Inocente
10 Capítulo X
Notas iniciais
O fim dessa é aqui,como eu tinha determinado desde o início...o plano era eu fazer toda uma continuação da fic da Meilyn,mas aconteceu que eu perdi o ânimo e fiquei parado por seis meses,até levar uns puxões de orelha e continuar...e tenho medo que isso aconteça de novo,então acho melhor parar por aqui.
Porém,antes disso...aqui vai a conclusão da fic.A decisão de Nami,o caminho pro futuro...tudo está se encaminhando.
Here we go!
- Nami?Você tá bem?
Nojiko esperou alguns momentos por uma resposta de Nami,mas não recebeu nada.Pensou em chamar de novo,mas não adiantava...nada podia tirar sua irmã do devaneio.
Nojiko estava preocupada.Era acostumada com os momentos em que Nami parecia aérea...e,adivinhando o que acontecera na noite de Ano Novo,até esperava que as coisas ficassem assim,mesmo após eles terem voltado pra casa,e retomado toda a sua rotina habitual.Mas havia algo de diferente.Nami estava aérea,porém o ar não era o suspirar apaixonado que Nojiko esperava...havia algo de dúvida,algo de angústia,que ela não conseguia entender.
E nem poderia entender mesmo.Pelo menos,ainda não.
*******************
- ...eu?Eu ir com você?
Mesmo após repetir isso,Nami ainda não acreditava.O que Ace estava sugerindo era uma completa loucura!Imagine,apenas ir embora...estar sem os familiares por perto...apenas...por ir.
Ele não podia estar falando sério...ou podia?
- Sim. — disse Ace — Eu te disse...eu não deveria estar te falando isso.Mas...eu não posso aguentar.Eu sinto que eu tenho que ir...mas não quero me separar de você.Eu...eu tinha que te fazer essa proposta.
Nami ficou silenciosa.Não fazia sentido,ele não podia estar falando sério!Ele iria dizer a qualquer momento que era brincadeira...que não iria querer seguir em frente nessa loucura,nem pediria para ela acompanhá-lo...
Mas então,por que ele não falava isso logo?E...por que,ao imaginar isso,não parecia uma loucura tão grande,desde que estivesse com ele?
- Mas como você vai fazer?Como vai viver?Aonde vai ficar? — Nami começou a disparar essas perguntas,na esperança de achar algo que o fizesse desistir
- A gente se vira,não é coisa de outro mundo. — disse Ace — Tem albergues,a gente acha lugar pra ficar no caminho.Vários mochileiros fazem isso.E a gente pega trabalho temporário,de um só dia...procurando,a gente sempre acha.O Law já foi em várias viagens do tipo,passou várias coisas pra nós...e vai também.A gente dá nosso jeito.
- Esse plano não me parece seguro.Você não está pensando muito.
- É esse o ponto,Nami. — ele a encarou — Não quero pensar muito.Nós não pensamos muito agora,não é?
Ela desviou o olhar,vermelha.
- Nami...
Ele tocou seu rosto com a mão,e lentamente fez com que ela voltasse a olhá-lo nos olhos.
- ...vem comigo.
Ela ficou inebriada enquanto mirava seus olhos...parecia haver um fogo que nunca pararia dentro dele,uma chama que o impulsionava de cabeça nos seus ideais,sem pensar...ela nunca o convenceria a não ir.
Mas...e se ela fosse com ele?
*******************
Nami pedira um tempo pra pensar.Ace disse que tudo bem,que ainda demorariam uns dias...mas que ela precisava dar a resposta em no máximo cinco dias,pois após isso era o dia combinado da partida deles.Curioso é que Ace nem pediu a Nami pra guardar segredo...provavelmente sabia que ela entenderia que ele não queria que contasse para ninguém.E,com efeito,não contara nem para Nojiko.Quando contou à irmã sobre a noite de Ano Novo,falou vagamente,nem disse com detalhes o que eles haviam feito,dando a parecer que não acontecera nada de mais (embora,é claro,Nojiko tenha deduzido os detalhes corretamente).Porém,Nojiko era inteligente,e conhecia bem a irmã.Sabia que havia algo de diferente,ainda que ela não quisesse dizer o que era.
Nami pensara muito durante esses dias que se passaram.Indiscutivelmente,era uma grande loucura o que Ace estava lhe propondo.Sair de casa sem ter destino fixo,apenas vagar por aí,sem um terreno firme aonde se escorar...
Porém,não podia ser isso o que ela mais queria?Amava a mãe e a irmã,mas a perspectiva da liberdade era incrivelmente sedutora...
E Ace estaria com ela.
O dilema a estava afetando de modo perturbador...já haviam se passado os dias que Ace pedira,e amanhã era o dia da partida dele.Tinha que dar a resposta a ele hoje,e já passavam das quatro da tarde.
E agora?
Sem perceber,começou a andar,até alcançar a rua...até que,ao chegar,viu Luffy sentado na frente de sua casa.A expressão estava muito triste,e os olhos vermelhos e inchados,como se tivesse acabado de chorar.
Aquilo despertou Nami,em partes.Não era comum que Luffy ficasse assim.O que havia acontecido?
- Luffy? — ela chamou,assim que chegou perto
- Ah,oi,Nami. — ele respondeu,sem muito entusiasmo.A voz parecia rouca,como se tivesse gastado a garganta de tanto chorar
- O que houve? — ela perguntou
- Quê?N-n-não...não houve nada,Nami.
- Não tente me enganar,eu te conheço.Desembucha,o que foi?
Ele respirou fundo,e olhou para Nami.Sua expressão ficou ainda mais triste,parecia prestes a começar a chorar novamente.
- O Peixinho morreu. — ele disse
“Peixinho” era o nome do hamster de Luffy.Era engraçado que um hamster tivesse o nome de “Peixinho”,mas isso aconteceu porque,antes dele,Luffy tivera um peixe cujo nome era “peixinho”,e quando comprou o hamster,deu o mesmo nome que o peixe,em homenagem.
- Ah...Luffy,que pena. — ela disse,sem saber muito o que dizer para confortar o amigo — Como ele morreu?
- Lembra do tapete que eu deixei na gaiola dele?
- Ahn...tapete? — Nami estranhou
- Você viu,aquele imã de geladeira que caiu.Eu achei que ficou bonitinho como um tapete pra ele,então deixei por lá mesmo.Você estava junto.
- Ah,sim... — provavelmente,Nami estava devaneando,então nem soube de nada
- Ele roeu o imã.Aí...aí... — Luffy recomeçou a chorar,como uma criança pequena
Nami suspirou.Aquilo parecia tão ridículo...mas ela havia aprendido que era uma questão de ponto de vista.Que para Luffy,era realmente muito triste que seu hamster tivesse morrido por uma burrada dele.
- Luffy... — ela começou — Ele está em um lugar melhor agora.
- Onde,no lixo?Vovô também chorou muito,mas disse que não tinha jeito,que tinha que jogar ele no lixo.E dentro de uma caixa de papelão.
Até Garp chorou?Realmente aquele velho era uma criança grande...
- Não é isso...você sabe,quando a gente morre,só o corpo fica pra trás.O espírito vai pra bem,bem longe...vai embora,pra um lugar melhor que esse aqui,aonde ele vai continuar seguindo em frente.Aqui,ele vivia naquela gaiola pequena,e o único brinquedo dele era aquela rodinha (que,aliás,eu já te disse que deixa os hamsters burros)...ele está melhor agora.
- Mesmo sem os amigos?
- Mas ele ainda tem os amigos.Ele está longe...mas quem disse que ainda não está de olho em você?Só esperando que você enxugue as lágrimas e siga em frente?Que ame outro animalzinho como amou ele?Que sorria,como você fazia quando dava queijo pra ele comer escondido do Garp-san?
Luffy ficou em silêncio,os olhos esquadrinhando o céu.Então,mesmo em sua tristeza,sorriu seu sorriso infantil.
- Você tem razão.Logo,logo,vou encontrar um novo Peixinho.Acha que seria legal se o Peixinho Terceiro fosse um cachorro?
- Prefiro gatos.
- Mas chamar um gato de Peixinho é a mesma coisa que chamar uma criança de Lasanha.
Nami riu,Luffy riu.Então,tranquilamente,enquanto viam o céu começar a ficar vermelho,Nami puxou Luffy e fez com que ele deitasse em seu colo,num gesto de carinho de irmã.
- Nami?
- O quê?
- Você nunca vai embora,não é?
Nami se calou.Essas palavras a atingiram com um baque surdo e supremo.Era justamente isso que a atormentava tanto nesse tempo que passara...ela queria e não queria ir embora com Ace.O que faria?
Até que,enfim,compreendeu.
*******************
Ace estava sentado no banco da praça,fumando um cigarro.Já era o início da noite,e ele estava esperando que alguma ideia o ajudasse na música que estava criando.Porém,era difícil se concentrar...ainda estava nervoso com a resposta de Nami.
Quando contou a Sabo o que havia proposto a Nami,ele pensou que Ace enlouquecera.E,de fato,até Ace pensava assim: uma coisa era eles “fugirem” por aí.Já tinham quase dezoito anos.Enquanto Nami possuía apenas catorze.E,desde o início,Ace sempre disse que não iria se ligar dessa forma a ela...que iria viver bem com o momento,mas saber a hora de parar.E isso só mostrava que,definitivamente,ele não sabia a hora de parar.
Se Nami estivera confusa esses dias,Ace esteve tanto quanto ela: não sabia se queria ou não que Nami aceitasse sua proposta.Não sabia o que exatamente sentia por ela.Estava mais perdido do que nunca,e às vésperas de tomar uma atitude radical como ir embora sem dizer para onde iria...o que fazer?
- Ace,pare de fumar.Vai fazer mal pra sua saúde.
Finalmente,Nami apareceu.Pegou o cigarro de Ace e,apagando-o no banco da praça,jogou em uma lixeira que havia ali perto.
- Sua mãe fuma. — Ace retrucou
- Ela também deveria parar. — Nami rebateu
O silêncio que se seguiu disso foi constrangedor.Mesmo Ace,tão seguro na maioria de suas atitudes,não sabia como começar agora.
- Nami? — ele perguntou,após um longo momento — Você pensou no que eu te propus?
Ela suspirou profundamente,como se tivesse todo o peso do mundo sobre seus ombros.
- Eu pensei,Ace.
Novo silêncio.Havia uma tensão forte no ar.Os dois estavam com medo desse momento,embora Nami parecesse decidida.
- Ace...eu gosto muito de você.De verdade,o que eu mais queria era vir até aqui,te olhar nos olhos...e dizer que sim,que eu vou com você até o fim do mundo,que não vou sair de perto de você...
Ele a olhou.Ela baixou a cabeça,a voz pareceu ficar mais pesada.
- Mas...mas... — parecia difícil para ela falar
- Você não vai,não é?
Ace completou,a voz parecendo autenticamente triste com isso.Ela ergueu a cabeça,o olhou nos olhos,as lágrimas quase transbordando.
- Eu não posso,Ace.Eu não posso ir embora...e não é por achar que é loucura,que não daria certo,que não conseguiríamos viver...e nem porque tenho medo...tudo bem,eu morreria de medo,mas estaria tudo bem se eu estivesse com você...mas eu tenho responsabilidades aqui.Não sei o que seria da minha mãe,da Nojiko,do Luffy,se eu fosse embora...eles não iam ficar só preocupados,eles não iam aguentar de jeito nenhum.Eu ia fazer eles sofrerem muito...e seria só porque não quero ficar longe de você.Você tem seus motivos de querer fazer isso,e mesmo não concordando,sei que são importantes...mas o meu motivo é você.E...não seria justo fazer isso com eles por esse motivo.
Ace suspirou longamente,meteu a mãos nos bolsos e olhou pro céu.Inspirou profundamente,parecendo se recompor da notícia que,no fundo,já esperava.Então,olhou Nami nos olhos.
- Ace...me desculpe,por favor.Eu queria muito ir com você.Eu...
- Nami...tudo bem. — disse Ace — Eu entendo.
Porém,ela notou que havia uma grande decepção na voz dele...não como se ele a recriminasse por essa escolha.Apenas...puro pesar e tristeza.
Sem notar,os dois estavam abraçados.A praça aonde estavam não era muito longe de casa,alguém conhecido poderia até ver os dois juntos,mas não se importaram.Se apertando forte um de encontro ao outro,os dois se beijaram longamente,uma urgência enorme tomando conta dos dois.Já sentiam o grande impacto da distância,sabiam da falta que sentiriam um do outro...sabiam que esse momento colocaria uma bifurcação definitiva na vida deles.Nada mais seria como antes...ironicamente,Ace havia decidido se envolver com Nami para evitar que um momento assim acontecesse com ela.Mas não adiantava.Uma despedida sempre era triste,sempre haviam lágrimas para ambos os lados...os corações doíam muito.
A manhã seguinte foi brindada com um grande escândalo que foi um choque para todos,exceto para Nami.Ace e Sabo haviam ido embora,deixando para suas famílias apenas uma carta explicando os motivos de terem ido...dizendo que amavam muito eles,mas que precisavam daquele momento.Que não se preocupassem,que eles estavam bem,e que não aconteceria nada de ruim com eles.Mas todos se exasperaram e se desesperaram: queriam correr atrás da polícia,queriam achar eles de qualquer jeito.
Garp chamou Nami para conversar a sós,e interrogou-a minuciosamente: disse que sabia do envolvimento dela com Ace,e que tinha que saber aonde ele estava.Que Ace era o neto amado dele,e que ele não podia deixar isso de lado e apenas deixá-lo fazer o que quiser.Que Ace era irresponsável e sem juízo,e que poderia acabar tendo problemas sérios com isso (como se Nami não soubesse).Embora um tanto embaraçada com a situação,pois Ace não havia lhe contado que Garp sabia sobre eles,e também comovida e com pena de Garp,pela preocupação pela qual estava passando,ela não sabia para onde Ace tinha ido,e mesmo que soubesse não o contaria: por pior que fosse,era a decisão dele.Garp custou muito a acreditar,mas teve que aceitar afinal,embora Nami não tivesse lhe contado que Ace a chamara para ir junto.Embora Bellemere gostasse muito de Ace e,na verdade,já tivesse feito coisas semelhantes quando era jovem,esse ato com certeza seria demais para que ela aceitasse: sem dúvida,ela afastaria Ace dela definitivamente se soubesse que ele chegou a chamá-la para empreender junto com ele essa jornada louca.
O dia se seguiu tenso...mas ninguém soube nada de nenhum deles.Nami mal conseguiu dormir aquela noite...em silêncio,no escuro da madrugada,ficava imaginando aonde ele estaria...e como seria se ela estivesse com ele agora.Embora discordasse,podia compreender esse sentimento...uma ânsia por tudo e por todos,por viver sem pensar,quebrar todas as regras...sofrer as consequências de seus atos por si só,viver sem arrependimentos...parecia ser uma vida perigosa,mas maravilhosa a cada momento em que se passa...ela perdeu sua chance.Agora,Ace estava longe...será que ele estava pensando nela?Será que ele estava olhando pra trás,como ela,e pensando em como seria se ele tivesse permanecido ali junto dela?
Tais pensamentos embalaram sua madrugada,e ela não conseguiu dormir nada.Desceu para o café da manhã quando achou que já era tempo suficiente para que pensassem que ela havia dormido.Só Bellemere estava acordada,fumando e olhando o dia que amanhecia.
- Nami?Acordada tão cedo? — perguntou ela,ao ver a filha descendo as escadas
- Não estou com sono. — disse Nami,abrindo a geladeira pra pegar leite
Bellemere apenas assentiu com a cabeça.Enquanto colocava o leite em uma caneca,Nami olhou para a mãe e perguntou:
- Mãe,você já pensou em parar de fumar?
- Quê? — Bellemere estranhou — Não,por quê?
- Você deveria parar.
- Por que isso,agora?
Nami não respondeu.Apenas abaixou a cabeça e começou a misturar café com o leite da caneca.
- Nami...você está mal porque o Ace fugiu,não é?
Nami olhou pra mãe surpresa.Ela a encarava com um olhar sério.
- Bom...é claro,né? — ela respondeu
- Não tente disfarçar,Nami.Eu sei sobre vocês dois.
O coração de Nami parou por um segundo.
- Como assim? — ela perguntou,a voz trêmula
- Vocês,jovens,se acham tão misteriosos e espertos... — Bellemere suspirou e soprou fumaça para o ar — Eu espero que,quando você tiver a minha idade,você seja tão esperta quanto pensa que é agora.Eu já tive sua idade,Nami.Eu sei das coisas.
- Mas... — Nami começou
- Nami,não se preocupe.Eu não vou te colocar de castigo,te proibir de se aproximar de algum garoto,nada disso.Eu confio em você.Só queria que você confiasse um pouco em mim também.
Nami abaixou a cabeça.Realmente,escondera muita coisa de Bellemere...agira de forma irresponsável também,assim como Ace.E,mesmo agora,o olhar sobre ela era de uma leve mágoa,por Nami não ter confiado nela...não parecia brava,ou nada do tipo,mesmo com Ace tendo fugido sem dizer aonde ia.Isso a fazia ter remorso...
- Nami. — Bellemere suspirou — Eu sei que você está magoada...sei que é algo marcante.Sei que você gosta muito dele...mas a vida continua.As coisas tinham que ser assim.Agora,é o momento mais difícil...mas você tem que seguir em frente.
Nami não gostava do tom de sua mãe...fazia parecer que havia acabado tudo entre eles.
Mas...não acabara?
Ela não sabia quando ele iria voltar.E,de qualquer jeito,nem tinha razões pra saber se as coisas continuariam como estavam...tudo soara como uma despedida definitiva.Mais do que uma simples mudança geográfica,era uma mudança de universo.
Nami engoliu o choro que começava a se formar,o mesmo que a atormentara a noite inteira.
- Acha que algum dia ele vai voltar? — ela perguntou,enfim
- É claro. — disse Bellemere — Essa fase rebelde é só isso,uma fase.Ele ama muito todos nós.Ele vai voltar,sim...e quando ele vai voltar,você vai ter prosseguido com sua vida,e ele vai ter prosseguido com a vida dele,mas vocês serão tão amigos quanto eram antes.
Amigos...essa palavra doía no coração.Ele fora tão especial para ela,e agora tudo havia terminado desse jeito...
Nojiko acordou pouco depois,e as três tomaram café da manhã.Querendo arejar a cabeça,decidiu sair,andar um pouco...as aulas começariam novamente no dia seguinte,e teria muito com o que se distrair.Mas a dor era muito grande no momento...
Sem notar,seus pés a levaram até a mesma praça aonde haviam se despedido.Se sentou sobre aquele mesmo banco...será que ainda era possível sentir o cheiro dos dois corpos se atritando,naquela ânsia de aproveitar um momento que se sabe que está prestes a acabar?
Seu celular começou a tocar nesse momento.Automaticamente,sem prestar atenção no que fazia,Nami o atendeu.
- Alô?
- Que voz de sono,Nami.Não dormiu direito essa noite?
O coração de Nami deu um salto.
- ACE?!?!
- Em carne e osso. — Ace riu,do outro lado da linha
- De onde você está ligando?
- É melhor eu não te falar,senão o vovô e a Makino vão te pressionar pra contar.Mas estamos bem,seguros,não aconteceu nada com a gente.
- Quem está aí com você?
- O Sabo e o Law.Mas os dois estão ferrados no sono.A festa depois do show de ontem foi demais pra eles.
- Festa?Show?
- Ok,estou sendo otimista demais.Tocamos algumas músicas em um boteco,pra ganhar uns trocados,e depois disso os dois encheram a cara.
- Hum... — o tom de Nami era de desaprovação — E você?
- Alguém tem que ficar sóbrio pra dirigir...
Além de tudo,Ace estava dirigindo o carro de Law sem ser maior de idade...por que será que ela ainda se surpreendia?
- Como você está,Nami?
- Eu?Bem...
Por um momento,ela se sentiu indignada.Todos estavam preocupados com eles,ela estava tão deprimida,e ele estava festejando?Por um momento,não sabia o que dizer,parecia prestes a xingar ele.
Até que a voz de Ace ficou mais séria:
- Eu sei...eu sei como você está.Me desculpe.
Nami ouviu um suspiro do outro lado da linha.
- Nami...eu liguei porque eu estava sentindo muito a sua falta.Todo momento,eu imaginava como seria se você estivesse aqui.Mas...não sei.Acho que você fez a escolha certa.Você não é uma perdida como nós,que não consegue sossegar de jeito nenhum,que vive correndo atrás de algo que não sabe o que é.Você não é besta que nem a gente.
Ela silenciou.Estava pendurada em cada palavra que Ace dizia.
- Nami...eu... — ele ia falar algo importante,dava pra notar por seu tom de voz...mas,no fim,acabou mudando de assunto — Bom,estou ligando pra avisar que eu estou bem,que nós estamos bem...avise o pessoal aí pra não ficar preocupado.Estamos bem,não fomos roubados nem nada do tipo.
- Tudo bem,eu aviso.Estão todos mesmo preocupados com vocês.E... — em um segundo fugaz,Nami entendeu o que Ace estivera prestes a lhe falar agora há pouco,mas não conseguira...e se sentiu prestes a dizer o mesmo — Ace...eu...
Porém,as palavras não saíam...sentia como se isso fosse lhe causar um grande arrependimento.Como se isso fosse impedi-la de seguir em frente,como Bellemere queria.
- Não fale nada,Nami. — disse Ace,adivinhando seus pensamentos — É melhor assim.
Um bolo se formando na garganta,Nami assentiu.Então,se lembrando que Ace não podia ver seu rosto,disse “Tudo bem”.
- Ace...algum dia você vai voltar? — ela perguntou
Ele silenciou por um momento do outro lado da linha.Então,riu:
- É claro que eu vou voltar.Quando eu terminar de percorrer meu caminho,e você tendo percorrido seu caminho por todo esse tempo,vamos nos encontrar novamente...e vamos ser mais amigos do que nunca.
Era estranho...mas algo no tom de voz de Ace era diferente de Bellemere.A palavra “amigos” não parecia tão dolorida agora.Muito pelo contrário,apesar das lágrimas,Nami estava sorrindo.
-Sim.Demore o tempo que quiser,mas não se esqueça de voltar,tá?
-E acha que vocês vão se livrar de mim tão fácil?
Os dois riram.
- Ok,eu tenho que ir,Nami...tou te ligando de um orelhão,e em menos de meia hora estaremos longe daqui,então avisa que nem adianta tentarem rastrear a ligação.
- Tá bem.
- Fique bem,Nami.
- Você também,Ace.Beijo.
- Outro.Até um dia.
Então,a ligação se encerrou.Nami estava sorrindo,coisa que ela não imaginava ser capaz de fazer anteriormente,mas agora era claro em seu rosto como se sentia.Agora entendia...Ace fora um divisor de águas.Agora,seu mundo se dividia em dois: o mundo antes de Ace,e depois dele.E o mundo que viria depois dele seria tão ruim?Ele fez muito por ela,eles dividiram momentos lindos juntos...mas eles sumiram?Não...ficariam para sempre em sua memória.E outros momentos também viriam...o que houve até agora era uma pintura linda,mas o futuro era uma tela em branco,que ela pintaria com cores ainda mais belas,uma pincelada de cada vez.
- Nami!!O Zoro,o Sanji e o Usopp chegaram!!Vamos jogar RPG!!
Era Luffy que a chamava.É,o futuro iria começar...mas antes disso,ela se permitiria uma tarde livre de preocupações com seus amigos.
- Já estou indo! — ela guardou o celular no bolso e correu na direção de Luffy
Notas finais
See ya!
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