Inocência Ultrajada

19 Capítulo 19 A DANÇA DA MORTE E...O RECOMEÇO!


Notas iniciais
Bem,pessoal! Aí está o último capítulo de Inocência, uma fic que me deu muito prazer e que foi um presente singelo, mas de coração e alma para Sion Neblina, minha amiga, minha irmã, minha inspiração! Obrigada pelo carinho de todos que acompanharam e comentaram a fic!

Quando não houve mais dúvidas no coração de Afrodite, seu poder se elevou e a natureza respondeu fazendo tremer rochas, turbilhonar as águas e fazer rugir o vento. O corpo do mago se elevou em meio ao redemoinho selvagem dos elementos e, em seu posto, Radamanthys sorriu satisfeito.

Finalmente, a Dança da Morte iria começar!”

O chão estava escorregadio. Lama, sangue, corpos... Os cavalos avançavam entre flechas que eram lançadas de Virgo, assim como as pedras lançadas pelo inimigo que rodopiavam e se chocavam de encontro às muralhas da fortaleza.

Ikki estava ferido, mas continuava lutando como se nada houvesse acontecido. Seu braço estava vermelho até o cotovelo e, mesmo assim ele vislumbrava cada detalhe da batalha e liderava com voz forte.

— Aiolia! Eles são muitos! Volte para a fortaleza e dê início ao plano. – gritou Ikki.

— E você? Como sairá daqui?

O jovem guerreiro olhou dentro dos olhos de Aiolia e sorriu.

— E quem disse que eu pretendo sair? Vá até a fortaleza e faça o que combinamos. Enquanto eu tiver força nestes braços, ninguém entra em Virgo!

Aiolia também sorriu. Ikki estava tomado pelo ardor que todos os guerreiros sentiam quando em combate. Não havia medo em seus olhos e nem seu corpo sentia as feridas e o cansaço. Havia, apenas, o inimigo, a batalha e sua espada.

— Muito bem, amigo! Farei o que combinamos. Mate alguns por mim e depois faremos as contas para decidir que foi o matador da vez! – disse o Leão buscando um cavalo em meio ao caos para montar.

O corcel que Aiolia montou ainda escoiceou um dos homens de Saga e ele viu Mu lutando com uma leveza e graciosidade que lhe chamou a atenção. Teve o ímpeto de colocá-lo na garupa e tirá-lo dali, mas se conteve. Assim como Ikki, o belo sidhe era um guerreiro de valor e não o constrangeria com sua preocupação, embora seu coração desejasse protegê-lo com todas as forças...

Um cavaleiro negro, vindo de algum lugar, lançou-se sobre Aiolia com uma espada longa, quase o derrubando do cavalo quando uma adaga certeira voou na direção da fenda do elmo, atingindo o inimigo no olho. O homem caiu e Aiolia olhou para Mu que sinalizava para ele sorrindo e continuava a procurar inimigos para matar. O sidhe tinha salvado a sua vida, novamente! E logo quem ele tencionara proteger, instantes atrás! Pensou, enquanto olhava aquele rosto que amava. Agradeceu com um aceno rápido e disparou em direção à Virgo.

Saga se separara de Kanon e procurava Ikki no campo de batalha. Não conseguia distinguir muita coisa em meio às lanças, flechas e espadas. Estava tomado por uma excitação enlouquecida, o sangue e o cheiro da morte entravam em suas narinas e ele ria uma risada áspera e rouca.

Galopou em meio à batalha e pegou um de seus estandartes fincado no chão e lançou-se no centro de tudo. O tempo parecia deslocar-se lentamente, o calor subia-lhe por dentro do corpo e ele viu Ikki lutando de forma ferrenha. Sorriu e olhou para a elevação onde Radamanthys permanecia observando a tudo.

Não preciso de você mago! Vou acabar com este homem e então, Virgo cairá! Vociferou baixo, para si mesmo, esporeando seu garanhão com vontade.

Ikki sentiu um alerta invisível quando olhou na direção do cavaleiro que vinha em sua direção. Imerso na febre da batalha, Saga não conseguiu evitar que seu garanhão tropeçasse num cadáver e perdesse o equilíbrio, escorregando os cascos e obrigando-o a manobrar para se manter na sela. Mas, de algum modo ele e seu cavalo mantiveram o equilíbrio e ele lançou-se de encontro a Ikki.

O golpe forte de Saga vindo de cima fez doer e adormecer o ombro de Ikki que segurou um gemido de dor. O gêmeo sorriu com escárnio e voltou a atacar, porém Ikki apoderou-se de um machado caído ao chão e aparou o golpe com uma mão, enquanto a outra estocava com a espada. Como um excelente guerreiro, Ikki golpeava com os dois braços e Saga colocou-se em posição de inferioridade, lutando apenas com uma arma.

Flechas silvavam por sobre suas cabeças e uma atingiu Saga na coxa. Ele grunhiu, mas seguiu lutando enquanto Ikki atacava sem piedade.

— Renda-se, chame seus homens e eu o pouparei! – gritou Ikki.

Saga gargalhou.

— Acha-se um guerreiro invencível, Fênix! Sim, eu sei que é assim que o chamam. Pois vamos ver se ressurgirá das cinzas depois que eu o matar!

Ao término de sua frase, Saga arremeteu contra Ikki, as espadas faiscando e os golpes somando-se ao ambiente que começava a transformar-se, como se uma violenta tempestade fosse abater-se sobre o campo de batalha.

Pelo alto, por baixo, pelos lados, Ikki fazia retinir o aço sobre Saga que já não aparava os golpes com tanta precisão quanto antes. O cansaço e o suor abatiam-se sobre os dois, porém Ikki mantinha o olhar duro e focado em Saga, até que, com um golpe rente à testa do gêmeo terrível, ele fez brotar o sangue que encobriu a visão do inimigo.

— Renda-se, Saga! Chame seus homens e pare com esta loucura! – gritou Ikki.

— Loucura?! Tenho mais homens e tenho aquele maldito mago! A vantagem é minha! Portanto, vou matá-lo e depois de dançar sobre o seu cadáver, Fênix, vou foder com Shaka até a exaustão!

Ikki não soube se foram as palavras ou o olhar insano que o levaram a descer sobre Saga com toda a força que lhe restava. Largou o machado e se concentrou na espada leve, porém mortal e afiada que Mu forjara com tanto esmero. Pegou-a com as duas mãos e atacou com fúria.

O aço gritou e retiniu... mais faíscas, agora envoltas em um líquido espesso que dançava ao redor da lâmina em minúsculas gotas. Sangue!

Saga não mais suportou a trepidação e o peso dos golpes de Ikki e sua defesa foi se tornando cada vez mais lenta. Nenhum dos dois tinha a noção do tempo em que estavam lutando, tudo parecia dolorido e estático, como se o ar carregado congelasse as horas, afastando-os dos demais...

Estavam ofegantes e feridos, porém Ikki parecia impregnado de uma força maior, seu corpo avançava exigindo o máximo de seus músculos que já estavam sobrecarregados, mas ele continuava e continuava, os dentes cerrados, a intenção viva e firme em acabar com aquela insanidade. Libertar Shaka.

Num último golpe, a espada de Ikki desceu e depois fez um movimento em cruz. Um movimento certeiro e fatal desferido com a presteza de um guerreiro que já vira muitos combates.

Os olhos de Saga se arregalaram, incrédulos, ao sentir o beijo frio da lâmina em seu ventre. Não houve dor, apenas uma forte ardência. Sua mente pareceu voar. O pensamento e o sentimento indo de encontro àquele que amava. Sim, amava... Mais que tudo, mais que o sangue... Era tudo tão claro e certo, agora. Porque investimos nessa loucura?

Um pequeno arquejo e suas pernas dobraram... Eu te amo... Sempre amarei...

Kanon! Ouviu-se gritar ao receber a morte e a lucidez que a acompanhava.

No campo de batalha Kanon sentiu uma dor horrenda no peito. Arfou como se tivesse levado um golpe de aríete e olhou para Radamanthys. O mago negro apenas observava a carnificina com visível desdém.

— Radamanthys! Leve-me até meu irmão! – gritou Kanon.

O mago olhou-o como se estivesse frente a um inseto, mas, sentindo certo prazer, gesticulou e Kanon transformou-se em névoa, indo até Saga. Quando o gêmeo mais novo reapareceu ao lado do irmão teve tempo de acolhê-lo em seus braços, o rosto lívido, o beijo da morte estampado nos lábios entreabertos.

— Saga... Não!— gritou em sua angústia dolorida.

Ikki ficou observando-os quando alguém surgiu em suas costas, atacando-o com um machado de fio duplo. Esquivou-se, porém tropeçou em uma raiz que não chegou a ver e caiu de joelhos. Sua espada ergueu-se rápida para bloquear outro ataque que lhe teria cortado o ombro até a virilha. Agradeceu por tê-la, pois sabia que a lâmina especial e fina era capaz de defendê-lo de qualquer arma e quase sorriu quando ela, após a defesa, encontrou o tronco desprotegido do inimigo cortando-o como se fosse manteiga. Boa menina! Pensou ao puxá-la, enquanto o inimigo caía morto.

No entanto, ao dar atenção ao homem que tinha um lado do rosto desfigurado, Ikki ficou exposto e Kanon arremeteu-se contra ele gritando e com uma agilidade mortal.

Foi um momento... Um trágico e derradeiro momento.

A espada transpassou-lhe o corpo. Ele estremeceu por alguns segundos e agarrou-se ao fio. Imagens lentas invadiram-lhe a mente entorpecida...

O sangue de Ikki borbulhava, mas foram os seus olhos que vislumbraram o aço surgindo e bloqueando o golpe que era para si como por encanto. Os fios loiros ondulavam em meio à névoa e Shaka aparou o golpe de Kanon enterrando, num movimento fluido e ágil, sua espada no peito arfante do gêmeo.

— Shaka... – sussurrou Ikki, até que sem fôlego, deu um passo para trás deixando a ponta de sua espada tocar o chão.

O senhor de Virgo puxou a espada e Kanon caiu de joelhos, o sangue brotando do ferimento e da boca. Num último esforço, Kanon arrastou-se até onde Saga estava caído e tocou-lhe os lábios com os dedos ensanguentados.

Perdoe-me... irmão... meu amado. – balbuciou Kanon abraçando o corpo inerte de Saga.

O gêmeo mais novo fechou os olhos e adentrou a morte junto àquele que havia sido seu amor e sua perdição.

Shaka voltou-se para Ikki que estava ensanguentado, mas sorria. Estava acabado! A loucura, a vingança, o terror daqueles que não conheciam limites...

— Acho que lhe devo a vida, meu senhor...

A mão de Shaka encontrou-se com a face suada e respingada de sangue. Mas, mesmo no enlevo do gesto, ambos sabiam que não estava terminado. Mesmo sem seus líderes, os homens continuavam a combater sob o domínio de Radamanthys que agora levitava sobre o campo de batalha tendo Afrodite a sua frente.

Por um momento, tudo pareceu ficar sem sentido, um espetáculo horrendo onde a terra tremia, o vento fustigava e a ordem das coisas parecia se inverter. Ikki abraçou-se a Shaka num ímpeto de protegê-lo, enquanto tudo a sua volta era envolta em um redemoinho. Meu amor! Sussurrou ele, unindo os corpos e rezando para que tudo aquilo tivesse fim.

Mu, Kamus, Milo e Máscara da Morte se reencontraram em meio aos mortos e guerreiros que agora corriam apavorados e desajeitados em meio a gemidos e gritos de pavor. O sidhe fechou os olhos e murmurou algo, criando uma barreira de proteção para si e os amigos, mas havia Ikki e Shaka que estavam muito perto do turbilhão. Lembrou-se de Kagaho e chamou-o, em pensamento. Dentro das muralhas de Virgo, o changeling ouviu-o:

“Kagaho! Por favor, precisamos de você. Chame por sua mãe e peça por proteção! Proteja o senhor de Virgo e Ikki no campo de batalha, enquanto eu protejo os outros.”

O garoto havia quebrado o encanto de vinculação do mago negro e isso dava a ele o direito de invocar as fadas, mais especificamente, sua mãe. Por direito, ela deveria conceder-lhe um desejo e ele nunca imaginara fazê-lo. Porém, após desfrutar do afeto de Milo e dos outros, ele sabia que a vida destes homens estava em suas mãos, então ele o faria.

Inspirando fundo e fechando os olhos, Kagaho falou com a linguagem antiga e chamou sua mãe três vezes...

— “Máthair, máthair, máthair... Mé agairt mo ceart. Dheonú dom mian amháin. (Mãe, mãe,mãe... Eu invoco meu direito. Conceda-me um desejo. )”

A figura que se revelou em meio ao aroma de flores e névoa era de uma beleza etérea, porém exalava uma presença terrena, como se fizesse parte de tudo ao seu redor. Os olhos claros e dourados eram grandes para o rosto delicado e pareciam mudar de cor a todo instante junto com os longos cabelos avermelhados que pareciam chamas dançando ao sabor do vento. Os lábios rosados eram cheios e convidativos e se abriram vagarosamente, revelando uma voz forte, porém melodiosa, como se cada frase fosse um verso de uma música...

Kagaho? Bhíonn tú an ceann a agraíonn dom? (Kagaho? És tu quem me invoca?) – disse ela.

Sea, máthair.Tá mé i dteideal a ordú. Tá mé a thuilleadh seirbhíseach d'magician. (Sim, mãe e tenho direito a um pedido. Não sou mais o servo de um mago.) – respondeu Kagaho.

Agus beidh leat é a úsáid chun daoine a chosaint? Cosúil an oiread sin acu a chailleann an deis a bheith foirfe?( E vais usá-lo para proteger humanos? Gosta tanto assim deles para desperdiçar a chance de tornar-se perfeito, voltar a enxergar?)

Foirfe?(Perfeito?)

Tá, foirfe! D'fhéadfadh tú i do chónaí in ár saol ... (Sim, perfeito! Poderias viver em nosso mundo...)

A domhan go idirbheartaíocht iad siúd a rugadh neamhfhoirfe, faoi réir iad chun an tyranny an Magi? No Go raibh maith agat!(Um mundo que negocia aqueles que não nascem belos, sujeitando-os à tirania dos magos? Não, obrigado!)

A fada suspirou e moveu os longos cílios que eram da mesma cor de seus cabelos.

Beidh Thy a dhéanamh, mo mhac (Seja feita a tua vontade, meu filho)

Um minúsculo torvelinho esfumaçado formou-se entre os dois e a fada tomou-o entre as mãos, oferecendo-o ao filho. Kagaho pegou-o com as mãos pequenas e soprou. Depois olhou para a fada que desaparecia em meio a uma fenda luminosa que se abria para um lugar igualmente cheio de luz e deliciosos aromas. Ela não olhou sequer um momento para trás e Kagaho sentiu uma estranha decepção. Mas, logo a sensação se dissipou quando ouviu Aiolia chamá-lo.

— Kagaho! Ajude a levar as crianças e velhos para a passagem. Onde está Shaka?

— Ele voltou ao campo de batalha, meu senhor. Lorde Afrodite levou-o até onde o senhor Ikki está.

Levando a mão aos cabelos, Aiolia xingou baixo e foi até seus poucos homens que já o aguardavam preparados para a segunda fase do plano que consistia em proteger os habitantes de Virgo na passagem que podia tirá-los dali até que a batalha fosse vencida.

No campo de batalha, a natureza convulsionava. Ikki e Shaka sentiam a pele ser fustigada, quase arrancada dos ossos, pelo vendaval e se mantinham juntos enfrentando aquela força desconhecida até serem envolvidos por uma espécie de redemoinho que, de imediato, fez cessar o vento e os deixou confortáveis.

Como se estivessem alheios a todo aquele caos, Radamanthys e Afrodite se encaravam em silêncio. O mago negro exultava, sentindo a energia vibrante do filho, uma força incomum que podia alimentá-lo por muitos anos... Por um instante, ele sorriu ao ver a expressão fechada e tensa de Afrodite. Ele ainda era muito jovem, apesar do imenso poder que possuía. Podia ensiná-lo! Sorver daquela força e ainda assim ele sobreviveria para dar continuidade aquela linhagem especial...

“Enfim, agora somos nós... Alie-se a mim, jovem mago e descobrirá um uso desse seu poder que lhe trará um prazer inominável!” Falou Radamanthys sem mover os lábios.

“Aliar-me a você? Um traidor que usa quem lhe contratou a seu bel prazer? Eu teria de ser muito estúpido ou ingênuo e para o seu azar, não sou nenhum dos dois!” Respondeu Afrodite da mesma forma.

Radamanthys gargalhou e grande parte dos mortos no campo de batalha começou a se mover e levantar como se fossem marionetes comandadas por fios invisíveis.

Sujeira, sangue, carne e odor putrefato preencheram o ar.

“Está falando disso? Destas carcaças que posso comandar num estalar de dedos? Não são eles que me contratam, sou eu que os escolho como meus instrumentos! Virgo e todas as fortalezas com seus senhores fracos serão subjugados a mim!” Disse o mago negro.

Afrodite gesticulou e os mortos voltaram ao chão, amontoando-se numa pilha macabra.

“Orgulha-se disso, necromante? Da simples e abjeta manipulação da morte? Pois eu digo que seu sonho de poder está para terminar!”

“És arrogante, jovem mago... Creio ter que destruí-lo! Uma pena, eu diria, mas vou drená-lo até que implore por misericórdia e então... será tarde demais para você!” — vociferou Radamanthys fechando os punhos.

Uma luz avermelhada surgiu ao redor de Radamanthys e sombras se formaram ao redor dele, como se fossem faixas vivas ondulando e retirando a vida de tudo o que tocava. A grama secou de imediato e onde havia água, esta evaporou. Como tentáculos elas foram em direção a Afrodite que ergueu filamentos de luz ao redor de si. Ambas as forças disputavam como se fossem serpentes gigantescas tentando encontrar um ponto fraco uma da outra.

Por um momento os filamentos luminosos levaram vantagem, mas, aos poucos, a luz foi sendo drenada pelas sombras e Afrodite sentiu seu corpo doer, como se estivesse se estilhaçando em mil pedaços. O jovem mago cerrou os dentes e não gritou, mas Radamanthys podia sentir a forte dor que infringira ao filho e sorria, certo da vitória...

No campo de batalha, todos assistiam a luta entre os dois magos e Máscara da Morte só pensava em um jeito de ajudar aquele que amava. Afrodite era forte, mas aquele mago possuía uma experiência que ele não tinha. Sentia que o jovem mago resistia, mas todos os esforços que já tinha feito e o fato de confrontar-se com aquele tipo de poder sombrio o estava minando, fazendo-o sofrer e isso ele não podia permitir. Não ficaria ali, só assistindo, mesmo confiando que no fim, Afrodite poderia vencer.

Máscara da Morte olhou para o lado e viu uma catapulta abandonada. Seus olhos frios brilharam... A ideia era louca, mas podia dar certo. Tocou o braço de Milo e cochichou algo ao ouvido do loiro. Milo franziu o cenho, porém concordou. Os dois saíram do círculo de proteção de Mu, enfrentando o vendaval acirrado que os obrigava a andar curvados e de mãos dadas.

— Milo! Preciso que me lance no ângulo exato. Temos sorte que a catapulta tá armada, eu só preciso me colocar nela. Me ajude a posicioná-la. – disse Máscara da Morte.

Milo usou de toda a sua força, sentindo os músculos estirando com o esforço. Mas logo, viu-se ajudado pelos outros que, entendendo a intenção de Máscara da Morte, apressaram-se em executar o plano.

Máscara da Morte deitou-se na catapulta com os braços em xis e um machado no meio. Fechou os olhos e inspirou fundo ao sentir a catapulta sendo vergada. Teria apenas uma chance e devia aproveitá-la. A queda seria fatal, mas ele não se importava se sua morte servisse para alguma coisa boa, pra variar. E a vida de Afrodite era muito mais importante que a sua.

— Máscara, tem certeza que quer fazer isso? – perguntou Milo. – Acredito que Afrodite seja tão ou até mais forte que este mago negro.

Os olhos azuis de Máscara da Morte cintilaram e ele fitou o amigo com uma convicção que não precisava de palavras. Ele sentia que Afrodite estava no limite e jamais o abandonaria. Sorrindo, ele disse um palavrão e Milo cortou a corda.

Máscara da Morte foi lançado na direção de Radamanthys numa velocidade surpreendente. O mago negro já se aproximava ainda mais de Afrodite que resistia, mesmo sangrando através dos olhos, nariz, ouvidos e boca.

Radamanthys sorria prazerosamente, preparando-se para atacar com mais força quando um risco em meio às sombras que se desprendiam de si passou por ele torcendo o corpo num giro alucinado, as duas mãos segurando um machado que descreveu uma trajetória ampla encontrando o pescoço do mago negro.

A cabeça de Radamanthys descreveu um círculo completo e voou, envolta em sangue e sombras, até cair no campo de batalha e ser acolhida em meio aos corpos que cobriam o solo. E ali, inerte e com os olhos vítreos, testemunhava seu próprio fim como um troféu bizarro entre tantos ali expostos...

O impulso de Máscara da Morte e o golpe violento o fizeram despencar em queda livre, porém quando achava que ia se arrebentar no chão, uma mão delicada e branca o agarrou pelo braço e quase encostando o rosto perfeito ao dele... Os dois flutuaram em meio à névoa que agora começava a evanescer.

— Afrodite... – disse ele vendo aqueles belos olhos próximos aos seus e tendo a impressão que o tempo tinha parado.

Vamos?— perguntou o jovem mago, como da vez em que Máscara o salvara de ser violentado na fortaleza Branca.

— Vamos! – respondeu Máscara com o mesmo brilho de orgulho e cumplicidade nos olhos.

O ar pareceu formar uma bolha transparente e tangível, envolvendo-os, até que pousassem os pés na terra. Nem bem sentiu o chão sob seus pés, Afrodite inclinou-se para frente e descansou a testa sobre a de Máscara da Morte.

— Quando for fazer isso novamente, por favor, me avise. Quase não consigo resgatá-lo e não suportaria perdê-lo. Eu podia tê-lo vencido, porque não confiou?

Os dedos grossos de Máscara deslizaram gentilmente do belo rosto do mago para a nuca, inclinando sua cabeça em direção à dele.

— Sempre confiei em você, mas jamais o deixaria enfrentar um desafio sozinho. Somos parceiros, esqueceu? Peço desculpas por achar que estes malditos necromantes ficam melhores “sem cabeça”, e espero não ter de repetir essa experiência de tentar voar sem asas... Mesmo tendo a certeza que sempre estarei nessas suas belas e boas mãos. — respondeu o guerreiro.

Mal conseguiu falar antes que os lábios de Afrodite tocassem os seus e ficassem ali, grossos e quentes. Então moveu a cabeça devagar, deslizando os lábios de um lado a outro aprofundando o beijo, sorvendo daquele amor que trazia luz a sua alma e paz ao seu coração...

A fumaça enegrecida começava a dissipar-se. Em meio à fuligem, corpos e gemidos uniam-se numa coreografia ritmada de dor. Aos poucos e ainda um tanto estonteados, todos procuravam voltar ao normal.

Respirar, olhar em volta, cuidar dos ferimentos...

Ikki continuava a comandar a volta para a fortaleza e via Shaka e Aiolia orientando seus homens para o resgate dos feridos e o enterro dos mortos.

Os corvos já revoavam sobre os corpos, alguns, inclusive, já se alimentando das carnes expostas. A terra ferida pelo fogo exibindo um negror que Shaka olhou com tristeza misturada ao alívio de ver que tudo terminara.

A fortaleza havia sofrido poucas avarias e o povo de dentro começava a voltar para suas atividades, principalmente para limpar e reorganizar.

— Acabou! – disse Milo após adentrar a fortaleza, tocando no pescoço que estava sujo e indo em direção ao poço. – Preciso de um bom banho!

Kamus aproximou-se dele, os olhos focados no belo rosto do loiro. Levou as mãos aos ombros de Milo e então falou:

— Milorde, cheguei a pensar que não sairíamos vivos desta batalha. E, ao pensar assim, tomei uma decisão. Jurei a mim mesmo que se escapasse com vida, diria tudo o que realmente sinto e... eu o amo, Milo. Tenho terras perto daqui e gostaria de construir um lar por lá. Aceita viver comigo? – falou Kamus rápido e muito sério.

Milo ficou pálido para em seguida abrir um sorriso largo. O coração acelerado. Os lábios grossos se exibindo como uma tentação forte demais...

— Se eu aceito? Mas é claro que aceito! Eu nunca iria imaginar que um homem como você iria gostar de... Ah, deixa prá lá! Foi você quem pediu, heim? Vai ter que me aguentar para o resto dos seus dias!

Kamus parecia hipnotizado, uma vontade insana de beijar Milo, após toda aquela angústia ardendo dentro de si. Amava aquela alegria, aquela generosidade. Amava-o com todo o seu corpo e seu coração. Porém, antes que ele esboçasse um movimento, o loiro puxou-o para si e beijou-o com vontade, colando seu corpo ao corpo do ruivo. Kamus fechou os olhos e gemeu quando sentiu a língua de Milo invadindo sua boca.

Meu Deus, como eu desejava isso...! Pensou Kamus, enquanto Milo continuava a beijá-lo sem trégua.

Com muito esforço, os dois se afastaram. Kamus ajeitou os cabelos, o rosto afogueado e foi ajudar no que era necessário para o retorno da ordem e Milo viu que Kagaho ajudava com os baldes e corria para todo o lado. O loiro foi na direção do menino e sorriu-lhe, contente por ele estar bem.

— Fico feliz em ver que não se machucou e ainda ajudou bastante. Aliás, vejo que você não cansa! – disse Milo despenteando os cabelos escuros do menino.

Kagaho riu e olhou para o homem que o ensinara o que era sentir-se amado. Mesmo só vislumbrando uma silhueta, ele podia ver melhor que muitos, pois agora seu coração tinha a capacidade de reconhecer a bondade e a beleza que estavam além da estética. Num impulso, abraçou-o com força, fazendo Milo se emocionar.

— Eu o amo, milorde! Nunca vou esquecê-lo, senhor Milo! Nunca!

Milo abraçou o corpo franzino e depois o fitou bem, olhando dentro dos olhos que jaziam queimados.

— Kagaho, eu e Kamus pretendemos viver juntos e... eu gostaria que você fosse com a gente. Eu não falei com o ruivo, mas sei que ele vai gostar também. Afinal, nós dois precisamos de um filho para dar continuidade a nossa linhagem!

— Um filho? O senhor quer... me adotar?— perguntou Kagaho incrédulo.

— Você gostaria de ser meu filho?

O menino sentiu um calor no rosto e estremeceu. Filho do homem que achava o mais belo e o mais forte dali. Aquilo era uma pergunta ou uma benção? Seu coração disparou e ele sorriu, ainda mais.

— É claro que eu gostaria, milorde! Seria uma honra! – disse ele apertando as mãozinhas.

— Então arrume suas coisas. Assim que tudo estiver em seu devido lugar, nós partiremos. – disse Milo tocando o nariz do menino. – Ah, só prá constar: eu também o amo e a honra de ter um filho como você, é minha!

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O pôr do sol atrás deles tinha deixado a luz vívida e alaranjada... Em frente ao túmulo de Dohko, Shaka e Ikki permaneciam em silêncio até que o moreno afastou-se, deixando pai e filho, às sós.

Shaka tocou na pedra talhada e áspera. Heras haviam crescido entrelaçadas e uma flor do campo abrira suas pétalas entre elas. O jovem senhor sentiu-se grato pela visão daquela flor e ajoelhou-se próximo a ela, tocando-a com a ponta dos dedos.

“Se há muito sofrimento, também há sempre alegria e vice-versa. Até esta linda flor algum dia irá murchar e todas as coisas vivas deste mundo possuem um ciclo, não param nem por um momento...”. Você me disse isso um dia, meu pai e eu não compreendi a profundidade de suas palavras. Mas, hoje eu compreendo e aceito... Perdoe-me! – disse Shaka encostando a cabeça na pedra.

“Filho... A morte não é o fim de tudo, a morte é o passo que leva à vida seguinte. Nada, além do amor, é definitivo... Você não teve culpa da minha morte e não deve deixar que ela o impeça de viver com plenitude. Ame, Shaka e ame com toda a força de seu coração. Se entender e se permitir isso se tornará o homem mais perto de Deus.”

Os olhos azuis de Shaka se estreitaram para ver a imagem transparente que oscilava com a brisa morna. Dohko estava junto à pedra, parecendo um pouco com o granito áspero e, ao mesmo tempo, leve e suave como as pétalas da flor. Seu semblante era sereno e amoroso ao estender a mão na direção de Shaka como se quisesse tocá-lo.

— Pai... – sussurrou o jovem estendendo a mão num impulso.

“Eu não tenho muito tempo, filho... Só queria vê-lo, uma última vez e dizer que o amo. Sempre amarei! Adeus, Shaka e medite sobre o que eu lhe disse. Ame! Ame acima de qualquer coisa!”

Lágrimas quentes brotaram dos olhos azuis e uma sensação de paz e conforto instalou-se no coração do jovem senhor de Virgo. Ele ainda andou na direção da imagem do pai, mas ela se desfez, deixando um suave perfume. Shaka não sabia se ria ou chorava, então correu em direção às pedras onde Ikki se encontrava.

Ikki moveu o rosto na direção daquele perfume...

Shaka!

Podia sentir o aroma da pele dele de um jeito inexplicável, como se fosse uma marca em alto relevo, só que em seus sentidos...

Shaka estava sorrindo quando se jogou em seus braços, os lábios abertos, doces e convidativos... Havia um brilho no lábio inferior como se estivesse molhado então Ikki percebeu que era uma lágrima. Sem perguntas, o moreno simplesmente inclinou a cabeça e o beijou, encostando a ponta da língua na lágrima solitária.

— Gostaria de apagar todo o sofrimento que tem dentro de você. – sussurrou Ikki rente aos lábios de Shaka.

— Não há mais sofrimento em meu coração, Ikki...

As pupilas de Shaka estavam enormes e ele vivenciava uma paz e, ao mesmo tempo uma euforia que quase não cabia dentro de si. Mas, ao ver aqueles olhos e sentir a força daquele amor, ele colocou a palma da mão gentilmente contra o rosto de Ikki e acariciou seu lábio inferior com o polegar. Um toque tão leve, mas que fez o moreno estremecer e abrir a boca.

Ikki sorriu e mordiscou o polegar de Shaka, mantendo a leveza até que tudo aquilo os levou a um beijo profundo, ousado e exigente.

Os braços fortes apertavam com força a cintura de Shaka e quando ele se mexeu de leve contra o corpo de Ikki, tocando sua ereção ele gemeu e atraiu-o ainda mais para perto de si. Não via a hora de sair dali e ter Shaka sob o seu corpo...

Há alguns metros dali, Afrodite inspirava o ar perfumado e abria os braços, sorvendo dos últimos raios de sol... Máscara da Morte observava-o, em silêncio, à espera que ele lhe dirigisse a palavra.

— Vamos? – perguntou Afrodite.

— Pra valer? Quer mesmo ir embora assim, sem sequer se despedir dos outros?

— Não gosto de despedidas. E, além do mais, prefiro que se lembrem de mim como o guerreiro mais belo de todos ao invés do mago poderoso!

— Aquilo que fez... O espírito. Você o invocou do reino dos mortos ou...

— Já lhe disseram que certas ilusões e mentiras são verdades que esqueceram de acontecer? As palavras, tudo o que foi dito... eu acredito que Dohko as teria dito se não tivesse morrido tragicamente. E, além do mais, Shaka é o senhor de Virgo e tem ideias magníficas sobre igualdade social e justiça. É bom que tenha a mente e o coração livre de culpas! Ele e Ikki podem construir muita coisa interessante por aqui.

Máscara sorriu. Afrodite sempre fora senhor de si, mas o fato de descobrir-se mago acabou por acrescentar uma deliciosa humanidade a sua personalidade altiva. Tomou-lhe a mão na sua e tocou-lhe o belo rosto.

— Então vamos, caro mio, o mundo nos espera!

A face alva e delicada de Afrodite se iluminou e ele apertou a mão grande e rude que recebia a sua. Os dois buscaram seus cavalos e se embrenharam no mundo, livres e apaixonados como sempre foram e como seriam, eternamente...

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O salão da fortaleza estava cheio e trepidante. Havia música, conversa e risos, algo que já acontecera há muito tempo atrás e que voltava a acontecer agora em meio aos novos projetos do senhor de Virgo.

Entusiasmado, Shaka planejava realizar os sonhos de seu pai que incluíam o cultivo da terra de modo inteligente e de forma que todos gozassem de abundância, saúde e bem-estar. Era um pensamento visionário e contrário ao sistema político e social dominante, porém Shaka arriscaria, tendo ao seu lado homens fortes e justos, dispostos a lutar junto com ele.

A cozinheira e suas ajudantes já começavam a trazer a comida para a enorme mesa onde Shaka estava ao centro, ao lado de Ikki, Kamus, Milo e Aiolia.

O leonino estava inquieto, pois Mu ainda não havia chegado. Será que ele resolveu ir embora sem se despedir como os outros dois? Pensava Aiolia bebendo do vinho forte e aquecido.

Minutos depois, Mu apareceu. Estava vestido de forma diferente, exibindo uma túnica lilás de um tom mais profundo que o dos seus cabelos, que, aliás, estavam presos com uma espécie de laço dourado que caía entre os fios causando um efeito interessante. Ele olhou na direção da mesa central e sorriu. Aiolia sentiu o coração disparar e levantou-se de imediato, pouco se importando se notassem a sua ansiedade. Foi na direção do jovem, parando há alguns centímetros do corpo dele.

— Eu achei que tinha ido embora! – disse Aiolia com os olhos fixos em Mu.

— Não, milorde... Eu jamais partiria sem me despedir.

— Se despedir? Quer dizer que vai embora? – perguntou Aiolia aflito.

— Não, milorde. Sou aquele que se põe a serviço e hoje me coloco à disposição de lorde Shaka como um representante do meu povo para ajudá-lo a construir essa Nova terra. Sou um Sidhe e assim como moldei o aço para a batalha, agora ajudarei a fertilizar a terra.

Aiolia sorriu e tomou as mãos de Mu nas suas. Seus olhos brilhavam e ele sentia uma emoção tão profunda que não podia mais conter.

— Também sou um homem de batalhas e nunca cogitei afastar-me delas. Aprendi a matar muito cedo e confesso que a terra nunca me atraiu. Mas, depois de conhecê-lo e sentir... o que sinto por você, creio que é hora de encerrar minha história e iniciar outra.

Agora foram os olhos de Mu que cintilaram e ele apertou as mãos de Aiolia.

— Eu o amo, milorde.

— Eu também o amo, Mu. Jamais senti necessidade de ficar com alguém como sinto com você.

— Eu também não e desejo estar sempre ao seu lado.

Por um instante, ambos esqueceram que estavam no salão. Mu aproximou-se ainda mais e levou os dedos para enroscá-los nos fios grossos e dourados do cabelo de Aiolia. Sentindo aquela ternura mesclada ao desejo, Aiolia não pensou em mais nada e afundou-se nos lábios do Sidhe, arrancando alguns suspiros e comentários baixos...

Graças à vitória e também à liderança firme e suave de Shaka, não havia espaço para a manifestação de preconceitos dentro de Virgo e todos aceitavam as diferentes formas de amor com respeito e discrição.

O clima romântico fez Shaka sorrir e olhar para Ikki, notando-lhe o olhar faminto. Ainda não haviam comido nada, apenas bebido vinho quente com especiarias e a fome que sentiam não era de comida...

Devagar, e sempre com os olhos fixos nos de Ikki, o senhor de Virgo foi saindo como quem não quer nada, sendo seguido pelo moreno que também não desviava o olhar do jovem senhor. Desde o último beijo trocado, Ikki ardia de desejo por Shaka, queria cheirá-lo, tocá-lo, estar dentro dele...

Subindo a escadaria que dava para os aposentos, Shaka corria e olhava para trás vendo que Ikki vinha logo atrás subindo de dois em dois degraus. Rindo, ele entrou apressado no primeiro aposento que encontrou. O interior estava na penumbra, e a luz fria da lua entrava pela janela aberta. Escondeu-se junto à parede e fechou a porta.

Minutos depois, a porta se abriu em total silêncio. Shaka sentiu um arrepio de excitação e sorriu. De repente, mesmo na quase escuridão, Ikki o encontrou e puxou-o em direção à parede, ignorando as risadas e a força que Shaka fazia para se soltar.

— Pensa que pode se esconder de mim? Esse seu cheiro delicioso o trai, senhor de Virgo... – sussurrou Ikki junto aos lábios de Shaka.

O jovem senhor encontrava-se dominado entre os braços fortes e Ikki puxou-o ainda para mais perto de si, afundando a mão entre os seus cabelos e lambendo os lábios finos, apossando-se, novamente, da língua quente que agora se entrelaçava na sua com volúpia e saudade.

Tocando-se e beijando-se com força e sofreguidão, ambos flutuavam na tênue linha entre a ternura que sempre os levava a fazer amor com calma e o prazer de ousar em um ato mais selvagem. Por um momento, pararam e se encararam e, desta vez, um sorriso se abriu em ambas as bocas.

Shaka sentiu seus pés serem erguidos do chão e gemeu quando as suas costas bateram com força na parede. Preso, entre a pedra fria e o corpo quente e forte, Shaka se deixou despir da cintura para baixo, enquanto Ikki abria os botões da calça, revelando uma ereção, extremamente, desperta e túrgida.

Ele enroscou as pernas nos quadris de Ikki colando o corpo, ainda mais ao dele, fazendo-o sentir que também estava excitado. A cena incendiou o fogo que ardia nos dois e Ikki penetrou-o com força e tão abrupto e profundo que Shaka gritou. De dor, de desejo e de puro êxtase...

Ikki saiu de dentro dele, ficando parado por um segundo. Olhou-o febril e desejoso, mas ainda tentando manter certo controle. Porém, quando viu os lábios rosados de Shaka se entreabrirem em um gemido de prazer, mergulhou ainda mais fundo, tocando-o no ponto do prazer e fazendo-o gemer mais alto quando bateu, novamente, com as costas na parede.

Shaka ofegou e agarrou-se a Ikki... Precisava tanto sentir-se dessa forma... Preenchido por completo, tanto no corpo, quanto na alma. A força do desejo de Ikki, o amor que o redimira da dor da culpa, o corpo que o tomava profundamente e em todos os níveis...

Prazer, frenesi e dor. Queria tudo, bem ali, sem limites, nos braços daquele homem que era o seu paraíso e o sua rendição.

— M-Mais forte... — gemeu no ouvido de Ikki, fazendo-o investir com mais ímpeto para dentro de si.

Ikki gemia e arremetia com violência, sentindo os dedos de Shaka ora, cravarem-se em suas costas, ora enroscarem-se, em seus cabelos revoltos, puxando-os com desvario.

Ele sentiu quando Ikki retesou-se, o rosto transtornado, sentindo o clímax se aproximar, tentando controlar-se, mas não resistindo ao prazer de tomá-lo, profundamente. Gostava de sentir que tinha esse poder sobre aquele guerreiro.

Sentir que ele podia amá-lo e também desejá-lo com a mesma fúria, a mesma intensidade era prazeroso e libertador para o senhor de Virgo...

— V-Vem... M-Mais forte! Ahhhh... Ahhhh... isso, m-me faz...gozar...Ahhhh...! – gritou Shaka com ousadia.

Totalmente entregue ao calor e prazer de sentir-se engolfado por Shaka e por seus sussurros enlouquecidos, Ikki estocou mais forte e rápido, afundando-se mais, enchendo-o com o seu prazer tão profunda e desesperadamente quanto podia.

De sua garganta saiu um gemido alto e longo e ele sentiu seu tórax ser molhado pelo gozo de Shaka que também chegava ao orgasmo. Os dois tremeram, convulsos e se agarraram com força, as bocas se encontrando sem fôlego, o coração batendo violentamente por todos os poros.

Os dois ficaram abraçados, ofegantes e risonhos. O hálito quente misturando-se em mais um beijo...

Shaka sentia a respiração quente de Ikki em seu pescoço e se deixava resvalar para tocar os pés no chão. Também sentiu o sêmen escorrer por entre suas pernas, enquanto Ikki também sentia sua roupa molhada.

Mais uma vez eles se olharam e o desejo febril agora cedia ao amor que os tinha unido desde a primeira vez...

— Eu fui... muito bruto? – perguntou Ikki, tocando o rosto suado de Shaka.

— Foi como eu desejei... – respondeu Shaka sorrindo.

Ikki também sorriu, sentindo-se mais poderoso e forte que se estivesse em uma batalha. Olhando naqueles olhos úmidos e únicos, beijou o homem que amava com uma paixão extasiante e uma ternura comovente... E, ali, nos braços de Ikki e em seu lar, Shaka sentiu-se pleno, amado, saciado, e muito, mas muito próximo de Deus...

FIM

Notas finais
AGRADECIMENTOS ESPECIAIS: SION NEBLINA DEATHMASK E ALEXIA-BLACK pelo carinho, pelos comentários e pela recomendação da fic! Fiquei feliz, honrada e emocionada! DDKCAROLINA, CHAKAL_MALDITO, KERONEKOI, JSCOSTA, DARKYUMI,KASSIMINHA,CIÇADF, VANESSA BRAGA DA SILVA, LITHA_CHAN, HANNAH ELRIC,CRISTAL_BLACK, MORRIGAN E TODOS QUE DERAM UMA OLHADA EM ALGUM MOMENTO, O MEU SINCERO MUITO OBRIGADA! ****mentiras são verdades que esqueceram de acontecer = essa frase foi retirado de um poema de Mário Quintana.