Inocência Roubada

20 Chapitre - Une idée se dégage


Angelique caminhava pelo Castelo de braços dados com Josephine, era o dia de sua partida e aquilo lhe deixava triste.

De repente não era mais a Senhora do Castelo, pois os empregados voltavam a seguir todas as ordens de Lefrebve fielmente e tudo o que ela podia fazer era manter seus olhos baixos para esconder o ódio que sentia estampado neles.

Ódio porque Theodor sequer havia chorado pela morte de seu precioso bebê.

Ódio por ele tê-la sodomizado daquela maneira naquele quarto, ainda que já estivesse acostumada com todas as vezes em que ele cruelmente violava-lhe o corpo causando dor.

E princípalmente, ódio porque ele não queria que ela tivesse outro bebê para que superasse sua perda.

O ódio era tanto que a fazia cravar as unhas contra a própria pele ao ponto de ver o sangue saindo dali.

– Angelique, querida, não adianta ferir a si mesma dessa maneira e deixar que a raiva e a tristeza roubem-lhe a beleza, pois ela é o que há de mais precioso para nós mulheres, nossa maior arma. — disse a mulher mais velha enquanto fitava os olhos da Condessa em uma tentativa de animar-lhe o estado de espírito.

– E de que adianta ser bela se estou amarrada áquele monstro, Josephine? Eu o odeio, com todas as minhas forças. Ás vezes eu queria morrer também, pois também me odeio por ser tão fraca e por não haver nada que possa fazer contra ele porque sou mulher.- disse sentindo os olhos enxerem-se de lágrimas enquanto se abria com a amiga que segurou-lhe pelos ombros em um gesto reconfortante.

– Querida, você não tem idéia do quanto está enganada. Nós mulheres somos fracas fisicamente em relação aos homens, mas não significa que não possamos ser fortes de outras maneiras. Temos que aprender a usar a astúcia e a sabedoria se quisermos vencê-los. Pense nisso. — falou Josephine piscando o olho de maneira cúmplice para Angelique.

– Não entendo, como assim usar a astúcia e a sabedoria? — perguntou achando que seria algo impossível.

Josephine segurou a Condessa pela mão e levou-a até um espelho para que ela fitasse o próprio reflexo.

– Você ainda é jovem, quando me refiro a sua juventude não me refiro apenas a sua idade, mas casou-se com Theodor ainda muito imatura, por isso não soube como lidar com ele e terminou sendo tão intimidada. Talvez o próprio Conde tenha feito essa escolha porque sabia que seria fácil dominá-la sendo assim, mas com o sofrimento vem também o amadurecimento e é disso o que você precisa para adquirir a astúcia e aprender a usar a arma que tem. — disse enquanto acariciava a pele macia da amiga.

Depois afastou-se dali, pois a carruagem já estava para partir.

Angelique acompanhou a Lady até o Jardim onde iria se despedir.

Theodor estava conversando com Gerard quando as duas mulheres se aproximaram e de repente, ao olhar para os olhos esverdeados de Lord Point Du Lake, notou que não era para a esposa que ele estava olhando, pois seus olhos encontraram-se com os tristes olhos azuis da Condessa e Angelique notou que alguma coisa havia acontecido ali, ainda que Gerard tivesse disfarçado logo em seguida.

– Josephine, até que enfim chegou. Eu estava justamente dizendo ao Theodor que pretendo dar outro Baile como o último que demos em breve. Aquela noite certamente foi memorável. — disse educadamente.

Lady Josephine aproximou-se e Gerard segurando seu braço delicadamente como cabia a uma esposa que preparava-se para partir ao lado de seu marido.

– Creio que seja uma ótima idéia, principalmente para Angelique. Nada de passar as tardes no interior desse Castelo, um pouco de música e alegria fará muito bem á recuperação da Condessa. — disse sorrindo com exuberância.

Nem mesmo Theodor a contestaria quando falava daquela maneira tão animada, o olhar que Josephine dirigiu a Ange indicava cumplicidade, gostara da idéia do Baile porque assim poderia tirar a amiga um pouco de dentro daquele Castelo escuro.

– Angelique e eu com certeza compareceremos ao Baile, milady. — respondeu.

O Casal despediu-se dos Lefrebve e subiram juntos na carruagem para deixar as imensas terras de Theodor deixando uma sensação de vazio no coração de Angelique, mas enquanto via a carruagem partir, uma idéia de repente surgiu na mente da jovem garota e o brilho de tristeza de seus olhos foi substituído por um de malícia.

A resposta estivera o tempo todo ao seu lado, agora compreendia as palavras de Josephine e soube exatamente o que fazer para libertar-se das garras de Theodor.

– Vamos entrar, Angelique. — disse o Conde mau-humorado.

A Condessa endireitou as costas e fitou o marido com uma expressão altiva como costumava ver em Josephine sempre que estava em uma roda de jogos e diversões.

– Claro. Theodor. Vamos entrar. — falou estendendo-lhe o braço surpreendendo o Conde com tamanha mudança em seu comportamento e porque foi a primeira vez que ela o chamou pelo nome.

Ele estendeu-lhe o braço enquanto caminhava ao seu lado para o interior do Castelo sem saber o que passava na mente de Angelique.

Ao passar pelo espelho que havia no Corredor, sem que Theodor percebesse ela fitou o próprio reflexo sorrindo para si mesma pensando que seu plano poderia ser arriscado, mas ainda sim era sua única chance. Precisava arriscar, pois não poderia passar a vida toda sofrendo daquele jeito.

Por hora tudo o que precisava fazer era pensar nos mínimos detalhes, aperfeiçoar-se cuidando de suas armas para então executá-lo logo que chegasse o dia do Baile na Casa dos Point Du Lake.