Ino Enchanted
15 Capítulo 15
Acordo por volta das quatro da tarde. Minha cabeça doía e meu estômago roncava. Fico sentada na cama por uns minutos, fico refletindo sobre a vida e logo tomo coragem e saio da cama.
Estava tudo muito quieto, talvez ele tenha ido trabalhar. Vou até a cozinha, na esperança de encontrar algo comestível... quando chego lá , dou de cara com ele...
—Deidara.—Eu digo surpresa.
Ele não se surpreende ao me ver, tinha um copo em mãos, parecia que estava bebendo.
—Oi hm.—Ele diz voltando sua atenção pro copo.
Caminho até uma cadeira livre, perto dele. Depois de dormir eu já havia esfriado a cabeça. Estava preparada praquela conversa.
—Não falei antes porque... teoricamente é problema da minha prima..—Eu disse, mexendo meus dedos.
Ele não parou de olhar pro copo.
—E... eu quis guardar esse detalhe entre eu e ela.—Eu disse, senti que me livrei de um peso nas costas ao dizer isso.
—Parece que muitas coisas aconteceram enquanto estava fora hm..—Ele disse.
Eu o observei atenta.
—Er...
—Ele... te forçou.. ?
—Não aconteceu nada!—Eu o cortei, eu estava começando a entender aonde aquela conversa estava caminhando... ciúmes.
—Kusou.—Ele resmungou.
Notando que ele iria ficar alí, admirando sua bebida, vou até a geladeira e a abro. Não havia nada ali ... só garrafas de água. Para meu azar.
—Tem algo pra comer?—Pergunto , quando abro um armário de panelas.. eu queria quebrar aquele clima.
—Na dispensa hm.—Ele diz.
Olho em volta e vejo um armário grande. Deve ser isso... fico surpresa ... admito, na minha humilde casa, guardamos as refeições debaixo na pia... chegando lá, vejo que tinha muitas coisas enlatadas vencidas... definitivamente ele não cozinha com frequência...mas.. pra minha sorte, vejo um biscoito de água e sal. Pego alguns e logo volto pro seu lado.
—Não deveria beber a essa hora...—Eu digo, recostando minha cabeça no ombro dele.
—Eu não deveria fazer muitas coisas hm.—Ele respondeu , depois de um longo suspiro.
Ele não estava falando só da bebida, estava falando do que aconteceu a algumas horas...e eu não sabia como reagir... estava apenas chateada pois em algumas horas eu iria embora da cidade. Iria embora “brigada” com meu melhor amigo.
—Então...—Eu resolvo quebrar o silêncio , levantando a cabeça e me ajeitando na cadeira.—Se arrepende de ter me beijado?—Perguntei sarcástica.
Ele me olha, finalmente.
—Eu não disse isso hm.—Ele disse sorrindo torto.
Eu retribuo o sorriso. Aproveitar os pequenos momentos, é o ditado.
—Bom...—Eu me levanto e fico na frente dele.—Se quer saber , eu também não me arrependo.
Ele logo se levanta, devo confessar que pela quantidade de bebida que ele bebeu , me admira ele estar andando normalmente. Ele coloca o copo na pia e logo vem ao meu encontro.
Caminhamos em direção a sala, eu mal vim aqui três vezes e já me sentia nostálgica ... talvez seja pelo fato de eu estar com ele. E também pelo fato de eu começar a gostar dele .. daquele jeito especial e.. quem sabe ele também sente o mesmo por mim... e estamos sozinhos no apartamento dele... nossa ... que calor.
—Deveria dormir..—Sugeri , me virando pra ele.—Quero dizer... você bebeu tanto..
—Não estou bêbado ou coisa do tipo hm.—Ele me assegurou.—Na verdade estou inspirado a esculpir minha arte hm.
Eu sempre quis fazer isso também.
—O que te inspirou?—Pergunto como quem não quer nada.
Antes que ele pudesse responder, meu telefone toca e logo atendo. Era meu pai, dizendo que “meus” seguranças me esperavam..
—Okay...—Eu desligo o telefone triste. Minha liberdade durou tão pouco... eu gostaria de ter aproveitado mais.—Tenho que ir...—Eu digo suspirando pesado.
Ele fica na minha frente.
—Quanto tempo falta hm?—Ele perguntou, me olhando no fundo dos olhos.
—Dois ou três meses... ou talvez mais um pouco..—Digo desviando o olhar, despedidas não é meu forte.
Ficamos em silêncio por uns segundos.
—Baixinha hm.—Ele me chama.
Levanto minha cabeça lentamente e me surpreendo quando ele me beija.
—Te acompanho até em casa hm.—Ele diz pegando minha mão e caminhando até a porta.
Estava vermelha, o coração estava acelerado. Já nos beijamos algumas poucas vezes... mas estávamos bêbados.. ou quase... ou pelo menos eu estava e... ai está. Não encontro desculpas pra admitir o fato de que temos um relacionamento amoroso diferente... ou amizade colorida.
Entramos no táxi. E eu não conseguia dizer nada... o motivo.. óbvio , eu iria voltar praquela vida. A vida que minha mãe teve, a vida que Izumi tem e a vida que eu tenho agora... e que nenhuma das três queria ter. A cada esquina dobrada , eu bolava um plano na cabeça pra não voltar... desistir, e começar a escrever minha história com Deidara... mas em contra partida, eu queria ajudar minha prima... eu queria que ela aproveitasse a vida.. mesmo que não sejamos as melhores primas do mundo... eu tenho muita empatia por ela.
—Me manda mensagem...—Eu disse, quando o carro parou. Eu segurava sua mão.
—Sim hm.
—Você tem muitas latas vencidas...—Eu enrolava.—Tem que jogar fora. E..
Ele me ouvia atentamente, parecia que queria que eu enrolasse mais e mais, para ficarmos juntos...
—E me assista na Tv.—Eu digo, quando vejo meu pai, na porta de casa.—Usarei um vestido incrível.—Era mentira... eu nem se quer sei como será meu vestido de casamento.
—Tenho certeza que sim hm.—Ele diz.
Eu lhe mando um sorriso tímido, lhe dou selinho e saio do carro. Uma onda gelada invade meu rosto quando saí. Vou até meu pai , que estava preocupado com meu paradeiro.
—Aonde... quero dizer.... você ficou fora o dia inteiro praticamente.—Ele dizia.
Mordo meus lábios e penso numa boa resposta.
—Sua patroa esteve por aqui..—Ele começou de novo.—Ela queria lhe dizer pessoalmente, mas como você não estava... bem..—Ele me entrega um envelope.
Eu abri e logo percebo que era uma carta de demissão.
—Mas por quê....?—Eu perguntei, mas parei quando vi o carro preto chegar. Guardo o papel no envelope novamente.
—Longa história.—Meu pai disse, me dando um abraço apertado.—Sinto sua falta.
Eu retribuo o abraço. Não consigo ficar brava com ele, por ser um pai coruja. Sou sua única filha, que atualmente mora longe pra viver uma vida que sua falecida esposa desejava que eu não tivesse... ah que bagunça. Lentamente eu me afasto dele, e vou em direção ao carro preto.
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