Inocência Roubada

4 Chapitre - Une conversation avec Lenore


O canto dos pássaros que anunciava o amanhecer levou também o terror a suas portas.

Chegara o grande dia em que sua pequena Ange iria se casar com o Conde Lefebvre.

Isabelle permanceu sentada no divã azul cabisbaixa aguardando ansiosa a entrada da costureira e o vestido de casamento de sua filha. Sentiu um desejo tão forte que quase lhe partiu em dois a alma e o coração. Nesse segundo se tornou impossível respirar.

Moveu a cabeça para clarear a mente e então outro sentimento envolveu -lhe que recordava seu verdadeiro objetivo.

O que tinha sustentado através da dor e o sofrimento desde aquela tarde de setembro em que seu esposo Lord Le Blanc havia aceitado o pedido de casamento.

-Santo Deus por que a demora? — disse afoita levantando-se do divã.

A pequena Angelique brincava com suas bonecas em um canto juntamente com sua ama Lenore, mas um dos criados da casarão bate de leve na imensa porta de madeira,chamando a atenção de todas.

Isabelle caminhou com passos rápidos na direção da porta, assim que abriu pode notar a velha costureira com sua bolsa cheia de agulhas e uma de suas ajudantes segurando o imenso pacote onde estava o vestido de Ange.

-Milady, à de perdoar minha demora pois foram motivos muito íntimos. — disse a costureira antes fazer a reverencia.

Isabelle mostrou um sorriso desesperado no rosto, mas logo abriu caminho para que a costureira adentrasse ao salão privado, a velhota solicitou que sua ajudante colocasse o vestido pendurado proximo a janela, a anfitriã da casa respirou fundo. Acabaria sua tarefa rapidamente e se ocuparia de assuntos mais importantes. A menina Angelique logo se levantou e caminhou na direção onde estava sua mãe e a costureira.

-Mas como é pequena, tens uma altura mediana. — disse coçando o queixo, logo se virou na direção de sua ajudante e disse. — Devemos fazer alguns ajustes pois creio que ficará grande.

Isabelle arregalou os olhos azuis, era impossivel tudo acabaria em uma grande festa de Horror, ela virou -e na direção da costureira que sem notar continuou seu trabalho ajustando os tecidos para experimentar na garota.

-Pronto madame. — anunciou a jovem ajudante de cabelos ruivos e revoltos.

Isabelle sorriu para si, contente de que o êxito ficasse tão apertado que acabaria adiando o casamento. Ordenou as aias que saíssem com um gesto e, quando fecharam a porta, respirou fundo. Quando a costureira se aproximou Ange ficou inerte assustada com as enormes agulhas que ela segurava, sua ama Leonore se aproximou para acalenta-la de forma materna.

-Vamos minha querida, não irei lhe machucar. — disse a costureira.

A pequena caminhou com passos receosos, Lenore acompanhou encorajando-a enquanto sua verdadeira mãe Isabelle tinha deixado a sala para ir tomar um ar fresco antes que pirasse de vez com todos aqueles preparativos do casamento.

Rapidamente a costureira começou colocando na garota um espartilho para comprimir sua barriga que não havia, o tecido adornava as curvas que começavam a se formar no corpo ainda infantil. Os olhos da pequena Ange pareciam brilhar de dor por causa da peça, com a ajuda de sua serviçal a velha costureira começou a colocar os tecidos seguintes do espartilho, eram de pura seda.

Lenore observava atenta os movimentos e a angustia estampada no fragil rosto de Angelique, os ventos fortes que anunciavam o inverno rigoroso daquele ano eram um presságio de azar evidente, a pequena Ange logo estava em seu vestido de noiva, parecia um anjo imaculado em seu adorno, sem demoras a costureira solicitou para uma das aias irem chamar a milady Isabelle.

Ao ver a filha pronta, arrumada e penteada, a mãe não pôde deixar de pensar que ela se parecia com um anjo e sentiu os olhos se enxerem de lágrimas ao imaginar que ela logo seria entregue a um demônio como o Conde Lefebvre, mas logo secou as lágrimas com um lenço para não demonstrar o que sentia para sua pequena filha, não queria que Ange ficasse mais ansiosa do que já estava.

- Está linda, minha filha! — elogiou abraçando Angelique com cuidado para não desarrumar seu penteado e logo as mulheres se dirigiram para a carruagem que as leveria até a Igreja onde seria realizada a cerimônia.

Enquanto estava sentada na carruagem que fazia o enorme trajeto dando a impressão de que não chegariam nunca, Angelique recordou-se da conversa que havia tido com Lenore na noite anterior e um novo medo tomou conta de si além do pavor de deixar sua família, seu lar e tudo o que conhecera para viver com aquele estranho Conde.

- Ange, quero que prometa guardar segredo sobre essa conversa, seus pais não devem saber que lhe contei essas coisas, mas é melhor que saiba antes de se casar para que não se assuste na noite de núpcias. — dissera a ama enquanto ajudava-a a vestir a camisola.

- Prometo que vou guardar segredo, Lenore, mas do que se trata? É alguma coisa ruim? - perguntou a menina com ar de inocência enquanto penteava o cabelo de sua boneca, sabia que aquela seria a última vez que aquilo lhe seria permitido, uma vez que estivesse casada não poderia levar suas pequenas preciosas.

Lenore deu a volta afim de fitar os belos olhos de sua menina. Embora fosse apenas uma serva naquela casa, criara Angelique desde que era apenas um bebê e por isso gostava da menina como se fosse uma filha.

- Bem, eu não diria ruim, mas sim incômodo. Trata-se do que acontece com as mulheres depois que elas se casam, é o que todo marido faz com sua esposa, quando os dois ficam a sós após o casamento. - explicou Lenore.

- O que eles fazem? - perguntou Ange curiosa.

- Você, assim como todas nós mulheres, possui uma parte do corpo muito íntima que aprendemos a não mostrar para ninguém. Essa parte do corpo é essa abertura que temos no meio das pernas. Acontece que com os homens é diferente, invés de uma abertura eles têm outra coisa bem diferente. — disse Lenore e a menina arregalou os olhos.

- Como assim diferente, Lenore? — a curiosidade da pequena Ange aumentou, pois ela não conseguia imaginar como poderia haver algo de tão diferente no corpo masculino.

- É uma parte do corpo que é protuberante, grande como se fosse uma serpente. Quando um homem se casa com uma mulher, ele coloca essa parte dentro da abertura da esposa na noite de núpcias e seus corpos ficam completamente unidos. - explicou Lenore.

- Essa parte, entre as nossas pernas? Mas isso não dói? Deve machucar! Não quero que o Conde Lefrebve faça isso comigo. — disse a menina.

Lenore segurou na mão da pequena Angelique para acalmá-la, a menina era muito inocente, mas nesse ponto não apenas por causa de sua infantilidade, pois Lenore já era vivida e já ouvira relatos de moças mais maduras do que Angelique que não tiveram informação sobre o que acontecia na noite de núpcias e por conta disso viviam verdadeiros horrores quando se casavam por estarem despreparadas.

Considerou que se Angelique soubesse o que lhe esperava talvez fosse menos pior para ela.

- Dói apenas no começo, mas vai se acostumar e depois não irá doer mais. Todas as mulheres passam por isso, minha criança. Mas não precisa pensar nisso até lá, deve concentrar-se por hora em ficar bem bonita para subir ao altar. — falou a ama.

Ali na carruagem,Angelique pensava naquilo e sentia arrepios, agora não tinha mais sua boneca para apertar contra o peito, então o jeito era concentrar-se na cerimônia.

Ao chegarem na Imensa igreja, Lord Le Blanc ajudou sua filha a descer notando o quando ela estava bonita e sentindo-se orgulhoso

Logo entrava com ela ao seu lado e por debaixo do tecido fino do véu que usava, Angelique pôde ver seu futuro esposo ali no final bem perto do altar aguardando-a em seus melhores trajes festivos. Assim que Lord Le Blanc passou-lhe o braço entregando-a no altar, o Conde Lefebvre pensou uque seria ainda naquela noite que finalmente saciaria seu desejo e a jovem Angelique seria sua.