Inocência
37 All That Matters
Notas iniciais
Capítulo 36 – All That Matters
Pov. Annabeth*
Sorri enquanto os primeiros raios de sol banhavam minha pele. Eu tinha acordado no meio da noite e não tinha conseguido dormir. Uma sensação estranha tinha se instalado em meu peito. Eu tinha olhado para Percy que estava ao meu lado na cama e tentei me concentrar na sua respiração e no sobe e desce do seu corpo. Analisei os traços de seu rosto e sorri relaxando naquele momento. Agora aqui em frente de casa, me sentia um pouco menos inquieta, mas mesmo assim... A sensação ainda crepitava em meu corpo. Ainda faltavam algumas horas até que Percy acordasse, então nem me preocupei em ser vista por ninguém chorando ou algo do tipo. Mas mesmo deixando ou querendo que minhas sensações aflorassem nada aconteceu, o que me fez pensar no meu estado ultimamente. Fui até o banheiro e sorri vendo Thalia e Nico no colchão da sala. Eles estavam agarrados, pernas entremeadas e respirações no mesmo ritmo. Nico abraçava Thalia possessiva e protetoramente, pensei se não era assim que Percy e eu parecíamos enquanto dormíamos. Peguei um dracma do potinho que Percy deixava para mim e fiz um pedido a deusa Íris depois de ajeitar o banheiro. Segundos depois minha mãe apareceu na imagem, ela estava dormindo. Papai não estava com ela, o que eu achei estranho, mas antes de eu chamá-la, ele entrou no quarto segurando um copo de água, sorri, ele tinha essa mania. Quando ele me viu, um sorriso estampou sua face.
– Papai... Bom dia! – Ele correu até a cama e sacudiu mamãe levemente.
– Oi Filha. Que saudades de você! Atena, sua filha está aqui... – Mamãe acordou rapidamente depois que papai disse filha, ela se embrulhou nos lençóis e se levantou. Papai passou o braço ao redor dela, e eu senti que podia desmoronar a qualquer segundo.
– Desculpem-me por fazer essa mensagem há essa hora. Eu só... estava morrendo de saudades. – Mamãe esticou a mão, seus cachos loiros, idênticos aos meus caíram ao lado de seu rosto. Estiquei a minha.
– Estamos morrendo de saudades de você... E não importa a hora ou o momento, pode mandar a mensagem de Iris sempre que precisar. – Uma lágrima caiu de meu rosto e logo soluços irromperam de minha garganta. – O que está acontecendo Annabeth?
Contei devagar toda a situação e de acordo com que o choro deixava. No final, mamãe assentiu.
– Não tenha medo. Percy como você mesma disse te ama. Tenho certeza que minha mãe não te fará mal e que colocará juízo na cabeça em Tritão.
– Você ainda parece ter fé nela... Mesmo depois de tudo que aconteceu...
– E você não? – Mamãe disse a papai, depois de seu comentário. – Ela é minha mãe, deusa da sabedoria, e sua avó também Annabeth. – Sequei as lágrimas e pensei nela.
– Mas ela é tão cabeça dura... E se acha que está certa, vai até o fim. Ela não queria que eu me cassasse com Tritão, nem imagino no que ela pensa sobre mim e Percy.
– Tudo vai dar certo, viu? – Sorri sabendo que nosso tempo estava quase no fim.
– Falarei com vocês o mais breve possível.
– Tudo bem. E olhe Annie, seu cavalo está morrendo de saudades de você também. Você está andando de cavalo? – Suspirei, fazia tanto tempo que eu não subia em um, que não sentia a velocidade que eu tanto amava.
– Não. Faz muito tempo.
– Pratique... Queria tanto que você viesse passar uma semana conosco, seria maravilhoso.
– Eu também queria... – A nevoa começou a se desfazer. – Tchau pai, Tchau mãe, amo vocês. – Eles responderam e a nevoa se dissipou. Chorei em silêncio por alguns minutos antes de baterem na porta.
– Annabeth? Annabeth? – A voz de Percy era meio desesperada. Eu acho que se ele estivesse ali há mais tempo eu não teria reparado de tão absorta que eu estava. Abri a porta e ele entrou, fechou e me puxou para seus braços.
– O que aconteceu? O que está acontecendo? – Seu cabelo estava bagunçado, e ainda era cedo, então com certeza eu o tinha acordado.
– Desculpa. Acabei de falar com mamãe e papai, só isso, você sabe como eu fico quando falo com eles. – Ele tocou de leve meu rosto.
– É só isso? Tem certeza? – Eu assenti, não queria atormentá-lo com minhas sensações de medo e insegurança, já bastava as deles para que eu lidasse.
– É isso Percy. – Eu ri levemente e ataquei sua boca, ele foi com tudo para trás e em seguida eu senti meu corpo pegar fogo, esquentar, suas mãos passearam por minha coxa e me fizeram subir para ficar mais colado a ele. Senti aquela sensação estonteante e quase indescritível quando beijava Percy, seu toque, seu cheiro, seu corpo, seu sabor me contaminavam. Tentei pegar fôlego e disse:
– Temos visita... Não podemos... – Ri fraco, imaginando Thalia e Nico no cômodo ao lado.
– Podemos. Pedi que Thalia e Nico nos deixassem a sós e passeassem pela praia por uma hora, e depois comprassem o café. Eles vão demorar o suficiente para eu ter um pouco de você agora. – E me atacou de novo. Desmanchei-me nos braços de Percy e deixei ele me embalar com seus toques, com suas caricias e nosso amor. Saímos do banheiro rindo e ele me jogou na cama. Passei os braços ao redor de seu pescoço. Beijei seu pescoço enquanto ele passava a mão por dentro de minha blusa. Agora eu não era mais aquela menina que não sabia de nada como antigamente, eu e Percy agora nos amávamos na mesma intensidade e ardor. Não que antes com minha experiência não tivéssemos nos amado, mas agora era diferente. Ele chegou a meus seios e eu suspirei extasiada. Ele traçou uma trilha de beijos de meu busto, depois que tirou minha blusa, até meus lábios. Tirei sua blusa e joguei pelo quarto. Minha respiração estava entrecortada quando ele me jogou para cima dele e eu ri fraco. Tirei meu pequeno short bem rápido e Percy fez o trabalho de tirar o sutiã enquanto beijava meus ombros. Ele era assim, nunca conseguia tirar seus lábios de meu corpo. Ele chupou um de meus seios e inverteu-os até eles ficarem vermelhos e eu o jogar com tudo para a cama novamente. Percy riu e passou a mão por minha bunda, em seguida ele puxou devagar a calcinha. Mas eu o parei, ele me olhou confuso.
– Sem tempo para isso hoje... Prometo amor, que quando eles forem você pode fazer o que quiser comigo. – Percy assentiu e me colocou para baixo, tirou minha calcinha, pegou uma camisinha na gaveta da cabeceira e se colocou entre mim. Suspirei quando ele se fundiu comigo. Eu amava a sensação de ele estar dentro de mim, de sermos só um, isso era uma das coisas que eu guardaria para toda minha existência. A sensação do nosso amor. Percy começou a se mover rapidamente, me fazendo gemer seu nome. Nossas respirações ficaram entrecortadas, nossos corpos se moveram juntos e o suor escorria. O quarto se tornou abafado e eu não conseguia me segurar, aquela explosão dentro do meu corpo podia submergir a qualquer momento, e eu sinceramente não queria segurar. E então, veio, minha visão rodou e eu fechei os olhos enquanto chegava ao clímax. Percy beijou meu queixo e abaixou para meu pescoço em seguida. Se jogou ao meu lado e me puxou para ele depois de se limpar.
– Está tudo bem? – Percy me perguntou e eu sorri.
– Sim. – Beijei-o. – Vamos, temos um longo dia pela frente!
...
Quando Thalia e Nico chegaram alguns minutos depois eu já estava arrumada para ir para o trabalho, cabelos ainda molhados e ajeitando a mesa.
– Oi pessoal... Desculpem-me pelo episódio mais cedo, não queria preocupá-los. – Thalia me abraçou e em seguida me largou.
– Não tem problema, Percy explicou e entendemos como deve ser difícil para você. – Nico se se sentou à mesa e Thalia se sentou no colo dele. Percy entrou na cozinha e se sentou à mesa também. Coloquei o café e peguei leite e suco.
– O que vocês irão fazer hoje? Eu vou trabalhar agora pela manhã e Percy também, eu só terei à tarde de folga.
– Vamos passear por aí! Falando nisso, a praia é um ótimo lugar para passar um tempo, acho que essa praia já se tornou especial para mim. – Sorri comprimindo os lábios para não rir. Nico e seu modo de falar acabavam com qualquer frase inocente que ele pronunciasse. Comemos conversando e planejando o que faríamos pela parte da noite. Combinamos de ir a um show que eu sabia que teria na cidade.
Fui para meu trabalho e o dia passou bem rápido, acho que eu estava feliz para ligar para qualquer coisa ou qualquer um, o que me fez relaxar. Quando voltava para casa, passei pela escolinha e Percy e eu fomos ao supermercado comprar alguma coisa para almoçarmos. Compramos o dobro do normal, já que éramos quatro e fomos para casa. Nico e Thalia ainda não tinham chegado, mas eu e Percy começamos a fazer a comida.
– Como foi seu dia?
– Normal. Você sabe como é... Aqueles meninos são pequenos anjinhos. – Percy falou com um sorriso no rosto.
– Tudo bem.
– E no seu trabalho?
– Foi bom, nada demais. – Conversamos diversas coisas e falei sobre a vontade que eu estava de andar de cavalo.
– Eu posso resolver isso Annie... Que tal mais tarde? – Sorri e dei um selinho nele. Nico e Thalia chegaram e eu coloquei a mesa. Percy depois de comer, foi para seu período da tarde. Nico me puxou para onde eu treinava e viu meus avanços. Eu lançava uma faca como ninguém, ele até ficou assustado.
– Annabeth, você anda treinando 24 horas por dia não é? Pelo amor dos deuses, você é muito boa! – Sorri.
– Quer ficar no meio do alvo enquanto eu treino? – Ele riu e Thalia gritou.
– Hey, que matar meu namorado? – Pisquei para ela.
– Então quer se candidatar?
– Vai lá Nico! – Nico fez careta e nós duas rimos.
– O amor é uma coisa maravilhosa não é? Você pensa tantas coisas e no final, está iludido. – Ele fez drama. Treinamos até o fim da tarde. Nico me ajudou a melhorar a minha habilidade com a espada, o que eu precisava, e logo em seguida disse que eu era boa, o que me deixou imensamente feliz. Quando achei que Percy já deveria estar chegando os chamei para casa e começamos a nos arrumar para a festa. Percy não chegou tarde. Eu estava esperando por ele na varanda quando ele chegou. Ele sorriu muito para mim, como se não me visse a menos de poucas horas. Ele veio meio que vacilante da minha direção, como se estivesse inseguro com relação do que fazer ao meu lado. Achei estranho, mas talvez fosse à saudade batendo nele. Peguei em sua mão e o puxei para mim. Seus olhos brilharam.
– Está tudo bem? Você veio cedo do trabalho. – Ele se retesou por um segundo e em seguida respondeu.
– Foi... Saí mais cedo. – Me analisou. – Você está linda! Para onde vai? – Semicerrei os olhos.
– Percy nós vamos para festa, esqueceu? – Ele levou a mão à testa e bateu como se tivesse esquecido algo crucial.
– Oh, desculpe Annabeth, eu me esqueci completamente. – Sorri beijando sua bochecha.
– Tudo bem. Vá se trocar. Thalia, eu e Nico esperaremos aqui... – Ele assentiu e entrou. Senti um arrepio correr meu braço e eu observei Percy ir para dentro. Algo dentro de mim estava me dizendo que tinha alguma coisa errada com ele. Thalia e Nico saíram de casa e vieram para meu lado.
– O que aconteceu com ele? Ele apareceu assustado quando nos viu...
– Eu não sei. Ele parece estranho mesmo. – Concordei. – O que pode ter acontecido? – Suspirei enquanto pensava, acho que melhor eu não pensar, ultimamente eu estava ficando muito paranóica com tudo isso. Era melhor eu parar. Talvez fosse somente Percy tendo um ataque estranho de esquecimento, só. Tentei me acalmar, e deu certo. Quando Percy saiu; ele estava parecendo melhor. Pegou em minha mão e as entrelaçou. Um ato um pouco estranho. Ele sempre passava os braços ao redor de mim, ou me pegava pela cintura, raramente fazia isso... É, acho que estou ficando paranóica. Fomos para a festa. Era em uma boate longe de casa, mas pegamos um táxi e chegamos em menos de dez minutos. Os meninos pagaram nossas entradas e eu sorri vendo as luzes piscando. As minhas memórias com relação à balada e Percy não eram boas, mas Percy já tinha me levado enquanto estávamos juntos e ele me fez esquecer as memórias ruins... Ou melhor, ele dizia que eu não esqueceria, mas que poderia substituir essas lembranças. Eu o puxei para a pista e tocava uma música eletrônica. Ele segurou meus quadris e eu me movi deixando a música me levar. Percy sorriu para mim e disse baixinho:
– Você está linda e é minha...
– Só sua! – Dançamos até meus pés estarem doídos e nossos corpos estarem grudentos de suor. Ri enquanto puxava para Percy para tomarmos alguma coisa. Sentei-me em um dos banquinhos e pedi uma coca-cola. Percy não queria nada, somente uma água.
– Fico feliz que decidiu não beber hoje... – Ele fez careta, mas sorriu pegando a água depois que o Barman colocou os copos na nossa frente.
– Eu vou ao banheiro, tudo bem? – Perguntei e Percy assentiu. Eu fui bem rápido no banheiro, voltei para o bar, mas não vi Percy ali, achei que ele iria me esperar. Fui até Thalia e Nico estavam e perguntei:
– Viram Percy?
– Ele saiu, disse que queria pegar um ar. – Thalia respondeu. – Tem algum problema? Quer que a gente vá com você ver como ele está? – Balancei a cabeça.
– Não. Obrigada. Eu estou indo! – Andei, ou melhor, quase corri para fora. Não tinha muitas pessoas do lado de fora, então foi bem fácil localizar Percy. Ele se segurava no muro e gemia baixinho enquanto tinha a mão na cabeça. Fui para o lado dele o mais rápido que meus pés deixaram.
– Percy... Percy! Você está bem? – Ele não ergue os olhos. Suspirou enquanto mexia na testa e em seguida soltou um gemido de dor. Toquei nele, preocupada. Levantei seu rosto.
– Percy? Fale comigo... O que está sentindo? Quer que eu te leve para o hospital? – Ele não respondeu. Só continuou gemendo de dor. Eu estava morrendo de medo do que ele poderia estar sentindo. Ele apertou minha mão com força e me puxou para eles antes de parar de gemer de dor.
– Como você está? Fale comigo!
– Eu... Eu... Eu estou bem. Foi só uma dor na cabeça. – Eu mesmo assim estava morrendo de preocupação. Olhei seu rosto por alguns segundos enquanto pensava se seriamos ir melhor ir para casa e acabei achando a melhor solução.
– Vamos para casa... Nico e Thalia podem ficar, mas é melhor que você e eu...
– Eu estou bem Annabeth.
– Não. Não está! E vamos logo! – O arrastei para dentro e fui até onde Thalia e Nico estava. Eles decidiram voltar com a gente, então, quando chegamos fiz Percy tomar um banho e tomar um analgésico. Ele parecia esgotado quando se deitou na cama, fiquei ali alguns minutos e logo em seguida ele dormiu. Fui para a sala pensativa. Sentei-me no sofá e logo Thalia e Nico estavam cada um ao meu lado.
– O que aconteceu? Percy está bem?
– Está. Mas eu estou realmente preocupada com ele. Será que ele tem alguma doença? Ele nunca ficou assim, ele é bem resistente. – Concluí.
– Calma Annie, tenho certeza que foi só uma dor de cabeça. – Tentei ouvir Thalia, mas nada me deixou quieta. Nada.
...
Pov. Autora*
...
Tritão entrou com tudo no chalé de Hécate e viu Lavínia fazer uma careta para ele. Ela largou o livro que deixou de lado e suspirou.
– O que está fazendo aqui?
– A dose foi fraca. Ele é mais forte do que você achava. Não vamos conseguir se você não fizer isso com força total...
– Eu não posso usar mais do aquilo, é proibido! Matariam-me se descobrissem o que estou fazendo... – Ela foi para mais perto dele e sussurrou:
– Esqueceu onde estamos? Aquilo é magia negra! – Tritão curvou os lábios em sinal de desgosto.
– Só você pode fazer isso. Eu pago o quanto for necessário, você tem que fazer! Irá fazer ou...
– Não me ameace seu estúpido! – Tritão pegou o braço de Lavínia e ela levantou a mão para dar um tapa nele, mas ele segurou a mão dela.
– Eu te dou o que você quiser... – Lavínia mordeu os lábios.
– Tentador... Acho que podemos acertar algumas coisas, mas você terá que me dar proteção e...
– Tudo que você quiser. – Tritão disse e Lavínia sorriu e se ergueu. Tritão foi de encontro à boca de Lavínia e eles se beijaram com fervor. Tritão fechou a porta com os pés e logo os dois estavam estirados na cama.
– Eu farei.
– E eu vou conseguir o que eu quero. Acabar com meu irmãozinho!
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