Inocência Roubada

30 Chapitre - La décision


Passando os dedos pelo cabelo, Ange suspirou dramaticamente e, relutante, caminhou até confortável poltrona e se sentou. Ao seu lado, um dos serviçais do castelo vestindo um agasalho batido pelo tempo, aparentava uma idade bem avançada, talvez uns 60 anos. A jovem Condessa arriscou começar uma conversa, mas se conteve até que por fim ele perceber o olhar da jovem, ela sorriu.

– Deseja alguma coisa, Condessa? — perguntou de forma automática.

Ela ajeitou se sobre a poltrona, mexeu no saiote de seu belo vestido de seda italiana.

– Me diga, há quantos anos trabalha nesse castelo? — quis saber.

As sobrancelhas perfeitamente arqueadas do serviçal se levantaram um pouco para acompanhar seu sorriso gentil.

– Minha senhora há tanto tempo, recordo-me de quando Conde Theodor era apenas um molecote indefeso e gentil. — disse.

Angelique arregalou ambos os olhos azuis, a resposta a pegou de surpresa. Nunca acreditaria que um monstro igual ao Conde poderia algum dia ter sido uma criança indefesa.

– Não tem vontade de se libertar dessa prisão? — perguntou.

O velho empregado soltou um longo suspiro e virou se na direção de sua senhora.

– Não nego que muitos momentos sonhei, mas hoje estou velho e cansado. Talvez o mundo la fora não tenha um abrigo para alguém como eu que sempre recebi ordens, acho que me sentiria um pássaro fora de seu ninho. Morreria de frio la fora. — disse.

Angelique apenas balançou a cabeça.

– Como se chama? — quis saber.

A pobre menina não tinha conseguido gravar todos os nomes dos serviçais do castelo, pois o conde não fazia questão de que sua jovem esposa soubesse o nome daquelas pessoas. Serviçais para Lefebvre não passavam de inúteis.

– Winston, minha senhora.

Os olhos azuis de Ange vagaram sobre os cabelos brancos de Winston, continha um ar de cansado. Mas parecia conter muita sabedoria oculta dentro de si.

– Não me parece feliz aqui, assim como eu. Tenho vontade de ganhar o mundo, pois essas paredes me trazem más recordações. — murmurou.

Ele estudou-a a uma distância.

– Um dia fui feliz, compreendo suas dores. Mas a Condessa é jovem e tem uma longa vida pela frente, já esse velho serviçal apenas aguarda a morte.

Aquelas palavras eram de cortar o coração, a Condessa ergueu seus olhos na direção do rosto de Winston.

– Há dias que desacreditei na Felicidade. — anunciou.

Ele compreendia a dor nas palavras da Condessa, pois todos os serviçais daquele castelo pareciam fantasmas, não tinham olhos e nem opinião dentro daquele local.

– Talvez esta seja a hora da minha senhora descobri — lá, há muito tempo recebi uma carta de um velho amigo, estava de passagem pela bela e exótica Índia. Dizia que aquelas pessoas estavam lhe trazendo muita energia boa. — disse. — Quem sabe alguns dias fora desses muros possam lhe fazer bem. — sugeriu.

Pura ilusão pensou Ange por um segundo. Mas o brilho ofuscado naqueles olhos já acinzentado pelo tempo lhe trazia uma boa opção, talvez um último suspiro de esperança fosse bem conveniente.

–Índia! Já ouvi falar sobre esse lugar, na minha antiga casa. — disse recordando se.

Por apenas um instante, Ange fez uma pausa, sentindo uma pontada de tristeza com a perspectiva de se afastar dali. Aquele lugar vivenciara muitos momentos infelizes. Velho Winston em um gesto de compaixão segurou lhe a pequena e frágil mão de sua senhora.

– Deve seguir seu pequeno coração, antes que as tardes cinzentas recaiam sobre a senhorita, Condessa. — anunciou.

O coração da Condessa virou do avesso. Mesmo por tudo que passara, ainda era apenas uma criança por debaixo de todo aquele pano. Winston e a fitou com compaixão.

– Tens razão. — disse.

Um sorriso de esperança floresceu nos pequenos lábios rosados de Ange. Emocionada, condessa levantou se com apenas um impulso e abraçou o, o velho serviçal permaneceu inerte um pouco confuso com aquele gesto de carinho de sua senhora. Mas deixou se levar pela bondade que ainda existia dentro de Angelique, mesmo depois das maldades que seu antigo senhor a causará.

Assim que a jovem afastou se de Winston, enxugou uma lagrima teimosa e sorriu em forma de gratidão.

–Fico grata por suas sabias palavras, Winston. — disse Angelique.

Aquelas palavras trouxeram lágrimas aos olhos cansados do serviçal, fazendo-o piscar para dispersá-las. Antes de se afastar na direção da porta ele pediu.

– Alias, se minha senhora encontrá-la a felicidade, diga que mandei minhas saudações.

Ange apenas sorriu. Não desejava permanecer naquele local, caminhou com determinação na direção da pequena varanda, abriu a porta de vidro e sentiu a gélida brisa de final de inverno cariciar seu delicado rosto, mesmo estando frio, gostava de ficar ao ar livre, sob aquele céu azul, respirando os aromas singulares do outono. Não teria outro dia perfeito para tomar suas decisões, pois agora era uma mulher de respeito. Encostou a mão direita sobre seu coração e por alguns minutos sentiu o bater, estava, mais do que pronta. Venderia aquela propriedade em Candes-Saint-Martin, seu falecido esposo possuía varias propriedades por todo pais.

Aquele lugar carregava uma carga indefinível, um zumbido silencioso, no ar frio e encrespado, e Ange ficou surpresa ao reconhecer aquilo como antecipação, não medo.

Livraria se das lembranças! Enfim.

Estava sentada em uma das confortáveis cadeiras da varanda, assim que avistou uma das empregadas ordenou que fosse chamar Yerik com um pouco de urgência.

Não demorou muito para o rapaz aparecer na porta.

– Chamou por mim? — quis saber.

Ange mostrou lhe um largo sorriso, gesticulou para que sentasse na cadeira a frente da sua.

– Desejo abandonar esse lugar e irei levá-lo comigo. — anunciou.

O coração de Ange começou a bater na garganta. Imaginou se nas exóticas ruas da Índia quando chegasse a primavera, contando o tempo, esperando que alguém comprasse o velho castelo e livrando a das lembranças.

–Onde quer que vá irei contigo. — anunciou Yerik.

Angelique levantou se e atirou os braços em torno dos fortes ombros de Yerik o abraçou com força, colando-se a ele. Ela sentiu a face queimar enquanto o escravo fazia lhe juras eternas de amor.


Notas finais
Boa Leitura!