Ino Enchanted
7 Capítulo 7
Mordo meus lábios. Acho que ele não irá mais me mandar nada... o que me deixou triste. Mas por insistência começo a ligar pra ele.
—Oi hm.—Ele diz ao atender.. parecia que ele estava na rua.
—Está na rua?—Perguntei me ajeitando na cama e mexendo numa mexa do meu cabelo.
—Estou hm.—Ele respondeu.—Voltando do trabalho.
—Que tarde...—Eu disse olhando pro relógio da mesinha. Eram quase meia noite..
—Sim hm.
—É aquele seu segundo emprego?—Perguntei.
—É sim hm.—Ele diz.
—Vai me dizer do que se trata?—Perguntei me remexendo na cama.
—E seu filme? Do que se trata hm?—Ele ignorou minha pergunta.
Ao fazer essas perguntas, sinto um mal estar voltando. Não fazem nem uma hora que aquele pervertido foi embora e as lembranças do seu assedio voltam a tona.
—Não quero falar sobre.—Eu disse um tanto fria.
—Idem hm.
—Eu...—Eu confesso que ás vezes esse nosso joguinho de trocar meias palavras me incomodava , dependendo da situação.—Sinto sua falta, é isso.—Concluo me sentando na cama.
—Eu também baixinha hm.—Ele diz. Ouço o som de portas se abrindo, provavelmente chegou em casa.—Vai passar quanto tempo ai hm?
—Uns... cinco ou seis meses.—Eu disse desapontada.
—Que assuntos familiares são esses hm?
—Bem...eu... não posso contar.—Eu disse depois de suspirar.
—Kusou Ino , você não fala nada hm.
—Você também não Baka.—Retruquei.
Eu queria falar... mas não podia por quê... porque estava com vergonha. Vergonha de ter sido assediada.
—Queria um sorvete.—Eu me jogo na cama.
—Está tarde hm.—Ele me adverte.
—Sorvete é bom a qualquer hora.—Informo.
—Hm.—Ele diz.—Como foi seu dia?
—Cai dum cavalo.—Eu disse de imediato.
Ouço que ele segurava uma risada.
—Em minha defesa, ele era enorme.. e eu nunca andei num cavalo.—Eu disse sarcástica.
—Então está de férias ai hm.—Ele diz por fim.
—Não.—Eu disse num suspiro.
—Está cansada?
—Muito.—Admito.
—Vai dormir hm?
—Vou...—eu me levanto.—Mas primeiro vou me banhar.
—Hm.
—Boa noite.
—Boa noite hm.
No dia seguinte eu só acordei com as batidas de Kakashi na porta. Segui a risca a rotina de Izumi ... o que me deixou mais emburrada do que ontem.. era horrível viver daquele jeito. Era horrível tudo... com toda certeza não vou deixar de dizer que ter essa vida é uma merda.
—Senhorita Yamanaka.—Uma moça me tirou dos meus pensamentos.
Eu estava na biblioteca , lendo livros de história de gente que nem é mais lembrado nessa terra.
—Seu chá.—Ela me entrega o copo.
—Obrigada.—Eu disse.
—Está tudo bem com a senhorita?—Ela perguntou me analisando.
—Está sim.—Eu digo tomando um gole a contra gosto de chá.
—Parece distante..—Ela diz.
—Imagina..—Eu digo tentando sorrir.
—Tenho boas notícias para animar seu dia, sua mãe vai vim te ver amanhã.
Eu não tinha nada em minha boca. Mas eu engasguei, engasguei por uns dez minutos. Foi assustador... me vi cercada de pessoas dando tapas em minhas costas e perguntando se eu estava bem. Foi constrangedor ter de repetir várias vezes que eu estava bem...
Como se não bastasse ter um caso com o noivo de Izumi, agora terei de lidar com a mãe dela... droga... o que farei? Somente a noite eu iria poder Contatar ela... O que eu faço agora? Ela não pode me ver... e nem me ouvir.
—Uma sopa.—Uma moça me entrega na mesa.—Para melhorar a garganta...
Tomei a sopa em silêncio...e a cada colher que eu colocava na boca , uma idéia maluca brotava em minha mente. Se eu ficar resfriada... ela não vai reconhecer minha voz...
Mas como se pega um resfriado?
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Era duas da manhã, estava um frio absurdo.... E eu consegui sorrateiramente pegar um saco de gelo da cozinha, e o joguei na banheira e enchi de água gelada. Era uma ideia estúpida? Era. Mas era necessário. Com muita dificuldade eu entro na banheira gelada, e fico ali batendo queixo por no máximo vinte minutos... saio do banheiro enrolada em três toalhas. Era difícil caminhar... mas dei meu jeito. Coloquei um pijama fino e deitei na cama.
No dia seguinte , não consegui nem se quer mexer meu pescoço. Meu nariz estava entupido e minha garganta estava trancada. Eu mal conseguia abrir meus olhos...
—Senhorita?—Kakashi batia na minha porta.
—Sim?—Eu disse com dificuldades.
—Sua mãe chegou para tomar café com você.—Ele informa.
—Estou doente.—Eu digo.
Ele abre a porta e me vê encoberta por diversas cobertas. Estava com as bochechas e os olhos vermelhos... nem meu pai iria me reconhecer se me visse.
—Vou chamar os médicos.—Ele diz me deixando sozinha.
Não demorou muito, para minha tia chegar no quarto. Eu a vi poucas vezes durante toda a minha vida.. e posso dizer com propriedade, que ela exagerava na plástica a cada vez que eu a via.
—Filha.—Ela passou a mão em meus cabelos.—Como está me sentindo?
—Bem..—Eu disse com dificuldades.—Fico feliz em te ver.—Eu menti, eu precisava convencê-la.
Ela me manda um sorriso solidário.
—Você está tão crescida.—Ela diz me analisando.
Fecho meus olhos , e começo a pensar em alguma resposta pra lhe dar.
—Mamãe.. eu gostaria de dormir... pode me deixar sozinha?—Eu digo.
Ela concorda, me dá um beijo na testa e diz que vai voltar mais tarde com uma sopa.
Assim que vai, começo a digitar para Izumi.
“Sua mãe está aqui... e eu tive que ficar gripada pra ela não me reconhecer.. você me deve umas sete.” Eu mandei.
“Oi, eu estou gripada.” Eu mandei para Deidara. “Poderei mandar mensagens o dia inteiro.”
O lado bom de estar doente era que você podia ficar na cama o dia inteiro. O lado ruim, é que... você não raciocina muito bem.
“Você tem horários para mexer no celular?” ele mandou. “Que merda de parentes te limitam de usar o telefone?”
Me vi sendo pega na minha própria mentira. Parabéns Ino.
“Não... quer dizer.. sim... eu” eu mandei.
“Fala.” Ele mandou.
Eu não podia. Então simplesmente deixo o celular de lado e fecho os olhos. O que eu faço? Conto a verdade ou conto outra mentira?
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