Inocência
41 Red Light
Notas iniciais
Capítulo 40 – Red Light
Pov. Annabeth*
Eu acordei exausta, tinha conseguido cochilar pela manhã, mas o dia naquele lugar tinha me deixado com lembranças e sensações ruins. E ver Tritão todo sorridente e a me cercar, fez meu estomago revirar. Tanto de repulsa quanto de raiva. Eu tinha esperanças que tudo desse certo. Que logo esse pesadelo acabasse e eu só pudesse ficar em paz, voltando para a casa de meus pais em seguida. Tomei um banho morno pela manhã e a primeira pessoa que vi pela manhã me surpreendeu. Lorde Poseidon estava na porta do meu quarto, e assim quando eu saí me lançou um olhar carinhoso. Ele estendeu o braço e eu aceitei.
– Como você está minha querida? – Minha garganta travou, mas eu respondi:
– Estou bem senhor. – Ele me olhou avaliador.
– Não precisa me chamar assim Annabeth. Acho que já nos conhecemos o suficiente para me chamar somente de Poseidon. – Assenti, já que ele não parecia que queria ser contrariado, mesmo que seu olhar fosse gentil.
– Tudo bem Poseidon. – Ele alargou seu sorriso.
– Quero que tome café comigo... Sei que pode ser inconveniente, mas como você foi à última a ver meu filho, queria me falasse tudo sobre isso. – Eu senti meu estomago revirar e me deu vontade de fugir, mas me mantive firme e me apoiei em Poseidon, obviamente ele não se importou.
– Sim, claro. – Ele sorriu e chegamos ao salão. Sentamos e eu falei devagar o que tinha acontecido. Era doloroso lembrar, mas mesmo assim o fiz, no final, meus dedos estavam vermelhos e eu não tinha colocado nada para dentro.
– Você gostaria de saber minha opinião? – Acenei.
– Acho que existe algo realmente estranho...
– Senhor... Perdoe-me a afronta, mas eu conheço Percy... – Ele só pendeu a cabeça de lado. Não tinha se ofendido.
– Você tem certeza?
– Absoluta.
– Então, quais são exatamente os atos dele excluindo esse que a fazem discordar do amor dele por você? – Abaixei a cabeça. Eu não podia falar isso. Era a nossa história. Desde o inicio. Tudo começou como uma brincadeira, essa que evoluiu e se tornou algo mais intenso, ou pelo menos parecia, mas voltou a ser brincadeira. Eu odiava pensar dessa maneira, mas era a mais pura verdade. Era o que aquele relacionamento tinha sido.
– Não vejo porque tenta ajudar seu filho, quando ele mesmo que tomou essas decisões. Além disso, para eu o senhor queria que eu me casasse com Tritão.
– Não sei o que quero... Mas queria saber o que você quer... – Ele me olhou enigmático. Eu não sabia como ler suas palavras. Passaram-me tantas idéias, e me passou a idéia de fugir daquilo tudo, mas eu sabia, ele não deixaria, mesmo que agora estivesse sendo amável e compreensível.
– Obrigada Poseidon. Mas minhas vontades agora estão somente em ficar em paz. – Ele concordou e abriu a boca para falar algo, mas Tritão entrou interrompendo o que falaria. Olhei para o moreno que entrava e vinha na minha direção, fechei a mão em punhos, me controlando para não fugir desse estado insuportável.
– Minha querida... Como dormiu? – Ele beijou minha cabeça e eu não consegui responder, nem fingir alguma emoção de felicidade. Mas ele não parecia perceber, ou pelo menos fingiu.
– Bem... Eu já vou indo. Já acabei de comer. – Comentei. Tritão segurou-me pelos ombros e disse:
– Mas eu quero contar a novidade primeiro... – Esperei. — Irei fazer um festival. Será perfeito, não Annabeth? Poderemos oficializar nosso noivado de vez... – Fiquei surpresa por alguns segundos, mas logo em seguida me subiu um ódio tremendo que só soube esbravejar:
– O que você pensa que está fazendo? Nós não combinamos nada disso! – Olhei para Poseidon, pensando que ele estaria constrangido, mas ele só me olhava com interesse. Tritão só levantou a sobrancelha.
– Acho que isso era certo desde que você concordou com tudo... – Neguei.
– Não! Nem pensar!
– Isso não está aberto a negociações Annabeth, você terá seu tempo, mas tenho minhas condições também... – Bufei e dei as costas para ele. Querendo deixar aquele lugar o mais rápido possível. Ele correu atrás de mim, mas eu me esquivei quando ele tentou me pegar.
– Só me deixa em paz! – Ele bufou, mas sorriu e se afastou. Caminhei para meu quarto e bati a porta com tudo quando entrei. Olhei ao redor sentindo uma presença estranha e em seguida meus olhos pousaram na figura em cima da minha cama. Lavínia mexia nas unhas e parecia confortável.
– Oi loirinha! Dia ruim? – Eu não me importei com ela, só me joguei no espaço vago ao lado dela.
– O que quer?
– Ele não te contou que você vai organizar o festival? – Eu bufei. – Pois bem, se quiser deixar tudo comigo... Eu faço esse favorzinho para você, mas você tem que fazer um pequeno favorzinho também... – Olhei para ela e perguntei:
– O que quer?
– Só quero que você troque umas palavrinhas com Athena, e aceite a proposta de Tritão. – Eu arregalei os olhos e ri fraco.
– Você enlouqueceu?
– Eu estou te fazendo um favor... – Neguei.
– Isso não é só um favorzinho, é um pesadelo... – Lavínia riu e pulou da minha cama.
– Exatamente. – Ela soprou um beijo no ar e bateu a porta. Respirei fundo. O que faltava acontecer nesse dia?
Pov. Thalia*
Eu acordei sentindo braços fortes me rodearem. Eu amava aquela sensação, me sentia aquecida por dentro de uma maneira que nunca senti em toda minha vida. Vida de semideus não era fácil, eu sempre soube disso, e mesmo tendo diversas dificuldades na minha vida, eu era grata por ela. Nico ao meu lado era como a realização de meus sonhos mais profundos. Eu sempre fui insegura, nunca acreditei no amor, mas a verdade era que eu sempre quis isso. Você pode olhar para as pessoas mais duras, e você pode pressioná-las até a morte, mas elas nunca irão dizer que é isso que querem. Que o amor seria suficiente para mudá-las, quando na verdade ele o faria.
– Você está pronta? – Nico sussurrou no meu ouvido, enquanto tirava os meus cabelos do meu pescoço e começava a me beijar ali. Mexi-me nos lençóis e neguei.
– Não. Mas temos que fazê-lo. – Ele resmungou em concordância. Naquele dia combinamos de pedir ajuda para achar Percy. Já que tentamos de diversos modos ir atrás dele e não conseguimos nada. Eu não acreditava que ele havia sumido daquela maneira e sem deixar nenhum rastro. Nico beijou-me e se separou de mim. O observei entrar no banheiro e me espreguicei, eu iria em seguida. Fui para a cozinha e coloquei a cafeteira para funcionar. Que falta fazia Annabeth. Assim que Nico saiu, fui em seguida. Tomei meu banho e me arrumei rapidamente. Quando fui para a cozinha novamente já estava tudo pronto.
– Vamos falar com Elaine? – Elaine era uma filha de Hecate, e amiga de Nico, e mesmo eu não gostando muito da idéia e mesmo que estivesse cansada de filhas dessa deusa em particular, era nossa única opção.
– Sim. Ela disse que estará no acampamento e estará esperando por nós na casa grande. – A idéia de ir ao acampamento não era uma coisa que me agradava, mas era por um bem maior, então, concordei. Nico e eu nos aprontamos e logo estávamos caminhando para a casa grande. Avistei a garota morena e fiz careta. Nico deu risada e sussurrou:
– Elaine é legal, Thalia. E não é como a irmã Ok? – Minha careta piorou.
– Você parece conhecer ela... – Ele riu e selou nossos lábios rapidamente. Não pude evitar não sorrir.
– Você com ciúmes é perfeita!
– Você quer morrer? – Disse irritada.
– Se for você a bem-feitora, eu aceito. – Revirei os olhos. Nico era um idiota.
Finalmente chegamos onde Elaine estava e ela sorriu delicadamente para a gente, mostrando suas covinhas quando fazia esse gesto. Sorri de volta e Nico falou:
– Você aprontou?
– Sim. Eu farei um feitiço simples de rastreamento. Mas eu preciso de algo dele. – Eu assenti, tinha previsto isso e trouxe uma blusa de Percy. Entreguei a ela, e ela disse para a seguirmos. Fomos para o chalé de Hades, onde ela e nós poderíamos ficar sem que ninguém nos incomodasse já que só havia Nico de filho. O ambiente estava diferente desde que estive lá pela última vez, mas não me importei e nem Nico. Ficamos de olho em Elaine e em cada ato que ela fazia. Não demorou muito e ela estava citandos versos estranhos e em uma língua que não fazia sentido para nós. Apertei a mão de Nico e esperamos, ela abriu e fechou os olhos diversas vezes e depois os arregalou. Eu esperei meio impaciente, eu nunca fui boa em esperar por coisas desse gênero, na verdade, em nada. Nico foi até Elaine e disse alguma coisa baixinha para ela, ela assentiu e se inclinou para ele, sussurrando em resposta. Nico logo em seguida exclamou surpreso:
– Ele está tão perto assim? – Fiquei curiosa e perguntei:
– Você o achou? – Nico assentiu e se virou meio pálido para mim.
– Sim. Vamos! – Ele estendeu a mão e eu a peguei. – Temos que saber o que aconteceu logo!
...
Pov. Annabeth*
Olhei para os enfeites com uma tristeza que há dias estava dentro de mim, talvez, se fosse em outra ocasião, e se eu não estivesse passando por tudo que estava passando, eu poderia estar aproveitando tudo que eu estava fazendo. O festival estava ficando lindo, principalmente com a ajuda de Afrodite, que foi a primeira a se candidatar a me ajudar quando ela soube que aquilo envolvia meu casamento. Não que eu estivesse feliz com aquela noticia, mas o que eu poderia fazer? Sentia-me enganada, usada e como um troféu. Não me sentia quase um ser humano. Acho que eu poderia dizer que estava vegetando também. Minha avó tentava me animar, me dizendo e me mostrando tudo que eu poderia ganhar se me casasse logo com Tritão, mas nenhuma das palavras dela entrava na minha cabeça. Nas duas noites que tinha passado ali e tinha sonhado com Percy. Eram sonhos em que eu acordava gritando, suando e chamando o nome dele. Eu sabia que aqueles sonhos eram sonhos, pois eram horríveis, e não poderiam ser reais de forma nenhuma.
– Annabeth? – Ouvi a voz de Afrodite me chamar do outro lado do salão. Ela e eu fazíamos os últimos ajustes para o festival naquela noite. Tinha dríades andando por todos os lados e flores enfeitando cada lugar ali.
– Oi?
– Você sabe qual vestido irá usar? – Neguei e ela sorriu andando na minha direção. Ela tocou em meu rosto e sorriu sapeca, como se soubesse de algo que não sei. Sinceramente aquilo me deu um friozinho na barriga. Será que aquilo seria meu casamento? Foi o pior pensamento que pode me ocorrer.
– Não.
– Não se preocupe. Eu tenho um perfeito para você! – Ela olhou para o salão e comentou: — Pode ir! Eu cuidarei do resto... O vestido estará na sua cama assim que sair do banho. Vou mandar uma de minhas filhas maquiarem você, para ter certeza que você será uma das mulheres mais belas do festival. – Sorri. Lady Afrodite era realmente gentil comigo, principalmente nos dias que eu estava ali.
– Certo. Estou indo...
– Vá. – Andei para meu quarto e suspirei enquanto entrava fechava a porta e me jogava na cama em seguida. Passei a mão por cima de meus olhos e esfreguei minha cabeça. Senti meu corpo sentir um frio e subi na cama lentamente, me enrolei debaixo das cobertas e puxei o pequeno celular que Tritão tinha deixado ali, no caso de eu querer falar com Thalia ou com ele mesmo. Coloquei os fones e deixei a música no último volume. Era aquilo que eu fazia até adormecer, não que fosse difícil, mas com a música soando alto em meus ouvidos era mais difícil de pensar nele.
Fiz a mesma coisa e consegui adormecer depois de um tempo.
Pov. Percy*
Eu me sentia renovado e pronto para ir atrás de tudo que eu tinha perdido. Annabeth passava por minha mente a cada segundo, na verdade, ela não passava, permanecia. Eu me sentia descontrolado, e com vontade de pegar o primeiro que passasse na minha frente e descontar toda minha raiva. Só que mesmo odiando Lavínia, já que ela a primeira que tinha feito isso, eu não batia em mulheres e, além disso, ela não tinha me matado quando era para ter feito.
– O que você pensa em fazer?
– Estragar uma pequena festa de noivado. – Lavínia sorriu de canto cinicamente, e eu senti meu coração pesar de uma forma que nunca tinha feito, me senti como se estivesse sufocando. Era como se minha cabeça não pude raciocinar diferente do tanto que o ódio me entorpecia, de tanto que meu coração se afundava em dor, eram farpas entrando e se fincando ali.
– Quando? – Foi à única coisa que conseguiu sair da minha boca naquele momento.
– Hoje. – Lavínia começou a falar outras coisas, mas não entrava nada na minha cabeça. Eu só pensava em perder Annabeth para sempre, em não poder me explicar, em buscar o que era meu. Eu estava ficando possesso de raiva e eu nunca me senti dessa forma.
– Hey! – Lavínia tocou meu braço e eu pude clarear a minha e olhar para ela. — Você... – Ela não pode completar a frase, pois a porta do quarto foi aberta com força, me surpreendo e surpreendendo Lavínia, que parecia chocada. Olhei para lá imediatamente e sorri vendo Nico e Thalia. Ele limpava sua blusa preta e Thalia reclamava atrás, xingando alto.
– Eu sabia que tinha alguma coisa errada. – Ela reclamou com Nico. – Se você fosse um pouco mais rápido também Nico, isso teria sido melhor... – Nico revirou os olhos.
– Eu tive que pedir ajuda de Elaine de novo... Sabe quanto custou isso? Acredite...
– Você vendeu seu corpo?
– Não, mas...
– Então, o resto que se dane! – Ela finalmente olhou para mim e revirou os olhos. – Percy! – Correu. – Eu sabia seu babaca... Você nunca faria aquilo, quero saber todos os detalhes, quero saber antes de te meter a...
– Thalia! – Eu falei irritado. Virei-me para Lavínia. – Como você pode ver... Você não pode com nos três, e, além disso, eu já tinha um plano arquitetado para você quando saíssemos daqui mesmo, então... Joga comigo e ainda sai no lucro, ou perde tudo agora... – Lavínia revirou os olhos, mas assentiu. Sorri.
– Certo. Vamos pessoal! Temos um noivado para estragar.
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