Inocência
42 Shadow
Notas iniciais
Capítulo 41 – Shadow
Pov. Autora*
Não havia sido difícil para Thalia e Nico encontrarem Percy depois que Elaine lhe disse onde ele estava. Era num bairro afastado em Nova York, e cheio de marginais, ele estava em um armazém e Thalia pode sentir o poder do lugar de longe, assim como a presença de Percy. Ela pensou que quando chegassem mais perto fosse sentir uma barreira ou algo do tipo, mas não sentiu nada. A única coisa que teve que fazer foi encontrar a porta certa e derruba — lá. Então, lá estava Lavínia e Percy. Thalia nunca ficou tão feliz de ver Percy na vida. Tudo que pensava estava certa, todas suas conclusões e enquanto corriam para fora dali estava feliz só em saber disso. Ela não perguntou muitas coisas para Percy, apenas sabia o necessário para não bater nele, as respostas que precisava viriam depois.
– Como me encontraram?
– Não foi difícil. – Nico comentou enquanto pegava na mão de Thalia. – Sabíamos que tudo estava errado. Tritão me passava uma sensação mais estranha que o normal... Do tipo, “sei de uma coisa que vocês não sabem e vocês vão se ferrar”. – Percy sorriu e concordou.
– Ele ia me matar. Eu passei dias sem comer e sem beber uma única gota de nada.
– Como foi que ele conseguiu enganar Annabeth? Você foi pressionado a dizer aquilo tudo?
– Foi uma troca de corpos... Magia negra. – Lavínia sobressaltou a todos quando falou. Eles três olharam para ela e Thalia na mesma hora quis pular nela.
– Porque você não a matou?
– Thalia você sabe que eu não faria isso! – Percy riu enquanto gritava.
– Ela estragou sua vida! – Ele fechou a cara, sabia que era verdade.
– Ela vai me ajudar a ajeitar isso. O plano dela não era de todo mal... Só que ao invés de eu ser pressionado a fazer isso, eu vou fazer porque quero.
– E qual é o plano dela?
– Estragar o casamento, me usar como cobaia para matar Tritão, o que acredite eu gostei bastante...
– Percy você sabe que eu confio bastante no seu potencial, confio em você e na sua força, mas Tritão não pode morrer, ele é imortal.
– Não se manipularmos Poseidon e Zeus para que eles os transformem em semideus. Vocês sabem que isso é possível não?
– Você enlouqueceu? – Nico foi o primeiro a declarar. Ele olhou para Percy e vociferou: — Era esse plano que você disse que é bom? Como podemos fazer isso?
– Eles sabem de toda a história, não vai precisar de muita coisa. Percy vai desafiar Tritão ao Pancrácio e nós vamos pressionar por uma luta justa. Luta até a morte. – Lavínia terminou.
– É o único jeito! – Thalia disse se sentindo enjoada só de imaginar.
– Poseidon pode não aceitar. São seus dois filhos...
– Se ele quiser que tudo fique em paz ele terá de aceitar... Ou se não, nós não veremos paz por um bom tempo. – Percy surpreendeu todo mundo falando isso. Ele estava com um brilho diferente nos olhos, e isso não queria dizer coisas boas. – Além disso, eu vou contar tudo que Tritão fez minha mãe passar. Contar a razão pela qual eu o odeio. Eu não quero mais esconder tudo o que passei, não quero mais acobertar meu querido irmãozinho com aquela cara de bonzinho que todo mundo se apaixona. Cansei de ser o vilão.
Thalia e os outros ficaram chocados com a declaração, mas orgulhosos ao mesmo tempo. Ali na sua frente já se via um Percy diferente, mas um diferente bom, não ruim. Thalia sabia que tudo o que faltava na vida de Percy era Annabeth, e assim que ela entrou na vida deles, ela pode presumir que aquilo aconteceria.
– Vamos lá!
Eles correram o mais rápido que puderam, não podiam se atrasar nenhum segundo.
...
Annabeth olhava para si mesma no espelho. Não era uma visão que ela estava gostando de ter. Ela estava bonita, sim, podia se dizer que sim. Seus cachos estavam mais ondulados que nunca, sua boca estava rosada, cílios alongados, olhos bem delineados, ela quase não se reconhecia. Ela sabia que era ela, mas não queria ser. Não para aquela ocasião, não queria que aquilo tudo fosse para a pessoa errada. Mas será que existia a pessoa certa? Ela mexeu de leve em seu cabelo e a filha de Afrodite que estava atrás dela, qual ela nem se deu o trabalho de perguntar o nome falou:
– Você está linda! Mamãe ficará feliz com meu trabalho!
– Obrigada. Você realmente fez um ótimo trabalho. – Não conseguiu sorrir para a garota, mas agradeceu como podia. Assim que a garota saiu do quarto Annabeth se sentou e juntou seus dedos, os estralando devagar, ela tinha pegado esse costume. Seu coração palpitava de um modo que ela não conhecia, era irregular, ela estava nervosa, mas existia algo mais que a deixava daquela maneira.
Bateram na porta antes que ela pudesse pensar disso de maneira mais aprofundada. Ela ergueu os olhos e esperou.
– Annabeth? Senhorita Annabeth? – Ouviu a voz de umas das criadas e logo se pôs a responder.
– Já estou indo. – Respirou um segundo antes de abrir a porta e a criada a acompanhou até onde aconteceria o festival, ou pior, sua festa de noivado, como Annabeth costumava pensar.
– Annabeth... Querida... – Tritão se colocou ao seu lado rapidamente quando viu a loira. Agarrou-lhe a mão e a levou até seus lábios a beijando ali devagar. Acariciou o rosto de Annabeth e fez menção de se inclinar para beijar. Annabeth nem ao menos pensou virou o rosto no mesmo segundo, dando de cara com Poseidon os observando. Ele sorriu fracamente e em seguida Annabeth ouviu Tritão rir em seu ouvido.
– Se é assim querida... Não tem problemas. Só falta você para começarmos. – Annabeth o deixou guiá-la para o salão. Tinha muitas pessoas lá, mas Annabeth não fez questão de prestar atenção. Ela estava presa demais dentro dela para tentar perceber qualquer coisa ao seu redor. Ela se sentou onde estava programado, até o meio das apresentações falou o que estava programado e não fez nada além do que já não tivesse previsto.
Afrodite que olhava a cena de longe mordia os lábios enquanto em seguida sorria. Aquilo definitivamente ficaria divertido. Poseidon e Athena trocavam olhares enquanto olhavam para o casal que iriam unir. Athena estava satisfeita, teria sua neta na linha e colocaria tudo em prática o que tinha previsto. Poseidon não estava feliz, sabia que tudo estava errado e se pudesse mudar aquilo, só bastava Annabeth dizer o que queria do fundo de seu coração. Não precisou que ele dissesse muita coisa até um burburinho chegar aos seus ouvidos.
– É ele Lorde... – Uma de suas servas falou rapidamente. Não precisou de mais. Poseidon soube quem era. Olhou para a loira e ela parecia aérea. – Seu filho foi visto a pouco tempo daqui... – Poseidon assentiu. Tritão tinha os punhos serrados, pois já sabia da noticia também. Ele se levantou, mas Poseidon foi mais rápido.
– Fique. Sente-se agora. – Essas únicas palavras o fizeram sentar no mesmo segundo, mesmo que não fosse sua vontade. A cada segundo ele ficava nervoso, alternando seu olhar entre o pai e sua futura noiva. Poseidon esperou enquanto olhava calmamente para as dríades que dançavam com uma beleza simplesmente incrível. Ninguém poderia adiar o que estava por vir, então, que seja tudo resolvido.
...
Percy corria o mais rápido que podia. Thalia lhe dizia de tudo que estava programado para o festival e sabia exatamente que hora Tritão ia oficializar tudo. Não era o casamento, ou a perca de Annabeth para sempre, mas era muito, além disso, algo maior. Era honra, misturada com todos os sentimentos, de dores, magoas, saudades e felicidades.
– Não vamos demorar. – Nico disse quando já pode avistar o castelo. Eles apertaram o passo e começaram a ouvir o burburinho onde passavam.
– Acham que ele já sabe? Seria difícil se perder o elemento surpresa!
– Ele não vai sair. Não pode. – Lavínia disse sorrindo. – A única pessoa que não deve saber até a hora é Lady Athena. Ela sim pode estragar.
– Que os deuses estejam ao nosso favor, ou melhor, só meu pai, já basta. – Sussurrou Percy. Ele se apressou quando viu o portão. Ao abrir a porta atravessou aquele mar de pessoas e foi direto para o lugar que mais lhe importava. Ele não sabia quais palavras dizer, o que fazer, pois assim que colocou os olhos na loira tudo se esvaiu. Como fumaça. Que cresce, mas depois se esvai com o ar. Era assim que ele se sentiu. Ela estava linda, abatida, mas estava mais linda que nunca. Percy quase cai de joelhos e chora como um bebe naquele momento. Se ele morresse ficaria feliz em olhar para o rosto dela enquanto acontecia. Ainda se lembrava dos suspiros, das noites dormidas entrelaçados, dos afagos, dos beijos roubados e tudo isso lhe causava uma das piores dores que ele um dia poderia sentir.
– Percy! – Poseidon exclamou chamando a atenção. Tritão ao lado dele foi o primeiro que recebeu sua atenção, depois que ele descolou os olhos da loira. Essa que ao ouvir o nome dele, o procurou por todos os lados com os olhos, não precisou muito para encontrá-lo e sem querer suspirar de alivio. Ela sabia que tinha machucado, mas ver ele ali fazia seu coração se acalmar de um jeito que era irracional e doer também de um jeito irracional.
– Pai... Eu vim acabar com tudo isso. – Se ajoelhou. – Eu acho que devo uma explicação de tudo que fiz... E não só desde que sumi agora, mas desde que vim para cá, para ficar com o senhor. – Não foi fácil para Percy falar tudo o que tinha acontecido a ele e sua mãe. As palavras saiam rapidamente, assim como as lágrimas que ameaçavam vir também, mas ele se pôs a segura-las. Tritão tentou negar, se levantou, acusou Percy de mentiroso, mas a cada vez que o fazia, Poseidon o silenciava.
– Cale-se Tritão... – O salão estava em um silêncio sepulcral.
– Percy nunca inventaria essa história toda... Nunca. Eu confio nele. Além disso, eu sempre recebi esses relatos de monstros, mas nunca soube que era você, ou ao menos desconfiava. Eu confiava absolutamente em você. – Poseidon nunca olhou de forma tão magoada e assustadoramente raivosa para Tritão. Tritão se encolheu.
– Meu senhor, eu não o fiz... – Tritão dizia enquanto serrava os punhos.
– Minha mãe repetirá as mesmas palavras que eu disse aqui Pai... Mesmo que ela não suporte falar sobre isso. – Concluiu Percy. Poseidon virou-se para Tritão e sussurrou:
– Eu estou realmente magoado com você...
Thalia olhou de Percy e acenou em direção a Annabeth. Percy aproveitou e lançou um olhar sobre a loira, começando a falar.
– Pai, e não é só por isso que estou aqui... Eu não sumi. Tritão me raptou usando de magia para acabar me enganando e conseqüentemente Annabeth. – Ele não conseguia desgrudar os olhos dos da loira. Essa que fazia a mesma coisa, enquanto derramava diversas lágrimas. – Eu a amo. O que Tritão sente por ela não é isso, não é amor... Por favor, Pai... Ela é minha. Ela é minha mulher. – Ele finalmente olhou para Poseidon. Esse olhou de modo estranho para os dois.
– Lorde Poseidon... – Thalia falou pela primeira vez. – Percy quer desafiar Tritão ao Pancrácio, mas para isso o senhor teria que fazer de seu filho semideus. Para uma luta justa... Quem saísse vencedor, o senhor concederia Annabeth... – Poseidon assentiu. Ele não queria dar rédeas às vidas dos seus filhos, ele já tinha feito e o que tinha acontecido era aquilo. Agora, eles tinham que tomar suas próprias decisões, fazerem suas próprias escolhas. Poseidon assentiu.
– Certo. Mas eu farei as regras. – Poseidon tomou a frente. — Eles lutaram de igual para igual. Não poderão usar nenhum poder com relação à linhagem. Somente espadas... E será até a morte. – Poseidon olhou com tristeza para Percy, mas esse somente sorriu fracamente. Teria que ser assim. Tritão sorriu irônico para o irmão e se virou para Annabeth. Ela não o viu ali, só se levantou aos tropeços pela falta de alimentação necessária e correu como pode para a direção do moreno que tanto amava. Percy abriu os braços e a acolheu. Annabeth não queria saber de nada, só tinha assimilado que ele a amava, que tudo aquilo não tinha passado de uma mentira, e que ela o amava também e nada mais importava. Para Percy ter ela ali em seus braços era o único conforto que precisava a única coisa que queria. E diminuía a tensão de saber o que iria fazer em seguida, mas era chegada a hora e não tinha mais o porquê recuar. Era fim de linha e quem sabe o começo de uma nova história.
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