Inopino
1 Desafio estúpido, briga estúpida - Capítulo único.
Notas iniciais
Essa ideia me veio "do nada" mesmo. Foi no meio de um chat no fórum de rpg Yaoi Saints, logo quando o personagem Poseidon chegou e mandaram o meu personagem(Kanon) sentar no colo dele num jogo desses...E eu tive que adaptar isso em uma fanfic, haha! A forma do jogo foi bem diferente, eu apenas fiz aqui de um jeito que ficasse legal na fic. Eu queria fazer uma Drabble, mas não deu certo.
Enfim, espero que gostem. Sem mais delongas, boa leitura! ♥
Os passos de Kanon após sair daquele bar ficaram bem mais apressados. Estava no estacionamento do local, com o semblante visivelmente preocupado, por mais que não quisesse demonstrar.
Era só um jogo idiota de “verdade ou desafio”. E maldita hora que foi escolher desafio! E justamente com o louco do Afrodite lhe desafiando!
Como se aquele pisciano não bastasse ser um maluco, ainda fez questão de lhe mandar sentar no colo de Julian e dar-lhe um pequeno selo nos lábios. Sabia que ele ficaria furioso. Poderia ser qualquer um dali... Mas sendo Julian, Radamanthys tinha motivos em dobro para detestar aquela baixaria idiota. Afinal, Julian Solo já havia sido seu namorado á uns tempos atrás...
Coisa que ele e Radamanthys nunca se definiram. Nunca se definiram namorados ou coisa do tipo. Talvez amigos íntimos. Uma amizade intensa, ou colorida como alguns preferiam chamar. O que sabia era que sentia uma atração absurda pelo amigo, e de uns tempos para cá, não conseguiam mais conter aquele desejo tão reprimido, que chegava a sufocar. Era realmente sufocante.
Foi numa noite qualquer, onde combinaram para saírem juntos, atrás de companhia. Não era segredo que Kanon era bissexual, e Rada nunca parecia se importar com isso. Kanon nunca soube se o amigo gostava ou não de outros homens, e nunca perguntou diretamente, por mais que fosse conhecido como um perfeito cara-de pau. Por que nunca havia perguntado? Talvez não quisesse que o escorpiano achasse que queria algo mais com ele... E se ele fosse hetero, poderia até acabar a amizade, amizade essa que cultivavam desde a faculdade. Ou no mínimo tornar o clima estranho entre ambos.
Kanon apenas soube quando o mesmo demonstrou. E que demonstração...
Radamanthys simplesmente, no meio daquela noite, onde ambos apenas tinham levado foras de várias mulheres e resolveram beber umas boas doses de uísque no apartamento do mais velho, é que ele simplesmente falou aquilo. Nunca esqueceria as palavras daquele idiota.
“Eu quero te beijar”- Foi o que ele falou após longos segundos em silêncio encarando-o, quando as risadas de motivos idiotas pararam. Talvez ele simplesmente não conseguisse mais segurar aquela vontade.
“O qu-“ – E antes que Kanon pudesse responder, ou lançar uma pergunta como resposta (ou até mesmo tirar uma com ele), já havia sentido os lábios de Radamanthys contra os seus.
Os lábios ferozes, intensos e lascivos lhe beijava com sede. Era como uma sede que há muito tempo ele estivesse sentindo. Como se sua vida dependesse daquele momento, daquela dança erótica que ambas as línguas faziam entre a boca de ambos, para sanar aquela sede. Ele parecia realmente depender daquilo.
E Kanon também.
O geminiano o correspondeu á altura. Talvez quisesse aquilo também, e nunca tivesse admitido para si mesmo porque não queria abalar a amizade. Mas que se fodesse tudo isso naquele momento! Ambos eram homens, adultos e tinham total consciência do que faziam.
E foi entre aqueles beijos impudicos que aquela noite libidinosa aconteceu, onde gemidos, afagos, beijos intensos, sussurros selvagens, mordidas, mãos ousadas percorriam pelo corpo um do outro... Mesmo que tivesse sido naquele sofá apertado e pequeno da sala de Radamanthys, o ambiente parecia ser perfeito para aquele momento tão esperado.
Momento este que não poderia esquecer, já que foi o estopim daquela “relação”, principalmente agora, enquanto seus passos rápidos e pesados se faziam naquela garagem.
Avistou o inglês logo à frente, e acelerou os passos, praticamente correndo ao vê-lo perto de seu carro.
- Espera Rada! – Foi o que Kanon disse ao se aproximar mais, segurando o ombro largo do loiro enquanto o mesmo parecia colocar a chave para abrir a porta do automóvel.
Kanon não queria que ele fosse embora. Não dessa forma, irritado daquele jeito, com aquele ciúme que às vezes chegava a ser um pouco horripilante. Pelo menos era o que qualquer um acharia; um ciúme doentio, mas que Kanon sempre achou engraçado. Na verdade o geminiano talvez fosse o único que sentisse graça daquele homem tão emburrado.
- Não estou com saco para ficar nessas brincadeiras idiotas, Kanon! – O inglês simplesmente ralhou, tirando a mão do outrem de seu ombro, com raiva. Sim, estava com raiva, furioso com aquela maldita cena que teve que presenciar. Sabia muito bem que Kanon teve um relacionamento com aquele mauricinho de merdas, e foi aquele cara quem terminou tudo (segundo Julian, Kanon era safado e intenso demais para si), mas queria continuar na amizade. Lembrava que Kanon havia ficado triste pra caralho com o término daquele namoro, e que o geminiano nunca traiu aquele almofadinha, ele apenas nunca fazia questão de disfarçar seus interesses e seus olhares aos demais.
Mas só fato de lembrar-se das vezes que teve que escutar Kanon falar sobre Julian, e sobre como foi ruim terminar com aquele cara – parecendo às vezes até um viadinho chorão falando sobre aquilo – lhe irritava! E como se não bastasse, tinha que visualizar cenas daquele tipo!
Que se fodesse! Que Kanon, Julian, Afrodite e todo o resto daquela galera se fodesse! Só queria ir para casa, tomar um pouco de sua Jack Daniels e relaxar!
Que merda!
- Rada, foi mal! Mas eu não podia ficar com fama de “frouxo” e que não aceita desafios. Foi apenas do jogo, cara! Você sabe que...
- Sei que você é louco para voltar para aquele mané! Por que não aproveita a chance e volta logo de uma vez para aquele otário? – O interrompeu, fazendo questão demonstrar sua ira, que parecia transbordar de seus olhos dourados.
Como poucas vezes, Kanon apenas desviou o olhar. Sabia que no fundo ele tinha razão, mas não poderia simplesmente acabar com a sua reputação e seu ego. Não é como se quisesse sentar no colo de Julian, mas era um desafio (idiota) que tinha que cumprir.
- Eu não quero voltar com ele, cacete! – Falou irritado também, franzindo o cenho.
- Não é o que parecia. Mas isso não é da minha conta mesmo! – O inglês simplesmente não conseguia conter-se. Sua vontade era de socar a cara de Kanon e quebrar aqueles dentes tão perfeitos que ele tinha naquela boca tão convidativa. Em seguida, voltar para o bar, socar a cara daquele Julian e arrancar os cabelos daquele travesti que era o Afrodite.
Mas não foi o que fez.
Apenas abriu a porta de seu carro, pois infelizmente a lei não estava em seu lado, e como um bom promotor, deveria se conter naquelas horas.
E quando pensou em entrar em seu veículo, Kanon se colocou na frente, o impedindo e o fazendo franzir ainda mais o cenho, em irritação.
- Sai do meu meio, caralho! – Ralhou.
- Não! – O moreno o respondeu com um tom de voz ainda mais elevado, fechando a porta com força, mostrando-se altivo e decidido. – Eu podia ter aproveitado sim aquela “chance” como você diz! Mas ao invés disso eu fiz a droga do desafio bem rápido e sai logo de lá porque eu vi que você ficou irritado! E vim aqui, correndo feito um idiota atrás de você, seu bastardo!
- Você fez isso porque quis Kanon!
- Não, eu fiz isso por que... – Sua voz pareceu faltar naquele momento. Por quê? Por que havia feito aquilo, afinal? Não tinha nada com Radamanthys, era apenas uma estúpida e intensa amizade colorida.
Então... Por que havia ido atrás daquele loiro azedo?
- Sai da minha frente, Kanon! – Radamanthys mandou outra vez, colocando a mão no ombro do moreno para tira-lo de seu caminho, mas o mesmo não se deixou sair, voltando novamente com a postura altiva que estava ostentando há segundos atrás.
- É mesmo, por que eu vim atrás de um idiota como você?! – O tom de voz era irritadiço.
Radamanthys apenas ficou olhando-o por um momento, em silêncio. Se ele não saísse dali, o tiraria a força, mesmo que precisassem brigar feio para isso. E sabia muito bem que os socos e chutes de Kanon eram bem fortes.
- Mas... – O outrem logo voltou a falar, fazendo o inglês cruzar os braços sobre o peitoral perfeitamente trabalho, que estava escondido em baixo da blusa social branca que usava. Kanon suspirou e voltou a falar, procurando as palavras necessárias: — Mas eu estou aqui, na frente desse puto aqui, tentando convencer que o prefiro ao invés do almofadinha do Julian! Porque eu simplesmente não sei o que eu vou fazer se eu sair daqui, dessa droga de bar, estando brigado com você! Talvez eu vá encher a cara, ou ficar me lamentando com o Saga, como eu já fiz tantas outras vezes ao te ver cheio de conversas com aquela morena gostosa! Por que eu simplesmente não sei o que fazer, caralho! – Levou suas duas mãos aos cabelos longos e negros, que no momento estavam amarrados num rabo de cavalo alto.
Sim, estava angustiado. E se Radamanthys dali fosse direto para a casa de Pandora? Só de pensar nisso uma raiva gritante surgia em seu peito, uma angustia; um desespero, um... Ciúmes.
- Que droga... Eu estou parecendo um idiota. – Riu sem graça alguma, quebrando o silêncio que havia se instalado, sentindo-se como um completo mané ao dizer todas aquelas viadagens para Radamanthys. Logo virou seu rosto, desviando seus olhos azuis dos orbes dourados do inglês, que lhe fitavam de um jeito estranho.
Radamanthys havia ficado calado esse tempo todo ao escutar aquela declaraçãozinha de Kanon. Ele não era de falar coisas assim. Na verdade, nenhuns dos dois eram de falar coisas do tipo. Não tinham nem ao menos o direito de ter ciúmes um do outro, tanto que sempre se controlava. Mas simplesmente, ao ver Kanon no colo de Julian, beijando-o, por mais que fosse um selinho, e por mais que o Solo fosse um viadinho sem pegada alguma, sentiu raiva. Muita raiva.
E não estava acreditando que apenas aquelas palavras idiotas de Kanon estavam quebrando as barreiras de sua ira. Não acreditava que estava se sentindo tão idiota a este ponto. Mas o pior mesmo é que sempre quis ouvir aquilo, em seus mais íntimos desejos.
O inglês apenas aproximou-se mais, dando dois passos e o prensando contra o carro, quebrando a distância que havia entre ambos, descruzando os braços. Kanon voltou a fitar-lhe, sustentando a troca de olhares agora. Queria muito beijar aquela boca viciante... Maldição!
- Você é mesmo um idiota, Kanon. – Radamanthys resmungou entre os dentes, puxando o outro pela nuca e beijando-lhe. Um beijo cheio de pressa, cheio de urgência, cheio de calor.
Um beijo que foi prontamente correspondido.
- Vamos para um local mais reservado... – Kanon sussurrou em meio ao beijo tórrido, apertando os fios loiros e curtos entre os dedos, provocando uma reação ainda mais instigante no inglês.
De certa forma, o escorpiano ainda sentia-se levemente irritado, porém, a vontade de tomar os lábios de Kanon com mais intensidade e aproveitar mais o calor que vinha daquele corpo parecia ser a alternativa mais sábia a se tomar no momento. E no momento, ambos tinham a mesma vontade, pois apressadamente entraram no carro e recomeçaram os beijos lascivos.
As mãos buscavam pelo o corpo um do outro, Radamanthys logo já havia puxado o outro para sentar-se em seu colo no intuito de poder toca-lo com mais afinco, mais vontade. Tomava os lábios dele num beijo abrasador, e ambos sussurravam o nome um do outro, deixando o momento e as ações falar pelas palavras que ainda não foram ditas, mas que pareciam ser óbvias no momento. Por mais que fosse de súbito, assim como aquele sentimento e aquela vontade de reconciliação, as palavras no momento não eram necessárias, apenas os beijos, os sussurros, o chamado de um pelo o outro e a respiração quente contra seus rostos que continham um leve tom carmesim.
Um sentimento inopino, ou que preferiam achar que surgiu assim, de súbito. Porque talvez, só talvez, aquele sentimento havia surgido muito antes, mas o orgulho de ambos não os deixavam admitir tão cedo, e ainda agora não admitiam, apenas estavam se deixando levar. Se deixando levar pela vontade crescente, o desejo visceral e a luxúria que palpitava em seus corpos quando tão próximos assim.
Não admitiam, apenas sentiam, e isto por enquanto já bastava. Mas assim como a admissão de seus corpos foi repentina, a revelação do sentimento também seria num momento inopino. Por hora, apenas os toques, sussurros e momentos tórridos já bastavam.
Mas não tardaria para o sentimento ser admitido, talvez...
Pelo menos não naquelas circunstancias, onde o sentimento extravasava visivelmente no olhar e nas ações de cada um.
Fim.
Notas finais
Desculpem os erros, eu sempre deixo passar alguma coisa errada. Qualquer coisa, avisem-me!
Espero ver a opinião de vocês. =)
Beijinhos! ♥
09/junho/2014
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