Inocente
4 Capítulo IV
Notas iniciais
Bom,aqui vai mais um...essa fic inteira,na verdade,é só a introdução da continuação alternativa da Unschuldig,por isso vou tentar apressar as coisas,e fechar a fic com no máximo sete capítulos...estou correndo pra poder pelo menos encerrar essa fic aqui.Mesmo que depois eu acabe me desanimando com a continuação alternativa,pelo menos vou ter terminado a Inocente (cara,eu realmente não gostei desse título...mas agora já era).O que acontece é que geralmente eu escrevo feito um maluco e depois que paro dificilmente consigo voltar ao ritmo anterior,acabo escrevendo mais por obrigação do que por prazer...então,pra evitar que isso aconteça,vou correr o máximo que posso aqui.Mas fazendo um trabalho de qualidade.
Bom...aqui vai.
A viagem foi tediosa e longa.Quase doze horas dentro de um carro com Nojiko e Bellemere no banco da frente,Nami se sentia o tempo todo entediada.Mesmo com o rádio ligado,e Bellemere toda hora tentando puxar conversa com as filhas,nada disso ajudava muito.Cada assunto morria em vinte minutos no máximo,após o qual só restava observar a estrada.
Cansada e entediada,Nami lançou o olhar para a frente,aonde,um pouco mais adiante,estava o carro aonde estavam Garp,Makino,Sabo,Luffy e Ace.Makino foi dirigindo,aparentemente com medo que Garp pudesse causar um acidente se,no meio do percurso,tentasse bater em alguns dos garotos.E,realmente,parecia que aquele carro estava em qualquer situação,menos tedioso (Nami se horrorizou umas duas vezes em que um braço grosso e forte apareceu fora da janela,segurando Luffy e ameaçando jogá-lo pra fora,enquanto o garoto esperneava).
– O que você tanto olha o carro deles,Nami?
Nami despertou de seu devaneio,com Nojiko falando com ela.
– Não é nada. — respondeu Nami – É só que...bem que poderíamos ter ido todos juntos numa van,ou coisa parecida.Eles devem estar se divertindo muito lá.
– Está nos chamando de chatas,sua pirralha?! — perguntou Bellemere – Ora,se está com tédio,invente algo pra se distrair.Por que não cantam “A Árvore da Montanha”?
– Mãe! — exclamou Nami,indignada – Não somos mais crianças!
– Está bem,se prefere ser uma adulta cheia de tédio... — disse Bellemere – Mas a única adulta de lá é a Makino,o resto é um bando de crianças.Até o Garp não passa de um crianção em corpo de velho.
– Isso não é verdade! — protestou Nami – O Ace não é!
– Como não? — perguntou Nojiko – Ele é igualzinho o Sabo e o Luffy,e vive trocando socos com o Garp...você vai na casa dele todo dia e não nota uma coisa dessas?
– Eu adoro aquele garoto,ele é um bom rapaz...mas é um descabeçado sem juízo,e um crianção igual o avô,não dá pra negar. — disse Bellemere
– PAREM,VOCÊS DUAS!PAREM DE FALAR ASSIM DO ACE!
Nami gritou,mas um segundo após isso,estava tão surpresa com isso quanto Nojiko e Bellemere.Porém,após isso,as duas explodiram em gargalhadas.
– Por que está defendendo o Ace tanto assim,Nami? — perguntou Bellemere,enxugando as lágrimas de riso do rosto
– Será que a Nami está apaixonada? — perguntou Nojiko,cheia de malícia
Nami enrubesceu.Isso bastou para uma nova rodada de gargalhadas de Nojiko e Bellemere.
– N...não!Eu não estou apaixonada pelo Ace!É só que...ele...ele não é assim! — disse Nami,se atrapalhando com as palavras,mas finalizando com ênfase e fazendo bico
– Minha garotinha está crescendo... — disse Bellemere,ainda com ar de riso
– E tem bom gosto. — disse Nojiko – O Ace é mesmo um gato...
– Parem com isso! — disse Nami,cada vez mais vermelha
– Ok,ok,chega disso. — disse Bellemere – Nojiko,pegue o Black Album aí no porta-luvas.
Nojiko colocou no CD player o álbum do Metallica,e o assunto morreu como os outros assuntos discutidos antes disso.Nami se deitou no banco de trás do carro,e fechou os olhos.Assim que o fez,e começou a ouvir os acordes da guitarra,se lembrou daquele momento...
Já fazia uma semana desde aquela tarde em que Ace a beijou.Nos dias que se seguiram,Nami se sentia constrangida demais até para olhar para Ace,quanto mais conversar com ele.Felizmente,Ace também não ficava tanto em casa,começara a sair com muito mais frequência,geralmente junto de Sabo.Os dias voltaram ao normal para as férias,e Nami deixara de convencer Luffy a chamar todos para sua casa,de modo que passaram a ir para a casa de Zoro.Com a perspectiva de ficarem fora duas semanas,acharam melhor mesmo aproveitarem o máximo possível de tempo com seus amigos.
Nami não se entendia.Nunca fora tímida.Podia não ser a pessoa mais experiente no assunto,mas também não era uma garotinha inocente: já dera seu primeiro beijo,e o segundo,o terceiro...o jogo da sedução se revelou divertido para Nami,sempre mantendo a liderança quando fazia a cabeça dos garotos que a interessavam.
Mas por que não conseguia fazer nada disso com Ace?Por que se sentia tão constrangida após um beijo que fora pouco mais que um selinho,a ponto de nem conseguir olhar em seus olhos?
Mas por que Ace fizera aquilo?Se lembrou do momento que aconteceu.Ace estava conversando com ela,quando de repente se aproximou,e após um tempo a beijou.Mas,logo após isso,a encarou e disse:
– Me desculpe.
“Por que ele se desculpou?” pensava Nami,confusa “Ele não queria me beijar,agiu conforme o momento,e pediu desculpas porque não queria me magoar?Por quê?”
Nami se sentia confusa demais,e certamente não ajudava ouvir aqueles acordes da guitarra de James Hetfield tocando “Enter Sandman”,e imaginando Ace tocando...
“Ace...por quê?No que você está pensando agora?” pensou Nami,de olhos fechados
Ao contrário do que Nami pensava,Ace ficou tão confuso quanto ela após o ocorrido.
Desde o começo daquele estranho jogo,Ace mantivera na cabeça o pensamento de que não encostaria um dedo sequer em Nami.Ela era mais nova que ele,mal saíra da infância,se alguém descobrisse que ele fizera algo a ela,ele com certeza seria tachado de pedófilo,pervertido,entre outras ofensas.
Porém,perdeu o controle naquela tarde.
Depois que Sabo voltara do banheiro e não encontrou Nami ali,perguntou a Ace o que acontecera,e notou algo de errado com ele.Porém,como Ace insistiu para que se concentrassem nas músicas,Sabo deixou isso de lado.
Apenas na véspera da viagem que fariam,de noite,quando ambos saíram para ir ao shopping encontrar alguns candidatos a vocalista,Ace expôs toda a siuação a Sabo.
– Poxa,Ace,eu não conhecia esse seu lado... — disse Sabo,com ar de riso – Eu sei que a Nami tá crescendo,tá criando corpo de mulher...mas pedofilia não combina com você.
– Cala essa boca,Sabo. — respondeu Ace,furioso
– Tá bem,tá bem,já parei.Agora,sério...por que você fez isso?
– Sei lá... — disse Ace,pensativo – Eu nem planejei nada,só queria mostrar pra ela a música que a gente tava fazendo...aquela palheta que eu tava usando,foi ela quem me deu.
– Sério? — perguntou Sabo,erguendo a sobrancelha – Agora faz sentido,eu tava mesmo me perguntando porque você tava usando,se eu nem sabia que você gostava de L'Arc em Ciel...
– Eu não gosto. — respondeu Ace
Sabo riu.
– Ace,não vá me dizer que...
– Não,Sabo.Não estou me apaixonando por ela,ou coisa parecida. — respondeu Ace
– Eu nem ia falar nada disso,cara...
– Claro que ia.Acha que eu não te conheço?
Sabo riu novamente.
– É,você tá certo...bom...e vai fazer o que,agora?Vai beijar ela de novo?
– Não sei.
Sabo suspirou.
– Cara...pensa da seguinte forma.Se não pode fazer mal,só pode fazer bem.
Sabo disse isso,e imediatamente Ace raciocinou.Sabo tinha certa razão...sim,haviam vários riscos nisso.Como ele sempre pensava,se alguém descobrisse sobre isso,ficaria mal falado.Também não tinha intenção de brincar com os sentimentos de Nami,e se visse que ela estava se prendendo demais,conversaria com ela e acabaria com tudo.Está certo,se isso acontecesse seria uma decepção para ela...mas era melhor que a primeira decepção da vida fosse com ele,que gostava muito dela,do que com um panaca que não ligasse a mínima pros sentimentos dela.
Ace sorriu.Está certo...seria uma experiência tranquila,ele a levaria a ir descobrindo pouco a pouco a adolescência,ir crescendo e amadurecendo aos poucos.
– Sabo...só uma coisa.
– Que é?
– Esse lance de “Se não pode fazer mal,só pode fazer bem”...você disse “O que não mata engorda”,com palavras diferentes.
Os dois riram.
– Verdade...mas achei melhor falar com outras palavras.Vai que você levava a sério e comia ela hoje mesmo?
Ace deu um soco forte no braço de Sabo.
– Ai!Droga,Ace!
– Você é um babaca,sabia?Para de falar merda!
– Então me dá um cigarro.
Ace riu,e tirou o maço do bolso,entregando um cigarro para Sabo e colocando outro nos próprios lábios.Em seguida,sacou o isqueiro e acendeu ambos.
Sabo tossiu.
– Mas é uma bichinha...- disse Ace,rindo – Quase morre de tossir,e continua insistindo em fumar...
– Ah,cale essa boca...você fuma há quanto tempo?
– Faz um ano,eu acho.Aprendi com a Bellemere.
– Ah,mas também!Fácil não tossir,quando sua futura sogra te ensina...
Ace socou o braço de Sabo de novo,mas o clima agora era de descontração.
– Sabo,sua mãe é uma santa igual a minha,mas você é um grande filho da puta. — Ace sempre dizia isso antes de xingar a mãe de Sabo
Então,ambos riram,Sabo passou o braço em volta do pescoço de Ace,e começaram a tomar o caminho de volta pra casa.
E agora Ace estava ali,sentado no carro com seus familiares,e observando a paisagem,o pensamento vagando nos raros momentos de sossego que ocorriam quando Garp,Luffy e Sabo cansavam de brigar.Imaginava como Nami estava no carro logo atrás deles,e como seriam agradáveis esses dias na praia...
Até que,finalmente,chegaram.Já era noite quando chegaram,e todos já estavam tão cansados que a maioria tinha dormido,com exceção apenas de Makino e Bellemere,que não podiam dormir porque estavam no volante.
Assim que chegaram,Shanks veio recepcioná-las pessoalmente.Era,como todos ali,uma pessoa de grande vivacidade,feliz e alegre de um jeito quase infantil.Mal as duas desceram do carro,Shanks veio correndo e abraçou as duas.
– Que bom que vieram!Fico muito feliz em ver vocês de novo,depois de tanto tempo!Makino,Bellemere,estão lindas como sempre!
– Mas é claro! — disse Bellemere – Chupo laranja todos os dias,e as vitaminas me deixam sempre assim,com uma pele de bebê e um corpo de adolescente!
– Mas... — Shanks observou mais atentamente – As veias de suas mãos estão começando a ficar saltadas...
– SHANKS,SEU IMBECIL!!! — gritou Bellemere,aplicando um soco no rosto de Shanks que fez seu chapéu voar
– Ah,ah,ah...mas então,cadê todos? — Shanks se recompôs,recolocou o chapéu na cabeça. — Estão dormindo?Pra que dormir,a noite ainda é uma criança!
– Shanks,se for possível,acho que seria melhor se jantássemos e dormíssemos. — disse Makino — Estamos todos muito cansados com a viagem.
– Sei...claro,claro!Amanhã comemoramos à vontade,então!Temos apenas duas semanas,temos que fazer valer a pena!
Então,Makino acordou a todos.
– Luffy,acorda.Já chegamos. — ela disse,tocando em Luffy de leve,enquanto Ace,Sabo e Garp se recompunham
– Zzzz...ahn?Quê...? — Luffy foi abrindo os olhos aos poucos
Mas então,abriu-os e viu Shanks à sua frente.
Imediatamente,abriu seu grande sorriso de orelha a orelha.Então,em um salto,se pôs de pé e se jogou pra fora do carro,pulando no pescoço de Shanks,gritando:
– SHAAAAAAAAANKS!!!!
Esse grito foi suficiente para acordar Nami e Nojiko,pois Bellemere ainda não as tinha acordado.Nami acordou com um grande sobressalto,apenas para ver Luffy pendurado em volta do pescoço de Shanks,aparentemente sem nem perceber que estava quase da altura dele.Era impressionante como ele ainda tinha energia,quando todos já estavam praticamente esgotados.
– Luffy,seu idiota... — resmungou Nami,ainda tonta de sono
– Bom dia,Belas Adormecidas.Já não é um pouco tarde pra ficar dormindo no carro?
Era Ace,que viera até o carro delas,sorrindo.Nojiko disfarçadamente olhou para Nami,e viu ela corando mesmo com a fraca luz do interior do carro.Confirmou suas suspeitas,com um sorriso no rosto.
Então,ambas saíram do carro.Do lado de fora,Shanks dizia alto:
– Esse é o Luffy que eu conheço!Por isso que eu gosto desse garoto,ele não é um molenga como vocês!Ele...
Porém,quando todos olharam,Luffy voltara a dormir profundamente.De pé.
Todos riram.Então,entraram.
Lá,o próprio Shanks preparou um assado rápido,e todos comeram à vontade.Ace,surpreendentemente,foi o primeiro a terminar de comer.
– Ué,vai comer só isso,Ace? — perguntou Shanks – Você costumava ser melhor de garfo.
– Estou cansado demais...quero dormir logo. — respondeu Ace
– Então tá...o quarto de vocês é aquele à direita,com a placa de um cachorro na porta.O das garotas é à esquerda,com a placa do gato.
– Beleza...boa noite pra todos.
Então,Ace se encaminhou para o quarto.Nami observou ele andando,enquanto todos estavam distraídos conversando e comendo,e sentiu um frio na barriga.Porém,decidiu que tinha que falar com ele.Assim,continuou comendo e um pouco depois (não tão pouco,pra que ninguém desconfiasse de nada...Bellemere e Nojiko realmente a deixaram preocupada),igualmente deu boa noite a todos e saiu.
Subiu a escada,e,assim que estava chegando ao fim,Ace apareceu,indo descer a escada.
Nami parou.Ace sorriu,os olhos sonolentos.
– Boa noite,Nami.
Ace estava apenas de shorts,o cabelo todo bagunçado e uma expressão de sono no rosto.Era a primeira vez que estavam sozinhos desde que acontecera.
– Achei que você já estava dormindo.
– Deu vontade de ir no banheiro,vou lá embaixo perguntar pro Shanks aonde fica.Essa casa mudou muito desde a última vez que estive aqui.
Nami suou frio.Então,se lembrou que Luffy estava quase terminando de comer também,e logo viria ali.Não havia tempo a perder.
– Ace...eu preciso falar com você. — ela disse,se enchendo de coragem
– Pode falar. — respondeu Ace,num tom despreocupado
O tom despreocupado de Ace desarmou Nami um pouco.A questão era séria demais,ele falar desse jeito meio que a impedia de manter a seriedade.Porém,se recompôs e disse:
– Sobre o que aconteceu...bem,há...cinco dias atrás...ou seis?Acho que foram seis,foi num sábado,não foi?
– Foi há sete dias. — respondeu Ace – No dia que recebemos a carta do Shanks.
– Ah,sim...bem,então...há sete dias...quando eu fui no seu quarto e...bem,você sabe.
Ace ergueu a sobrancelha,sorrindo.Não era burro de não saber do que ela estava falando,apenas não queria facilitar pra ela.Queria ver ela passando por cima da timidez.
– Sabe,quando você...bem...quando você me beijou.
– O que tem?
– Bem...então,eu não sei porque aconteceu...e também não quero saber.É só que...tudo bem,foi coisa de momento,pode acontecer com qualquer um de se descontrolar,e fazer as coisas sem pensar...eu entendo,a gente tava ali e não tinha mais ninguém,acabou acontecendo...mas...bom,eu sei que você não iria...
A fala de Nami foi interrompida.Ace andou até ela,segurou-a pelo queixo e puxou-a,juntando seus lábios em um beijo.Porém,dessa vez foi uma coisa mais próxima,um beijo mais apertado e profundo do que o anterior.
Após alguns segundos assim,Ace separou suas bocas.Nami o encarava com os olhos arregalados de surpresa,a mão na frente dos lábios.
Ace sorriu.
– Boa noite,Nami.
Então,passou do lado de Nami e desceu as escadas.
Nami ainda ficou alguns segundos ali parada,sem saber como reagir,os pensamentos a mil.
Então,Luffy subiu as escadas,surgindo atrás dela.
– Ei,Nami! — disse ele — Vai ficar aí parada,ou vai logo pra sua cama?
Nami se sobressaltou,e só então percebeu Luffy.
– Eu...estou indo,Luffy.
– Então,tá!Boa noite!
Então,Luffy foi andando aos pulinhos para seu quarto,doido por uma boa noite de sono.Só então,Nami também foi para seu quarto.
Após trocar de roupa e vestir o pijama (na verdade,apenas uma camiseta velha e um short de tecido leve),Nami se meteu debaixo dos lençóis e ficou pensando no que acontecera.
Ace não agira por simples impulso dessa vez.Foi algo premeditado,que ele fez de mente ciente das consequências.Ele a beijou porque queria beijá-la.
E agora?
“Devo estar sonhando...só espero que eu não acorde tão cedo.” pensou Nami,enquanto o sono ia chegando,e imaginava Ace ali,dormindo abraçado a ela
Notas finais
Bom,deixem reviews =D
Fale com o autor