Inocência que se vai

15 Mundo de feras


Intrínseca intenção calculada nas sílabas.

As palavras têm cheiro de pólvora e atingem em cheio a aorta.

O âmago sangra incessantemente, bem no alvo.

Não há curativo capaz de estancar o peso da decepção.

Curva os ombros, encolhe a coragem, mina a espontaneidade.

O mundo de feras é um lugar sedutor, mas perigoso.

Ninguém dele sai ileso ou indiferente.

São as marcas que contam o restante desta história.

Marcas que redesenham a inocência perdida.

No mundo adulto aprende-se a chorar sorrindo.

Seus amigos na realidade querem te ver enterrada.

Há uma séria incompatibilidade entre seu sucesso e a ascensão deles.

Nada os perturba mais do que sua força interior.

A mentira se multiplica por ser convincente e viciante.

Trata-se de um requintado baile de máscaras.

Sem mais delongas, eles vão para o tudo ou nada.

Não há mais nada a perder senão o restante de humanidade e pudor.

Num abraço apertado de conveniência, crava-se o punhal.

Tudo haverá de ficar bem se você não ficar no caminho.

Você não percebe todas as sutilezas demonstrando o incômodo?

Eles não suportam o fato de que você ainda está respirando.

É inócuo ansiar por uma aceitação que jamais virá.

O espaço que você pensa ter conquistado é só ilusão.

O chiclete com sabor de hipocrisia não amansa o fedor da animosidade.

Não confie nem na sua própria sombra ou é lá que você vai ficar.

O comportamento paranóico pela primeira vez não surgiu ao acaso.

Nesse amor há tanto ódio quanto possível, nada a ser feito.

A incansável luta para alcançar a perfeição é o atalho mais rápido para o fracasso.

No mundo adulto não há para onde correr sem ser julgado.

Opiniões são emitidas mesmo sem solicitação.

A solidão alimenta a alma de quem ainda não vendeu a dignidade.

O poder, quando alcançado, mostra quem é quem de verdade.