Inocent Love
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Paulo estava arrasado. Seu primeiro amor havia lhe dado um fora, ele havia brigado com sua irmã e seu melhor amigo e estava prestes a fugir de casa. Ele estava fazendo uma tempestade num copo d'água, e ele sabia disso, mas apenas queria dar um tempo de tudo.
Antes de sair de casa, o garoto arrumou uma pequena mochila. Lá colocou suas economias, água, comida, celular, cochonete, cantil, caixinha de primeiro socorros e por mais que você não acredite, uma foto de todos que ama. Seus amigos e sua família.
Ao passar pela sala de estar, escreveu um bilhete para sua irmã e seus pais. O bilhete dizia "Pai, mãe, e pirralha. Estou saindo de casa por alguns dias, preciso concertar minha vida. Até qualquer dia, -Paulo." Colocou o bilhete em cima da mesa da sala e abriu a porta. O menino passou com cuidado da portaria e saio correndo.
Agora só restava saber para onde ir. O garoto caminhou pelas ruas de São Paulo, sem roteiro, sem rumo, sem saber para onde ir. Passou pela casa abandona, e sorriu ao lembrar dos seus amigos, quando os reuniam aí. Mas logo seu sorriso se desmanchou ao lembrar que a uns dias atrás, o amor de sua vida havia lhe dado um fora. Ajeitou a mochila nas costas e voltou a caminhar.
***
O dia já estava chegando ao fim, e Paulo estava muito cansado. O garoto atravessou a pista de onde passava e sentou na calçada, observando a rua que agora não era mais movimentada. De relance, olhou para um poste, onde estava pregado um cartaz, e ele se surpreendeu ao ver sua foto, e no título dizia "DESAPARECIDO: Paulo Guerra, altura mediana, 11 anos, cabelos castanhos e olhos da mesma cor. Se acha-lo, favor ligar para o número (71) 12439873.". O que mais o surpreendeu foi que ele havia fugido de casa essa manhã, e sua foto já havia sido espalhada por todo bairro. Pior, por toda São Paulo.
Quando terminou de examinar o cartaz, o garoto viu que alguns polícias se aproximavam, e ele logo ficou de pé.
–– Ei, garoto! –– um dos polícias gritou.
–– Ferrou –– Paulo disse para si mesmo, e em seguida saiu correndo.
O menino correu, passando por latas de lixo que caiam no chão, fazendo um som horrendo de se ver. Paulo havia despistado os polícias, mas quando pulou um galho de árvore que tinha no parque, acabou caindo, e por consequência torceu o tornozelo. Paulo ficou ali, urrando de dor, até uma cara conhecida se aproximar do garoto.
–– PAULO?! –– o menino se assustou com o grito da menina, que logo percebeu ser Alícia.
–– Shhh –– ele fez sinal de silêncio, e a garota logo entendeu.
–– Seu louco, o que aconteceu com você? –– a menina disse, concertando a franja, e em seguida se abaixou, ficando do mesmo tamanho do garoto.
–– Eu torci o tornozelo.. –– ele disse, olhando para o pé.
–– É, percebe-se –– ela disse. –– Vem, minha mãe é médica, eu posso fazer um curativo em você.
–– Eu não quero voltar, Alícia.
–– Meus pais saíram, Paulo. Vem! –– ela disse, levantando Paulo, que com dificuldade conseguiu se erguer.
–– Se apoia em mim, minha casa não é tão longe daqui –– ela completou.
Quando colocou seu braço na cintura da garota, Paulo estremeceu. Em quanto a menina guiava-o, Paulo aproveitou para chegar mais perto da garota. Colou um pouco seu nariz a nuca da garota e inalou um pouco do cheirinho de baunilha, que tinha no seu cabelo, fazendo a mesma se arrepiar.
Finalmente chegaram a casa dos Gusman's. Alícia abriu a porta, e Paulo encostou-se no sofá, podendo ter uma visão melhor da casa dos Gusman's. As paredes são vermelhas, com alguns detalhes brancos e pretos. Porta-retratos estavam espalhados por toda parte.
–– Vem Paulo, senta aqui, eu vou fazer um curativo –– Alícia disse, tirando o garoto de seus devaneios.
–– Hã, claro –– o menino disse, exitante.
–– Porque fugiu, Paulo? –– a menina indagou, terminando o curativo.
–– Eu estava cansado.. –– disse o menino, deixando a garota confusa.
–– Cansado? De quê? –– Alícia perguntou, confusa.
–– Cansado de me iludir.. –– Paulo disse, deixando a amiga ainda mais confusa. –– Sabe, eu tô gostando de uma garota, e ela nem me da bola..
–– Ah, uma garota.. –– Alícia disse, desapontada. –– E.. como ela é?
–– Ela é moleca, marrenta e ama andar de skate, sabe? Estudamos desde bem pequenos.. –– Paulo disse, sorrindo de canto.
–– Paulo, você.. –– a menina dizia, até ser interrompida.
–– Sim, Alícia Gusman, eu estou completamente apaixonado por você, tá legal? –– Paulo disse, voltando a realidade.
–– E por que todo esse estresse, seu bobo? –– ela disse, acariciando os cabelos castanhos do garoto.
–– Você não gosta de mim. Ninguém gosta. –– Paulo disse, desviando o olhar.
–– E quem disse que eu não gosto, Paulo? –– a menina falou. –– Sou apaixonada por você desde o primeiro ano, arteiro.
–– Seu arteiro –– o menino disse, aproximando da garota. Paulo não sabia o que fazer, afinal era seu primeiro beijo. Ele foi se aproximando cada vez mas de Alícia, até selarem os lábios em um selinho, e não passou disso. O que era nojento a alguns dias atrás, hoje não importava mais. Depois de alguns segundos eles se afastaram.
–– Então, Alícia Gusman, você aceita namorar comigo? –– Paulo perguntou, acariciando o rosto da morena.
–– Aceito, Paulo Guerra.
Não importava o que os outros pensariam. Não importava o que a família de ambos diriam. O que importava é que aquelas duas crianças, de coração tão puro, tão delicado, tão inocente, se amavam.
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