Ino Enchanted

3 Capítulo 3


Eu fiquei em choque. Se fosse qualquer outra pessoa , eu iria cair na gargalhada agora... diria coisas do tipo .. “Você é louca” ... “Eu , ser você?” .. “Você bebeu?” e tudo mais. Mas ela era minha parente, poxa.

Eu senti meu estômago revirar. Estava suando frio , eu não conseguia falar. Eu ainda processava aquilo tudo. Como alguém como eu... poderia viver a vida dela? Isso é tão invasivo...

—Eu...—Foi a única coisa que consegui dizer , mas antes que eu pudesse negar o pedido, meu pai se aproximou de mim.

—Filha.—Ele segura minha mão.—Antes de dar a resposta pra sua prima...—Ele tira um papel do bolso.—Quero que leia essa carta, da sua mãe.

O olhei assustada.

—Você concorda?—Perguntei.

—Eu me preocupo com você mais do que tudo, pois eu a amo.—Ele me olhava fixo nos olhos.—Mas eu também amo sua prima e sua família.

Engoli um seco.

Fui pro meu quarto , ter um pouco de privacidade... estava ansiosa , então corri para o chuveiro e tomei um banho longo e gelado. Sai, e estranhamente não fui pro celular. Fui direto pra carta de minha mãe.

Ao começar a ler, senti lágrimas escorrer dos meus olhos. Minha mãe faleceu quando nasci. Nunca tive a oportunidade de trocar palavras com ela... mas ela, de sua destreza falava comigo, por meio de cartas que ela havia escrito.

Desde bem nova , ela era doente. Ela vivia a base de remédios... pois tinha o coração fraco. Ela sabia que .. sua vida era limitada. Sabia que não poderia ter uma vida como as demais meninas... e isso a deixava triste. Até o dia que ela conheceu meu pai, e juntos me tiveram. E ... por amor, e sabedoria talvez, ela sabia que não me veria crescer... então desde o primeiro mês de gravidez ela escrevia cartas para mim. Me advertia.. me ensinava as mudanças que meu corpo sofreria ... até mesmo me falava sobre os rapazes. Aquilo com certeza me ajudou , na vida.

Mas algo naquela carta em especial , mexeu comigo. Minha mãe, assim como Izumi cresceu na realeza. Por ser doente, sua irmã virou a rainha e foi dada em casamento. Mas isso não deteve a criação ‘de princesa’ que ela teve. Ela cresceu, tendo aquela vida. Na carta, ela dizia que queria que eu tivesse uma vida normal. Uma vida de uma menina normal. Nada de morar em castelo e ter cinquenta mordomos atrás de mim ... pois por mais que aquilo fosse “prazeroso” não podia ser considerado ter uma vida. Uma vida , é quando saímos com nossos amigos para o cinema, e comemos na lanchonete em seguida. Uma vida, é você sair da escola e dar um pulo no fliperama ou até mesmo beijar um rapaz desconhecido. Ter uma vida era tudo. Menos viver na realeza. E ao concluir a carta, senti meu peito arder... arder de empatia pela minha prima Izumi, que nunca teve isso, e provavelmente , se eu não aceitasse , ela nunca teria.

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—Você vai pra onde?—Perguntei me sentando no sofá.

—Quero fazer um tour pelo mundo..—Ela diz tímida.—Sempre quis escalar o monte Everest ...

—Legal.—Eu disse , mexendo os polegares.—E ... esse príncipe... ele já te viu? Quero dizer... se alguém chegar bem perto de nós, verá a diferença.

—Ele só me viu de longe.—Ela garante.

—Não tem como eu simplesmente sair do meu trabalho ... –Eu comecei.—Quero dizer... você vai precisar me cobrir durante alguns dias e depois viajar.

—Eu topo, qualquer coisa.—Ela parecia desesperada.

—Certo...

—E também, Kakashi ... ele vai te ajudar lá dentro.. não se preocupe.

Suspirei.

—Me passa seu número, para que possamos trocar mensagens.—Eu disse ligando a tela do meu telefone.

Para minha surpresa, Deidara havia me feito a mesma pergunta de ontem... “Vai sair hoje?..” mas infelizmente já estava tarde para sairmos.

“Desculpe, longo dia. Só vi sua mensagem agora.... eu gostaria muito de sair =( “ eu mandei, na esperança de ele estar online.

—Anota ai.—Izumi disse.

Trocamos nossos números.

“Está tudo fechado.” Ele me mandou.

“ =( “ eu mandei.

—Bem... nós precisamos trocar de roupas.—Izumi disse , me tirando a atenção do telefone.

—Como é?—Perguntei assustada.

—Eu cheguei assim.—Ela fez um gesto para sua roupa.—Preciso ir embora assim..

—Ah... –Eu disse desconfortável.—Vamos lá pro meu quarto.

Decidimos que a troca seria feita agora. Hoje eu iria ir embora de jatinho para o exterior e ela iria dormir na minha cama simples. Enquanto me trocava... uma onda de adrenalina me veio. Deidara... eu não contei pra ele que eu iria ficar fora por um tempo.

—Eu preciso sair.—Eu disse parando de colocar as roupas dela.

—Hã?—Izumi me olhou.

—Eu tenho que me despedir de um amigo.—Eu disse tirando a roupa dela.

—Ino, você não pode.—Izumi coloca a mão nos meus ombros.—Ninguém pode saber disso.

—Mas ele vai me reconhecer!—Retruquei tirando a mão dela de mim.—Quando você for trabalhar... pode ocorrer de esbarrar com ele... e...

Izumi pisca várias vezes para mim.

—Ele é seu....

—Amigo! Amigo ! Amigo !—Eu disse.

Ela me fitava.

—Então por quê está nervosa?

—Não estou.

—Então , por quê precisa se despedir dele?

Engoli um seco. Tenha foco Ino, tenha foco.

—Que se dane.—Eu a ignorei , voltei a colocar a roupa dela.

—Obrigada.—Izumi diz, quando termina de por meu pijama.—E boa sorte.

—Pra você também.—Eu disse a deixando no quarto.

Fui até a sala, e dou um longo e apertado abraço em meu pai. Conversamos um pouco mais sobre a mamãe, até ouvirmos a buzina de um carro.... era minha deixa. Me despedi , civilizadamente de Izumi e logo entrei no carro.

Meu coração palpitou quando o motorista me cumprimentou... chamando-me de “Izumi” ... então , isso significava que o plano estava dando certo, né?

Senti novamente uma dor no estômago, quando li a mensagem de Deidara em meu celular.

“Posso ir ai , se quiser.”

Maldito loiro dos olhos azuis, que mexia com meus sentimentos.

Continua...