Ino Enchanted
23 Capítulo 23 - Querida Filha
Quando anoiteceu, resolvi mexer no telefone... coisa que havia evitado.
—Vejamos...—Eu digo olhando as mensagens.
“Ino, você confirma?” tenten havia me mandado ontem a noite.
Fico pensando no que ela queria dizer, e logo me toco. O casamento! O convite...
“Vou ir sim!” Eu mando, espero que não tenha sido hoje...
Eu me levanto e começo a procurar o convite que ela deixou com meu pai. Levei umas meia hora pra achar, mas achei.
—Oba!—Eu digo animada, era só daqui a dois dias...—Dá tempo.—Respiro aliviada.
“Ótimo!” ela mandou. “Amanhã cedo ás meninas farão um chá de lingerie ... te espero aqui em casa!”
Fico olhando a mensagem dela, será que eu deveria ir? Afinal, num chá tem bebidas e coisas assim.. e eu não poderia ariscar fazer algum mal ao bebê de novo... e eu não estou planejando contar pra ninguém que estou grávida...
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No dia seguinte, eu acordo cedo. Tomo um café reforçado... estava com uma fome absurda. Enquanto comia, eu assistia o noticiário na Tv... falava sobre o caso Izumi. Anunciaram que ela e a mãe morreram e que sete pessoas ficaram gravemente feridas, inclusive Sai...
Confesso que não vi toda a notícia, fiquei enjoada quando o jornalista começou a falar seus pêsames para Izumi. Ela não merecia aquilo... e eu não era obrigada a ver aquela palhaçada.
Sai de casa e fui direto pra casa da Tenten. Fui a última a chegar, todas tinham bebidas nas mãos, mesmo sendo de manhã cedo.
—Ino-Chan!—A morena me cumprimenta.—Venha beber conosco.
—Obrigada.—Eu digo me sentando no sofá.—Mas não.
—Por quê?—Todas me olham.
—É que eu tô com uns... problemas.—Eu digo, tentando achar uma desculpa.
—Como assim?—Sakura se senta ao meu lado.
—É que...
—Fala..—Hinata se sentou do meu outro lado.
—Meu pai foi baleado.—Digo por fim.
A atmosfera mudou... todas estavam de boca aberta. Definitivamente ... eu estraguei a festa. Para tentar amenizar, eu disse que ele estava bem... e que logo voltaria pra casa. Eu não queria estragar os momentos felizes dela... afinal , não foi fácil convencer os pais dela praquele casamento inesperado.
Mesmo sem beber, eu me diverti bastante com elas... distrair a mente era o melhor remédio pra mim naquele momento. Quando o dia chegou ao fim, eu cheguei em casa e fui direto pro banho. Logo , comi uma lasanha inteira e fui dormir.
Na manhã seguinte, eu passei boa parte do meu tempo escolhendo um vestido. Eu precisava estar bela pro casamento....
—Azul...—Eu digo analisando um vestido de festa.—Acho que será esse...
Separo minha roupa e logo vou lavar o cabelo. Tirei o dia pra cuidar de mim.. e como isso me fez bem.. aos poucos , eu estava deixando o caso Izumi de lado...
Na parte da tarde , fui no hospital.. na esperança de ver meu pai melhor, seria hoje que contaria que estava grávida... mas... eu tive um choque quando cheguei lá... ele ... ele... não estava mais lá. Fui informada que ele havia falecido... poucos minutos antes de eu chegar.
Eu não queria acreditar... não podia ser verdade... meu pai... que cuidou de mim... não estaria mais lá por mim.
—Senhorita , você está bem?—Uma enfermeira perguntou.
Eu nem se quer tive a oportunidade de dizer adeus... eu te amo. Como eu pude ser tão... fria? Eu me sentia zonza... estava com dificuldades em respirar... a última coisa que me lembro de ver , antes de desmaiar foi a enfermeira... ela tinha olhos azuis.. como os meus..
Acordei num quarto de hospital, de novo... devo admitir que ficar alí me deixava enjoada. Mas nada mais importava... afinal, meu pai havia partido.
Ouço batidas na porta, por intuição, achei que fosse Deidara , mas não... era um médico.. que me deu uma bronca por ter desmaiado, de acordo com ele... eu deixei todos a minha volta assustados.
—Se cuide mamãe.—Ele disse, enquanto media minha pressão.—Para a saúde de vocês...
—Sim.—Eu digo sem vontade.
Estava mal... nada me tirava daquela tristeza profunda.
—Aqui, tome essas vitaminas..—Ele me entrega.
—Tá...
—Você já está de alta, tem alguém que possa vim aqui te buscar?
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—Oi ...—Eu digo , quando vejo Deidara.
Ele só se aproxima , parecia chateado com nosso desentendimento de antes... não tiro sua razão.
—Eu...—Eu comecei, ficando de pé e pegando minha bolsa.—Eu... sinto muito por antes... eu perdi a cabeça..
Ele concorda com a cabeça. Vou ao seu encontro e lhe dou um abraço.
—Eu ... estou sozinha agora.—Digo, segurando pra não chorar.
—Baixinha hm.—Ele começa , colocando seus braços em volta de mim.—Você é durona, vai saber lidar com isso e... eu estou aqui pra você hm.
Como eu me sentia culpada ... por ter ficado brava com ele... Deidara foi o único que sempre esteve do meu lado, depois do meu pai.. e eu.. nunca se quer o agradeci.
—Obrigada.—Eu disse me afastando.—Eu nunca te agradeci... por .. sempre estar comigo.
Ele beija minha testa.
—Você não precisa hm.—Ele pega minha mão e juntos caminhamos em direção a saída.
Aquele dia foi um pouco ‘trabalhoso’ pra mim. Tive que abrir o jogo para as meninas, afinal, eu não fui ao casamento de Tenten... falei que meu pai faleceu, que estava grávida e estava procurando um emprego. Elas ... claro, entenderam minha situação e até mesmo começaram a distribuir currículos pra mim..
“Não faz esforço...” Sakura mandou.
“Só estou no começo da gravidez... posso fazer muitas coisas.” Eu mando pela milésima vez ...
Elas estavam muito agarradas a mim, não que fosse ruim.. mas, ás vezes sufoca.
De noite foi o velório... poucos parentes apareceram, foi bom porque eu não estava no clima de sentar e conversar com ninguém. Nem mesmo ás meninas vieram, pois tinham que trabalhar no estágio ... o que super entendo. Mas elas fizeram questão de me mandar textão sobre o luto. Fiquei grata por isso.
—Melhoras.—Uma tia distante disse, me abraçando.
—Obrigada.—Eu digo, já cansada de falar.
—Você está bem hm?—Deidara perguntou , notando minha expressão.
—Só queria um copo d’água.—Digo entre suspiros.
Ele logo se afasta pra pegar, enquanto se afastava.. noto umas pessoas “familiares” que prendem minha atenção.
—Ela não teria a audácia...—Eu digo caminhando em direção a eles.
Mas sim, era Izumi... acompanhada de Sasori. Ela usava uma peruca...
—O que faz aqui?—Pergunto, cruzando os braços.
Ela parecia abatida, ao me ver.
—Eu... eu...—Ela gaguejava.—Vim prestar minhas condolências.. já que não fui no velório da minha mãe...
—Não preciso.—Digo ríspida.—Afinal você tem culpa disso...
Ela abaixa a cabeça, definitivamente parecia diferente da última vez que a vi. Parecia que a culpa havia batido em sua consciência.
—Podemos conversar?—Ela pergunta , olhando em volta, talvez torcendo para as pessoas não a reconhecerem.
Reviro os olhos.
—Não tenho nada pra falar com você.—Eu digo. Deidara estava do meu lado...—Você já me destruiu demais... só ... vai embora e não me procure.
—Ino...—Ela insistia.
—Não... –Eu lhe dou ás costas.
—Eu não aguentava mais... tá bom!—Ela dizia entre lágrimas.—Eu precisava fugir de lá...—Eu me viro.—Eu sei que ... fui fria ao atacar minha mãe e seu pai mas.. eu precisava...
A cada palavra que ela dizia, eu tinha mais vontade de socar sua cara. Eu sei que ter aquela vida não era a melhor coisa do mundo... mas matar? Matar pessoas inocentes? Isso não entrava na minha cabeça como justificativa. Ela podia simplesmente ter fugido no altar ou ... fingir um sequestro... ou sei lá... mas matar? ... não , ela podia ter feito escolhas melhores.
—Izumi...—Eu comecei.—Some.....afinal ... você conseguiu o que queria... agora vai lá, viver sua vida. Mas lembre-se, você está coberta de sangue.—Eu lhe dou ás costas e caminho.
O velório pra mim já havia chegado ao fim.
—O que vai fazer agora?—Pergunto distraída.
—Dormir talvez hm.—Ele diz.
Dormir seria uma ótima mesmo. Mas eu queria fazer algo a mais..
—Quer tomar sorvete comigo?—Pergunto, animada.
Ele me olha surpreso.
—Baixinha... já são meia noite hm.
Solto uma risada baixa.
—Não tem hora pra tomar sorvete.—Eu digo olhando em volta , na esperança de encontrar uma loja aberta.
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Depois do sorvete, Deidara me convidou para passar a noite com ele. Aceitei pois não queria ficar sozinha em casa...
—Casa.—Eu sussurro quando chegamos no apartamento dele.
—Hm?
—Quero dizer... ficarei sozinha...—Eu tirava meu casaco.—De agora em diante...
Ele me analisa... Deus, como odeio quando ele faz isso.
—O que foi?—Pergunto.
Ele sorria torto.
—Yamanaka Ino.. hm.—Ele se aproxima de mim, pega minhas mãos e me encara.—Quer casar comigo hm?
Fico sem reação... afinal, uma maré de azar sobreveio sobre minha vida a poucos dias... tudo ia de mal a pior... e ele, do nada me pede em casamento? Nossa... eu não esperava por essa...
—Eu...—Eu começo a ficar nervosa.—Eu... eu...—Olhos pros lados.—Eu fico do lado direito da cama.—Concluo.
Sempre tem uma luz no final do túnel, é o ditado né?
Os dias iam passando, e eu tinha muito trabalho a fazer... tinha que encaixotar as coisas de meu pai.. coisas para doar, para jogar fora e para vender... afinal, eu iria colocar aquela casa pra alugar, já que iria morar com meu futuro marido. Enquanto encaixava suas coisas, percebo que embaixo de um de seus livros havia uma carta... endereçada pra mim! Curiosa, começo a lê-la..
Queria filha...
Hoje foi o dia em que você chegou a esse mundo. Seja muito bem vinda! Eu e sua mãe amamos muito você, já sabemos que você é a nossa luz... nossa alegria , nosso maior tesouro.
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Recentemente você se formou do colégio, que orgulho! Você está crescendo tão rápido... vá com calma por favor...
Filha... percebo que está entrando naquela vida de adolescente ... vivo puxando sua orelha pra tomar cuidado. Afinal, os jovens hoje estão muito violentos...
Mas tudo bem , você tem aquele jovem... Deidara né? Rum, a senhorita nunca me apresentou oficialmente esse seu namoradinho hein mocinha, estou de olho em vocês.... Ele parece ser boa pessoa... espero que sejam felizes juntos , afinal... você é muito difícil de lidar e para estarem juntos até hoje, com certeza ele te ama, assim como eu.
Filha, talvez você leia esta carta quando eu já tiver partido ... não sei quando vai acontecer, mas ... quero que sabia que amo você e estou cheio de orgulho por ter uma filha bonita e amorosa como você... Quero que seja feliz... todos os dias de sua vida. Não guarde rancor de ninguém pois , isso consome muito de nossa vida, apenas .. aprenda a perdoar e siga seu caminho. Bom, não vou dar conselhos sobre a vida pra você, como sua mãe fazia... sou péssimo nisso, você sabe... .enfim...
Parecia que ele iria escrever mais coisas , mas a carta havia terminado ali... confesso que chorei enquanto lia.. meu pai se esforçou em escrever uma carta pra mim... assim como minha mãe fazia... quanto amor. Guardo a carta , num envelope que irei levar pra minha nova casa.
—Pronto.—Digo secando minhas últimas lágrimas. A última caixa foi empacotada.. eu a pego e caminho em direção a sala..
—Deixa comigo hm.—Deidara gentilmente pega a caixa da minha mão e coloca junto das outras.—Você tá bem hm?—Ele pergunta, vendo minha cara inchada de tanto chorar.
—Sim sim.—Afirmo lhe mandando um sorriso tímido.—É que...Deidara...
Eu chamo sua atenção.
—Eu sou uma garota difícil de se lidar?—Pergunto.
—É sim hm.—Ele diz até que rápido demais...
—Não sou não!—Retruco, cruzando os braços.
—Por quê da pergunta hm?
—Meu pai disse numa carta..—Informo.
—Ele tinha razão hm.
—Para..—Eu digo lhe dando uma cotovelada.—Não sou não!
Conversamos enquanto arrumávamos as coisas, fazer aquilo foi muito importante pra mim... sentia que estava dando um passo a mais para minha vida adulta.
Quando finalmente esvaziamos a casa, me lembrei instantaneamente do primeiro dia em que cheguei aqui... quantas lembranças... que sempre guardarei comigo.
Agora... eu estava virando as páginas da minha vida. Eu não sabia o que viria daqui pra frente... mas sabia que eu sempre poderia contar com Deidara... meu marido! Ah , como é bom poder dizer isso... podia contar com minhas amigas.. afinal, se não fossem por elas , eu não teria conseguido arrumar um novo emprego, já que aparentemente Izumi teve alguns desentendimentos com alguns clientes da floricultura que causou minha demissão.... mas tudo bem, como diz meu pai.. eu precisava seguir em frente. Seguir em frente para enfrentar ás possíveis provações que passaria com Deidara... por ser.. um criminoso... e também das provações de se criar um filho! Eu precisava amadurecer ... para ser forte o suficiente para passar por tudo isso e muito mais... afinal de contas eu escolhi seguir esse rumo e não me arrependo nem um pouco.
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