Inocência Ultrajada

5 Capítulo 5 O PACTO...


Dois meses antes do ataque à Fortaleza Virgo...

“Tem certeza, jovem lorde, que deseja adentrar o abismo?”

A voz soturna e rouca retumbava na caverna escura permeada de umidade e ar denso. Kanon não podia ver o detentor daquela voz, mas sabia que quem falava, pertenciam à linhagem dos Antigos.

Os Antigos praticavam rituais ligados à magia do inicio dos tempos, quando o intricado equilíbrio das forças sobrenaturais residia, também, no poder dos homens. Alguns homens e mulheres pertencentes a essa descendência, agiam como bem lhes provinha, num mundo cuja ignorância e sede de poder eram um prato cheio para o jogo fascinante da perversão...

- Sim, eu desejo adentrar o abismo. – ele respondeu convicto, ainda inconsciente do preço a pagar por permitir-se tal ato.

Uma gargalhada sonora pareceu eletrificar o ar que agora exalava um odor herbário e adocicado. Kanon sentiu um leve estremecer. Em seu íntimo, uma excitação unida ao temor revelou-se no momento em que a voz ordenou que se despisse.

Ele obedeceu, deixando cair as vestes no chão frio. Imediatamente, como se conduzido por mãos invisíveis , ele caminhou resoluto pelas sombras, deparando-se com um altar de pedra polida cheia de incrustações e símbolos que parecia destoar do ambiente primitivo.

Havia um feixe de luz lunar que recaía sobre o altar, parecendo um fio unindo o submundo aos céus... Sobre ele estava uma jovem, a pele bronzeada rivalizando com o branco do altar. Parecendo estar sob a ação de alguma droga ou encantamento, ela arqueava o corpo, como se estivesse sendo tocada por um amante...

Kanon permaneceu imóvel, hipnotizado pelos movimentos sensuais que agora eram acompanhados de gemidos longos e baixos.

Então ele viu, emergindo das sombras que se portavam como entidades vivas, uma silhueta que parecia ser afagada pela escuridão. Era a visão de uma deusa encarnada num corpo humano. Suas formas belas e delicadas podiam ser vistas sob o fino tecido transparente que parecia dançar sob a pele sedosa...

O olhar penetrante e frio contrastando com as promessas ardentes que os lábios rosados pareciam cochichar a todas as células de seu corpo. E então, o detalhe que fez os olhos de Kanon arregalarem-se de tal forma que pareceram saltar das órbitas. Entre as pernas torneadas, da deusa, um falo projetava-se túrgido e latejante...

- Ah... Aí está a nossa rainha. Regozije-se, jovem lorde! A Rainha Devassa está entre nós... – disse a voz sem rosto.

Kanon não sabia quem era aquele ser, metade macho, metade fêmea, mas lhe pareceu que já a conhecia de outros tempos...

Hilda, uma jovem nobre nascida com uma condição especial que lhe valera a adoração de muitos, agora amargava o infortúnio de ter suas propriedades tomadas por uma acusação de bruxaria, feita por uma rival. Entretanto, ela conseguira escapar de um julgamento inquisidor, pelo simples fato de ali, naquelas terras, ainda sobreviver a força da religião pagã.

Sagaz e manipuladora, ela se salvara à custa dos amantes apaixonados que colecionara e dos contatos importantes que tinha entre os grandes Lordes. Porém, em sua ambição, ela jurara retomar tudo o que lhe pertencia e muito mais. Para isso, agora recorria ao poder de sua linhagem, contando com os anseios dos que se aventuravam em terreno proibido...

Diziam ser ela, capaz de enfeitiçar até o mais santo dos homens e, Kanon não era santo. Muito antes pelo contrário, adorava os excessos, era ambicioso ao extremo e tinha um desejo doentio pelo irmão gêmeo. Estava ali, em meio àquele ambiente consagrado às artes negras, com a promessa de manter seu irmão para si e pela eternidade.

Se aquele ser andrógino fosse capaz de fazê-lo como havia prometido, ele faria o que lhe fosse pedido ou exigido sem questionar. Nada mais importava, além da sua vontade!

- Minha rainha... – disse Kanon curvando-se.

Hilda olhou-o com interesse e levou a mão direita à coxa, retirando de uma bainha incrustada de pedras preciosas, um punhal de prata com duplo fio. Fixando os olhos nos de Kanon, ela estendeu-o ao jovem lorde e seus olhos brilharam com uma excitação maligna...

- Meu desejo, agora será seu desejo! – disse ela tocando a face de Kanon e fazendo-o se arrepiar.

- Sim... Seu desejo será o meu desejo... – respondeu ele hipnotizado pelo olhar penetrante e acinzentado.

- Pois então, una-se a mim neste sacrifício. – disse ela calmamente, enquanto passava a mão sobre o corpo da jovem sobre o altar.

Brina era o nome dela. Uma aldeã sem família que fora aliciada para aquele lugar em troca de roupas e comida. E ali estava ela, pronta para ser sacrificada num ritual profano de orgia e sangue. Como muito dos camponeses que sofriam os rigores da submissão a suseranos cruéis, Brina tinha sido atraída pelo desejo de sair da pobreza em que estava inserida por sua condição. Foi assim que, naquela noite, ela transformara-se no objeto ritualístico do qual ninguém sentiria falta...

O punhal desceu certeiro sobre o peito da jovem que arfou e morreu, quase, instantaneamente. O sangue quente e abundante tingiu a pedra fria e a mão de Hilda junto à de Kanon permaneceram unidas, enquanto observavam a vida esvair-se do corpo inerte.

Egocêntrico e obcecado, Kanon suplantou sua consciência convencendo-se que tirar a vida daquela mulher era um mal necessário. Ela não lhe dizia nada, era apenas uma camponesa a menos que, como um animal, servia de oferenda aos deuses ou deusas daquele lugar.

Devia ser até uma honra para alguém que só servia para tarefas subalternas... Dizia para si mesmo, justificando a barbárie que acabara de cometer.

Então, a Rainha molhou suas mãos macias no sangue derramado e desenhou símbolos e formas no corpo de Kanon. Os olhos dela brilharam ao sentir o torso duro e musculoso do jovem lorde com a ponta dos dedos...

Falando numa língua muito antiga, ela cobriu todo o corpo de Kanon, fazendo-o experimentar uma crescente excitação. Ele sentiu seu membro endurecer e foi com prazer que viu Hilda reagir àquilo com visível interesse.

- Agora, você pertence a mim... – disse ela beijando-o de leve nos lábios, após concluir seu trabalho.

Alucinado, Kanon tomou-a nos braços e a beijou furiosamente. Hilda retribuiu o beijo abrindo a boca pequena. Porém, quando ele fez menção de aprofundar as carícias, ela o interrompeu com um toque. Kanon sentiu-se paralisar e faltar o ar, como se ela tivesse controle absoluto sobre o seu corpo.

- Ainda não, jovem lorde... Primeiro, sua iniciação no Círculo dos condenados...

Kanon olhou-a sem entender, então ela o puxou pelos cabelos longos, arrastando-o como se ele fosse leve como uma pena. Empurrou-o de encontro ao corpo sem vida de Brina e, com um sorriso diabólico, ordenou:

- Possua este corpo e una seu sêmen ao sangue do altar!

Por um instante, Kanon sentiu horror em tomar o corpo de uma morta. Necrofilia era algo degradante e imoral. Até um assassino evitava profanar o corpo após a morte, mas se era o preço a ser pago, ele precisava vencer a persistente advertência que teimava em afastá-lo de tudo aquilo.

Hilda aproximou-se e sussurrou em seu ouvido:

- Vamos, jovem lorde... possua este corpo e depois poderá usufruir de um prazer jamais imaginado...

Ainda hesitante, Kanon olhou para o corpo da jovem que mantinha os olhos vítreos e abertos com uma expressão de horror. Depois, tocou-a sentindo a pele ainda quente. Puxou as pernas da jovem para fora do altar para poder penetrá-la sob o olhar atento de Hilda. Fechou os olhos e pensou em Saga. Desejava-o com loucura, queria fazer amor com ele a qualquer preço.

Que seja! Se isso me trouxer, você, Saga, eu o farei... Gritava, mentalmente, sentindo o corpo vibrar. As mãos macias de Hilda repousaram em suas costas e os lábios quentes dela, beijaram-no enquanto roçava o corpo em suas nádegas redondas e firmes.

Por fim, Kanon ergueu o corpo inerte pela cintura, trazendo-o de encontro ao seu membro rijo e enterrando-se de forma violenta dentro dela.

Ouviu junto ao seu ouvido, um gemido de satisfação escapar dos lábios de Hilda e arremeteu com força. A cada movimento parecia esquecer de todo e qualquer valor moral ou espiritual. Seu corpo e sua alma pareciam mergulhar numa ausência total de limites.

Aquilo era maravilhoso demais! Uma voz cochichava dentro de si. E ainda assim, ele não conseguia chegar ao clímax. A frieza do ventre, o desejo que fosse outro corpo a possuir, tudo retardava o gozo, torturando-o e deixando-o em um estado de ansiedade primitiva.

Então sentiu que algo era colocado em seus lábios, uma polpa carnuda de algo que ele não soube precisar. O gosto assemelhava à das trufas, porém tinha um cheiro ocre e nauseante. Mesmo assim ele a mastigou e, por um instante, a realidade se transformou...

A morta piscou os olhos e, em seu lugar surgiu Saga, belo e sorridente, acolhendo-o dentro de si com o corpo ardente de desejo.

Inebriado, Kanon estocou desesperadamente para livrar-se do tormento, para gozar dentro do irmão e, enfim, unir-se ao objeto de seu desejo...

Gemendo alto, ele finalmente estremeceu convulso, sentindo o orgasmo tomar conta de seu corpo e viu um tanto horrorizado, que seu falo, braços e pernas pareciam inchar e se despedaçar em gigantescos pingos de sangue.

Riu nervosamente ao flagrar-se olhando para si e para Saga que mudava de identidade e se transformava em uma espécie de entidade cheia de tentáculos e gavinhas que agora se agarravam a si numa dança sinuosa atiçando seu corpo e deixando-o excitado, novamente.

Quando, por fim, a visão findou, Kanon voltou-se para Hilda com as pupilas injetadas e um sorriso insano no rosto. Ela abriu os braços em sua direção, deitando-se no chão da caverna sob um manto negro, previamente estendido. Sorridente, ela abriu as pernas e o acolheu dentro de si, sob o olhar ávido e vigilante do mentor de toda aquela encenação...

Afinal, o desejo desenfreado sempre fora objeto de queda do homem. Porque seria diferente, agora? Pensou Radamanthys, enquanto orquestrava o plano engendrado com sua pupila.

Quando o ato terminou, Kanon sentia-se estranhamente vazio e leve. Já não se encontrava naquele ambiente lúgubre, estava vestido e montado em seu cavalo. Muito do acontecido vinha-lhe à mente em fragmentos soltos: a caverna, o sangue...

Sangue de um animal ou de um ser humano?

Hilda, a mulher hermafrodita que representava um título...

A Rainha Devassa que o pintara com sangue e copulara com ele de forma animalesca?

Pensamentos, imagens e sensações vinham e desapareciam, enquanto Kanon fitava aquela jovem sorridente que lhe dizia coisas ao ouvido e que ele encontrara na Fortaleza em ruínas, deixada para trás há algumas horas...

Ou seria uma caverna?

— Posso ser uma grande aliada, milorde! Juntos, teremos cada um, aquilo que desejamos... – falava a jovem nobre, enquanto ele se esforçava para juntar todos os pedaços daquele quebra-cabeça.

- Como é mesmo o seu nome? Creio que me disse, mas... Perdoe-me, minha cabeça está um tanto confusa. – disse Kanon estreitando os olhos.

- Hilda, milorde. Hilda de Polaris... aquela que realizará todos os seus sonhos. – respondeu a jovem com o sorriso mais sedutor que o jovem lorde havia visto.

Em seu íntimo, a jovem nobre exultava em ter conseguido por em prática o seu plano perfeito: aproximar-se dos irmãos gêmeos cuja fortuna era amplamente conhecida, capturar-lhes a confiança e, no fim, descartá-los.

O fascinante jogo estava se iniciando e, no final, ela seria mais rica e poderosa do que já fora um dia... Radamanthys estava certo. O calcanhar de Aquiles de um nobre quase sempre se revelava entre dois polos muito simples: poder ou luxúria! Muitas vezes, até mesmo os dois...

Kanon sorriu de volta, aquecido pela confiança espelhada nos olhos de Hilda e seguiu com ela para a Fortaleza de seu irmão.

Estava amanhecendo e o sol se infiltrava pela paisagem densa e verdejante, fazendo com que as gotas de orvalho parecessem pequenos diamantes pendurados nas folhas e arbustos.

Ao chegar aos portões do imenso e escuro castelo, Kanon sentia-se esperançoso e entusiasmado, até encontrar-se com Saga que chegava, naquele mesmo instante, da Fortaleza Virgo. Sorridente, seu irmão entrava com um livro nas mãos.

- Kanon, venha, quero mostrar-lhe meus últimos esboços! – disse ele ignorando a presença de Hilda.

Tentando conter a irritação, Kanon sorriu de volta sabendo que naquele livro estavam os desenhos que o irmão fazia do jovem Shaka. Seu sangue fervilhava só em pensar que Saga apaixonara-se por aquele fedelho insosso e que tinha com ele, a intimidade que sonhara para si.

- Mas que indelicadeza, irmão. Não vê que estou acompanhado? – respondeu Kanon, sério.

- Ah, sim... perdoe-me, mas é que eu fiz desenhos novos... Bem, quem é essa bela jovem? – falou Saga.

- Esta é Hilda uma velha amiga que reencontrei e convidei para passar uns tempos conosco.

- Velha amiga?

- Sim milorde... – disse Hilda elevando os olhos devagar num movimento que pareceu durar um longo tempo.

Saga sorriu simpático, mas aqueles olhos pareciam inundá-lo de sensações contraditórias que o perturbaram, por alguns segundos. Não gostou da jovem, mas disfarçou em respeito ao seu irmão.

- Prazer em recebê-la, milady. Agora se me dá licença, tenho muito a fazer. – disse ele beijando a mão pequena e delicada e, se afastando logo em seguida.

- Shaka! Sempre esse... estorvo atraindo a atenção dele. Ah, Hilda, não sabe o quanto odeio esse garoto! – grunhiu Kanon baixinho ao ver o irmão deixá-los.

- Acalme-se, meu querido... Na lua negra, tudo vai mudar. Confie em mim e, a partir de hoje, adicione uma gota deste frasco na bebida de seu irmão. Faça-o de forma que na próxima lunação, sobre apenas sete gotas de todo o conteúdo...

- Isso... não é veneno, é? – perguntou Kanon preocupado.

- Claro que não! – respondeu Hilda rindo. – É apenas uma poção que o ajudará a ver mais... claramente. Seu irmão vai desejá-lo, milorde. Aos poucos, a paixão pelo fedelho irá sucumbir e ele será só seu. Mas antes, sugiro tirarmos vantagens desse envolvimento dele com o jovem Shaka.

- Que espécie de vantagem?

- Vamos tomar a Fortaleza, fazê-la um espólio que será vantajoso para todos nós.

Kanon estancou. Como irmão mais novo, não herdara terras, nem propriedades. A única forma de ter alguma coisa seria através do casamento com uma donzela rica, o que lhe provocava náuseas. Mas, se tomassem Virgo, certamente Saga o incluiria em seus bens. E melhor ainda seria se, nesse combate, Shaka saísse, definitivamente, da vida de seu irmão.

Novamente, confiante e cheio de planos, Kanon sorriu e apertou o frasco em suas mãos como se ali residisse seu tesouro mais precioso...

Os dias se seguiram e Saga foi obrigado a mudar de opinião sobre a jovem Hilda. Inteligente e culta, ela conhecia quase todas as obras que ele mencionara e se tornara uma companhia perfeita para ele e Kanon. Também, sentia crescer dentro de si uma compulsão erótica que o fazia adentrar, cada vez mais, num universo permeado de vícios e excessos doentios.

À noite, após o jantar, Kanon olhou para o céu escuro e um brilho de prazer insinuou-se nos belos e profundos olhos.

A lua negra. Finalmente! Pensou ele, enquanto Hilda postava-se atrás de um tecido esticado, sobre o qual Saga havia esboçado uma cena erótica com dois homens nus copulando em meio a um cenário mórbido.

- Então, milady? É a primeira vez que mostro minha arte a uma mulher cuja mente aberta e inteligência me faz desejar sua opinião. O que acha? – perguntou Saga.

- A pintura reflete ardor, dominação, mas... falta-lhe um ingrediente. – respondeu Hilda enfiando a mão entre os cabelos sedosos dele e descendo até o pescoço numa carícia ousada e provocante.

- E qual seria? – disse Saga inclinando a cabeça em direção à mão macia e experiente.

- Malícia e... perversão.

Saga gargalhou e Hilda sorriu, estendendo-lhe uma taça de vinho.

- Beba isso, milorde... Vamos fazer um... pacto e colocar em prática o que falta em sua arte!

Olhando para Kanon que o observava encostado a janela, Saga sentiu um calor inundar-lhe o peito e descer, quase ao mesmo tempo, para o baixo ventre. A silhueta musculosa e forte de seu irmão parecia a de um deus terrível e sensual.

Percebendo que o clima necessário para a sua atuação já estava tomando conta, Hilda aproximou-se de Kanon e o beijou, enquanto Saga os observava percebendo o seu membro endurecer e uma onda de luxúria atacar o seu corpo.

Lentamente, Hilda se deixou desnudar por Kanon que a beijava e acariciava com os olhos abertos e fixo no irmão. Ambos se encarando como que ligados por um fio invisível...

Quando Hilda sentiu as mãos quentes de Kanon sobre seus ombros nus e os lábios sensuais em seu pescoço, ela virou-se de frente para Saga, ostentando o falo túrgido e latejante, enquanto Kanon se esfregava em suas nádegas e acariciava o membro vagarosamente, num ritmo que a fazia gemer e projetar o corpo de encontro à mão grande e firme.

Se fosse, em outros tempos, Saga teria recuado frente a tal loucura. Mas, agora, sob o efeito da droga que, gradativamente, despertava seu lado sombrio, ele exultava e mordia o lábio inferior fascinado ante aquela cena:

- Venha, junte-se a nós... Vamos selar nosso pacto. – disse Hilda

Como um autômato, Saga se aproximou com os olhos fixos no corpo de Hilda, uma fascinação imediata por aquele capricho da natureza estar ali, oferecendo-se a ele... Olhou para Kanon e, pela primeira vez, percebeu que o ardor do desejo nos olhos do irmão, repercutia em si.

Tomando um punhal que sempre carregava consigo, Kanon fez um pequeno corte em seu pulso e nos de Saga e Hilda. Como se todos estivessem em transe, beberam do sangue um do outro e depois beijaram-se com lascívia, deixando rastros de saliva e sangue nas faces afogueadas.

- Hilda... Kanon... – sussurrou Saga, enquanto sentia seu mundo girar de tal forma que nada mais lhe era estranho ou proibido.

Kanon suspirou e estendeu uma mão à Saga, enquanto a outra acariciava o seio rosado de Hilda. A jovem ofegou e também estendeu a mão, enquanto com a outra tocava em si mesma, sentindo o latejar da excitação.

Em instantes, os três estavam nus, deitados no chão sobre uma imensa pele que jazia no centro do salão. Kanon lambia e mordiscava os seios de Hilda, enquanto Saga deslizava por entre as suas pernas, a respiração quente incidindo sobre a parte interna da coxa, enquanto inseria seus dedos na intimidade feminina e acolhia, na boca ávida, o falo que gotejava de excitação.

Exploraram os corpos um do outro com toda a devassidão que ousavam suportar. Mordidas, lambidas, carícias... Não havia limites para o desejo que explodia entre os três e os fazia devorar-se com desatino.

Hilda era possuída pelos dois, preenchida com vigor como a perfeita Rainha Devassa... Seus gritos e gemidos retumbando nas paredes grossas de pedra. Os falos roçando um no outro, as bocas abertas com as línguas sugando, buscando e voltando a emitir sons animalescos que se perdiam no ar...

Kanon possuía os lábios do irmão com beijos profundos e apaixonados. Quase em desespero, sussurrava trêmulo, implorando para ser tomado...

Por segundos, a mente de Saga vagou até o passado, quando ele e Kanon eram meninos e uma lembrança adormecida, despertou. Ele estava deitado, com febre e Kanon acariciava sua testa suada. Como num sonho, ele sentira os lábios do irmão sobre os seus. Depois, a língua tímida lambendo seus lábios e tocando a sua, de forma que seu baixo ventre formigou e ele teve sua primeira ereção. Lembrou também do horror que sentiu ao constatar que seu corpo ficara incompleto, desejando algo que ele não sabia o que era...

Trancafiara a lembrança e o desejo proibido nos confins de sua mente.

Até aquele momento...

Liberto das amarras morais, Saga tomou Kanon em seus braços, beijou-o com ardor e o penetrou fundo e forte.

Kanon gritou de um jeito estrangulado e arqueou os quadris, envolvendo a cintura de seu irmão com as pernas, urrando alto ao senti-lo de forma tão selvagem e ainda mais fundo dentro de si. Os arquejos escapavam dos lábios ressecados ao sentir as investidas poderosas.

Saga era seu! Somente seu! Repetia para si mesmo ao submergir naquele mar de prazer e dor.

Os dois gozaram sob o olhar lúbrico de Hilda que abriu os braços e acolheu os dois, novamente, sobre o seu corpo...

Exaustos, Kanon e Saga adormeceram sem saber que acabavam de se transformar em peças de um jogo, um jogo perverso do qual nenhum dos dois sonhava como iria terminar...

Notas finais
AGRADECIMENTOS ESPECIAIS: DEATHMASK, SION NEBLINA, MORRIGAN, KAO-SAN, DDD, MYSTICSHAKA, PANDORA HIEI E JULIA_LEÃO.

OBRIGADA TAMBÉM a quem mais chegar!!! Bjs