Inocência
19 Love & Lucky
Notas iniciais
Capítulo 18 — Love & Lucky
Pov. Annabeth*
Acordei-me bem cedo, eu praticamente não tinha dormido, se eu tinha cochilado uns 15 minutos era muito, eu acho. Desde o dia anterior, minha cabeça estava muito mais confusa como jamais esteve. Eu não queria estar nessa situação, não sabia como lidar com ela. Senti-me tão mal por ter beijado dois garotos no mesmo dia, eu estava me sentindo suja. Quando foi que eu virei esse tipo de pessoa? E não era só isso. E os corações deles? Eu tecnicamente iria magoar eles não é? Quer dizer, Percy não sentia nada por mim, mas agora vivia me abordando pelos cantos e me beijando e, pior, eu deixava. Como isso era possível? Já Tritão, era carinhoso, queria meu bem e era tão fofo, simples. Revirei-me na cama sem saber realmente o que fazer. Continuar com essa mentira não era minha vontade, mas eu não queria magoar Tritão, e não iria. Isso já estava decidido. Agora eu só tinha que conversar com Percy, esses beijos não poderia continuar de nenhum modo.
Coloquei meus pés no chão gelado e senti um suspiro escapar de meus lábios, minha cama estava quente e maravilhosa, mas eu não conseguia ficar nela. Encaminhei-me para o banheiro e resolvi tomar um banho quente, talvez relaxasse meus nervos para o dia. Tomei o banho e me arrumei. Ainda era seis da manhã e os meninos acordavam realmente tarde, então nem me preocupei em fazer o café ainda para eles. Saí de casa e resolvi ir para a arena, claro, não sem esquecer a adaga que minha mãe me deu. O plano original era só sentar e pensar, mas eu queria gastar energia, lutar, o que quer que fosse. Queria que meus pensamentos saíssem ou evaporasse de minha cabeça por alguns minutos, ou até segundos, era nessas horas que eu queria mais ainda do que o normal, ser uma garota mais vivida, talvez eu soubesse como resolver tudo isso, ou não.
– O que você está fazendo aqui sozinha? — Me assustei e quase pulei do lugar onde eu estava quando eu ouvi a voz de Percy. Virei-me assustada por ver ele ali, como ele tinha levantado da cama?
– Está acordado? -Ele revirou os olhos.
– Não Annabeth! Sou sonâmbulo e me levanto quando estou dormindo para ficar andando atrás de você por aí! É claro que estou acordado! — Ele parecia chateado e irritado, mas tudo bem, que minha pergunta foi realmente tola, mas sabe, eu não sabia o que dizer. Principalmente com ele ali.
– Eu queria treinar! — Ele sorriu e andou até mim, dei um passo para trás, mas nem isso o fez parar. Ele chegou perto de mim ainda mais, ele já podia se inclinar para mim e me beijar, eu sentia seu cheiro e aquilo me fazia ficar paralisada. Quase. Botei minha mão em seu peito e o afastei.
– Pare com isso, Percy! — Ele manteve sua expressão, mas me analisou.
– O que você acha que eu ia fazer? — Eu acho que corei como um tomate nessa hora, eu gaguejei e não soube o que falar quando uma expressão de indiferença se fez em seu rosto.
– Eu ia dizer que posso te ajudar com o treinamento! — Assenti mexendo nervosamente em meu cabelo, ele riu.
– Não fique assim, Annabeth! — Eu assenti e ele foi até onde se guardavam as armas que usávamos para treinar e me jogou uma espada, e por incrível que pareça, eu a peguei rapidamente. Olhei para ele que manejava a espada dele e disse sem graça:
– Percy... Você não pode sair me beijando por aí! Eu não falei para o Tritão e nem falarei, mas é tão errado. Eu me sinto muito má com essa culpa entalada na garganta. Além disso, vocês são irmãos, eu serei a noiva dele. Não é certo. E, além disso, você não sente nada por mim, porque vai querer me fazer ficar confusa? — Eu disse rapidamente, eu nem sabia como eu tinha explicado tão claramente o que eu estava sentido, mas só foi eu me concentrar e saiu. Suspirei aliviada. Percy pareceu paralisar por um segundo.
– Você não percebe Annabeth! Você é somente um objeto para ele. Ele se encantou com você e você será a imagem de esposa perfeita para ele, por isso, ele te preza. Você é pura, ingênua, não terá como expor suas próprias opiniões... — Eu o interrompi, eu me senti ofendida.
– Eu sou muito bem capacitada para expressar minhas próprias opiniões Percy. Ele não vai mandar em mim, Tritão não é assim! — Ele levantou uma sobrancelha.
– Eu vivi com ele, sei como ele é! Aquilo tudo é uma capa!
– Você está mentindo não está? — Eu perguntei querendo não acreditar. Meu coração já estava apertado só de imaginar se aquilo fosse realmente verdade. Ele não podia fazer isso comigo. Ele não podia me deixar presa e fazendo o papel de boa esposa. Eu tinha anseios, vontades, objetivos e Percy pareceu ler isso no meu olhar.
– Eu não estou mentindo. Eu sei o que você quer Annabeth, eu sempre vi isso em você, e até senti, acho que desde aquele dia em que estávamos na praia, quando eu fui te buscar. — Lembrei-me daquele e parecia tão distante. — Eu sei que você tem sede de conhecer o mundo, tem sede de ser livre, que aceita e não aceita ao mesmo tempo esse mundo que é exposto para você. — Ele parou na minha frente e me encarou, eu pude até jurar que ele estava lendo minha alma, pois o modo que ele me olhava era tão intenso que me dava arrepios. — E eu quero te dar isso, por isso ontem eu falei que você tinha escolha. Só basta você querer, não precisa ter medo. — Eu confirmei minhas suspeitas, ele na noite anterior tinha realmente mesmo falado das minhas escolhas.
– Mas porque você iria querer fazer isso? Você...
– Annabeth, eu gosto de você. Você é tão pura, linda, inocente, merece conhecer esse mundo, merece ter alternativas, merece ser livre.
– Eu não posso! Seu pai me castigaria, ele é um deus, me deu minha vida. Eu não posso ser ingrata de tal modo! — Eu neguei, não podia deixar aqueles pensamentos tomarem minha cabeça. O certo era fazer o que Poseidon queria nada mais.
– Ele está te tirando sua vida! Será que você não percebe isso? Ele ao invés de ter dar, está tirando! — Ele gritou enquanto me pegava pelos ombros, soltei a espada e paralisei diante do olhar do moreno a minha frente.
– Percy... — Eu falei baixinho. A expressão dele se suavizou e ele se virou. Pegou sua espada que estava jogada no chão e começou a andar para fora da Arena, corri na direção dele, somente meu coração mandando em mim, ele queria isso. Queria saber do porque ele ter falado aquelas coisas para mim. Porque me queria ver livre. Toquei seu ombro e ele olhou para mim.
– Você se importa? Porque se importa? — Ele sorriu debochado.
– Eu só gosto de contrariar tudo que meu pai e meu irmão querem e nada, além disso. — Eu senti meu coração dar um solavanco, não era isso que ele queria escutar. Não seja boba Annabeth. Percy não iria se declarar para você não é mesmo? Tola! Tola! Tola! Ele sempre tem alguma intenção por trás de tudo que ele fazia. Eu via o lado dele, o lado em que ele sofria por não ter o reconhecimento do pai, mas ele gostava também de implicar com o irmão, isso era inegável, ele gostava de implicar. Só que isso não me fazia ter raiva dele, agora o modo como ele leu meus sentimentos me fez ter raiva. Era isso meu desejo mais profundo, e ele sabia. Percy sabia o que eu queria e queria isso para mim. Meu coração nunca esteve tão dividido. Eu já estava apaixonada como uma tola por ele, isso era inegável, eu sabia. Quando olhava para os olhos verdes dele, tão diferentes de Tritão, eu sabia que sentia algo a mais, algo que não sentia com Tritão, paixão. Era um atordoamento, ele não me fazia pensar, não me fazia respirar, eu parecia respirar ele.
– Então? O que vai escolher? — Percy rolou os olhos. — Nem preciso perguntar para saber! Você irá escolher ele, pois mesmo que seus desejos sejam poderosos, você nunca vai deixar de ser quem você é, no caso, uma tola, uma pessoa insegura Annabeth. Que foi criada para ele. Que se submete a ele. — Eu estava com tanta raiva das palavras de Percy, elas eram como facas afiadas jogadas contra mim. Doíam, machucavam demais. E eu me repreendi pensando em interpor o argumento dele, pois ele estava certo, eu estava errada, por mais que eu quisesse negar.
– E seu eu escolhesse minha liberdade? O que significaria? — Ele pareceu ficar atordoado por um segundo. — Você poderia me dar? — Ele ficou sem fala, então pensei nas conseqüências e fui soltando como um foguete.
– Eu... Além de talvez sofrer com a ira de um Deus, meus pais poderiam sofrer por minha causa. Por um desejo que pode não me fazer feliz, eu tenho sede de conhecimento, quero tudo isso que você falou, mas existem coisas mais importantes. Família por exemplo, e eu não posso desistir disso por causa disso. Não posso. — Eu sorri fraco, era verdade. Por mais que eu tivesse vontade, eu tinha medo por causa deles e de mim própria, eu tinha modos de ser feliz e ver pessoas que eu amo sofrendo por um erro meu, não estava incluído na lista.
Percy chegou perto de mim, e minha cabeça rodou um pouco. O cheiro, os cabelos negros dele, aquele olhar, me deixava assim, quase sem fala. Ele tocou em meu rosto e disse baixinho perto de minha orelha, só aquela leve aproximação já me deixava maluca. Ele tinha um poder incrivelmente poderoso sobre mim.
– Eu quero te mostrar o lado bom da vida. Quero te dar prazeres inexplicáveis, te levar ao céu e ao mesmo tempo ao inferno, quero fazer tudo por você, tudo que ele não vai fazer. — Ele disse baixinho, roucamente e eu sinceramente não sei explicar com palavras o que eu senti. Ele se inclinou para minha boca e completou:
– Só basta você querer! — Eu sinceramente naquela hora nem me importava mais com nada, tinha esquecido tudo e todos, só sabia que precisava dos lábios dele nos meus, daquela sensação de estupor que ele me dava, de êxtase. Peguei em seus ombros e fui de encontro aos seus lábios que estavam tão perto e ao mesmo tempo tão distantes. Tocar seus lábios, sentir seus lábios foi a coisa mais maravilhosa e libertadora que senti. Eu já tinha me viciado em seu beijo, era o tipo de droga de que quanto mais se tinha, mas queria e esse sentimento só crescia. Ele mordeu meus lábios gentilmente antes de aprofundar o beijo, sua língua chupando a minha era maravilhoso. Tentei afasta-ló, eu estava em busca de ar, e consegui. Ele me deu um selinho e eu aproveitei ao máximo da sensação.
Senti algo como se estivesse queimando em meu pescoço e me afastei de Percy surpresa, quando vi o cordão brilhar em meu pescoço. Percy também percebeu isso na mesma hora e olhamos para o cordão negro.
Peguei-o entre meus dedos e olhei nas iniciais. Só que elas tinham mudado. Em vez da frase que estava ali há uns segundos antes, existia somente um nome e pelo arregalar de olhos que Percy deu, eu sabia que ele sabia o significado.
– Love & Lucky! — Li baixo. Percy passou os dedos pelo meu pescoço, e eu estremeci. Ele tirou o cordão de meu pescoço e me olhou nos olhos.
– Precisamos falar com os outros. Acho que temos uma pista boa de quem pode estar por trás disso. — Percy andou para dentro de casa e eu o acompanhei, eu ainda estava meio atordoada por causa do beijo, mas já estava quase até me acostumando com essa sensação. Estar atordoada quando Percy está comigo.
Ele parou a dois passos da entrada. Virou-se e me encarou.
– Você vai querer? — Eu no segundo em que ele disse isso não percebi do que se tratava, mas quando ele me encarou intensamente, eu soube. Minha garganta travou e eu quase nem ouvi as palavras saírem da minha boca, mas elas saíram, não era meu eu certinho que estava respondendo, era como se fosse minha alma. Era um desejo. Minha alma.
– Sim, eu quero.
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