Notas iniciais
Foi difícil escrever isso, culpa do meu irmão ele me desafiou ( disse que eu não conseguiria da na mesma) xinguem ele não a mim

_Acordem

Vou despertando letamente, os olhos da Mei inda estão inchados de tanto chorar e não faço menor ideia de quanto tempo dormir mas, meu corpo dolorido apenas me faz pensar que não foi tempo suficiente

_Bom Dia, a senhorita por favor poderia deixa-lo dormir. Sonhos podem ser melhores que a realidade.

_De fato, porem já temos que comer

Obrigações, prefiro definhar de fome. Podia ter simplesmente morrido esta manhã se não fosse o fato de ter de vingar essas meninas, meu amigo e mim mesma.

Levanto e me as sigo ate um cômodo, sem mesas ou cadeiras. Celina entrega paes já preparados para cada um de nos.

Nunca comi desta maneira pratica é estranho , comer com a mão no chão e tendo com quem conversar, Lyon parece se atrapalhar tanto quanto eu chega a ser um pouco divertido ver-nos assim

_Vocês dormiram bem ontem?

_Na medida do possível

_Lyon, Samanta vocês tem alguma noticia da minha mãe desde que eu desapareci?

Os tons das vozes sempre carregados de melancolia lembrando o quão lúgubre e patético são nossas existências neste resinto.

_Ela foi na escola com policiais esta bem preocupada seu paradeiro

Ele nunca parece triste, sempre tão calmo e tão racional como consegue? Não sentir nada, como é possível? Talvez sinta e apenas não demonstre.

_Carmelita, como você veio para aqui?

Pela primeira vez em toda a conversa permito que palavras saiam da minha boca

_Eu, estava andando de bicicleta na rua e fui meio que atropelada, fiquei calma quando vi quem era e ele me convenceu a entrar no carro dizendo que levaria para casa. Eu dormi no banco e acordei aqui

_ E vocês senhoritas?

Eu já conheço as historias de Mei e Celina, Lyon não e elas também desconhecem a nossa

_Eu queria ser modelo, este era meu sonho de infância. Certo dia talhando na loja com minha mãe um homem bem incrível chamado Edgar apareceu em nossas vidas e com o tempo foi se tornando amigo intimo da família. Edgar vivia me dizendo sobre como eu era linda e seria uma modelo incrível, alimentado meu sonho bobo até o ponto de me convencer a fugir com ele em segredo para uma metrópole. Pode parecer estúpido eu tinha oito anos e as palavras dele soavam tão verdadeiras

_Comigo foi um pouco diferente. Ele usou o nome de Evandro e sempre dava ótimos presentes para mim e meu irmãozinho dizendo que me lembrávamos sua falecida família, o viúvo que era ótimo vizinho e todos admiravam. Era época de natal quando ele me disse para que fosse sem contar a ninguém em sua casa quando a noite caísse e foi o que eu fiz. Uma pancada forte na cabeça e quando eu recobrei a consciência essa era minha nova vida.

Historias comoventes de crianças ingênuas traídas pelo cruel destino.

_Qual idade você tinha?

_Que indelicado Lyon

_Eu preciso saber, eu quero entender ele para poder salvar vocês.

_Tinha 9 anos

_Não diga essas coisas sobre nossos planos Lyon

_Mas o que eu disse sobre nossos planos ?

_Esta dizendo sobre eles

_Que planos?

_Não é nada Carmelita é apenas uma coisa para nos livramos dessa prisão.

_Posso ajudar

_Não diga a ela dos nossos planos, pare de falar com ela sobre isso

Ele coloca a mão em meus ombros e sacode forte meu corpo para frente e para traz em um movimento muito indelicado

_NÃO ESTOU FALANDO NADA DOS NOSSOS PLANOS

_ESTA SIM E NÃO FIQUE ME SACUDINDO

_NÃO ESTOU TE SACUDINDO

Chuto a sua perna, e começamos um leve combate corpo a corpo que consiste em muitas cambalhotas e gritos sobre quem esta certo e quem não esta. Por fim acabamos rindo escandalosamente de nossa própria infantilidade mas, eu estou certa.

_Qual é o plano de vocês

_Por enquanto nenhum, mas eu vou libertar vocês e vingar cada uma de suas lagrimas, por que eu não sou um demônio

_Eu vou matar ele de uma forma bem cruel por que... Eu quero

_Não tem como ter liberdade, houve outra menina que pensou assim quando eu cheguei.

_Outra menina?

As palavras saíram de nossas bocas juntas, tenho a impressão de que aquela menina que a Celina esta falando veio primeiro que ela e foi libertada.

_Houve outra menina Celina?

_Quando eu cheguei ela já vivia aqui a anos, me disse que eu a lembrava de sua irmãzinha e que me protegeria. Clarissa tentou um ataque e...

Ela cobriu os olhos e tentou controlar o choro falhamente.

_O que aconteceu com ela?

_Sua cabeça ficou na ponta da cama por muito tempo

Ela não conseguia se acalmar então a abracei e com ajuda da Mei levamos a para o quarto. Como o tempo, entre soluços, Celina acabou por adormecer.

Lagrimas, dor, tristeza... Com que tipo de ser está lidando? Que criatura cruel poder dormir bem a noite tendo culpa de todo este sofrimento? Bárbaro invencível

_Carmelita, Mei vocês querem jogar um jogo comigo e com o Lyon?

_Nos não temos jogos aqui Samanta.

_Tudo bem é algo que eu e ele inventamos juntos, o jogo "Sem Fim". Lyon vamos jogar "Sem Fim" com as meninas?

_Tudo bem, explicou para elas como funciona?

_Ainda não, mas, não é algo de difícil compreensão.

_Eu explico então, eu vou controlar o jogo já que não temos as cartas e vocês vão criando situações duelos e magias tudo por conta própria, vence quem matar o deus.

Como princesas e guerreias combatendo em duelos míticos totalmente imaginários, espadas encravadas em peitos de dragões, sangue de demônios sobre as nossas peles, magias. Tudo como se estivéssemos em outro mundo vivendo de verdade e apenas este deslumbre já é o suficiente para que possam brotar despreocupados e calmos sorrisos nos lábios infantis das meninas a minha frente como se daquele modo não fosse insuportável viver enjaulada .

Enjaulada, até mesmo o ar que me cerca tem cheiro de prisão ou simples falta de liberdade que suga as esperanças dos seres aprisionados .

Por que não consigo parar de pensar nisso? Todos estão distraídos brincando e eu me remoendo de ódio por dentro? Porque não consigo sorrir quando todos parecem esta se divertindo tanto?

Segurando lagrimas em meus olhos marejados enquanto todos soltavam sorrisos tão leves e cheios de paz.

Mei pega alguns pedaços de pizza frios e comemos sem para o jogo , Celina se junta a nós.

Até Celina que geralmente é tão preocupada e triste estava a se divertir com as historias que inventávamos , sobre nossa própria casada a um deus. Caçadoras de deuses a matar qualquer criatura que se ponha em seu caminho.

Nosso universo alternativo onde todas éramos forte o suficientes para enfrentar qualquer um que se coloque entre nossos objetivos . As assas batendo e toda a multidão gritando por nossos nomes, destruindo inimigos e impostores, derrubando muralhas e mesmo sendo apenas molecas tínhamos o mundo inteiro a nosso domínio.

O sopro gelado e a voz surrando ao meu ouvido, faz com que um frio percorra minha espinha e minha feição seja tomada por um certo semblante de medo , pavor e desprezo.

_Me espera na porta um segundo.

Meu pulso e do Lyon são segurados e somos arrastados até o outro quarto, do fim do corredor. A porta é fechada com prendendo naquele cômodo meu melhor amigo.

_Você sabe bem o que tem ali? Não sabe meu anjo?

_Claro

Miserável desgraçado o que machucando o Lyon novamente ? Não foi suficiente o que já foi feito antes?

_Aquilo foi sua culpa, ele sofreu bastante. Você gosta quando ele se machuca?

_Não, por favor, deixa o Lyon em paz. Não o machuca de novo não!

_Eu não vou machucar seu amiguinho se você se comportar

_Eu prometo, vou ser boazinha se você não machucar o Lyon

Eu não posso permitir que ele se machuque em meu lugar. É algo que ninguém nunca tira de mim, essa coisa que me faz proteger quem eu amo independente do que eu tenha que sofrer com isso jamais permitirei que alguém se machuque em meu lugar. Uma questão de honra !

_Então você não vai fazer escândalos e nem ficar reclamando? Se for uma boa menina eu não machuco o Lyon porem se não for ele se machucara muito e tudo por sua culpa

O que eu fiz? Desculpa-me Lyon , nunca tive intenções de te envolver nisto mas, agora você esta envolvido e eu vou te proteger. Vou proteger todos a qualquer custo.

_Então o que tem a disser sobre isto? Vai ser boazinha comigo?

_Se você não machucar o Lyon

_Isto depende de você, me siga. Quando terminarmos você pode soltar ele, vou deixar a chave na porta.

Os passos ecoando pelo corredor, bati minha cabeça contra o braço dele quando foi abrir a porta.

_Deite-se naquela cama e me espere um segundo.

Meu coração esta batendo muito forte, sinto o medo percorrer-me completamente. Está escuro eu não ver nada, mas, escuto os passos dele voltando para o quarto e sinto uma mão gelada e escamosa acariciado meu braço.

Meus olhos cheios de lagrimas e meu corpo imóvel. Estou com muito medo e quero sair deste local o mais rápido possível, correr para debaixo da cama e ficar escondida mas, se eu o fizer o Lyon ira se machucar. Preciso ser forte para o bem dele, para o bem de todos.

As mãos enormes vão acariciando enquanto tiram cada uma das minhas pesas de roupa, permaneço calada apenas tentando controlar soluços, e vão arranhando meu corpo.

Estou com medo, muito medo, mas, tudo bem vai ficar tudo bem eu só preciso ficar calma. Ficar calma que tudo vai ficar bem.

O corpo pesado contra o meu, me esmagando, está pesado e machuca. Sinto uma língua percorrer meu pescoço, e ela invade minha boca e o gosto daquela saliva acida se fundindo ao das minhas lagrimas .

As mãos abrem espaço entre minha perna apertando as coxas com força, e ou grito se torna incontrolável em meus pulmões mesmo tendo o Lyon como refém e vitima da minha incompetência.

_PARA!PARA!

As palavras são sussurradas ao meu ouvido como se pudessem me acalmar, na verdade só aumentam meu medo e desespero.

_Isso vai ser tão bom para mim quanta para você querida, eu a amo.

Meu corpo é invadido por uma parte do dele rasgando com força minha carne ainda mais profundamente a cada movimento violento.

_ESTÁ MACHUCANDO!!PARA!PARA! ESTÁ DOENDO!DEIXA-ME EM PAZ!!

Esta doendo, muito, muito. Para isso dói, eu não gostei dói.

Minhas mãozinhas agarram os que encontram com força tentando falhamente amenizar a dor de ter meu corpo fendido por este imundo, partido-se ao meio e sendo rasgado por dentro por este imundo demônio

Posso senti-lo movimentando-se dentro do meu corpo, minhas coxas são pressionadas com muita força e por mais que empurre o corpo dele, não sai de cima do meu .

_ME LARGA!!POR FAVOR!!ESTÁ DOENDO MUITO!! PARA,PARA!!

Meus gritos são ignorados, meus socos imperceptíveis, não tenho defesas. A cada movimento ele penetra mais fundo em corpo e rasgando-me. Minhas pernas, não as sinto, minha barriga sinto tudo doer.

Ele se ajoelha e começa a puxar meu corpo contra o dele tentando encontrar mais espaço para si dentro de mim

Machuca muito, é insuportável. Eu não aguento tanta dor concentrada em um local apenas, eu vou morrer.

Ele puxa-me para a ponta da cama, estou esgotada e toda a voz que se forma em minha garganta sai de minha boca como um fraco e inaudível gemido de desespero.

Suas mãos apertam com força meus braços e todo seu peso, é ainda mais pesado do que no inicio, sobre meu corpo e enfia sua língua na minha garganta, não tem nem forças para impedir isso.

_Foi gostoso meu anjo? Eu sei que você adorou, podemos fazer isso mais vesses outra hora agora tenho que ir

Não, isso foi a pior coisa que eu já fiz em toda minha vida. Eu... Eu...

As lagrimas que sobraram continuam a rolar pelas minhas bochechas avermelhadas. Meus pulmões parecem que romperam meu peito com os espasmos de todas as vesses que o ar entra em meu corpo descompensadamente.

POR QUE ELE FEZ ISSO?MACHUCOU-ME TANTO? EU QUERO IR PARA MINHA CASA! ACORDAR DESSE PESADELO REAL. QUERO MINHA VIDE DEVOLTA!

Um rio de lagrimas volta a correr pela minha face, sem que eu possa quebrar o silêncio com minha voz e meus gritos fiquem ecoando apenas disponíveis aos meus ouvidos .

Nunca, nem em meus piores pesadelos, pensei que seria desvirginada de uma forma tão violenta, dolorosa e agressiva.

Os lençóis estão encharcados com meu sangue e lagrima, o ar a minha volta parece uma gaiola.

Permaneço calada subindo ao ódio, sinto-me como uma estrela que perde todo seu brilho para o poder compressor e esmagador de um buraco negro

Fico sentada me apoiando na parede. Minhas pernas vermelhas com as marcas de formato perfeito das enormes mãos que a apertaram, minha virilha ensanguentada e inchada o ilíaco ao menos deve ter rompido com a força e brutalidade dos movimentos, contudo eu não permiti que ninguém se machucasse.

O Lyon, eu tenho que soltar ele.

Tento ficar em pé, mas, minhas pernas não suportam o peso de meu corpo exausto e caio no chão.

Puxo minhas roupas e cubro meu corpo tentado evitar que a roupa toque minha pele, ela esta sensível e dolorida ao mais sensível dos movimentos.

O Lyon ainda esta trancado, me apoio na parede e vou a usando para caminhar.

Tenho dificuldades hercúleas para movimentar minhas pernas e cada passo é estafante de forma indescritível.

Abro a porta e sinto os braços dele apertando meu corpo em um abraço pelos poucos segundos que o um gemido rouco escapa pelos meus lábios

_Você esta bem Sami?

_N...

Minha garganta esta doendo e de tanto esbravejar minha voz esta falha e inaudível

Viro-me e volto para o quarto ainda me arrastando pelas paredes vagarosamente.

Ele esta bem e seguro, não é são e salvo, mas, é uma condição aceitável para se estar. Saber que eu pude poupa-lo de sofre já faz toda dor ter um motivo.

Minha garganta falha em produzir sons durante a primeira e segunda tentativa, tento fazer com que minhas pernas se encontrem o menos possível.

_Você quer tomar banho?

Respondo com a cabeça pegando a toalha da mão de Carmelita, ela aponta a porta bem escondida sobre as malditas cores

Ficar em pé é quase impossível, ajoelho-me no chão enquanto as gotas gélidas de água percorrem meu corpo.

Pego e esfrego com força a esponja contra minha pele, queima e arde, mas, o cheiro dele está impregnado nela.

Eu preciso me livrar desse cheiro, não o quero em mim. Esse cheiro maldito que me impede de esquecer o que aconteceu.

Algumas partes do meu braço e tronco estão bem avermelhadas, pego a toalha e envolvo meu corpo.

Se houvesse alguma faca, adaga ou qualquer coisa com lamina por aqui eu poderia apenas arrancar toda a minha pele e esquecer tudo o que aconteceu mas, não existe nenhuma lamina a meu alcance.

Impedia ate de esquecer, crápula maldito vou arrancar seus olhos e te fazer come-los ainda vivo!

Minha alma esta tão gelada que poderia me resfriar com ela, meus olhos e mente tão vazios quanto corpo de uma guitarra acústica.

Coloco uma roupa qualquer estúpida que aquele filho do capeta faz agente vestir e subo lentamente cada degrau dando tempo para que a dor permita me movimentar

Os olhares antes mortos das meninas agora parecem tão sensatos, quantas vezes elas não suportaram essas dores? Quantas vezes não tiveram que passar por isso?Como conseguem viver desta maneira?

O mundo nos esqueceu e provavelmente este é o local onde nossas vidas terão fim, descartáveis brinquedos nas mãos de um estúpido que não consegue enxergar quanto sofrimento causa, ou talvez saiba e não se importe com isso. Como é possível dormir a noite com isto na consciência? Talvez não a possua, doente maldito.

Agarro o travesseiro e começo a chorar

_Sami não chora eu vou te proteger. Enquanto estiver do meu lado nada de ruim nuca vai te acontecer

_Obr...

O som não consegue sair por completo.

E quando eu não estiver ao seu lado? Tão vulnerável quanto estive no momento em que meu corpo foi maculado, permanecer assim é inaceitável.

Eu posso estar fraca como um cristal partido e sensível como as cinzas de uma folha queimada mas, eu vou ficar forte para proteger todo mundo e proteger a mim mesmo.

Prefiro a dor de me despedaçar a deixa-los assim.

Que sejam levados meu sangue, lagrimas e voz que eu seja torturada, estuprada e que a força da minha dor se torne exorbitante existe uma questão de honra que eu jamais poderei ignorar.

Honra é a coisa mais importante e não permitirei que a minha seja levada, independe do quão insuportável se torne este pesadelo jamais desistirei de protegê-las e vingarei cada uma das lagrimas tomando da face os olhos de quem as fez existir, isto é uma promessa as estrelas a qual eu definitivamente honrarei .

Pelas estrelas, pela honra, por Lyon e pelas meninas eu darei um fim ao reinado de horror daquela criatura besta-fera.

Continuo presa a esta dualidade entre meu suplício e meu dever forte de proteger os que não o podem fazer sozinho e acabo por adormecer com estes pensamentos na cabeça.



Notas finais
Alguém passou mal? Enjoou? Eu consegui escrever a cena direitinho?