Inocência Roubada

31 Chapitre - Le chemin du bonheur


Assim que entrou naquele barco acompanhada de seus mais fiéis servos: Winston, Victorine e seu amado Yerik, a Condessa Lefrebve soube que era a última vez que veria aquela Terra onde nascera e crescera. Quando cruzasse o oceano sabia que era pra não voltar mais para o lugar onde vivera seus piores anos.

Claro que nem tudo havia sido tão ruim, os anos que passara sob os cuidados de Lenore e as brincadeiras com sua irmã mais nova foram bons momentos de sua vida. Também foi ali que conheceu Yerik, mas ela sabia que jamais poderia voltar, pois a sociedade não aceitaria que ela se casasse com seu escravo.

Na Índia tudo poderia ser diferente, já que ninguém a conhecia.

Não contou a ninguém de sua família sobre seus planos, simplesmente dissera que faria uma pequena viagem pela Europa e deixou suas terras sob os cuidados de seu pai sabendo que ele faria um bom trabalho. Abandonar a todos não era tão fácil, principalmente sua gentil mãe, Isabelle.

Mas por outro lado era a única forma que encontrou para ser feliz e viver em paz novamente.

Sentiu o movimento do barco partindo e soltou um suspiro com nostalgia. A mão forte de Yerik tocou-lhe o ombro e delicadamente a Condessa pousou sua própria mão sobre a dele.

– Sinto que seremos felizes, minha bela. Para sempre. — sussurrou em seu ouvido.

Por um curto espaço de tempo Angelique duvidou se aquilo seria realmente possível, por várias vezes acreditou que encontraria a paz sem conseguir realmente alcançá-la.

Esperava que com aquela partida pelo menos o fantasma de Theodor não mais lhe assombraria embora jamais pudesse esquecer de que um dia fora capaz de trair e tornar-se uma assassina.

Virou-se para fitar Yerik e tentou passar-lhe uma confiança que ela própria não tinha em sua alma.

– Sim, seremos. — respondeu.

A mão que tocara seu ombro agora subira para seu rosto acariciando-lhe a face alva com ternura.

Yerik sabia que Ange não acreditava nas próprias palavras que havia acabado de dizer, podia ver em seus olhos o resquício de medo que havia neles, mas prometeu a si mesmo que dessa vez ela seria feliz ainda que não acreditasse. Não disse uma palavra, deixaria que suas ações dissessem por si mesmas.

Após alguns meses na desconfortável viagem, por várias vezes a Condessa duvidou que chegaria na tão sonhada Índia, pois já ouvira histórias de barcos que desapareciam no horizonte sem que seus tripulantes chegassem aos seus destinos, mas depois de algum tempo finalmente pôde avistar aquela terra tão exótica cheia de cores e pessoas diferentes.

Depois de tanto tempo finalmente pisou em terra firme amparada por Victorine e Winston.

A temperatura era mais quente e as mulheres usavam belíssimos sáris coloridos que Angelique jamais poderia se imaginar vestindo alguma vez em sua vida e em sua maioria adornavam-se com jóias diferentes das que a jovem Condessa estava acostumada.

As ruas possuíam um aroma de especiarias que a princípio Angelique estranhou, mas conforme caminhava por entre as pessoas começou a achar agradável cada um daqueles aromas. Distraiu-se ao ver homens montados em elefantes e sorriu de maneira inocente, um sorriso tão bonito observado apenas por Yerik que ainda caminhava ao seu lado.

Aquele sorriso era a prova que Yerik precisava para ter certeza de que o lado inocente da Condessa ainda existia ali, pois era espontâneo e lindo de se ver como o sorriso de uma criança.

O terrível Conde Lefrebve não pudera roubar tudo o de bom que havia em Angelique afinal, pois uma parte da inocência dela sempre estaria ali presente manifestando-se em momentos como aquele.

Assim que conheceu sua nova casa, muito menor do que o Castelo onde vivera desde que havia se casado com Theodor e inferior até mesmo a casa dos Le Blanc, Angelique não duvidou de que seria feliz naquele lugar aconchegante ainda que desprovido do excesso de luxo, pois lá seria seu novo lar ao lado do homem que amava.

Os dedos de Yerik entrelaçaram-se aos seus quando caminharam na direção da porta de entrada onde juntos pisaram pela primeira vez em seu novo lar. Uma vez que estavam juntos, os lábios se uniram, pois não havia mais nenhum motivo para esconder seu amor.

Ao abrir os olhos mostrou-lhe um enorme sorriso ao vê-lo observando a com tanta ternura. Parecia fulgurar de tanta saúde e felicidade. Ele a fazia sentir-se como uma garotinha. Segura e protegida, quase adorada, uma sedutora combinação para qualquer mulher precisando de carinho e amor. Ange sorriu agradecida, embora parecesse que todos os violonistas da França tivessem resolvido tocar dentro dela.

– Espero que o destino seja a maior testemunha de nosso amor. – sussurrou Yerik.

Apenas o amor da minha vida, ela pensou, sentindo o coração enlouquecer. Mesmo que por muitas das vezes desacreditara nesse sentimento, começara acreditar assim que seus olhos encontraram os dele.

– O destino contém um modo estranho de escrever. – disse a jovem – Sempre achei que a felicidade viesse primeira, mas aprendi que ela só vem depois de uma longa noite sombria.

Yerik abraçou-a.

Aqueles lábios rosados perfeitamente esculpidos ensaiaram brevemente um sorriso. Sentia-se segura, feliz e em paz consigo mesma. Yerik retribuiu lhe com sorriso sensual, ele abraçou a cintura dela com mais força.

– Prometo te amar pra sempre. – anunciou com uma voz rouca.

Ange apertou os braços Yerik que envolvia sua pequena cintura, uma pequena lagrima teimosa arriscou aflorar em seus olhos azuis, mas um sorriso satisfeito surgiu primeiro dando lugar ao êxtase daquele momento, era tudo que sempre sonhou. Enfim encontrou seu príncipe encantado, seu cavalheiro de armadura reluzente, seu único e verdadeiro amor.

Ela virou se na direção dele e passou o braço ao redor dos ombros de Yerik.

– Sempre. – repetiu Ange.

O sorriso com o qual ela respondeu era como o beijo do luar sobre um jardim no verão... Sublime. O velho amigo de Winston tinha razão aquele lugar parecia renovar as esperanças e trazia ondas de boa energia e talvez um futuro certo.

"A suprema felicidade da vida é ter a convicção de que somos amados.“ (Victor Hugo)


Notas finais
Queridos,
O próximo já vai ser o epílogo.
Foi muito bom escrever essa fic mas temos que avisar que ela já está chegando no final.
Beijinhos