Inocência Mágica
1 O Garoto Bondoso.
Notas iniciais
Um dia realmente frio em Curitiba, o jovem Felipe acabara de acordar como de costume em todos os fins de semana.
O pequenino garoto de olhos verde claro, cabelos encaracolados e castanhos, e a pele alva, caminhava até seu banheiro esfregando o olho ainda com sono.
- Por que eu sempre tenho que acordar tão cedo? – Se perguntava enquanto lavava seu rosto com a água gelada em sua cara.
Felipe pegou a sua escova e a pasta dentro do armário-espelho e começou a escovar seus dentes. Chegava a ser entediante seus fins de semana, era sempre a mesma coisa, ele acordava, escovava os dentes, se vestia, e ia para o jardim botânico observar as plantas, já que era um garoto muito tímido, e não possuía nenhum amigo de sua idade. Todos ou eram adultos, ou as plantas do jardim.
O garoto vestiu um casaco azul escuro bem grosso, luvas listradas de azul e branco, um cachecol preto tampando tanto seu nariz quanto sua boca, uma touca peta com uma pequena listra azul clara na borda dela, uma calça jeans azul escura e um tênis preto. Logo em seguida pegou sua mochila lateral e a colocou no ombro contrário à ela para não acabar escapando.
Saiu do seu quarto e foi direto à cozinha para preparar um pequeno lanche antes de sair.
- O que será que eu faço para comer? – Colocou a mão no queixo pensativo, ficou alguns segundos parado pensando – Já sei...
Felipe foi até a geladeira e pegou margarina e geleia, então pegou o saco de pão de forma que ficava na prateleira ao lado da grande geladeira. Em seguida pegou uma faca dentro da gaveta de talheres em baixo da pia e começou a fazer vários pães com geleia e margarina, já que iria ficar bastante tempo no jardim como sempre faz, se preveniu fazendo vários pães.
Assim que terminou foi até a sala de estar, onde sua mãe assistia televisão calmamente. Ela era uma mulher muito bondosa e dedicada, mas também muito atarefada, e só possuía aquele momento para ela mesma antes de ter que trabalhar, já que era viúva, tinha que trabalhar dobrado para sustentar eles.
- Mãe, estou indo ao jardim, volto às seis tudo bem? – Ele perguntou se aproximando dela.
- Claro filho, você faz isto toda semana, não preciso me preocupar muito já que você faz isto tão calmamente – Ela se levantou e deu um beijo na testa de seu filho – Eu te amo filho, e até mais tarde.
- Eu também te amo mãe, até mais – Felipe se despediu e começou a andar pelas ruas.
Tudo seguiu somo sempre foi, vira uma esquina, depois outra, depois outra. Nada de novo acontecia, pessoas passavam por ele como se não existisse. Isto é normal nos dias de hoje, por isto não da muita importância, mas Felipe se sentia sozinho por não possuir nenhum amigo.
Quando o garoto estava para chegar ao jardim, ele ouviu uma voz, uma voz estranha, mas não estranha de assustadora, a voz era estranha, pois era doce, serena, ele sentia um surto de nostalgia ao ouvir esta voz que dizia “Venha aqui”, “Você é meu amigo não é?” entre outras coisas.
Ele a principio não deu muita importância, pois pensava que estavam falando com outra pessoa, já que haviam muitos ali perto dele, até que a voz disse “Felipe, me ajude...” E isto o assustou, como este alguém poderia conhece-lo já que ele nunca conversava com ninguém? Como ninguém dera a mínima para a voz? Não era possível que só ele ouvira.
- Está falando comigo? Quem é que está aí? – Felipe disse preocupado sem entender muito o que acontecia.
“Por aqui! Me ajude vindo por aqui!”
O pequeno da pele pálida começou a seguir a voz que fora o levando para um lugar atrás do jardim, quando de repente o dia frio, mas com um sol amarelo e bonito, sumiu e substituiu por uma noite negra e ainda mais fria ainda. A voz que antes era algo fraco e ecoando no vazio, estava ficando mais forte e densa, como se ela estivesse vindo de algum lugar bem próximo e visível.
- Onde você está? E o que aconteceu com o dia? – Felipe perguntou assustado.
“Estou aqui! Bem aqui! Olhe.”
Felipe começou a rodear o local enquanto a voz ecoava, até que ele viu um objeto brilhante e se aproximou.
“Estou aqui, me peque! Por favor!”
O garoto sem entender nada pegou o objeto que na verdade era uma pedra, e quando o fez, uma luz ainda mais forte saiu dela e o encobriu completamente.
Felipe deu um berro mas logo em seguida ficou calmo, sentiu como se algo estivesse correndo por todo o seu corpo, sua touca se transformara em um chapéu de bruxo grande e preto com a uma listra azul e uma fivela, seu casaco havia se ficado maior chegando bem abaixo de sua cintura, os tênis haviam se transformados em sapatos de pano com o bico pontudo, a calça jeans havia se transformado em calças de pano, aparecera uma capa ligada ao seu cachecol, a pedra agora estava em seu pescoço como um colar que chegava até o meio de seu peito, e também em sua mão havia aparecido um cajado de madeira com um orbe azul nele.
- O que... está acontecendo? Como... eu mudei de roupa? – O pobre garoto não estava entendendo nada.
- Como assim? Um garoto? Isso não faz sentido algum! — Uma garota vestida de uma maneira muito semelhante à sua, mas de tem vermelho e com o orbe do cajado também vermelho – Ei, me explique isso direito!
- Explicar? Explicar o que? – Felipe estava extremamente assustado, seus olhos estavam se enchendo de lágrimas.
- Não fique o assustando deste jeito Luna, você vai deixa-lo com medo – Outra garota com vestes semelhantes mas verdes e a orbe do cajado verde se aproxima.
- Mas isto não existe Amanda, já ouviu falar de um garoto mágico? Isso vai contra tudo que aprendemos sobre a magia! – A de vermelho cruza os braços irritada.
- C-Com licença... O que está acontecendo aqui?
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