Inocência Roubada

12 Capitulo - La douleur et le plaisir


Na volta do Baile, quando Angelique desceu da carruagem notou os olhos com ar de deboche de Adeline e a jovem sentiu seu ódio pela criada crescendo dentro de si, faziam alguns dias que sentia que era cada vez mais difícil a convivência com aquela mulher odiosa, era nítido que Adeline a odiava e esse sentimento começava a tornar-se recíproco.

O enorme relógio estilo vitoriano tocou as dozes badaladas,o Conde Lefrevre, enquanto estava sentado em uma das cadeiras Luís XVI com estofado de veludo, olhou para sua jovem esposa e percebeu que talvez houvesse alguma coisa de muito estranha na pequena face de Ange quando estava próxima de Adeline.

Era evidente o rancor que emanava da menina.

A chuva começou a cair contra as vidraças, e o céu estava sombrio. Assim que a criada havia terminado de ajudar sua senhora a se vestir se retirou.

Angelique entrou na sala e se curvou numa cortesia que falava silenciosamente de um misto de fúria.

– Algo lhe incomoda ,pequena Ange? – questionou-a enquanto coçava o queixo.

Ela fungou novamente sem fazer nenhum comentário, Lefebvre pegou a pequena xícara de porcelana do pires, permaneceu com um olhar fixo e analítico sobre a menina que estava sentada na macia cama.

–Raios! Vamos me conte o que esta acontecendo! – vociferou impaciente depositando a xícara de volta sobre a mesinha e canto.

Ele levantou -e, Ange arqueou uma sobrancelha em expectativa enquanto ele caminhava para perto da janela com ar pensativo. Para alivio da menina ele não iria lhe perturbar naquela noite.

–É Adeline, meu senhor. – ela balbuciou impaciente enquanto retorcia ambas as mãos – Ela me incomoda, trata-me mal e sente inveja de mim.

Angelique decidiu dizer a verdade sobre o quanto a criada lhe incomodava.

Os olhos azuis de Lefebvre se estreitaram em um tom sombrio. Pelo menos não tinha contado sobre os encontros de sua criada no depósito que ficava atrás da cozinha.

Seu rosto se aqueceu, mas ela não conseguiu afastar da sua memória a visão da forma com que Adeline a tratava. Era como um alivio.

– Deseja castigá-la? – questionou-a com um olhar gélido e distante.

Castigá-la! Não seria uma má idéia, um olhar incrédulo apareceu no rosto de Ange. Estava se transformando em um monstro igual ao Conde, ela balançou a cabeça. Tais idéias não cabiam sob aquelas circunstâncias. Mas desejava de alguma forma fazer Adeline sofrer.

– Sim, desejo. – anunciou trêmula com um olhar penetrante.

Sua voz era como uma pedra dura, sua atenção recaiu nas possibilidade de aliviar sua dor e seus medos na criada, ele levantou se era notável seus lábios se curvarem em um sorriso sádico cheio de lascívia.

-Dessa vez não irei cobrar, há tempos essa criada merece uma lição, deseja açoitá-la com suas próprias mãos? – balbuciou.

Ela apertou os lábios em uma linha dura. Seu rosto escureceu-se com ira antes que tivesse chance de responder. Apenas concordou com um gesto de cabeça. Seus pequenos olhos azuis brilhavam.

Sua expressão se nublou ainda mais com aprovação. Ela podia ver seu temperamento oscilante em seus olhos agora. Um músculo se contraiu em sua mandíbula, traindo-a enquanto ela permanecia calada.

Ele não esperou por uma resposta. Seus dedos fizeram um gesto a chamando.

Ange sabia que aquela proposta não iria lhe sair tão barata, quando se trava do Conde era improvável saber se ele estava dizendo a verdade.

Seus pensamentos poderiam ser maus, mas ela não poderia negar que esse fora uma dos efeitos que estava refletindo no Conde. Sabia que não passava de apenas um brinquedo para um marmanjo igual a ele, mas até os objetos tem seus desejos.

Era isto a excitação? Machucar os outros para seu auto-prazer.

Na verdade ela queria, mas a que custo? Precisava se concentrar no futuro depois que rendesse sua inocência, que havia sido bruscamente violada pelas mãos sujas do Conde.


Logo Adeline entrava novamente no recinto mantendo a cabeça baixa.


– Deseja mais alguma coisa, senhor? — perguntou a criada de maneira respeitosa com o Conde.


– Sim, acompanhe-nos. — ordenou o Conde e olhou para Angelique nos olhos dando a entender de que ela deveria ir com ele também para um lugar que Angelique não fazia idéia de onde seria.


Durante o caminho a jovem Condessa percebeu que não estava indo para um lugar onde já tivesse estado antes no Castelo, ficava na parte debaixo onde era ainda mais escuro e sombrio. Apertou a manta que estava usando sobre a camisola contra o corpo para se aquecer, pois o lugar era frio e úmido.

Tamanho foi seu horror ao perceber que estava em uma Masmorra, um lugar usado pelo Conde com a finalidade de castigar seus escravos.


Adeline sentiu um frio na barriga, pois já imaginava o que lhe reservava, o Conde segurou-a com violência pelo braço e prendeu-a em algumas correntes que pendiam do teto.


– Por favor, Senhor, tenha piedade! — implorou quando notou que seria castigada imaginando os motivos.


Será que a pequena Angelique havia contado ao Conde sobre os encontros noturnos ás escondidas?



Theodor aproximou-se de Adeline e rasgou-lhe as vestes com um único puxão, deixando-a com a pele vermelha e as costas nuas, expostas.

Os olhos azuis de Angelique arregalaram-se ao notar que haviam marcas nas costas da criada, indicando que não era a primeira vez que Adeline era açoitada, certamente já foi castigada antes.


O Conde colocou um açoite na mão delicada de Angelique.


– É assim que se segura um açoite. Vamos, Angelique, fique a vontade, ela é toda sua. — falou indicando as costas da criada com um gesto com as mãos como quem oferece um saboroso banquete.


De frente para a criada, Angelique exitou, paralisada com aquele açoite na mão.

Jamais havia batido em alguém além de suas bonecas de porcelana, várias vezes imaginou-se torturando e castigando Adeline pela forma com a qual ela a tratava, mas nunca havia pensado que ali pessoalmente fosse tão estranho.

Ao ver que a esposa demorava, o Conde sentiu-se impaciente.


– Vamos Angelique, foi você quem quis castigá-la, perturbou-me para vir até aqui, então faça. — disse com impaciência e chegou mais perto dos ouvidos da menina. — Faça ou eu farei com você.


Diante daquela ameaça, Angelique sentiu medo e também raiva ao lembrar-se de todos os maus tratos que sofrera nas mãos do Conde desde que chegara ali. Segurou mais forte o açoite e então deu o primeiro golpe contra as costas da criada que trincava os dentes permanecendo calada.


O primeiro golpe foi fácil, porém sem força o suficiente, deixou apenas uma linha levemente avermelhada. Angelique deu o segundo.


– Mais forte, Angelique! Bata com força! — disse o Conde atrás da garota que ao ouvir a motivação, pôs mais força no braço.


Dessa vez conseguiu que um filete de sangue aparecesse nas costas da mulher. Bateu mais algumas vezes até que seu braço começou a doer sentindo-se cansada. Só então parou com a respiração ofegante.


– Está satisfeita, Ange? — perguntou Lefrebve observando o cansaço da menina. Sua expressão era de divertimento, pois havia se divertido ao ver Angelique torturando a criada.


– Estou. — respondeu a menina com a respiração acelerada e gotas de suor contra o rosto devido ao exercício.


– Podemos ir dormir então. — declarou o Conde virando-se de costas caminhando de volta para o quarto.



Notas finais
Oi, queremos aproveitar pra agradecer a leitora TempGirl que nos deixou uma linda recomendação nessa fic, isso nos deixou muito contentes assim como também as rewiews que vocês tem deixado.
Beijinhos
Dessa & Candace