Inocência Ultrajada
14 Capítulo 14 AMOR, ANTES DO CAOS...PARTE I
Notas iniciais
**Dedicado a quem gosta dos casais Aiolia e Mu, Máscara da Morte e Afrodite.
*Alabarda é uma arma antiga composta por uma longa haste. A haste é rematada por uma peça pontiaguda, de ferro, que por sua vez é atravessada por uma lâmina em forma de meia-lua (similar à de um machado) com um gancho ou esporão no outro lado.
* Assim como a Sion, eu sempre chamo Máscara da Morte de Ângelo, porque gosto desse contraste, mas aqui resolvi mudá-lo para atribuir um toque diferente a essa trama, em particular.
A autoridade com que Aiolia ordenou que fossem deixados às sós fez Mu estremecer, mas ele nada disse. Continuou olhando-o nos olhos, enquanto ele largava as suas mãos e afastava uma mecha dos cabelos de seu rosto.
O leonino descia os dedos, tocando-o no pescoço, lenta e, ao mesmo tempo, de forma íntima e Mu forçou-se a permanecer com os olhos abertos. Por um momento, os olhos verdes e hipnotizantes de Aiolia o fitaram com desejo, mas também interrogações...
– Quem é você Mu? Porque é difícil afastar os olhos de você e sinto como se... estivesse esperando-o desde muito tempo? Que diabos de encantamento você lançou sobre mim?
Mu não se movia. Os sentimentos mais diversos misturando-se dentro de si. Era um sidhe e deixara as terras altas para cumprir seu destino, juntando-se a Ikki e se tornando seu artesão das armas.
Nascera com a habilidade de forjar, com a energia sutil de suas mãos, as armas mais leves e mortais que não se comparavam ao aço impuro forjado pelos homens comuns.
Graças à névoa ou a ignorância que nubla os olhos dos homens, ele só fora reconhecido por Afrodite, um mago da linhagem dos Antigos que também ocultava sua origem.
O poder de um sidhe vinha da estreita ligação dele com os elementais e com a Deusa Mãe. Era um povo evoluído que fora associado às fadas e elfos, chamados de " Tuatha Dé Danann”, Povo de Danu,mas que na verdade era apenas uma raça com vínculos profundos com a natureza e suas dimensões mais transcendentes.
Para um sidhe, o poder da vida permeava todas as relações e nada ligado a ela era proibido ou vergonhoso. Sexo, amor, ternura, agressividade, morte... tudo fazia parte de um círculo sem começo e sem final. Bastava ao homem equilibrar seus desejos, entregando-se às leis do destino e confiando que na vida, tudo sempre era justo e perfeito...
E o destino que cabia a Mu era proteger a vida de um homem. Um homem que estava predestinado a se unir a Ikki e Shaka, mudando a história daquelas terras...
Ainda em silêncio, Mu não sabia o que dizer. Apenas olhava para Aiolia como se tudo o que tivesse que fazer era estar ali, desperto pelo desejo e com uma fome imensa de saciá-lo.
Ele entreabriu a boca, ofegando ligeiramente. O crepitar das chamas da forja insinuando-se no silêncio carregado, enchendo o ar de calor e sensualidade...
Aiolia levantou as sobrancelhas sentindo a embriaguez, o calor e a energia sexual imperiosa. Movido a orgulho e desafios, fitou Mu com os olhos ardentes. Tão ardentes quanto às chamas que temperavam o aço...
Houve apenas um breve estalar do fogo e, inclinando a cabeça, Aiolia apossou-se da boca de Mu com um erotismo tão estarrecedor que o sidhe gemeu deliciado e abriu mais a boca, deixando-se possuir pelo hálito quente e pela língua que passeava por entre seus lábios.
Aiolia explorava os lábios úmidos, sentindo o próprio corpo atiçado, sôfrego para possuir aquele homem... Uma surpresa para si que nunca sentira tal desatino, embora já tivesse vivenciado a paixão e o ardor em todas as suas nuances.
A surpresa de sentir toda aquela voragem e, ao mesmo tempo, nunca ter vivenciado o sexo, fez Mu estremecer e depois se enrijecer quando sentiu as mãos grandes e calejadas de Aiolia deslizarem em suas costas e trazê-lo, ainda para mais perto de si, aprofundando o beijo. Ele sentia a fome de Aiolia, a intenção do desejo carnal que também explodia em sua pele e em sua língua buscando a dele.
E então Aiolia apartou o beijo, os olhos verdes semicerrados, a luxúria transparecendo nas faces angulosas.
– Quero você... – sussurrou ele recapturando os lábios de Mu com uma urgência abrasiva, arrepiando-se quando os dedos dele abarcaram seu pescoço e se entrelaçaram aos cabelos de sua nuca mostrando, num silêncio revelador, que também o desejava.
Sentindo a pulsação da ereção de Aiolia, Mu colou seus quadris aos dele, e seu corpo reagiu, violentamente.
Sem desprender seus lábios dos de Mu, Aiolia o empurrou contra a mesa cheia de artefatos e, afoito, afastou-os com uma das mãos, enquanto a outra vagava por todo o corpo alvo e forte, mas de uma maciez que desnorteou o leonino...
As roupas foram abaixadas, num frenesi de toques urgentes e línguas que se provavam e voltavam a se tocar dentro e fora das bocas...
Aiolia vagou entre as coxas apartadas de Mu e a ponta arredondada de seu sexo fez a primeira investida contra a carne pulsante, roçando a entrada, gotejando de excitação insana.
Sentindo-o ali, percebendo o que estava por vir e ansioso por recebê-lo, Mu jogou a cabeça para trás, pronto, ansioso e desejando tanto que aquilo acontecesse que sufocava envolto com necessidades tão novas e, ao mesmo tempo tão antigas...
Então o súbito empuxo de sua invasão, seguido por uma dor ardente e aguda o fez ofegar e fechar os olhos, entreabrindo os lábios finos. Gemeu, agarrando-se aos ombros largos que exibiam uma fina camada de suor...
O leonino murmurou algo rente aos lábios que ofegavam, depois ergueu o tronco como um poderoso guerreiro e trouxe Mu para junto de si, abraçando-o tão forte que as batidas do coração, de ambos, fundiram-se na pele ardente.
O movimento tornou a penetração ainda mais profunda e algo dentro de Mu experimentou um prazer devastador que o fez gemer novamente, agora vivenciando uma satisfação física que quase o enlouqueceu.
O corpo esguio se contorceu e moveu-se sob o de Aiolia, fazendo-o sorrir e iniciar as investidas poderosas que provocavam uma torturante descarga de prazer nas profundezas do corpo de Mu e no falo potente que adentrava o corpo cálido e se deliciava em sentir a cavidade quente e estreita tragando-o para um abismo de puro deleite...
Tempo e espaço desapareceram, o suor brotava como prova indolente da união de corpos vigorosos e das faíscas de prazer que transpassavam os olhares lúbricos se encontrando a cada investida.
Aiolia deslizou as mãos pelos quadris de Mu e o ergueu um pouco mais, capturando a boca arquejante, estocando mais rápido e fundo, sentindo os mamilos rijos roçando próximos aos seus e aquelas mãos, estranhamente, macias agarradas a si.
Gemendo, entrecortado, Mu continuava agarrado ao corpo viril de Aiolia, enquanto seus quadris se chocavam com um barulho surdo e seu falo latejava preso ao abdome dele, o roçar da carne rente à pele suada, acentuando o prazer, incendiando ambas as peles...
Por momentos fulminantes, Mu foi tomado por uma agonia prazerosa, sentindo o membro rijo adentrá-lo como se fosse se fundir a ele e maravilhou-se com a expressão de puro prazer nas feições fortes de Aiolia.
O leonino apossava-se dele e gemia de forma profunda, primitiva e apaixonada, os sentidos aguçados pela dança erótica de investida e recuo, a avidez de tornar-se parte de algo maior que seu orgulho, suas dores e tudo o que viera antes de entregar-se àquele ato...
O clímax foi chegando como o trovejar das tempestades, interminável e impetuoso, arrasando os corpos com seu poder arrebatador. Aiolia apossou-se dos lábios trêmulos de Mu, arquejando como se pudesse retardar o gozo...
Mu se afastou primeiro, com um grito abafado que separou ambas as bocas. Ele jogou a cabeça para trás, largando os cabelos de Aiolia para fincar os dedos nas costas largas, enquanto sentia os espasmos de seus músculos sacudi-lo por inteiro, os lábios se abrindo para sorver o ar, seu sêmen jorrando na pele do leonino...
Grunhindo, Aiolia cerrou os dentes e investiu mais uma vez, afundando-se no corpo que ainda estremecia sob o seu. Sentiu seu corpo agigantar-se quando seu sêmen quente liberou-se por completo no interior de Mu e sorriu trêmulo, porque jamais tivera um orgasmo daquela magnitude.
Extenuado, ele caiu sobre Mu incapaz de mover um músculo e o belo sidhe ficou imóvel, abraçando-o com uma doce e letárgica intimidade...
– Acredite... Eu jamais vivenciei algo assim. Deus, estou... sem forças! – sussurrou Aiolia.
Mu sorriu e capturou a boca de Aiolia com um beijo inebriante, depois fitou os olhos semicerrados e falou:
– Nem eu, milorde...
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Afrodite ia em direção à casa das armas, quando sua intuição o fez estancar. Sentiu a aura de sensualidade e amor, como se fossem pequenos pontos luminosos e avermelhados surgindo à frente de seus olhos.
O belo cavaleiro sorriu e deu meia volta. “Seja feliz, meu amigo.” Pensou ele, enquanto sentia as vibrações que emanavam do lugar.
Quando caminhava na direção dos estábulos, encontrou Kagaho escovando o cavalo de Aiolia. Olhou-o empenhado na tarefa e surpreendeu-se. Ele, realmente, parecia um garoto tentando impressionar os mais velhos. O corpo retesado, os olhos pequenos fixados no pelo brilhante do animal, enquanto executava seu trabalho com determinação.
Sentindo sua proximidade, Kagaho encarou Afrodite e o brilho nos seus olhos se tornou, ferozmente, avermelhado.
– Pode ficar tranquilo, não vou lhe fazer mal. – disse Afrodite.
Kagaho olhou-o com desconfiança e continuou o trabalho, deixando claro que o cavaleiro não era bem-vindo.
– Quem é o seu mestre? – continuou Afrodite ignorando a atitude hostil de Kagaho.
– Não tenho mestre! – respondeu o garoto com raiva.
– Um changeling sempre serve a alguém. Se você gosta de Milo e Aiolia, diga-me quem é.
– Você tem poder. Porque não descobre sozinho? – retrucou o menino devolvendo o olhar inquisidor que Afrodite lhe lançara.
Afrodite estreitou os olhos e encarou Kagaho. Se usasse seu poder para chegar a esta informação, o mago negro acabaria sabendo de sua existência. Já tinha arriscado ao afrontar Hilda e ajudar Mu a retardar Shaka. Certamente o mago já sabia que tinha alguém da sua linhagem, por perto, e era melhor não revelar muito mais...
– Eu vejo que você nutre certos sentimentos por sir Milo. Lembre-se que, mesmo sendo um changeling, você tem escolha... se quiser.
– Guarde seus conselhos para você mesmo, mago. Vocês, Antigos, não são melhores que nós. É fácil dizer que se tem escolha quando se possui o poder de manipular a verdade e andar entre os homens alimentando suas vaidades. Eu nunca conheci um homem como sir Milo. Ele me olha com consideração, enquanto você e o sidhe me veem como uma criatura abjeta e teriam me matado se tivessem tido a coragem.
– Você não é inocente, Kagaho e sabe disso. Mas, se escolher ficar do nosso lado, pode libertar-se daquele que o corrompeu.
– E quem vai me libertar? Você?
– Não, você mesmo. Diga-me, a quem você serve?
A mão pequena de Kagaho vagou pela nuca, entre os cabelos repicados. Olhou para os olhos azuis de Afrodite e depois voltou ao trabalho que fazia.
– Eu decidi não servir mais ao mago... Radamanthys é o seu nome. Sei que, no momento certo, ele exigirá que eu cumpra o meu destino. Estou preso a ele por um pacto de sangue, mas, enquanto eu puder sentir-me livre, aproveitarei tudo o que este arremedo de vida tem para me oferecer. – respondeu Kagaho e havia tristeza em sua voz.
Afrodite foi acometido por um sentimento de compaixão. Elevou a mão para tocar ombro de Kagaho, porém não o fez.
– Ouvi muitas coisas sobre ele. Mas, o que o faz unir-se a Saga e Kanon? – perguntou Afrodite.
– Ele deseja poder! Os gêmeos pensam que ele os ajudará a conquistar Virgo, mas, na hora certa, ele os trairá e terá o que quer.
Afrodite franziu o cenho e sentiu-se estremecer. Algo sinalizava que Radamanthys não era um mago qualquer. Sabia que os Antigos tinham prazer em certos jogos e alianças, mas sentia que existia algo mais na loucura de tentar apossar-se de Virgo. Era uma sensação incômoda e persistente, como quando a intuição sinaliza, alto e claro, que é preciso perceber nas entrelinhas ou correr o risco de ser como o inseto na teia de uma aranha...
Afrodite ficou em silêncio e Kagaho notou que, por um breve segundo, ele empalideceu. Depois se retirou, lançando um olhar rápido na direção do menino.
– Lembre-se do que eu disse. Mesmo que tenha um pacto com este homem, é a sua decisão final que conta. Há humanidade em você... e cabe, somente a você aceitá-la ou não. – disse Afrodite.
Kagaho olhou para os belos e longos cabelos de Afrodite esvoaçando enquanto ele caminhava a passos firmes. No mesmo instante, lembrou-se da forma autoritária com que Radamanthys se deslocava. Os Antigos tinham a mesma imponência, a mesma aura de poder...
Os dois se parecem muito. Pensou Kagaho enquanto voltava a escovar o pelo do cavalo.
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O crepúsculo banhava a fortaleza de tons alaranjados e violáceos, antecedendo o negror aveludado da noite. Os soldados aprontavam as armas e havia movimento de criados pelo pátio como se fossem pequenas e trabalhadoras formigas. Pelas discussões travadas durante a manhã e à tarde, aquela seria a última noite de paz e preparativos.
Ikki, Shaka e Aiolia planejavam o ataque à Saga e Kanon, utilizando-se de todas as opções que tinham em Virgo. As estratégias revelaram-se oportunas e tanto Shaka quanto Ikki estavam satisfeitos quanto ao rumo tomado em conjunto.
Numa determinada área, utilizada usada para treinamento, Milo e Máscara da Morte lutavam cercados por seus companheiros e alguns curiosos que gritavam e aplaudiam a cada golpe.
O torso poderoso e nu de Máscara da Morte estava banhado pelo suor que escorria por entre as tatuagens primitivas, assim como o de Milo, também evidenciado pela camisa que aderia à pele bronzeada de sol.
Máscara usava seu grande machado de batalha e manuseava-o com experiência e rapidez. Todos os seus músculos respondiam aos movimentos precisos e fortes. Milo defendia com uma alabarda, os músculos fortemente retesados e evidenciados pelo esforço, o olhar concentrado no oponente...
Os golpes fortes e violentos demonstravam que nenhum deles brincava quando se tratava de lutar. Milo deslocava o peso do corpo de uma perna para outra, enquanto Máscara o fitava com um brilho frio e controlado, como se esperasse o mínimo deslize do outro para atacá-lo sem piedade.
Afrodite observou-os, sabendo bem como era o olhar de seu companheiro de batalhas. Máscara da Morte era implacável, difícil de ser vencido, porque sempre lutava para vencer não importando se era treino ou batalha real. E por conhecê-lo bem, permitiu-se devanear um pouco, mesmo sob o clangor daquelas armas pesadas...
Kamus olhava para Milo admirando-lhe a persistência e a força com que aparava os golpes fortes do outro. Não pode conter um sorriso quando o ouviu praguejar por sentir o suor escorrer por entre os olhos, mas mesmo assim, continuar defendendo e atacando com precisão. Era um duelo de titãs e as apostas, invariavelmente, tiveram início.
– Máscara da Morte luta como um assassino. O outro é forte, mas tem um coração generoso demais – comentou o guarda com satisfação.
– Generosidade não é um defeito. Talvez a força que reside no coração de Milo permita que revide os golpes com mais eficiência que a brutalidade. Veja, ele vai lançar um golpe baixo com a alabarda, agora! – Kamus deixou escapar, sentindo que torcia para que Milo vencesse.
– Não... Não vai ter tempo de se abaixar. O outro vai conseguir encaixar um golpe na linha dos joelhos. – retrucou o soldado.
No exato instante em que Máscara golpeou, seu olhar encontrou o de Afrodite e a melancolia que vislumbrou nos olhos azuis o perturbou. Aproveitando a distração, Milo encaixou um golpe e Máscara defendeu, por instinto, porém ambos golpearam, se desequilibraram e caíram, ao mesmo tempo.
De imediato, Milo caiu na gargalhada e Máscara o acompanhou. A atmosfera de combate cedeu lugar ao relaxamento que uma boa briga oferece aos homens e logo, soldados surgiram com odres de vinho e, tanto Milo quanto Máscara brindaram e beberam em meio ao suor e riso alto.
Máscara, embora rindo com os outros, continuava de olho em Afrodite. O corpo forte e delgado, a cintura estreita, a imponência e a... tristeza. Diabos, fazia muito tempo que não via aquele brilho angustiado e aquoso nos belos olhos. Parecia o mesmo olhar de quando o tirara daquela fortaleza.
Aproveitando a aproximação de Kamus, passou o odre que segurava para Milo e foi até Afrodite.
– O que o preocupa tanto? – perguntou Máscara e Afrodite surpreendeu-se como se estivesse saindo de um transe.
– Nada. Porque a pergunta? – disse ele.
– Eu o conheço bem, Afrodite. Sabe que não pode em enganar. Está com aquele olhar.
– Q-Que olhar? Deixe de besteiras, homem. Estou apenas um pouco apreensivo com esta batalha.
– Você?! Apreensivo com uma batalha? Há! Não me diga que está com medo de morrer?
– E se eu... estiver? Não medo de morrer, mas... Ah, vamos esquecer esse assunto.
– Não fuja... Venha comigo! – disse Máscara pressionando o ombro de Afrodite.
O toque forte e possessivo foi sentido como um conforto e Afrodite permitiu-se conduzir até o alojamento que, àquela hora, ainda permanecia vazio.
Máscara da Morte aproximou-se da tina cheia de água. Tirou as calças e, com um balde, despejou água sobre o físico musculoso. Fazia tudo muito à vontade, enquanto Afrodite buscava manter o autocontrole. O fato de estar com Máscara daquele jeito e, completamente a sós com ele, fez com que todos os seus sentidos ficassem em alerta e um tanto exacerbados de desejo. Desejava tocá-lo, cheirá-lo, passar os lábios por sua pele bronzeada, sentir seu calor...
Podia sentir a tensão no ar e ouvir o som da própria respiração. Máscara continuava sua higiene falando de coisas banais que ele não ouvia, mas sabia ser um recurso para mantê-lo ali.
– Acho melhor conversarmos depois. – disse Afrodite suspirando de forma profunda.
– Não! Fique onde está. – a voz potente o interrompeu.
– O que quer de mim, Máscara? – perguntou Afrodite com exasperação.
– Que pare de fugir de si mesmo. Nunca perguntei sobre suas origens, nem como, milagrosamente, depois que entrou em minha vida, tudo pareceu fluir melhor. Nunca gostei de confiar em algo além de minha espada e meu machado e prefiro enfrentar meu destino com o que sei fazer de melhor: matar! Cada um de nós tem o seu caminho e negá-lo é atrair a desgraça.
O olhar de Afrodite se estreitou e o assombro que baixou no azul cristalino fez Máscara da Morte sorrir.
– O que foi? Mesmo um bruto como eu sabe interpretar sinais. Não existe complicação, Afrodite. Sei quem sou e você também sabe quem é. Só existe a verdade entre nós.
– Será? – deixou escapar Afrodite com um sorriso sarcástico.
– Há mais do que isso. – murmurou Máscara da Morte fitando-o com intensidade. Os olhos frios enchendo-se de calor ao ver a expressão vulnerável no lindo rosto que sempre ostentava frieza e distinção. – Existem mais coisas entre nós dois, porém não acho que queira... ou deva mexer neste vespeiro.
– Vespeiro? Você começou com isso, então termine. – desafiou Afrodite com o queixo erguido, sem saber o que viria a seguir.
Máscara olhou-o de forma agressiva, a luz das tochas fazendo sua pele parecer ainda mais bronzeada, os cabelos escuros e molhados acentuando a masculinidade profunda, os lábios entreabertos como se fosse praguejar...
Então, sem aviso ou qualquer hesitação, Máscara murmurou alguma coisa e puxou Afrodite de encontro a si e suas bocas se uniram com violência e ardor. A língua dele misturou-se à de Afrodite numa luta feroz e o belo cavaleiro que jamais deixara tomar seus lábios, abriu-se como as rosas que se entregavam ao orvalho da noite...
Máscara da Morte buscava a boca carnuda com a mesma paixão reprimida com que era solicitado e tudo parecia girar tão rápido quanto a volúpia dançando entre os gemidos e ofegos escapando das bocas.
O beijo se intensificou e Afrodite sentiu o corpo rijo e másculo de encontro ao seu, os arrepios e medos daquele encontro ardente e inesperado permeando ambos os corpos sem que nenhum dos dois pudesse refrear.
Afrodite ouvia sua mente alertar para o juramento que fizera quando era menino e nem assim, conseguia evitar o desejo latejante que percorria suas veias, pele e ossos...
Estou perdido e anseio por isso...! Pensou, quando sofregamente, seu corpo contradizia tudo o que bloqueara por anos a fio.
Máscara escorregou seus lábios para o queixo e o pescoço alvo. Roçou-lhe o lóbulo da orelha e seu hálito quente instalou-se na pele macia, fazendo Afrodite gemer... O som repleto de desejo deixou Máscara ainda mais excitado. Ele voltou a passar a língua no canto da boca de Afrodite, lambeu todo o lábio inferior e ouviu-o arfar com mais ênfase. Então lhe adentrou a boca, novamente e sua recompensa foi sentir os quadris dele se esfregando em sua ereção.
Enlouquecido, Máscara despiu Afrodite com selvageria, rasgando as vestes para expor o corpo alvo, deitando-o em uma das esteiras para provar a pele macia e tomar para si o que sempre desejou e nunca ousara fazê-lo.
As mãos deslizando pelos contornos bem proporcionados de Afrodite, o nariz inebriando-se com o cheiro da excitação, a língua lambendo e traçando caminhos ardorosos iniciando nos mamilos até chegar ao falo túrgido, massageando-o em movimentos torturantes, até abarcá-lo inteiro e bem fundo em sua boca...
Os gemidos intensos vibravam na carne quente de Máscara da Morte e ele deixou-se levar pela vontade insana de dar prazer ao homem que amava. Sentiu quando Afrodite arqueou as costas, levantou os quadris e os apertou contra a sua boca, enquanto ele passava a língua na virilha, sentia os pelos delicados roçar-lhe os lábios e depois o virava para mordiscar as nádegas roliças e suculentas.
Afrodite gemeu seu nome e Máscara continuou provando dele numa torturante delícia de toques e carícias. Era como se ele conhecesse seu corpo melhor que ele próprio. Quanto mais ele o tocava, mais ele sentia vontade de ser possuído de maneira completa, intensa, a expectativa de o sexo viril adentrar seu corpo e varrer para longe todo o passado de angústias e abusos...
Máscara debruçou-se sobre ele de forma dominadora, o corpo excitado prendendo-o no lugar. Afrodite abriu os olhos e sentiu-se inundado por um sentimento de ternura e perplexidade, as mãos trêmulas buscaram o rosto de Máscara da Morte e os dois se encararam com uma intimidade mágica, existente desde a primeira vez que puseram os olhos um no outro.
– Sempre o amei, Afrodite... — disse ele com a face afogueada e um sorriso tenso.
– Eu também o amo... – sussurrou Afrodite de forma tão sedutora que a ereção de Máscara tornou-se ainda mais rígida e pressionou com mais força o ventre unido ao seu.
Seu membro doía de vontade de penetrá-lo, suas mãos fortes agarravam-se ao corpo que o enlouquecia e, mesmo assim, ele estancou desejando ver a permissão naqueles olhos embriagados de ardor e gemeu quando uma das mãos de Afrodite deixou seu rosto e deslizou para baixo, guiando seu falo para dentro de si.
Afrodite sentiu sua pele ganhar vida, imersa em sensações indizíveis quando Máscara esfregou-se em seu corpo e passou a mexer-se devagar, para frente e para trás sentindo o falo de Afrodite pulsar junto ao seu, enquanto cravava os dedos nas coxas que se abriam em entrega e agonia.
Ele ofegou, quando a mão áspera e calejada afastou uma de suas pernas, elevando-a até colocá-la em seu ombro forte. Então, conectado ao olhar úmido, Máscara o penetrou lenta e profundamente...
Afrodite gritou cravando as unhas nos ombros musculosos, quando o membro pulsante e rígido adentrou seu corpo e foi fundo, rascante e, ainda assim dolorosamente prazeroso, como se a sua carne sensível exultasse em lugares obscuros e jamais despertados...
– M-Máscara... – ofegou ele, enroscando os braços no pescoço tenso e recebendo a boca ávida que engoliu seus gemidos.
– Gládio... meu nome é Gládio... – disse ele entre os lábios carnudos, enquanto retrocedia um pouco para voltar a penetrá-lo com movimentos ondulantes, cada vez mais fortes e profundos.
Afrodite sorriu. “Gládio...” que nome estranhamente apropriado e, ao mesmo tempo, totalmente distante da paixão cuidadosa com que ele o tomava para si.
O pensamento trazia-o para o mundo erótico em que Máscara o introduzia, enquanto arqueava o corpo sentindo o falo entrar e sair de dentro de si, tocando-o num determinado lugar que o alucinava e fazia-o serpentear de encontro à pélvis poderosa que se chocava contra a sua.
Os gemidos se intensificaram, os corpos chegando ao limite da paixão violenta que se encaminhava para o gozo. O ar quente das bocas misturava-se ao ambiente e o aroma sensual dos corpos pairava como a névoa baixando naquelas terras...
As investidas de Máscara da Morte tornaram-se mais rápidas e Afrodite sentiu o corpo ser assolado por tremores intensos, que pareciam dilacerá-lo de prazer. A sensação era nova, frenética e fazia-o começar a gritar e perder o controle.
Como o artefato que lhe concedera o nome, Máscara mergulhou tão fundo quanto Afrodite podia suportar e, enquanto o amante agarrava-se a si, cravando os dedos nas nádegas rijas, gemendo alto e derramando-se em seu tórax, ele gozou e sentiu seu sêmen inundar a cavidade quente, que se contraia e o aprisionava em seu interior.
Afrodite sorriu quando Máscara gritou rouco e colou-se a ele como se nunca mais fosse soltá-lo. Então, ambos estremeceram suados, o coração disparado pulsando na pele e as bocas ofegantes buscando uma a outra, enquanto o orgasmo os envolvia, implacável e brutalmente.
Máscara da Morte mal podia raciocinar. Em todas as suas aventuras, jamais tivera uma experiência capaz de deixá-lo naquele estado, onde seu corpo parecia ter experimentado a morte e, ao mesmo tempo começado a viver, a partir daquele ato...
Rolou de lado, levando Afrodite em seus braços. Era um deleite sentir a nudez dele contra o seu corpo e algo muito mais profundo, quando o olhava nos olhos e sentia o peito se expandir num calor agradável, diferente da ferocidade que o dominava.
Permaneceram assim, saciados e tentando recobrar a lucidez enquanto os corpos retomavam seu ritmo e o ardor arrefecia se metamorfoseando em doce abandono...
Afrodite estava em silêncio, acariciando o peito musculoso e usufruindo da carícia em seu rosto enrubescido.
– Em que está pensando? – perguntou Máscara, enquanto prosseguia com a carícia suave na bela face de Afrodite.
– No seu nome. Quem lhe deu ?
– Não sei. Não tenho lembrança de meus pais e nem sei se os tive por muito tempo. Cresci nas ruas e quando dizia meu nome, muitos riam e tentavam me bater para comprovar se o Gládio era afiado. Então, quando matei o primeiro homem, resolvi trocá-lo e passei a chamar-me Máscara da Morte.
Envolvendo um cacho dos cabelos negros de Máscara com os dedos longos, Afrodite sorriu e depois ofereceu os lábios e a língua rosada e quente que foi sugada num beijo abrasador.
A paixão reacendeu quando Máscara lambeu os lábios e prendeu os braços de Afrodite para cima, introduzindo as coxas musculosas entre as pernas dele. Suspirando e gemendo, Afrodite sussurrou:
– Gládio... mesmo sendo um nome forte, foi Máscara da Morte que tomou meu corpo e meu coração. Eu o amo e vou amá-lo, sempre. – disse ele e mais uma vez se deixou possuir por aquele homem que o trouxera para a vida, mesmo sendo um arauto da morte...
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