Inoffensive Mystery

2 News spread like plagues.


Heather chegou em casa, pegou seu chaveiro de dentinhos e girou a maçaneta, ouviu barulhos de garfos e facas, sentiu uma pontada de desapontamento por seus pais e seu irmão não terem esperado ela para que comessem juntos, como faziam antigamente.

Desde que eles descobriram sobre sua fuga para ir a uma balada no meio da noite a qual eles não a deram permissão, passaram a agir como se ela tivesse roubado ou matado alguém.

Andou até a cozinha, seu irmão falava sem parar e seus pais o elogiavam como se ele tivesse sido convidado pelo presidente dos Estados Unidos para fazerem negócios ou apenas tomar um café e discutir sobre política. Josh era simplesmente a pessoa mais egocêntrica, bajuladora, mentirosa e oportuna que Heather conhecia, esse sendo seu irmão.

Puxou uma cadeira e sentou-se, jogou a mochila ao lado da cadeira, e mantivera-se quieta.

– Querida, por favor, lave as mãos. — sua mãe ordenou, e seu irmão a olhou com o olhar de "Eu sou melhor que você!". Feito uma nada, levantou-se até o banheiro e lavou suas mãos, sua mãe era uma dermatologista e seu pai trabalhava com marketing. Ela retornou a mesa, vasculhou em sua mochila por algo... A advertência. A melhor hora para contar uma notícia aos seus pais, era na hora do almoço, já que eles sempre estavam de bom humor quando comiam, e essa felicidade toda dava-se ao fato de que almoçavam muito tarde, já que trabalhavam até tarde.

Colocou o papel em cima da mesa e pôs sua mão em cima. Deu uma garfada na comida e a jogou na boca. Arrastou o papel em direção ao seu pai, que arqueou as sobrancelhas.

– O que é isso? — disse friamente.

Ela apenas engoliu em seco. Já podia ver seu nome escrito em uma lápide, para seus pais uma advertência já era ruim, três no mesmo mês era um holocausto.

– É.. uma...- travou. — Advertência por atraso. — cuspiu-as mais rápido que pode.

– Outra? — sua mãe disse engasgando. — Pode explicar-me o motivo de outra advertência? — largou o garfo com violência sobre o prato, enquanto seu irmão virou-se para ela e fez uma cara de "Eu AINDA sou melhor que você e nunca levei uma advertência”.

– Atraso... Cheguei atrasada. Mas não chegaria se vocês me dessem carona, eu acordo às cinco e meia e passo meia hora andando até a escola, enquanto o mala do...

– Não fale assim do seu irmão. — o pai a repreendeu. — Em primeiro lugar, se suas notas fossem iguais às do seu irmão... — ele colocou a mão sobre o ombro de Josh que abriu um sorriso de convencido. — Teria um carro. — ele disse e tornou a comer.

– Pode ao menos assinar? — ela perguntou estendendo o papel em direção ao pai, que o apanhou com uma cara de reprovação e na maior brutalidade.

– Sabe qual seu maior problema Heather? — disse tirando uma caneta dourada de seu bolso. — Damos tudo o que você quer, e toda a assistência e apoio aos estudos que precisa... Mas a coisa óbvia é que você não nos retribui com notas satisfatórias. Aprenda a ter um pouco de responsabilidade. São esses skates e essas músicas, que lhe empatam de estudar. — assinou brutalmente a folha toda amassada. — De castigo, sem sair de casa, por uma semana. — disse esticando a folha em direção à Heather que escutava tudo sem pronunciar uma única palavra.

Remexeu o pedaço de manga em seu prato, enfiou o garfo e jogou em sua boca. Droga, pensou.

***

Courtney jogou-se em sua cama, suas costas estavam muito doidas, e havia uma marca vermelha em suas costas por detrás da camisa branca do time feminino de handebol.

Rose entrou com um cesto de roupa limpa, o colocou em cima da poltrona de leitura de Courtney e a encarou por um segundo.

– Credo! Você está fedendo mais que as meias do seu pai. — ela disse. O suor predominava em Courtney. Se alguém desafiasse Courtney pode ter certeza de que ela faria de tudo para ganhar, ela era uma das pessoas mais competitivas do mundo.

– Não exagere! Lembre-se que as meias dele são mais fedorentas do que meu suor. E eu posso fazer você cheira-a. — Courtney disse com a cara enfiada no seu travesseiro fofo.

– Tudo bem. Mas você não vai ficar aí na cama que eu acabei de arrumar. — Rose era uma pessoa muito legal, e ela era empregada da família há dois anos e nunca ousara quebrar a confiança de Helena e Roger. Ela tinha quarenta anos, e andava sempre com um sorriso generoso no rosto.

Courtney arrastou-se até o banheiro, Rose a fitou por um segundo.

– Ah meu Deus, o que foi isso no seu ombro? — ela perguntou.

– Foi uma bolada e um chute que eu levei.

– Essas garotas do handebol são o que? Ogros?

– Quase isso. — e ela não estava inventando, tinha uma garota, a Jessie Philips, a garota parecia um monstro, era alta, ruiva e dentes podres. Mas quem havia provocado essa dor horrível em suas costas, havia sido Mariana Reynolds, uma garota muito mais muito irritante, e muito mais que competitiva. Era do mesmo time que Courtney e estava sempre se gabando por seus pais serem isso, serem aquilo, e por sua tia trabalhar em não sei aonde.

Ela também queria tirar as melhores notas, vestir as melhores roupas e ser a queridinha dos professores, sempre andava por todos os lugares com sorrisos cínicos, mas fazia questão de ter Courtney em todos os contatos possíveis para sempre azucrina-la ao ganhar algo.

– Vou tomar um banho. — Courtney entrou no banheiro do seu quarto.

– Não quer algum remédio?

– Não... eu faço uma massagem. — sorriu amarelo e entrou no banheiro.

***

Seth jogou-se em sua cama e encarou o teto. Ele devia contar ao seu pai sobre sua mãe e seu professor de química? Seu pai era realmente um homem muito bom e não merecia uma traição à esse nível. Aliás, por mais que ruim seja a pessoa, ninguém merece sofrer a dor de uma traição.

Por outro lado, se contasse, sabia que estaria magoando profundamente seu pai, quebrando uma promessa que havia feito com sua mãe, e quebrando totalmente os laços da família já que ele tinha certeza que para seu pai a saída seria um divórcio.

Para evitar olhar na cara de pau de seu professor de química, ele havia pedido transferência, não queria aturar uma... duas ou três aulas por dia olhando na cara dele.

Eram quase cinco horas, resolveu jogar um pouco de videogame, aquela era sua única terapia para realmente tirar as dores de cabeça. O correio bateu em sua porta. E bateu novamente.

Enraivado, desceu as escadas e abriu a porta que ficava de frente para a mesma. O carteiro lhe entregou um envelope fino, amarelo e pequeno, com suas iniciais escritas em uma caneta preta, numa caligrafia que ele não conseguia reconhecer. O homem parado a sua frente o entregou uma prancheta para que ele assinasse. Ele o fez. Rapidamente fechou a porta e rasgou o envelope e tirou de dentro um papel todo dobrado logo o desdobrou e jogou-se no sofá.

Dizem que quando cometemos um erro, tudo bem. Errar é humano. Mas o que acontece se permanecemos no mesmo erro? Isso torna-se uma burrice.

Elbert Hubbard disse "O maior erro que você pode cometer, é o de ficar o tempo todo com medo de cometer algum".

Estas se perguntando do que eu estou falando? Sua mãe. Se não acredita, veja bem dentro do envelope. Dizem que as respostas estão bem debaixo do nosso nariz. Literalmente.

E quem eu sou? Simplesmente aquele que VÊ tudo.

Ele não estava entendendo nada. Olhou dentro do envelope e percebeu que tinha algo impresso e colado dentro do mesmo. O rasgou e viu sua mãe e seu professor de química aos beijos dentro de um carro, que deduziu ser o sedã de sua mãe. Mas será que aquilo seria realmente verdade? Ou seria apenas uma armação para ferrarem com a sua mãe?

Então imaginou a situação que seria se seu pai tivesse recebido a carta, pois depois que ouviu a possibilidade de uma carta bomba pode ser enviada, ele abria todas as correspondências de longe, mesmo as que não eram dele, ele abria. Com certeza abriria aquela carta, e ficaria arrasado com o que havia dentro.

Ouviu o barulho de chaves e da maçaneta girando, recolheu o envelope e sentou-se em cima, achando que fosse seu pai. Mas era sua mãe, então sentiu-se tenso.

– Oi querido, trouxe algumas coisas para comermos antes do jantar. — ela disse cheia de sacolas.

– Mãe, você está se encontrando com o Sr. Bowner novamente? — perguntou.

– O que? — deixou as sacolas escaparem de suas mãos.

– Você está se encontrando com o Sr. Bowner novamente? — repetiu a pergunta.

– O que te faz achar isso?

– Talvez essas coisas aqui. — ele pegou a carta e o envelope os quais estava sentado em cima, ficou de pé e esticou em direção à sua mãe. — Mãe, se isso for verdade, eu nunca lhe perdoarei e eu ju...

– É verdade, está bem! Eu sei que prometi a você. Mas ainda é muito jovem, e eu não posso lhe explicar, eu e seu pai estamos passando por umas crises...

– Isso não te faz uma santa, mãe! — ele gritou e retirou-se do cômodo, a raiva tomou conta de si, em um passo rápido ele derrubou um vaso de sua mãe, que se espatifou em milhares de pedaços no chão. Sua mãe apenas analisava a situação, imóvel.

Era exatamente assim que ele se sentia, e era assim que seu pai se sentiria após o momento em que ele contasse tudo.

***

Paul abriu o livro e começou a lê-lo. A cada capítulo que terminava de ler, fazia algum rabisco em um caderno azul de brochura que estava ao lado do livro.

O trabalho que o professor de literatura havia passado era para daqui a dois dias e ele ainda estava na metade de um livro super extenso, era pequeno e tinha umas trezentas páginas.

– Paul, venha jantar! — sua avó gritou do andar de baixo e ele respondeu um "Já vou" na mesma altura. Ele morava com sua avó e sua tia, já que seus pais morreram em um acidente de carro.

Elas estavam sentadas assistindo ao Jornal de Lowland. A apresentadora indagou em frente a uma casa bem semelhante.

– Hoje à tarde, viaturas foram enviadas e policias passaram pelas casas interrogando cidadãos acerca de uma jovem desaparecida. Quem é? Elizabeth Cweskin. Uma garota de apenas 16 anos, estudante da Hayden School. — na mesma hora uma mulher apareceu e pediu para que todos os jornalistas e repórteres saíssem dali ou ela chamaria a polícia.

Paul ficou pasmo.

– Conhecia ela, querido? — sua tia virou-se para ele. — Estudam na mesma escola, devem fazer alguma aula juntos, afinal tem a mesma idade.

– Ela era novata... Fazíamos aula de literatura juntos. — ele disse meio embriagado com a notícia.

– Bom, chega de notícias ruins... Hora da minha novela. — a vó disse com o crochê na mão.

***

Heather pegou emprestado a bicicleta de sua vizinha Amanda, para ir à Escola, ela chegaria na hora certa. Estava passando pela parede em grafite que tanto amava. Aquela certamente era a parte da cidade que mais gostava. Então parou para respirar um pouco.

Algo em especial chamou sua atenção. Era um cartaz com a foto de uma jovem muito semelhante. Aproximou-se...

" DESAPARECIDA: ELIZABETH CWESKIN.

16 ANOS. "

Seu queixo caiu. Elizabeth? Desaparecida?

Subiu na bicicleta novamente, e havia mais e mais folhetos colados naquela parede. E em postes árvores e portas de estabelecimentos comerciais.

***

A professora levantou-se. Apoiou-se na mesa, encarando a sala.

– Courtney, poderia recolher as folhas por favor? — pediu e Courtney assentiu. — Hoje, vamos falar sobre funções. Ao longo do nosso dia a dia, nem percebemos e estamos em contato com as funções. Isso é apenas uma revisão básica de algo mais profundo do que já estudaram. — ela sorriu amarelo e virou se para o quadro. — Anotem é importante. – virou-se e fez uma observação.

Courtney chegou em Heather, além de entregar sua folha, ela entregou também um papelzinho com uma letra muito bagunçada.

"Preciso falar com você, no pátio, me encontre lá."

Courtney estranhou, mas continuou recolhendo as folhas do restante dos alunos do resto da fileira. Ao terminar, andou em direção a mesa da professora e depositou organizadamente as folhas e voltou para seu lugar.

Heather a encarava, ela apenas balançou a cabeça como se desse a entender “eu vou estar lá” e deu um sorriso sem mostrar os dentes.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.