Inocência Roubada

22 Chapitre - La mort de Theodor


Aquela manha dominical sugira com outro sentido, a condessa caminhou com passos lentos na direção do belo jardim interno, segurava em uma das mãos um livrete grosso de capa amarelada, seus olhos azuis continham um brilho ainda, mas espesso bem diferente de quando adentrara pela primeira vez naquele mausoléu.

Os sons proporcionados pelos pequenos passarinhos era de certa forma deleitoso aos ouvidos da jovem condessa que mantinha seus olhos fixos nas linhas do livro.

Havia um fato que a deixava com uma pulga atrás da orelha, levantou-se e caminhou de forma discreta na direção da cozinha, sentia que já não era a mesma garotinha inocente, não depois da noite anterior e da perda do filho de suas entranhas.

Odiava Theodor com todas as forças de seu coração e daria um jeito naquele carrasco antes que acabasse louca de vez, mostrou um sorriso social a um dos criados do castelo que retribuiu com um gesto. Ninguém sentiria saudades do Conde.

Assim que chegou à cozinha deparou-se com Lenore terminando de preparar o café matinal do Conde Lefebvre, a criada ao se virar avistou sua senhora e ofereceu-lhe uma xícara de café. Ela caminhou para pegar a xícara de café oferecida por Lenore e deu um gole apenas por educação. Sentou de frente a criada, aninhou a pesada xícara entre as palmas das mãos e disse:

- Lenore, me diga. Sente saudades de seu filho? – quis saber.

Era visível a palidez do rosto da criada.

- Muito minha senhorita.

Eis ali o trunfo que a jovem Condessa Lefebvre iria utilizar para que seu plano de envenenar Theodor.

- Tenho uma proposta para você.

Os olhos de Lenore brilharam de forma intensa, ela deixou a bandeja sobre a mesa e atentou-se para escutar a jovem condessa. Angelique virou-se para certificar que ambas estavam sozinhas na cozinha, retirou um frasco de dentro de seu vestido e colocou sobre a mesa.

- Coloque esse liquido no café do Conde. – empurrou o frasco na direção da criada que a observava com os olhos arregalados.

Lenore imediatamente se virou e começou a caminhar em direção da porta, deu uma espiada do lado de fora da cozinha e sem demoras fechou a porta atrás de si.

- Não seja dramática, irei apenas me vingar pelo que ele fez com meu bebê que mal avistou a luz do sol. – grunhiu Ange com os olhos rasos de água.

A criada sentiu um arrepio gelado percorrer toda a dimensão de sua espinha.

- A Condessa está me pedindo para colocar veneno no café matinal do Conde? – disse tremula.

Angelique levantou-se e encarou a de forma analítica e profunda, não estava apenas pedindo, mas ordenando.

- Te darei o que tanto deseja, sua liberdade e a de seu filho. Sei pra onde Theodor o mandou. – disse.

Aquela era uma grande oferta para Lenore, pois imaginou que nunca mais veria seu adorável filho novamente. A criada caminhou receosa na direção da Condessa, Angelique estendeu o frascinho em sua direção.

- Se for dessa maneira, aceito.

Angelique mostrou um sorriso de gratidão, apertou o objeto entre as mãos de Lenore e encarou dentro de seus olhos.

- Não irá se arrepender.

A criada balançou a cabeça e aproximou-se da bandeja, suas mãos tremiam descontroladamente, retirou a tampa do frascinho e despejou o liquido dentro da chaleira. Angelique sentiu um alivio percorrer lhe a espinha, enfim teria sua vingança pelos atos abomináveis do Conde Theodor Lefebvre.

- Agora vá servi-lo antes que seu humor se altere. – ordenou a jovem Condessa.

A criada concordou, segurou firme nas alças da bandeja de prata e seguiu na direção do quarto do Conde. Lenore caminhava receosa sentia sua cabeça doer e o peito estava apertado. Vagamente, ela escutou os resmungos sussurrados do Conde.

Respirou fundo e bateu na imensa porta do quarto do Conde.

- Entre. – ordenou.

Ela obedeceu, equilibrou a bandeja com uma das pernas e abriu a porta com a mão livre. O conde ainda estava terminando de vestir sua camisa, Lenore sabia que deveria depositar a bandeja sobre o criadinho mudo perto da porta e se retirar o mas rápido possível.

Rezou pra não derrubar aquela bandeja e se retirou do quarto.

Com esse pensamento deprimente, parou de andar ao avistar que os olhos azuis da condessa a encaravam inerte no ultimo degrau da imensa escadaria, controlou o cérebro e focou o olhar na luz do sol que batia inclinada através da larga janela e iluminava as partículas de poeira que dançavam pelo ar. O aroma das flores silvestres recém colocadas nos vasos a envolveu como um abraço carinhoso.

- Está feito, minha senhora. – anunciou Lenore de forma baixa.

A jovem mostrou-lhe um sorriso de satisfação enquanto arqueava a sobrancelha. Sem dizer uma palavra sequer ela subiu os degraus de forma graciosa segurando as baias de seu belíssimo vestido.

Caminhou com passos rápidos e firmes na direção do quarto do Conde, precisava ver com seus próprios olhos a dor e agonia. A jovem abriu a porta devagar, deparou-se com Theodor sentado na cadeira segurando firmemente a beirada de sua penteadeira, sua camisa estava aberta.

- Meu senhor precisa de alguma ajuda? – perguntou com uma pontada de cinismo.

Enfim ele berrou enquanto tentava arrancar aquela dor que o consumia por dentro, ao cair no chão começou a se debater feito um porco.

- Me ajude, Angelique. – suplicou.

Ela mal se moveu do lugar e continuou a observá-lo se debater igual a um verme que era, seu rosto se transfigurava. Angelique se abaixou e o encarou pela ultima vez.

- Agora sinta a dor que toda noite me arrebenta por dentro, por culpa sua. Você me roubou o meu bem mais valioso que possuía e por não satisfeito decidiu acabar de me matar ao rir da minha desgraça. Morra com sua maldita honra Conde Lefebvre. – murmurou.

Quando reparou que já não respirava mais, Angelique levantou-se e correu na direção da escadaria começando a berrar por ajuda, mas sabia que já era tarde demais.