Inocência que se vai
3 Outono
O orvalho é o choro contido de todas as noites em que não estou contigo.
Calculei os versos para que eles tivessem a medida exata de um abraço. As luzes que se acenderam pelo caminho não te ajudaram a me encontrar.Pontuei as frases, troquei o jarro e as flores, me desfiz do orgulho.Perdida dentro um mundo estranho, meu lar cabe na palma da mão.As estações brincaram de se perfazer, era agosto e anteontem foi verão. Nunca pareceu que ia ser o último dia, quem é que poderia adivinhar?Onde estaria minha atenção que não pudesse ler o profundo de seus olhos?Há tantas vírgulas nesse fim, há tanto de você em mim.O amor é cego porque o que se toca antes do corpo é o coração.Não se pode dizer que um sonho morreu quando ele está somente adormecido.As lembranças remontam um gigantesco quebra-cabeça de perspectivas.Por hoje bastaria um pouco de passado no presente, bastaria apenas você.Uma noite em que a saudade não fosse maior do que a alegria de te ver.
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