Rachel riu, mesmo percebendo claramente a mudança de assunto.
― O Dick às vezes saía igual um mendigo. ― ralhou lembrando-se do irmão que praticamente ia de pijama pra Universidade.
― Pelo menos ia de roupas.
Rachel riu alto:
― Já foi sem?
― É que você não mora no Campus. ― Zatanna sorriu sapeca piscando-lhe o olho: ― Por que não tenta morar lá?
― Eu moro a cinco minutos da Universidade. Diferente de você que morava em outra cidade. ― comentou a menina que se lembrava vagamente de quando a mulher chegara na cidade. Rachel devia ter em torno de treze, ou quatorze anos quando Zatanna fora estudar na Cidade Central.
― Mesmo assim é uma experiência única. ― dito isso uma sorriu à outra voltando ao silêncio.
A porta da frente se abriu chamando a atenção das duas. Passando por ela Dick, Donna e Roy que entraram esfregando os braços para espantar o frio do ar de fora. Zatanna abriu um largo sorriso:
― Olha quem resolveu sair da toca! ― zombou indo em direção ao rapaz de madeixas negras: ― Só porque está namorando não significa que pode me esquecer. ― zombou beliscando lhe o braço.
Dick riu: ― Desculpe, as coisas andam corridas. ― defendeu-se rindo. Olhou para Rachel dando-lhe uma piscadela. Ela desviou o olhar.
― Então, o que os traz aqui? ― perguntou Zatanna entrando em seu campo de visão. Sentou-se em um dos bancos dispostos na loja esperando.
― Precisamos de um encantamento de busca. ― disse Donna aproximando-se. A feiticeira retesou-se, o olhar sério.
― Por quê? ― perguntou ciente de que seria algo relacionado aos Alelos. Roy explicou a situação à feiticeira que ouviu tudo atentamente. Cruzou os braços pensativa:
― Não seria a primeira vez que eu faria uma busca pelo Garth. Na verdade faço isso bimestralmente. ― comentou entediada: ― Mas o farei se é tão importante assim.
Levantou-se seguindo com Roy, Dick e Donna para o andar de cima da loja: ― Rachel pode tomar conta da loja por mim? ― A menina assentiu enquanto era deixada sozinha no andar de baixo.
Entraram em uma sala pequena com uma mesa no centro. As janelas estavam fechadas e pintadas de negro; em cima da mesa havia cartas, um globo de vidro e um castiçal apagado. Donna remexeu-se desconfortável, não gostava muito de coisas relacionadas à magia, nem sempre coisas boas vinham dela.
Dick, por sua vez, ficou na porta observando seus dois amigos sentarem-se à mesa junto da feiticeira. E então o encantamento começou.
Zatanna conjurou alguns versos de olhos fechados. Estendeu a palma das mãos sobre a mesa e concentrou-se em cada palavra proferida. Caso esteja esperando alguma previsão por Tarôs ou predições do futuro, bem, não foi isso que aconteceu. O castiçal se acendeu, e nele formaram-se alguns símbolos semelhantes a coordenadas geográficas. Atualmente já estavam defasadas, mas eram bem úteis quando precisavam de localizações mais restritas.
Em menos de cinco minutos Zatanna terminou o encantamento. Abriu os olhos e o castiçal se apagou.
― Ele está fora da cidade, como sempre. ― disse a mulher com um sorriso fraco: ― Viram? Sem problemas.
Donna soltou o ar murmurando um “obrigado” enquanto Roy resmungava algo sobre bater no Garth com um taco de golfe. Dick permitiu-se relaxar com a notícia.
― Ótimo! ― bradou Dick mais calmo: ― Agora podemos, por favor, beber algo? Fiquei somente na vontade.
― Está cachaceiro demais pro meu gosto, amigo. Que tipo de líder é você? ― zombou Roy se levantando.
― Do tipo movido a Álcool. ― zombou dando de ombros: ― Já que me fez andar até aqui, vai pagar a primeira rodada.
― Até parece, você também estava preocupado. ― Roy lhe deu uma cotovelada: ― Além do mais, estou duro. Por isso estava bebendo no bar da Donna.
― Sua conta está lá esperando para ser paga. ― comentou a moça passando por eles: ― Sempre aparecem mais pedidos, mas dinheiro que é bom, nada!
Eles riram e começaram a descer. Zatanna pegou Dick pelo braço apertando os olhos.
― Posso conversar com você? Em particular? ― pediu a mulher olhando dele para os outros dois. Roy levantou as mãos.
― Sei quando não sou bem-vindo. ― ralhou sorrindo: ― Vê se não deixa a pobre Tara com muitos chifres.
E assim saíram pela porta. Dick meneou a cabeça voltando-se para a moça recostada na mesa. O olhar era sério, o que o fez ficar tenso.
― O que houve?
― Ele não está fora da cidade. ― respondeu for fim. Dick apertou o maxilar nervoso: ― As coordenadas mostram que ele está por aqui.
― Onde?
Zatanna mexeu-se incomodada: ― Na sede do exército.
Aquela notícia foi como um soco em seu estomago.
― Quando diz na sede, quer dizer...? ― Dick tentou, de verdade, pensar em qualquer outro motivo para o rapaz estar lá. Mas nem mesmo o emprego dele tinha relevância suficiente para estar em uma sede militar.
― Quero dizer que ele foi capturado. E se faz mais de uma semana, deve estar passando pelas mãos de torturadores nesse exato momento.
Dick balançou a cabeça em negação encostando-se na porta fechada. De todos os integrantes dos Titãs Alelos, aquele que menos chamava a atenção com certeza era o Garth. Então porque era ele quem havia sido capturado? Ele poderia citar tantas pessoas em sua lista de “membros sujeitos a serem capturados” com o nome do Connor escrito na primeira linha em vermelho e circulado.
― Por que não disse pra eles? ― perguntou o rapaz guardando um pouco da raiva que estava sentindo naquele momento pra si: ― Por que contar somente pra mim?
― Eu conheço a Donna e você também. ― bradou a mulher franzindo o cenho: ― Sabe que quando se trata de pessoas que ela ama simplesmente perde a razão. Ela poderia atacar a sede atrás dele e prejudicar os Alelos. Honestamente não posso deixar uma coisa dessas acontecer.
O Grayson passou as mãos pelos cabelos, nervoso. Muito nervoso. Respirou fundo colocando as mãos na cintura.
― O pior é que já faz uma semana e até agora nada de eles virem atrás da gente. ― comentou sério.
― O que significa que ele não disse nada, já é um alívio. ― Zatanna desencostou-se da mesa pegando suas cartas de Tarô.
― Pra quem? Porque pra ele é só mais uma sessão de tortura. ― trovejou o rapaz segurando-se para não elevar a voz e ser ouvido pelos três no andar de baixo.
A moça não respondeu, somente começou a mexer com as cartas separando-as na mesa. Dick irritou-se com isso. Meneou a cabeça saindo a passos pesados de dentro da sala pequena e escura. Zatanna suspirou fundo virando uma das cartas.
Nela um esqueleto com uma capa negra segurava uma foice em seu ombro esquerdo. A seus pés restos de membros humanos e lápides estavam dispostas no terreno de terra. No topo da carta estava escrito em letras negras e enfeitadas o nome “ceifador”.
A predição da morte.
[...]
Kory estava sentada em uma das cadeiras vazias da imensa sala branca. Sem nenhuma janela para iluminar o local várias luminárias estavam dispersas pelo teto do recinto. Bem amplo com algumas cadeiras para apresentações e mesas empilhadas no fundo da sala. Bem no centro havia uma mesa, uma cadeira e quatro homens.
Sentado nela, o garoto estava penso, semiconsciente e resmungando de tempos em tempos palavras sem nexo. À sua frente, Garfield respirava fundo encarando o garoto teimoso com certo receio.
Já estavam naquele processo há uma semana e até aquele momento não tiveram nenhuma informação útil sobre os Titãs Alelos, e isso estava irritando o casal profundamente. Garfield acenou para os dois homens ao lado de Garth que menearam com a cabeça pegando o rapaz pelos ombros.
O recostaram na cadeira obrigando-o a encarar as orbes verdes do Comandante à sua frente.
― Garoto, estamos nisso há dias. Ajudaria muito se você deixasse seu orgulho de lado por pelo menos alguns minutos. ― propôs o Logan seriamente. Garth riu mostrando os dentes avermelhados pelo sangue seco que escorrera por seu rosto manchando sua camiseta gasta.
― Não direi... na...da. ― falou entre ofegos reprimindo um grito de dor ao respirar mais fundo e sentir sua costela raspar em seus pulmões. Não sabia dizer quantas estavam quebradas. Garfield suspirou exausto.
― Eu tenho evitado deixar ela cuidar de você desde o começo por questões de segurança, mas você não me deixa escolha. ― Levantou-se da mesa chamando Kory ao fundo: ― Todo seu, amor.
Kory grunhiu levantando-se calmamente da cadeira. Alongou-se momentaneamente antes de se aproximar do garoto que por breves instantes se permitiu ficar apavorado. A tamaraniana pousou uma das mãos no ombro machucado de Garth descendo com os dedos até seu tronco lentamente; Garth engoliu em seco, desesperado.
Ao chegar a suas pernas a mulher o olhou curiosa:
― Tem certeza de que não pretende dizer nada? ― perguntou uma segunda vez ao rapaz. Suando frio, Garth negou. Kory abriu um sorriso fraco: ― Admiro isso. Se fosse em outras circunstâncias poderia te liberar por lealdade. ― Desceu um pouco mais até parar com os dedos nos joelhos trêmulos: ― Mas não posso.
Num movimento rápido virou a perna do rapaz em uma posição assustadoramente inumana. Garth soltou um grito de agonia enquanto Kory forçava sua perna com mais peso. As lágrimas irromperam a face suja do garoto que tentava se controlar para não desmaiar ali mesmo.
Kory lhe deu alguns segundos de alívio antes de descer um pouco mais com seus dedos. Um segundo aperto e o barulho de ossos se partindo ocupou o recinto. Sua tíbia se dividiu em duas partes e novamente um grito de desespero foi ouvido, mas desta vez o rapaz desmaiou por alguns segundos. Kory negou com a cabeça, como se não aprovasse a ação.
Estralou os dedos fazendo uma terceira ruptura em seu osso despertando o rapaz desnorteado. As lágrimas não cessavam e o choro dele se tornou em um murmúrio.
Se passaram vários minutos até que alguém falasse ou fizesse algo novamente, e antes que Kory resolvesse retornar para brincar com ele, Garth abriu a boca:
― Z... ― começou a querer falar, mas um soluço o interrompeu. Garfield agachou-se à sua frente atento.
― O que?
― Za... Zat... ― resmungou tremendo desenfreadamente. As lágrimas voltaram a cair: ― Zatanna.
Foi tudo o que disse antes de desmaiar novamente, mas desta vez não acordou tão logo. Garfield apertou os olhos, curioso. Levantou-se indo até a namorada.
― Quem é Zatanna? ― perguntou a Tamaraniana que voltara a se sentar na cadeira no fundo da sala. Garfield deu de ombros.
― Nossa primeira pista verdadeira em semanas.
[...]
Dick estava tenso. Não poderia dizer para nenhum dos três ao seu lado sobre o que Zatanna lhe dissera. Primeiro que a mulher estava certa sobre Donna, com certeza iria voando ― literalmente ― até a sede e começaria uma luta que terminaria muito mal; Segundo que ele não saberia como dizer isso pois não havia chance alguma de resgatá-lo.
Se sentiu impotente nesse momento. Era o líder do grupo, seus amigos dependiam dele para dizer o que era preciso fazer, como a ancora para mundos de seus companheiros. Dick sabia que a maioria dos membros dos Titãs eram inexperientes, muitas vezes crianças, adolescentes ou soldados revoltados; muito diferente da Rich Fox propriamente dita.
Dick não sabia muito sobre a organização, na verdade não sabia nada a não ser seu nome. Nem mesmo os membros ou líderes foram revelados, portanto não poderia dizem a diferença entre seu grupo e o deles. Contudo, tinha quase certeza que eles saberiam resolver isso. Já ele? Não conseguia parar de tremer de tanta raiva e frustração, e devido a isso torcia para que pensassem que fosse somente pelo frio.
Quando passaram em frente ao Bar Aurora Donna o convidou para entrar, mas educadamente recusou. Não saberia se aguentaria ficar muito tempo sem dizer o que estava pensando ou sentindo, só queria mesmo chegar a seu quarto e se frustrar sozinho pelo resto da noite.
Rachel estava calada ao seu lado contando piso por piso até chegar ao Hall de entrada do prédio. Subiram silenciosamente até chegarem ao apartamento. Por estar tarde, cada um foi para seu quarto sem sequer jantar.
Richard respirou fundo sentando-se na beirada da cama. Passou a mão pelos cabelos gélidos antes de se jogar na cama por cima do cobertor. Fechou os olhos e se deixou levar pelo cansaço.
[...]
Rachel acordou mais cedo no outro dia. Estava disposta a treinar um pouco dos encantamentos do livro mágico que Zatanna havia lhe emprestado, tanto que não fora para a faculdade sabendo que ouviria umas poucas e boas de seu irmão por negligenciar seus estudos.
Abriu o livro em alguma página aleatória lendo sobre os encantamentos. Alguns era tão simples e bestas que assustadoramente eram tão “úteis” quanto o feitiço de mudança de roupa. Um deles servia para amarrar cadarços, outro para mudar a cor dos cabelos, e um mais interessante ainda: acender velas.
Rachel grunhiu em frustração. No livro só havia feitiços simples sem nenhum efeito para batalhas, a menos que o look do dia mudasse o resultado de uma luta, para ela nada ali era útil; mas como uma boa aluna resolveu treinar assim mesmo. Por isso repediu o feitiço que fizera com Zatanna mudando de roupa para algo mais bonito e simples: Uma calça jeans com camiseta cigana e uma blusa de flanelas marrom. Ela olhou para si mesma e riu, parecia uma Hippie.
Testou mais um dos encantamentos, mas desta vez escolheu um aleatoriamente. Fechou os olhos, passou o dedo pelas páginas e escolheu um:
― Esse serve. ― falou para si mesma pigarreando e começando a conjurar: ― Ekahs siht ebolgwons!
Nada.
Rachel ficou curiosa, pois literalmente nada aconteceu, nem mesmo um cadarço amarrado. Bufou irritada pronta para testar outro, mas Dick apareceu em seu quarto ligeiramente irritado.
― Rachel... ― resmungou cansado. As olheiras eram grossas e evidentes em seu rosto, além da voz arrastada que ajudava no ar cadavérico do irmão mais velho.
― Eu sei que não fui pra faculdade, mas sinceramente não tinha nada de importante hoje. ― tentou se justificar para evitar uma discussão com Dick. O rapaz meneou a cabeça a chamando para o lado de fora do quarto.
― Vem cá! ― chamou saindo do quarto da menina seguindo para o seu. Curiosa Rachel o seguiu e não deixou de rir ao ver o quarto do rapaz branco com algo que ela não soube identificar de primeira, mas quando o fez sentiu-se eufórica. Uma gargalhada gostosa saiu dos lábios da empata que segurou-se no batente da porta para não cair.
Dick balançou a cabeça tentando esconder um sorriso sapeca em seu rosto, mesmo ainda estando irritando por ter seu quarto cheio de neve; e para piorar tudo estava só de cueca aumentando seu frio em duzentos por cento; sua pele já se mostrava um pouco arroxeada.
― Dick... ― chamou ela deixando de rir: ― Isso é o que, neve? ― perguntou curiosamente pegando um punhado em mãos para, na sequência, soltá-lo: ― Que gelado.
― Eu que o diga. ― resmungou o irmão mirando a cama que continha uma grossa camada de neve por cima: ― Nunca vi neve antes, mas adoraria que não criasse ela no meu quarto.
Rachel sorriu mais ainda: ― Vou tentar, mas isso é incrível. Nunca tinha visto antes, é tão fofa e bonita.
Dick teve de concordar. Ainda sim não gostou de imaginar isso ali.
― Sabe como desfazer isso? ― perguntou esperançoso, mas toda sua fé foi brutalmente assassinada pela cara de culpada da caçula: ― Merda!
― Desculpa, vou ligar pra Zatanna! ― replicou ainda bem radiante correndo para seu quarto atrás de seu telefone.
[...]
Slade andou a passos pesados pelos corredores da sede militar. Por mais que fosse cedo, recebera uma denuncia de um de seus soldados sobre um prisioneiro escondido em um dos subsolos da instalação. Com uma raiva crescente o homem desceu até o segundo subsolo dando de cara com Garfield e Kory sentados do lado de fora com café em mãos e um telefone nas mãos do rapaz.
Assim que o viram sorriram debochadamente:
― Wilson, que surpresa desagradável. ― zombou Kory levantando-se do banco de metal. Slade se deu ao luxo de ignorá-la olhando diretamente para o Logan.
― Soube que está com um prisioneiro em mãos. Posso saber quem é, e o porquê de não ter sido informado antes? ― perguntou de forma ríspida cruzando os braços. Garfield deu de ombros:
― Não é mais do seu interesse, Wilson, mas conseguimos capturar um dos membros dos Titãs Alelos. ― falou meramente vendo o rosto de Slade contorcer-se em surpresa: ― Não nos olhe assim, obviamente conseguiríamos alguém, foi só persistir um pouco.
Slade ficou calado por um tempo: ― Quem?
― Garth Curry. Biólogo marinho. ― respondeu Kory desinteressada: ― Lemos sobre alguns relatórios de seus trabalhos e descobertas em profundezas que seriam difíceis de alcançar, a menos que tivesse poderes ou fosse um peixe.
― O que nos levou a imaginar como ele conseguiria tal proeza. ― continuou Garfield: ― Pesquisamos sobre alguns membros mais comuns dos Alelos, e depois de várias pesquisas achamos um cara chamado Aqualad. ― disse por fim olhando para a parede como se pudesse ver através dela o rapaz sentado desacordado na cadeira: ― Então foi somar um mais um.
Slade riu: ― E ele confessou tudo isso pra vocês?
― Não sem uma tortura básica. ― respondeu Kory de forma sinistra. Slade apertou os olhos, a moça deu de ombros: ― O joguei em um tanque d’água com tubarões e sentei para ver. Ele não morreu afogado e os animais não o atacaram, e sim se afastaram dele respeitosamente.
Garfield torceu os lábios como se não gostasse de ouvir sobre isso.
― E se tivesse morrido? ― insistiu Slade, mesmo que tivesse achado a ideia prática.
― Erro de julgamento, acontece. ― respondeu simplesmente bebericando do café aparentemente gelado.
O Wilson respirou fundo passando o peso do corpo de uma perna para outra: ― Conseguiram alguma informação útil?
― Você não está no caso. ― ralhou Kory brava.
― Ele falou um nome lá dentro. ― Disse Garfield ignorando os protestos da namorada: ― Uma tal de Zatanna. ― disse curioso: ― Fizemos uma pesquisa e soubemos que ela é uma feiticeira das periferias da Cidade Central. Bem famosa, por sinal.
Slade concordou: ― Ela é como o Maluco do Controle, é útil para ambos os lados, mas nunca nós passa informações pessoalmente. Ela evita ser achada.
― Então vamos começar por ela. Mesmo que demoremos um pouco para achar essa tal de Zatanna, não vai demorar muito até que ela apareça por ai ― disse Kory jogando o copo vazio de café no lixo: ― Afinal de contas nosso relatório só aumenta de tamanho a cada dia que passa. ― comentou caminhando até o namorado puxando-o pelo braço. ― Até mais tarde Wilson.
Assim o casal partiu, e Slade ficou para trás pensativo encarando a porta de aço que o separava de Garth. Soltou um riso maldoso antes de chamar um de seus soldados pelo telefone e entrar na sala branca.
[...]
Zatanna espreguiçou-se gostosamente em sua cama no andar mais alto do sobrado onde sua loja residia. Virou-se para o lado abraçando um dos travesseiros dispersos na cama. Fechou os olhos novamente aproveitando o calor das cobertas e silencio do momento. Ainda era bem cedo, possivelmente umas seis da manhã.
Os cristais brilhavam mais do que nunca, conseguindo passar um pouco pelas frestas da persiana do quarto. Murmurando baixo, Zatanna enfiou o rosto no travesseiro evitando olhar para as luzes verdes àquela hora da manhã.
Seu telefone tocou e ela amaldiçoou com gosto quem quer que fosse por mandar mensagem àquela hora. Pegou o aparelho bufando, mas assim que leu sentou-se exasperada na cama com o semblante sério.
“Eles sabem! Se esconda!”
E isso foi tudo que precisou para aprontar-se o mais rápido que pode descendo as escadarias da casa até o piso térreo. As janelas da loja estavam fechadas, com as cortinas impedindo a luminosidade dos cristais de passar. Foi até o centro dela desenhando um circulo com um pentagrama nela proferindo o encantamento:
― Yfidom, egalfuomac! ― bradou em alto som e toda sua loja transformou-se. O que outrora era uma loja de encantamentos e feitiços virou uma loja de doces. Na sequência mudou de roupa e aparência assumindo o crachá com nome: Tanny.
Assim que o fez suspirou cansada apoiando-se em seus joelhos. Outra mensagem apareceu em seu telefone.
“Chegaram”
E assim que leu as palavras ouviu algumas batidas na porta vendo duas figuras do lado de fora da loja percebendo então o quão próxima esteve de ser pega. Sorriu debochadamente da situação.
Endireitou-se ajeitando sua trança e incorporando a personagem. Abriu a porta dando de cara com os Comandantes.
― Bom dia! ― disse Garfield com um sorriso simpático: ― Sou Garfield Logan e essa é Koryand’r. Podemos entrar por um momento? Gostaríamos de fazer algumas perguntas.
Zatanna meneou a cabeça abrindo espaço para que passassem. Assim que o fizeram fechou a porta, mas não antes de ver Roy do outro lado da rua desaparecer pelo beco. Ela soltou um riso cômico voltando-se para dentro da loja.
Virou-se aos comandantes que examinavam os doces e bolos dispersos pelos balcões brancos com várias rendas rosa decorando suas beiradas. No lado esquerdo algumas banquetas estavam dispersas em frente a uma área de degustação. Zatanna lhes mostrou um grande sorriso:
― Vieram bem cedo. Geralmente meus clientes aparecem lá pelas oito, mas obrigada pela preferência. ― disse alegre indo para trás do balcão pegando algumas fatias de bolos de morango: ― Como é a primeira vez que os vejo tem direito a degustação.
― Não viemos para isso. ― cortou Garfield recebendo um olhar atravessado de Kory que estava encantada pelo bolo: ― Gostaríamos de saber se conhece alguém chamado Zatanna.
A mulher fingiu pensar: ― Conheço sim. Nunca a vi, mas ela é bem famosa por aqui, só que nunca está no mesmo lugar. É estranho. ― respondeu da forma mais branda que pode. Garfield concordou.
― Soubemos disso, mas é estranho que ninguém a conheça. ― disse Kory de costas pra eles analisando os doces da vitrine: ― Precisamos saber sua localização.
― Posso perguntar o por quê? ― Zatanna perguntou cortando uma fatia do bolo de morando em cima da mesa.
― Sigilo militar. ― respondeu Garfield amigável: ― Obrigada pela consideração, mas temos de ir.
― Espera! ― disse Kory indo até Zatanna: ― Eu aceito a degustação.
― Kory! Estamos a serviço. ― falou o rapaz incrédulo. Ela deu de ombros:
― E? O que me impede de trabalhar e comprar algo pra mim? ― Voltou-se pra moça que já havia separado sua fatia de bolo.
― Aqui, minha linda. ― Disse Zatanna. Os olhos de Kory brilharam em excitação enquanto comida do bolo. Garfield soltou uma risada fanha indo até a feiticeira.
― Vou levar o bolo. ― respondeu por fim recebendo um lindo sorriso da namorada.
[...]
― Obrigada por comprar o bolo. ― falou Kory andando com a caixa branca em mãos. Garfield deu de ombros:
― Não ia nos matar. ― Zombou depositando um beijo doce nas bochechas da mulher. Seu telefone tocou o fazendo atender sem nem mesmo olhar o visor: ― Alô?
"Comandante temos um problema”
Garfield franziu o cenho parando de andar. Kory parou mais a frente o encarando séria: ― O que houve?
“O prisioneiro... está morto”.
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