Insólito Ardor

5 04. O destino e o Karma andam lado a lado


Notas iniciais
Boa noite amores mios. Sim, eu sei que demorei HORRORES para postar o capítulo, mas a faculdade me sugou a alma esse semestre ;A; cheguei a ficar quase três dias sem dormir para terminar um único projeto {pra tirar nota baixa. Ôh Karma!}, então só tenho as férias para escrever, porque algo me diz que o próximo semestre vai me matar de alguma forma. Imaginem quando eu começar a trabalhar pra valer? SERÁ MEU FIM Ç.Ç Enfim, me perdoem mesmo, tentarei ser mais pontual, porém é difícil conciliar faculdade com vida pessoal, as vezes temos de sacrificar algo por um determinado tempo. Por favor, não desistam de mim! Agradeço à todos os comentários e incentivos, realmente me alegra que ainda não se esqueceram de mim rehhruehreurue Bem, sem mais delongas, 6.000 palavras fresquinhas pra vocês. Boa leitura.

04 – O Destino e o Karma andam lado a lado

[...]

Boatos propagam-se rapidamente, não importa a constelação ou o planeta em que viva. Assim que foi divulgada a perseguição em público entre os Comandantes estrangeiros e os Titãs Alelos, a população tornou-se ouriçada.

Por muitos anos os Titãs Alelos eram vistos como imbatíveis, ou até mesmo invencíveis comparados ao exército local. Contudo, desde a vinda dos Comandantes, o jogo pareceu ter sido virado bruscamente.

Claro, que o fato de Moça Maravilha ter saído machucada do embate foi mais do que motivo para criar em algumas pessoas a falta de esperança que depositavam no pequeno grupo revolucionário. Uma boa parte da população acreditava na conquista da paz e direitos, mas sabiam muito bem que não seriam conquistados por conversa ou barganha.

Por isso os Titãs Alelos se tornaram ícones, e a possível derrota de um dos líderes foi como um soco bem dado nas esperanças dos Aleryanos.

[...]

Uma longa pesquisa foi feita durante três dias consecutivos na casa de Richard. O evento que ocorrera com Cassie fora incomum, não só pelo fato de suas habilidades terem sido abatidas, mas pelo modo como foi feito.

Há alguns anos, pesquisadores descobriram através de experimentos brutais que tranquilizantes não faziam efeito contra meta-humanos; o que os forçava a sempre usar da força e da violência para acalmar aqueles que se descontrolavam. Durante essa época, os Titãs resolveram fazer esse teste e todos, inclusive Rachel que não era uma meta-humana, usaram do tranquilizante.

Deste teste, somente três pessoas se mostraram vulneráveis aos efeitos do sedativo, e uma delas foi Cassie. A informação era sigilosa, mas de conhecimento geral do grupo. Voltando ao início, o ponto que intrigou Richard totalmente não foi ela ser derrubada, mas saberem que um tranquilizante funcionaria com ela, mesmo tendo falhado em cem por cento dos testes em meta-humanos do governo.

Após longos dias de pesquisas chegaram a uma conclusão e poucos nomes relacionados. A primeira e mais óbvia era de que alguém do grupo estava vendendo informações ao governo; o que os levou ao ponto mais perigoso de um grupo: a traição.

Um dos motivos de Richard evitar esse tipo de conclusão é justamente para evitar desconfianças desnecessárias, contudo, por ter essa falta de disciplina que informações vazaram.

Dentre os nomes encontrados não foi surpresa alguma ver o Maluco do Controle no topo da lista. Ele é um informante, e informantes não possuem lados; onde houver grana alta é onde estarão. Todavia, mesmo sabendo que ele possuía muitas informações a respeito do grupo ― que ninguém sequer consegue imaginar como ―, este e outros segredos como a identidade de alguns titãs, incluindo a de Dick, são preservados pelo próprio Maluco do Controle; suas razões até hoje são desconhecidas.

O segundo nome encontrado foi Leonid Konstantinovitch, um Helleriano que presta serviços à Aleryn há anos. Conhecido pelos Titãs como Estrela Vermelha, Leonid vendia informações ao governo desde a primeira vez que pisara no depósito; e saber disso enfureceu Richard profundamente.

[...]

Leonid entrou em seu apartamento pouco iluminado ao final da tarde. Deixou suas chaves na mesa sentando-se folgadamente no sofá de couro. Fechou os olhos aproveitando o escuro e o silêncio de seu apartamento.

Pouco antes que caísse no sono a luz se ascendeu e quatro pessoas emergiram da escuridão. Leonid levantou-se aturdido, mas fora empurrado com brusquidão ao sofá novamente.

Assim que sua vista acostumou-se com a claridade, o soldado reconheceu as pessoas à sua frente.

― Asa? ― balbuciou incrédulo. Com severidade no olhar, Dick aproximou-se de Leonid; braços cruzados e lábios levemente crispados.

― Consegue imaginar o porquê de estarmos aqui, Leonid? ― perguntou Dick sucinto. Cassie deu um passo à frente igualando-se a Dick.

― Caso ele não consiga imaginar eu posso mostrar, com todo o prazer. ― rosnou a loira sem muita paciência para dar.

Com pouco esforço o soldado ligou alguns pontos. Desde o ataque há alguns dias atrás Leonid havia imaginado que os líderes começariam a vasculhar por possíveis traidores, e não lhes custou muito a acha-lo.

― Eu sei por que estão aqui, mas o que pretendem fazer? Me matar? ― zombou Leonid ajeitando-se no sofá: ― Deve ser fácil para vocês, não é?

― Não nos provoque. ― ralhou Superboy inflando as narinas: ― Te quebro na mesma facilidade de um lápis.

Asa entrepôs-se:

― Não viemos mata-lo, Leonid. Não faz parte da nossa conduta, pelo menos não na nova. ― ressaltou sério: ― Se fosse há uns dois anos teríamos o matado sim, sem pestanejar.

Leonid riu: ― E o que os fez pensar diferente? Afinal, essa guerra é toda formada pela vingança, não é mesmo? Só querem ver o governo ruir sem se importarem com os civis que não tem nada a ver com isso.

― Nossos motivos não lhe dizem respeito, só agradeça que Asa está aqui senão... ― Connor deu dois passos a frente, mas Cassie o parou.

― Não viemos aqui para isso, Superboy.

Asa inspirou fundo: ― Corvo. ― com a ordem em andamento, Rachel amarrou o homem o envolvendo na mais espessa escuridão que Leonid já vira.

Sem conseguir protestar desapareceu dentro da sombra de Rachel. Assentindo para Asa, a garota destruiu as lâmpadas da casa devolvendo o apartamento ao breu absoluto.

[...]

Saindo de uma das salas de uma loja de feitiçaria, uma mulher de longos cabelos negros apoiou-se na bancada de sua loja. Ajeitou seu chapéu espalhafatoso enquanto iniciava uma conversa com os rebeldes a sua frente:

― Honestamente Asa, seus pedidos são sempre tão exigentes. ― balbuciou a mulher bocejando um pouco: ― Sabe quanta energia eu gasto para apagar a memória das pessoas desse jeito?

Asa riu: ― Desculpe Zatanna, mas era preciso.

A mulher abanou a mão, demonstrando não se importar: ― Sinceramente é bem melhor do que ver vocês matando pessoas sem motivo. Faço isso de graça com o maior prazer.

O olhar de Dick suavizou: ― Eu sei, obrigado por isso. Conseguiu fazê-lo esquecer-se de tudo?

Zatanna aquiesceu: ― Sim, ele vai pensar que não conseguiu contato com vocês e que todas as informações que havia conseguido foram através do Maluco do Controle. Mas claro, terão de lidar com ele mais hora menos hora.

― Sabemos disso, mas isso facilita o processo. ― comentou Cassie: ― Se ele pensar que nunca fez partes dos Alelos torna mais fácil negarmos sua entrada e prestarmos atenção em seus movimentos.

― Ele não terá mais contato com os outros Titãs, não comprometerá ninguém. ― emendou Rachel.

― Então se apressem e contem aos seus outros rebeldes que ele não faz mais parte do grupo. Se forçar muito sua memória ele acabará por lembrar aos poucos. Sabem que não é cem por cento definitivo. Se alguém lhe forçar a memória ele vai recobrá-la.

― Até hoje nenhum dos que tiveram suas memórias apagadas voltaram a se lembrar de nós. ― comentou Superboy: ― Então porque ele lembraria?

― Ele foi o primeiro oficial de guerra que apaguei a memória. Ele possui relatórios e muitas outras coisas que pode força-lo a se lembrar. ― ressaltou Zatanna brincando com sua varinha a levitando do balcão.

― Então pode ter sido em vão? ― Rachel perguntou curiosamente. Zatanna assentiu.

― Receio que sim.

― Não totalmente. ― Asa comentou aproximando-se da mulher: ― Por mais que aos poucos ele se lembre de nós, não será a tempo de concluir suas metas. Ele é um espião, precisa levar relatórios periodicamente. Quando eles não forem entregues vão pensar que bandeou para o nosso lado, provavelmente será deportado para Heller.

― Irá comprometê-lo até o fio de cabelo. ― Cassie disse divertida: ― Esperto.

― Tomara que esteja certo, Dick. ― balbuciou Zatanna: ― porque honestamente os militares fazem de tudo para poder executar alguém em praça pública.

Sem dizer mais nada, Zatanna entrou para o quarto onde Leonid dormia profundamente para arrumar seus apetrechos mágicos.

― Rachel, leve Leonid pra casa dele. Cassie, Connor, vão com ela. ― ordenou Dick.

― E você? ― perguntou Rachel um pouco desconfiada.

― Depois encontro com você. Preciso passar no Galpão, Speed me pediu para encontra-lo, ele tem informações interessantes.

― Beleza então, estamos indo. ― informou Cassie: ― Tchau Zatanna!

― Adeus! ― gritou a mulher de dentro da sala. Rachel concentrou-se sumindo com ela, seus dois companheiros e o traidor em um corvo negro. Asa balançou a cabeça aproximando-se de Zatanna. A moça riu: ― Você é um péssimo mentiroso.

Ele a abraçou por trás dando um risinho: ― Sou é? Que maldosa. ― sorrindo sobre seus ombros, Dick balbuciou em seu ouvido: ― Espero que não esteja tão cansada assim.

Rindo Zatanna virou-se para ele envolvendo seu pescoço com os braços: ― Nunca estou cansada para brincadeiras numa quinta à noite. ― Sorriu selando seus lábios com um beijo.

[...]

― Dick! Dick acorda! ― Rachel sacudia o irmão de um lado para o outro na cama tentando acordá-lo de um sono que mais se parecia com um coma: ― Por Azar, você vai se atrasar!

Dick remexeu-se na cama tacando-lhe o travesseiro ainda sonolento: ― Não vou ao escritório hoje, Rae. ― resmungou o irmão sentando-se na cama.

Rachel jogou de volta o travesseiro, irritada: ― Que horas chegou ontem?

Asa fingiu pensar, e sua mente vagou de volta para aquela noite com Zatanna. Na verdade, ele havia chegado há mais ou menos uma hora, mas ela não precisava saber disso.

― Uma da manhã. Saímos para beber. ― mentiu com um riso sapeca nos lábios. Rachel não acreditou.

― Certo. Estou indo então, até a noite. ― Despediu-se irritada saindo pela porta do quarto batendo-a com força. Dick riu.

― Ciumenta! ― gritou para a porta fechada sorrindo para depois jogar-se na cama.

[...]

Já no horário de almoço, Dick foi chamado por seu chefe para avaliar alguns projetos escolhidos para a implantação de uma nova plataforma na área de embarque e desembarque. Com pouco ânimo, Dick saiu de seu apartamento e começou a andar pelas ruas de Aleryn, iluminadas pelo verde dos cristais.

Seu celular tocou recebendo uma mensagem de Cassie dizendo que havia feito um bolo que queria ele passasse lá mais tarde para pegar um pedaço. Dick sorriu avisando que iria, mas acabou esbarrando-se em alguém derrubando seu celular e uma sacola cheia de peças de espaçonaves.

― Desculpe. ― pediu Dick abaixando-se para ajudar a recolher as peças. A moça sorriu.

― Não se preocupe, não são peças delicadas. ― comentou levantando a sacola e colocando as peças dentro dela. Dick a encarou: era uma moça bonita de cabelos loiros e profundos olhos azuis. Não deixou de sorrir:

―Bom saber, fico tranquilo que nada se quebrou. ― Comentou ajudando a moça a se levantar. Enquanto ela ajeitava sua sacola ele aproveitou para dar uma breve avaliada.

Suas roupas eram simples, entre amarelo e marrom, com um pequeno short, uma babylook, botinas e óculos de aviador. Parecia mais uma garota perdida no tempo.

― Mas acho que seu telefone quebrou. ― comentou preocupada olhando para o trincado na tela do aparelho em suas mãos: ― Eu concerto, sem problemas.

Dick negou segurando as mãos da moça onde o celular se encontrava: ―Não tem problema.

Pegando o celular, beijou-lhe a mão despedindo-se: ― Até a vista, meu anjo.

Assim, saiu com um sorriso no rosto e os olhares curiosos da moça ao seu encalço.

[...]

― A plataforma tem algumas falhas, mas da para compensar com algumas colunas de sustentação. ― comentou Dick analisando uma das plantas escolhidas: ― Mas de todos, este é o melhor projeto.

― Concordo. Avise ao projetista que faremos algumas mudanças para poder começar logo com a construção. Estamos atrasados com os projetos para o suporte do cargueiro. ― bradou Hudson, um senhor de meia idade chefe do setor arquitetônico imperial, sua voz estrondosa apavorava qualquer novato desbravando os mundos dos projetos. O jovem assistente ao seu lado tomou nota.

― A construção precisa começar logo, a encomenda de peças e a mão de obra custam muitos meses de empenho. ― comentou Dick pensativo.

― Não temos muitos meses, Senhor Grayson. ― lamentou Hudson fazendo anotações em seu bloco: ― Avise o senhor Stone que precisamos que apresse o andamento das maquinas. E vá até a área de visitantes ver se a Tara já chegou.

― Com toda licença senhor, mas já cheguei. ― comentou a mesma moça da rua entrando na sala: ― Desculpe, tive um pequeno imprevisto.

Ela havia trocado de roupa, agora usando algo mais social, não abandonando o marrom em momento algum. Os olhos dos dois se cruzaram por breves momentos antes de se concentrarem no senhor prostrado à frente.

― Sem problemas, minha cara. Precisamos de você para monitorar o andamento da construção, muitas peças de espaçonaves serão usadas, e não podemos permitir falhas na hora de atracar o cargueiro. ― cuspiu as ordens sem delongas levantando-se da cadeira: ― Preciso relatar sobre o andamento da construção, vocês cuidem para que tudo ocorra como o planejado. Entenderam?

― Sim, senhor! ― disseram os dois em uníssono. O senhor Hudson saiu da sala junto de seu assistente.

Dick não deixou de esboçar um sorriso enquanto guardava as plantas e os documentos dispostos na mesa. Tara aproveitou para ajudar na arrumação.

― Então... Você é o arquiteto imperial? ― comentou Tara enquanto guardava os lápis e canetas espalhados pela sala.

― Sim. Richard Grayson. Dick, se preferir. ― apresentou-se fechando sua maleta e saindo pela sala. Tara o seguiu apagando a luz da sala.

― Dick, é? Muito prazer. E novamente me desculpe pelo seu telefone. ― desculpou-se parando em frente ao elevador.

― Sabe, você pode me recompensar pelo meu celular perdido se sair pra tomar café comigo. O que acha? ― propôs o rapaz entrando no elevador que acabara de chegar. Sem nem pensar muito Tara entrou aceitando seu pedido.

Saíram do prédio caminhando por entre as lojas da Cidade Central. Já era fim de tarde quando terminaram de analisar os projetos. Tara puxava vários tipos de assuntos durante o caminho, desde perguntas sobre Aleryn a propulsores de nave de combate. Entraram em uma cafeteria, grande e bem iluminada; vários quadros sobre bebidas espalhados pelas paredes e diversas mesas à dois dispostas pelo recinto.

Tara apossou-se de um dos lugares da mesa enquanto Dick pedia os cafés.

― É sua primeira vez em Aleryn? ― perguntou Dick curioso.

― É tão óbvio assim que sou de fora? ― zombou a moça encabulada: ― Mas sim. Ouvia muito falar sobre esse planeta, mas nunca tive tempo de vir visitar. Agora que tenho a chance quero aproveitar ao máximo. ― comentou animadamente. Richard desenhou um sorriso em seus lábios.

― De onde você é exatamente?

― Heller. ― respondeu entrelaçando seus dedos sobre a mesa: ― E você? É daqui?

― Sim, nasci e vivi aqui. ― respondeu rapidamente: ― Não é um lugar ruim, mas um pouco difícil de crescer economicamente.

― Ouvi falar. ― rebateu Tara.

O café foi servido e os dois ficaram quietos por algum tempo. O silencio não era incomodo, mas o jeito com que Tara brincava com a xícara tiravam vários pensamentos curiosos do Grayson.

― Por que tanto fascínio em sair de Heller? Que eu saiba é um bom planeta. ― retomando o assunto, Dick tomou um gole de seu café, quente e bem amargo. Já o de Tara deveria ter no mínimo cinco colheres de açúcar.

― Ah, acho que todos têm vontade de conhecer outros planetas; culturas, povos, edificações, maquinas super potentes com propulsores a íon! ― Tara riu mexendo seu café. Já era a sexta colher de açúcar. Bebericou e sorriu com o gosto: ― Muito tempo preso no mesmo lugar te torna turrão.

― Bem dito.

― E você? Já saiu do Planeta?

Inspirando fundo, apoiou-se na mesa com o olhar sapeca: ― Já. Como arquiteto Imperial tenho muitas saídas, principalmente para aumentar meu conhecimento. Mas são sempre as mesmas coisas, não importa o planeta, as únicas coisas que mudam são as culturas, de resto é quase exatamente igual.

― Não acha que tem uma opinião muito superficial das coisas? ― comentou Tara: ― As vezes se conhece mais sobre seu próprio planeta quando se conhece os outros.

― Bem profundo.

― Eu sou profunda. ― zombou rindo gostosamente. Dick a acompanhou fascinado.

―Quanto tempo pretende ficar por aqui? ― perguntou curioso.

― Alguns meses, eu acho. Mas depende do que me prender aqui. ―Dick arqueou a sobrancelha, sapeca.

― Trabalho, dinheiro, pessoas. Abandonaria Heller por uma dessas coisas? ― provocou o rapaz.

― Sim e não. É um pouco mais complicado do que parece. ― Tara se remexeu no lugar incomodada: ―Eu tenho muitos assuntos a tratar todos os dias em Heller, é um trabalho constante que requer minha presença, não é um emprego que se renuncie.

Dick analisou a frase. Tinha uma vaga noção de quem ela era, mas ainda sim queria ouvir da boca dela.

― Ok, então você tem um emprego pra vida toda e que não pode se demitir? Isso? ― alfinetou Dick. Tara concordou: ― por curiosidade, qual seu sobrenome?

Tara riu: ― Já sacou, né? Tara Markov.

― Segunda princesa de Heller. ― Emendou Dick: ― Encantado.

Os dois começaram a rir. Dick pediu a conta enquanto mexia em seu celular detonado. Não havia conseguido responder Cassie naquela hora, e de lá pra cá recebeu vários mensagens com xingamentos por ter a ignorado.

― Não é perigoso uma princesa andar por ai sozinha sem escolta? ― perguntou Dick com ar levemente sério. Ela negou:

― Eu sei me virar bem, pode acreditar! ― avisou descendo o olhar para o celular trincando: ― Vai, me deixa comprar outro telefone. Por favoooooor! ― Suplicou Tara. Dick respirou fundo.

― Ok! Ok! ― desistiu levantando as mãos: ― Aceito a oferta.

Assim que a conta veio, Dick pagou e os dois saíram mais uma vez pelas ruas de Aleryn. Tara o puxou até uma loja de eletrônicos comprando outro de um modelo mais avançado. Pagaram e saíram.

― Bem, minha casa fica em frente à praça, então eu vou indo. Te vejo no escritório. ― Despediram-se e então cada um seguiu para seu lado.

[...]

Dick entrou em casa espreguiçando-se. O sorriso não saia de seu rosto, aquilo era deveras perfeito.

― Pensei que não fosse trabalhar. ― comentou Rachel da cozinha. Dick rolou os olhos indo até ela.

― Fui chamado pra ajudar na escolha de projetos, não tinha como dizer “não”. ― avisou aproximando-se da caçula: ― O que foi? Ainda com raiva?

Ela não respondeu de imediato. Fixou sua atenção na louça fingindo não escutá-lo.

― Rae? Não me ignore! ― falou manhoso: ― Ainda está zangada?

― Sim, porque você está mentindo. ― bradou soltando os pratos que estava lavando. Dick apertou os olhos ficando ereto.

― Por que eu mentiria? ― indagou severo.

― Porque enquanto voltava pra casa eu vi você com uma loira no café. Isso é trabalhar? Caramba, estou pasma. ― ralhou Rachel aumentando o tom de voz: ― Fora que é óbvio que você foi se engraçar com a Zatanna noite passada, ou pensa que sou idiota?

― Rachel! ― seu tom de voz tornou-se sério calando a garota instantaneamente: ― Esse tipo de assunto não lhe diz respeito, pois o que eu faço ou deixo de fazer diz respeito unicamente a mim. Segundo, eu estar ou não tomando café com alguém não significa que não estava trabalhando antes. Esses seus acessos de ciúmes são bonitinhos às vezes, mas ultimamente tem passado dos limites.

Dick deu meia volta saindo da cozinha e indo para seu quarto. Rachel apertou os olhos já com lágrimas prestes a cair.

[...]

Dick estava sentado em sua mesa de trabalho corrigindo alguns erros de projetos que seriam entregues ainda naquele mês para o recebimento do cargueiro. Seus óculos já o estavam incomodando, e não conseguia mais distinguir o que era certo e errado no desenho; sequer conseguira abrir os projetos da S.T.A.R. que estavam se acumulando.

Esticou-se em sua cadeira apoiando-se no encosto. Retirou os óculos fechando os olhos por alguns momentos. O toque do telefone o fez praguejar alto, pegou encarando o visor. Já passavam de meia noite e recebera de Cassie a seguinte mensagem: “TE ODEIO”.

Dick soltou mais uma praga.

― Droga! Esqueci de buscar o bolo... ― resmungou pra si mesmo imaginando uma desculpa boa o suficiente para dar, mas nada lhe veio à mente. Deixou o telefone de lado e saiu do quarto.

Foi até a cozinha para comer algo achando no balcão um prato de comida coberto com papel filme. Ele foi até o balcão pegando o bilhete em cima: “Me desculpe”.

Richard sentiu-se mal pela briga, mas não remorso. No final das contas Rachel tinha de perceber que certas atitudes não eram corretas, e ele era o único que poderia lhe mostrar isso, mesmo que tenha de dar puxões de orelha de vez em quando.

Colocou a comida para esquentar então voltou para o corredor dos quartos. Abriu a porta do quarto da caçula que dormia sentada na mesa de estudos com um livro aberto; as luzes acesas e vários papéis jogados ao chão.

Dick riu e começou a recolhê-los, jogou fora e voltou para onde a irmã dormia. Estava com o rosto manchado, provavelmente havia chorado um pouco antes de dormir. Richard passou a mão por seus cabelos afagando de leve.

― Me desculpe pequena. ― Dick sussurrou de forma calorosa a pegando no colo calmamente e a levando para a cama: ― Bons sonhos.

Apagando a luz da escrivaninha, Dick saiu do quarto voltando à cozinha. Comeu e resolveu descansar.

[...]

O telefone de Dick começou a tocar incessantemente. Rachel sequer havia levantado e já era a quinta vez que ligavam pro seu telefone. Richard achou que se ignorasse iriam parar de ligar, mas subestimou a insistência da pessoa.

Atendeu com sua animação matinal de sempre.

― Dick? É a Tara. ― Em um segundo Dick já se encontrava totalmente desperto: ― Parece que teremos uma reunião as sete em ponto no escritório, acabei de receber uma ligação do Hudson.

― Que garota importante, geralmente ele nos deixa adivinhar quando tem ou não reunião. ― comentou zombeteiro. Tara riu do outro lado da linha.

― Nos vemos na reunião. ― Tara desligou e Dick bocejou exausto.

― Preciso voltar a dormir oito horas por dia. ― comentou levantando-se e indo ao banheiro.

De dentro de sua suíte conseguia ouvir o chuveiro do outro lado do corredor.

“Já está acordada?”, pensou Richard curioso, afinal pelo horário ainda faltavam duas horas para acordarem; ele, pelo menos. Tomou um banho rápido, vestiu-se e começou a arrumar sua papelada, o que provavelmente deveria levar ou não para a reunião.

Estava cansado, tenso e preocupado. Fazia quase cinco dias que não se reunia com os Titãs Alelos, e precisava informa-los sobre a plataforma de acoplamento. Fora, claro, que Speed ainda não havia o comunicado sobre informações de suma importância; sequer dera notícias.

Pensou em falar com o Maluco do Controle para ver se descobre algo, mas claro que isso significaria dar quase todas as economias do mês para pagar pelas informações; mas muitas valiam a pena.

Ouviu a porta do quarto de Rachel se abrir. Pensou que ela fosse chama-lo, mas se deu conta de que dormiram brigados, então resolveu deixar à conversa para mais tarde. Arrumou os relatórios, separou o projeto da S.T.A.R. em um canto particular e o resto jogou entre os livros e materiais em sua prateleira.

Mal de arquiteto: nunca haverá estantes ou mesas organizadas; se estiverem ele não é um arquiteto de verdade.

Jogou a gravata no ombro e saiu do quarto. Entrou na sala deixando suas coisas no sofá se virando pra cozinha. Rachel terminava o suco de Aracna e um pouco de café para começar bem o dia. A mesa já estava posta, mas os ânimos ainda não eram dos melhores.

Dick sentou-se se servindo de um pedaço de pão: ― Rae, vai voltar que horas hoje?

A garota o olhou cautelosa: ― Cedo, hoje são só aulas extracurriculares. Afinal, é Sábado. Aliás, minhas aulas extras acabaram ontem.

― Então foi por isso que chegou mais cedo. ― comentou para si mesmo: ―Talvez eu volte mais tarde, preciso reunir algumas informações sobre Koryand’r e Garfield. Não ouvi nada sobre eles desde o ultimo ataque.

Rachel concordou colocando a jarra de suco verde na mesa e sentando-se ao lado do irmão. Serviu-se de um copo enquanto esperava a chaleira apitar para o café.

― Dick... ― chamou Rachel em tom baixo. O rapaz a olhou: ― Desculpe por ontem. Eu não deveria me meter.

Ele aquiesceu encarando o pão intacto: ― Tudo bem, eu exagerei também. Só que ― ele deu uma pausa, suspirando: ―, não quero que se envolva nas coisas que faço. Entende?

Ela acenou com a cabeça ainda com o olhar baixo. Dick sorriu afagando-lhe os cabelos soltos.

― Bem, vai fazer algo de interessante hoje? ― perguntou Richard um pouco mais animado. Ela assentiu:

― Vou passar à tarde na casa da Cassie. Mas pode ser que ela me obrigue a dormir lá, como da ultima vez. ― comentou lembrando-se de tentar fugir pela janela por não aguentar mais ouvi-la reclamar do Superboy.

A chaleira apitou e Rachel foi preparar o café.

― Eu acho que você deveria dormir lá sim. Voltarei tarde, me viro com jantar. Talvez saia também. ― avisou terminando de comer.

― Imaginei. Você sai toda Sexta à noite ou Sábado. Se bem que ontem não saiu.

― Não estava no pique. ― ralhou enchendo a xícara do café forte e animador.

Eles conversaram por mais um tempo antes de saírem. Como desta vez estavam no horário, Dick a deixou na Universidade para depois ir ao trabalho, e ainda assim chegou faltando dez minutos. Tempo recorde.

Entrou no andar de projetos indo até seu escritório reservado. Entrou, fechou a porta e jogou toda sua tralha em sua bagunçada ― anote bagunçada nisso ― mesa de trabalho.

Abriu as janelas para deixar a brisa entrar em sua sala. Sentou-se na cadeira fuçando em alguns dos papéis dispostos na mesa.

Duas batidas na porta lhe chamaram a atenção. Uma cabeleira loira se fez presente na fresta da porta recém-aberta.

― Bom dia! ― cumprimentou Tara: ― Posso entrar?

― À vontade. ― Apoiou-se em suas mãos vislumbrando as roupas que a garota estava usando. O mesmo estilo formal do dia anterior: Saia social de cintura alta marrom, camisa branca, e sapatos de salto nude. Os cabelos estavam presos em um coque mal feito, como se tivesse acabado de amarrá-lo.

―O que achou do telefone novo? ― perguntou curiosa. Os olhos ligeiros de Dick a fitaram por breves momentos a deixando levemente corada. Isso lhe tirou um sorriso vitorioso.

― Gostei. E por sinal muito obrigado, Vossa Alteza. ― zombou recebendo um olhar de falsa decepção.

― Ah, você também não! ― Esbravejou caindo sentada em uma das cadeiras em frente à mesa de Dick: ― Todo mundo aqui é amigável demais para o meu gosto, você é o único que conversa comigo normalmente.

― Não deveria, você quebrou meu telefone. ― deu de ombros trocando a posição das mãos.

― Não começa, você esbarrou em mim. ―ralhou Tara divertida.

― Como? Eu sou a vitima aqui! ― disse alterando o tom de voz dramatizando. Endireitou-se olhando o relógio: ― Como o tempo voa, vamos?

― Claro!

Foram até a sala de reuniões para assim começaram a acelerar o a produção da plataforma de acoplamento, fora outras obras em andamento que precisavam ser aceleradas.

A reunião durou quase cinco horas sem intervalos esgotando Dick e Tara de tantas discussões e ladainhas. Tara massageava as têmporas, exausta. Já Dick conversava com Senhor Hudson sobre o progresso do prédio imperial projetado por ele escolhido há um mês.

Assim que a reunião se encerrou, Senhor Hudson convidou Dick, Tara e outros homens de alta patente para um almoço social. Sem poder recusar os dois foram.

E a reunião estendeu-se para a mesa do almoço com mais e mais discussões sobre custos e falta de tempo e preparo. No final das contas, a reunião de fato se deu por encerrada às três da tarde quando finalmente concordaram em algo.

E esse algo era: Deixe o arquiteto imperial cuidar disso. Dick praguejou até o ultimo daqueles homens engomados.

Dick acompanhou Tara até sua casa. Eles mal conversaram, na verdade sequer tinham ânimo para pensar em algo interessante para conversar. A reunião sugou-lhes a alma.

Chegaram a frente ao Hotel onde Tara estava hospedada.

― Quer entrar um pouco? ― propôs a moça solidária. Dick negou:

― Quem sabe outra hora, eu tenho alguns compromissos. ― respondeu esquivando-se do pedido.

― Compromisso que vai lhe tomar a tarde toda? ― insistiu Tara. Richard soltou um riso cruzando os braços.

― Eu venho às nove. ― respondeu dando dois passos e lhe roubando um rápido beijo: ― Se é isso que Vossa Alteza deseja. ― Piscou-lhe o olho e saiu pelas ruas da Cidade Central.

[...]

Asa pousou em uma das vigas de sustentação do Subterrâneo. Fazia muito tempo que não descia ali para evitar lembranças desnecessárias, mas era impossível fugir de lá. Desceu para o piso caminhando lentamente até o fundo.

Quanto mais entrava, mais crianças e pessoas nas ruas se mostravam. Várias delas brincavam entre os entulhos, subindo e descendo de montes de tralha. Ao lado delas algumas mães conversando entre si, vez ou outra dando uma olhada nas crianças.

Dick não deixou de sentir um aperto no coração ao ver uma das mães montando pequenos castelinhos e outras coisas para as crianças brincarem. Lembrava-se de quando sua mãe fazia isso, e o quão divertido era quando os três juntos resolviam brincar de esconde-esconde entre as casas.

Afastou os pensamentos voltando à caminhada. Chegou ao final do Subterrâneo onde as pessoas doentes geralmente ficavam. O cheiro de urina estava concentrado naquele lugar. Em um canto mais isolado, podia-se ver a figura do Maluco do Controle sentado entre algumas tralhas de roupas e cortinas forrando o chão e as paredes. Estava ajeitando seus objetos de valor inestimável; vulgo controles remotos.

Dick rolou os olhos indo de encontro ao homem.

― Há quanto tempo, Asa. Está gostando da superfície? ― zombou o homem gargalhando pretensiosamente.

― Preciso de informações: sobre o cargueiro, os comandantes, o que tiver de útil. ― cuspiu o pedido ignorando o pequeno ataque anterior.

― Vai lhe custar caro. ― bradou o homem mais sério que antes: ― duzentos Philos, e nada menos que isso.

― Te pago trezentos se me der respostas verídicas. ― propôs Asa cruzando os braços. O Maluco do controle sorriu.

― Feito. ― Endireitando-se, o homem começou a contar sobre o que ouvira dos comandantes.

― Eles possuem um relatório completo sobre vocês, sabem suas raças, sabem que vieram todos do Subterrâneo, sobre a forma como vocês agem em combate. Tudo bem detalhado. Boa parte disso foi dada pelo pequeno espião deles.

― Leonid. ― balbuciou Dick severo. O Maluco do Controle riu:

― Então finalmente o pegou. Demorou, senhor arquiteto. ― zombou o homem soltado uma risada entredentes: ― Eles não têm a intenção de perseguir vocês como gato e rato, eles vão esperar o momento certo, quando estiverem todos juntos.

― Não tem como eles saberem onde ou quando isso acontece. ― rebateu Asa seriamente. O Homem negou.

― Não, claro que não estou falando do esconderijo de vocês. Haverá um dia, uma hora e um local onde vocês se juntarão. Nem que eles esperem meses para pegá-los, eles irão. Dizem que quanto mais tempo o vinho curte, mais saboroso ele fica, não é?

Asa crispou os lábios juntando as informações.

― E sobre eles, o que sabe?

― O Logan não parece ter a intenção de prender vocês, a princípio. ― resmungou: ― Ele parecia bem intrigado com o que acontece por aqui, fiquei tentado a contar.

― Como se isso fosse possível. Só verdades, senão não valerão os trezentos Philos. ― bradou Dick severo.

― Cabe a você acreditar ou não. ― rebateu: ―A mulher é um tanto insana, só a vi uma vez. Mas parece que o próprio povo não gosta muito dela. A Imperatriz a mandou aqui, mas pelo que descobri, ela não vale o crédito que tem.

― O que quer dizer?

― Quero dizer que a posição de Comandante é pura fachada. Ela pode ser boa como estrategista, mas só. Sozinha não é uma ameaça, dizem que ela é facilmente derretida no fogo. O cabeça mesmo é o verdinho.

Asa pensou sobre isso, mas se deu por satisfeito com as informações recolhidas.

― Agradeço as informações. ― Dick retirou do bolso um saco de moedas entregando ao Maluco do Controle.

― Tenha um bom dia, senhor arquiteto.

[...]

― Que muxoxo é esse Rachel? ― perguntou Cassie enquanto arrumava o cabelo da menor. Rachel estava de perna de índio no meio da cama da loira. Decidiram tentar fazer penteados diferentes para inovar no dia a dia ― e forçar Dick a aprendê-los.

― Digamos que eu acabei exagerando com o Dick, de novo. ― resmungou cabisbaixa. Cassie ponderou:

― Ou seja, teve outro ataque de ciúmes. ―comentou séria trançando as mexas azuis dos cabelos da menina: ― Tem que parar com isso, ou vão acabar brigando de verdade. Dick não gosta de ter sua vida controlada por ninguém, nem mesmo por você Rae.

― Eu sei, mas ele não para de vadiar. Isso me irrita muito. E ainda mente para onde vai! ― bradou a menina sacudindo as mãos.

― Ele não quer te envolver nisso. Tanto que quando pretende fazer algo errado ele nos manda te buscar. Sempre foi assim.

― Eu sei...

― Então! Não leve tudo a sério, é só o jeito dele, e isso não vai mudar tão logo. ― comentou balançando a cabeça: ― A menos que encontre a garota certa, que ele ame e todas essas coisas melosas.

― O Dick? Sério?

― Não, mas não custa sonhar. ― zombou rindo: ― Pronto, ficou linda!

[...]

Tara estava sentada em seu sofá, com uma roupa casual de seda e um livro de engenharia mecânica em mãos. Vez ou outra olhava para o relógio imaginando se o rapaz apareceria ou não naquela noite.

Havia achado bem interessante ter topado no serviço com o mesmo rapaz da rua no dia anterior. O havia achado bem interessante, e não perderia a chance de conhecê-lo melhor.

Não sabia que tipo de homem ele era, mas torcia para que fosse de cumprir com sua palavra de mais cedo. O interfone de seu apartamento tocou, e seu coração deu um leve salto. Inspirou fundo, levantou-se e foi até o aparelho.

Deu autorização para o rapaz subir e começou a contar os segundos de tão nervosa que estava. Estranho, estava se sentindo uma garotinha de quinze anos de novo. Resfolegou algumas vezes tentando não parecer tão aflita como deveria estar. Assim que ouviu a campainha sentiu que o exercício de nada adiantou.

Abriu a porta e recebeu o rapaz com aquele sorriso sapeca nos lábios.

― Não disse que viria? ― zombou entrando na casa. Deu uma olhada ao redor, para depois voltar-se a ela: ― Apartamento de Luxo, nada menos certo?

Tara balançou a cabeça fechando a porta: ― Na verdade meu pai insiste nisso, para mim um apartamento simples já estaria ótimo. ― comentou aproximando-se dele.

Dick aquiesceu. Deu uma pequena avaliada antes de aproximar-se dela. A puxou pela cintura aproximando seus corpos.

― Não acha que está sensual demais nessa roupa colorida? ― disse rindo da expressão de indignação da loira.

― Não, e essa roupa foi cara o bastante para eu achar ela ótima. ― zombou circundando seu pescoço: ― Mas se a acha ruim demais pode tirá-la.

Dick sorriu aproximando seus rostos: ― Era o meu plano inicial.

Terminaram a conversa com um beijo urgente e necessitado. Dick a aproximou mais de si conseguindo tirá-la do chão a obrigando a entrelaçar suas pernas em sua cintura. A apoiou na parede ao lado da porta de entrada aprofundando o beijo com urgência.

Separaram-se o suficiente para puxarem uma lufada de ar antes de juntarem seus lábios novamente. Tara passava os dedos pelos cabelos desgrenhados do rapaz que delicadamente passava sua mão esquerda pelas pernas desnudas da loira até a cintura tirando um suspiro abafado de Tara.

Com a outra mão a segurava pela nuca unindo-os ainda mais. Cessando o beijo, Dick desceu para seu pescoço deixando marcas que ficariam ali por um bom tempo. Tara arfava em estase apertando-o mais contra si.

Tara aproveitou o carinho deixando-se levar pelo momento, e antes que percebesse fora colocara sobre os edredons de sua cama. Ao senti-lo massagear a região de seu abdômen não conseguiu segurar um gemido escapar de seus lábios pelo susto.

Dick riu selando mais uma vez seus lábios. Tara adentrou com suas mãos pela camiseta de cetim que estava usando sentindo os músculos em excesso que o rapaz possuía; segurou na barra de sua camiseta para retirá-la. Dick facilitou o processo levantando os braços.

Separaram-se olhando nos olhos um do outro. Tara sentiu um arrepio subir-lhe a espinha. Richard retirou sua blusinha dando um sorriso ao ver o sutiã de renda branca que usava por baixo.

― Eu imaginava que seria marrom. ― zombou descendo os beijos para o colo dela: ― Mas branco também é bonito.

― Idiota!

E a noite se estendeu, bem mais longa do que de costume.

Notas finais
"AH BABS VOCÊ JUNTOU TARA E DICK, COMO PODE?", "AIN, QUE CENA FINAL SEM SENTIMENTOS, RIDÍCULO, ODIEI", "TARA É TRAIDORA, FEIA, FEDIDA, NÃO PODE COLOCAR ELA COM O DICK". Aaaaantes que venham com esse lero pro meu ouvido, quero lembrá-los que essa fanfic não se apega 100% à personalidade original dos personagens, então aqui ela pode ser boazinha u-u A cena final é romântica? NÃO! kkkkkk simplesmente é nada, se quiser usar só algo carnal pra definir ok, mas não coloca amor porque não é. Kory e Garfield foram pra Nárnia. Voltam só mais tarde. Enfim, espero que tenham gostado de verdade desse capítulo, e por favor me digam o que acham e POR FAVOR QUE NÃO TENHAM ME ABANDONADO. Não gosto de ficar sozinha Ç.Ç Obrigada por lerem até aqui, e os vejo no próximo, Seja quando for. Se quiser saber mais ou me achar mais fácil me chama no twitter, posto coisas sobre o andamento da fanfic lá: @Babs_bernardes Bem é isso. Beijinhos ♥