Inocência que se vai

18 Suspiros e memórias


Curitiba, 20 de abril de 2016. ♥

As palavras procuram algum indício de sorte para não morrerem vontades. Engatam argumentos óbvios que precisam de uma paginação mais abrangente e menos repetitiva. O propósito, no entanto, não falha. Serve para aliviar uma dor que é mais forte do que a minha fé.

Sabe-se que um sentimento verdadeiro não se acaba, que quaisquer obstáculos servem de degraus para se alcançar a perfeição, aprender a amar, a importância da espera, porém o vazio da solidão é irreparável. Haver um mundo tão grande e ninguém ser capaz de te substituir.

É vero que um grande amor não morre nem quando a vida se esgota. Sobrevive. E se refaz. É amor, grande, é vida, e a existência continua além das cinzas. A distância pode ser fator responsável por separar dois corações quando ambos poderiam se curar se juntos estivessem em comunhão.

Como abrir mão do sentimento que ainda me dá forças para viver?

Como te arrancar de mim se fazendo isso só vou me machucar a exemplo das outras vezes?

Passei a vida toda tentando fugir do meu destino, fechando os olhos para negar que sempre senti por você o que se entende por amor.

Não existe alegria nem nos dias de sol. Não tenho amigos verdadeiros, não há ninguém que se importe comigo. Tenho a sua memória que nunca se apaga, desejando todos os dias nunca me esquecer do contorno de seu rosto e do quanto eu me sentia bem na sua presença.

Não tenho mais o seu bom humor para me fazer sorrir, nem o brilho dos seus olhos para me iluminar, nem o seu sorriso para espantar a tristeza que hoje caminha ao meu lado sem dizer quando partirá. Repetir o seu nome nem que seja mentalmente te mantém presente.

Até a saudade tem gosto de nó na garganta, engole sangue, as lágrimas continuam sem cor, mas doem tanto, afogam a coragem, desanimam o sonho.

De todos os jeitos eu tento aprender a viver sem você e não tenho sucesso. Meu coração está em pedaços desde que você foi embora e até agora nem mesmo a certeza de que vou te levar comigo para sempre se faz vitoriosa.

Não sei por quanto tempo vou sobreviver fazendo de conta que sou feliz. Estou mentindo para mim mesma e me sinto péssima por isso.

Sinto a sua falta. Todos os dias. Todas as vezes que me recordo do seu sorriso, do seu olhar, da sua voz, daquela alegria inocente e calma que tanto me faz falta agora para suportar o caos, a dor da incompreensão, de ser forte num mundo que não perdoa a fraqueza, não a minha, por assim dizer.

Sozinha em meu quarto, as lágrimas correm pelo meu rosto. Estou ouvindo uma música que me faz lembrar você, sem saber o que tanto pode haver de bom num futuro estranho. Tudo ao redor é. Os dias por excelência bem que são.

Não garanto dispor de estrutura para caminhar sozinha enquanto não vou de encontro ao alívio, não aspiro colocar ninguém no seu lugar, não quando o meu coração é o seu recanto, onde te guardo com todo o esmero do mundo, onde você sempre estará seguro e aquecido, porque enquanto houver um motivo para viver, dividi-lo-ei com você.