Innocui

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Hey pessoas o/
Como estão?

Essa fic surgiu após meu surto em ler a saga A Seleção e fluiu tão bem a escrita que não demorei a pedir para o @House_Designer_Betting uma capa, e como sempre arrasaram.
Obrigada @_LadyCatrina_ pela capa perfeitaa!!!

(POV Eadlyn)

Os selecionados tomaram meu tempo mais do que gostaria de admitir e isso vinha atrapalhando todo o trabalho que eu precisava fazer. Claro que papai dava conta de tudo, afinal ele era o rei Maxon, mas se eu estava ali para isso então não tinha porque o sobrecarregar.

Olhei de relance para onde Kile conversava com Henri e Erik, ao lado Hale tentava sem grande sucesso puxar assunto com Ean. Suspirei mais uma vez me virando para Kaden que escondia um jornal sob a mesa.

— O que está escondendo aí? — Ele rapidamente dobrou as folhas e colocou entre as pernas para que eu não as visse. — Anda Kaden, sabe que vou ver mais cedo ou mais tarde. — Os olhos azuis como os da mamãe me fitavam com intensidade se decidindo sobre mostrar ou não a manchete.

— Eu recomendo que não olhe, mas conheço sua teimosia— Ele me esticou o jornal sobre a mesa e eu o desdobrei olhando a primeira página.



“Sairemos de uma rainha benevolente para uma rainha egocêntrica?”

Logo embaixo uma foto da minha mãe ao visitar uma escola recém construída na Carolina. E outra minha com a expressão não muito boa diante de todos os selecionados no primeiro dia. Bufei irritada.

— Não é justo me compararem com ela dessa forma. São momentos completamente distintos.

— Me deixe ver. — Meu pai estendeu a mão e relutante lhe passei o jornal. Ao lado dele mamãe franzia a testa como sempre fazia quando se irritava. — Isso é um absurdo! — Todos no salão se assustaram com a fala exaltada do rei. Mamãe tocou-lhe no braço e imediatamente sua expressão se suavizou.

Desde que começou a Seleção, vinha reparando ainda mais em cada gesto amoroso entre meus pais e quando pensava se seria capaz de viver um amor como aquele logo afastava essa ideia para longe. Amar me deixaria vulnerável, e não podia me dar esse luxo. Não quando havia um reino para comandar.

Olhei novamente para a Elite me perguntando uma forma de reduzir ainda mais aquele número sem parecer uma viúva-negra como a imprensa gostava de mostrar.

— Já pensou em conhecer cada um deles de verdade? — Kaden falou como se pudesse ver que eu planejava tudo, exceto aquilo.

— Por que me daria o trabalho? — Observei seu olhar correr a mesa e parar por um breve segundo em Josie, ele logo desviou voltando seu olhar para a Elite.

— Se precisa mesmo que eu te explique então talvez seja melhor encerrar com isso de uma vez. — Ele se levantou pedindo licença a todos.

— O que deu nele? — Ahren perguntou.

— Não faço ideia. — Respondi olhando para Josie que seguiu meu irmão com os olhos até ele sair do salão.

Fui a segunda a sair e enquanto voltava para meu quarto ia remoendo as palavras de Kaden.

—Eadlyn espere! — Me virei e notei Kile andando apressado em minha direção.

— O que precisa Woodwork? — Ele me estendeu o braço e ainda desconfiada aceitei.

— Faz tempo que não conversamos sozinhos, queria saber como está. Andei lendo o jornal ultimamente e eles estão pegando muito no seu pé. — Era verdade que, desde a Seleção, tinha mudado toda a minha percepção sobre Kile, mas conversar sobre sentimentos era algo que ainda estava fora do meu alcance.

— Eu estou bem Kile, não se preocupe quanto a isso. — Ele mordeu o lábio, sabia claramente que eu estava mentindo, assim como sabia que eu não queria falar sobre o assunto.

— Tudo bem então. Se precisar é só me chamar. — Ele se afastou sem dizer mais nada e aquilo sim me deixou surpresa.

Durante todo o dia tentei não pensar sobre o comportamento estranho do Woodwork, mas foi difícil, uma vez que ele entrou no escritório ao lado do general Leger numa conversa para lá de animada.

— Com licença majestade, trouxe os projetos que me pediu. — Me aproximei da mesa do rei, curiosa sobre quais eram os projetos. Meu pai sorriu ao desenrolar os papéis e Kile se colocou ao seu lado lhe explicando os detalhes.

— Ficaram ótimos Kile, você sem dúvidas nasceu para isso. — Meu pai apertou seu braço com um sorriso no rosto e pude vislumbrar o orgulho em seus olhos assim como quando eu ou meus irmãos conquistamos alguma coisa.

Pelo que pude entender, aqueles projetos eram sobre residências de ótimo custo-benefício para ser implantado em regiões com alto índice de moradores de rua. Fiquei admirada com ambos por terem essa ideia, mas certamente eu esperava algo assim de papai. Kile por sua vez mostrava o mesmo entusiasmo e isso era tão… atraente. Argh!

Já era noite quando encontrei Neena no quarto, o banho com lavanda já me esperava e enfim poderia respirar fundo e tentar limpar a mente para dormir. No entanto, batidas rápidas na porta me tiraram de meus devaneios, como já havia dispensado Neena me apressei a vestir meu roupão e ir até lá.

— Kile? — Ele não esperou ser convidado, apenas entrou em meu quarto e andou de um lado para o outro. — Aconteceu algo? — Perguntei sem entender o que tudo aquilo significava.

— Aconteceu. — Ele então parou subitamente e me olhou pela primeira vez desde que entrou no quarto. — Aconteceu você Eadlyn.

— Desculpe, não entendi. — Ele se aproximou até estar próximo o suficiente para me tocar.

— Por que fez eu me apaixonar por você? — Dei um passo para trás encostando na porta incrédula com o que havia escutado. — Por que me faz acreditar que nós dois juntos não é algo de outro mundo como sempre pensamos?

— Kile… — Sentia sua respiração contra meu rosto e seus olhos intensos pareciam enxergar minha alma. Estava preparada para beijá-lo, mas antes que isso pudesse acontecer ele se afastou saindo do meu quarto batendo a porta.

Levei minhas mãos até meu peito, o coração acelerado e a respiração ofegante me fizeram parar por um segundo tentando absorver o que tinha sido tudo aquilo.

Kile Woodwork revelou, de forma inusitada, que estava apaixonado por mim. E aquilo de alguma maneira me deixou extasiada, só não entendia exatamente o porquê.

Me joguei sobre a cama ainda de roupão pensando em como lidar com a situação. Era certo que poderia esperar aquilo de qualquer um dos outros selecionados, mas justo ele? Fechei os olhos apertando-os com as pontas dos dedos tentando pensar numa solução. A única coisa possível naquele momento era conversar com Ahren. Sim ele saberia o que fazer.

Andei a passos rápidos e bati na porta com urgência.

— Eady? — Ele esfregou os olhos sonolentos. — O que precisa?

— De um conselho, posso entrar?

— Adiantaria se eu negasse? — Ele me deu passagem e fui direto para sua cama me sentando. — O que houve? — Pensei por um momento se devia falar tudo.

— Um selecionado acabou de se declarar para mim. — De alguma forma eu só queria sorrir ao me lembrar que Kile estava apaixonado por mim, mas era errado me sentir assim.

— Ual, e pelo visto não saberei qual deles. Você não parece assustada como eu imaginei que ficaria num momento como esse.

— Eu não me assusto. — Ele levantou a sobrancelha e sentou-se ao meu lado. — Na verdade me sinto empolgada. — Olhei em seu rosto e a confusão era nítida.

— Isso sim é uma surpresa. Com isso posso eliminar Gunner, Fox e Ean. — Minha expressão mostrava claramente minha dúvida porque logo em seguida ele explicou. — Você com certeza não se apaixonaria por nenhum desses que falei.

— Eu não me apaixonaria por nenhum deles no geral, pare de dizer asneiras. Só fiquei empolgada por saber que alguém me ama.

— O brilho em seus olhos me diz outra coisa, e acredito que lá no fundo você já sabe, mas se recusa a aceitar. — Ele suspirou antes de colocar seu braço sobre meu ombro me puxando para si. — Não sei porque você reluta tanto em se deixar sentir.

— Não posso ser vulnerável…

— Não venha com isso de novo Eady. Sentimentos não nos deixam vulneráveis, e sim nos tornam mais humanos. Por que acha que o papai e a mamãe são tão adorados pelos súditos?

— É diferente, papai nasceu homem.

— Isso não quer dizer que você precisa se transformar em uma armadura inalcançável. Deveria explorar essa empolgação e se permitir conhecer esse rapaz um pouco mais. E quanto aos outros, bom, Henri, Hale e Kile merecem uma chance de te conhecerem como eu conheço. E quem sabe assim você não encontre em algum deles um apoio e um amor como eu encontrei em Camille.

— Você faz parecer tão fácil. — Murmurei.

— Você que complica uma coisa simples. Não estou te julgando, acompanhei de perto seus aprendizados e vi o quanto lhe jogaram contra a parede sobre essa questão. Isso não quer dizer que precisa adotar como verdade absoluta. Somos humanos, Eady, e somos capazes de nos adaptar.

Virei meu rosto para encará-lo, sem dúvidas Ahren era um homem de valor e pude ouvir a maturidade em suas palavras. Ele falava com propriedade, e talvez isso se desse pelo relacionamento com Camille. Pela primeira vez invejei aquela relação tão verdadeira.

Já passava da meia noite e eu me encontrava inquieta na cama, sufocada em meus próprios pensamentos. Sentei em minha escrivaninha tentando concentrar minha energia em algum esboço, mas o lápis estava preso em minha mão e nada fluiria daquela forma.

Fui até o closet e peguei um vestido simples e uma sapatilha, talvez se andasse um pouco pelos jardins e respirasse o ar puro seria capaz de me acalmar. Desci as escadas com certa pressa e parei diante dos soldados que guardavam a porta que levaria para o jardim.

— Não é aconselhável que saia à noite Alteza.

— Eu sei soldado Avery, mas prometo não me demorar. Eu realmente preciso. — O soldado me encarou por alguns segundos antes de liberar minha passagem.

Me sentei no banco em frente a fonte, o barulho da água sem dúvidas era um ótimo calmante. Meus pensamentos agora voltavam para os olhos azuis intensos de Kile e de como seus lábios eram macios. Era difícil admitir que adorava beijá-lo, e como adorava. A simples lembrança já me deixava eufórica demais, mas isso significava que sentia mais do que mera atração física?

Não sabia ao certo quanto tempo se passara, mas em algum momento senti como se alguém me observasse. Olhei ao redor procurando a fonte dessa sensação, até que o vi na janela de seu antigo quarto. Ele não acenou, apenas continuou ali olhando em minha direção e mesmo naquela distância era como se ele pudesse ver meus segredos mais íntimos.

Não era a primeira vez que Kile se mostrava tão intenso, e jamais admitiria o quanto isso me assustava. Decidida, me levantei disposta a ir até ele para tentar conversar. Apenas por decidir seguir esse plano meu estômago ficou inquieto e evitei a todo custo o sorriso que insistiu em aparecer.

Sequer bati na porta, entrando de uma vez a tempo de vê-lo se virar em minha direção com um sorriso ladino no rosto. O quarto escuro tinha um único feixe de luz vindo da janela pelo luar e como num clichê romântico iluminava seu belo rosto me fazendo suspirar. Droga, o que estava acontecendo comigo?

— Você vai até meu quarto, revela seus sentimentos e me deixa ali sozinha sem saber o que pensar, sem saber o que fazer. — O acusei. Kile deu dois passos em minha direção, o sorriso permanecia o mesmo, mas ele nada falou. Aquela situação me deixava inquieta de inúmeras formas e o silêncio que parecia tão confortável para ele me deixava muito, muito mesmo, desconfortável. — Anda, brigue comigo, tire sarro. Apenas fale alguma coisa.

— Eadlyn. — Ele falou meu nome pausadamente, como se acariciasse cada letra.

— Eu não entendo. — Escondi meu rosto com as mãos. — Como me sinto completamente perdida perto de você, como não sou capaz de entender o que é tudo isso que venho sentindo.

— Meu bem, olhe para mim. — Ele tirou minhas mãos do rosto quando não o fiz, agora estávamos próximos o suficiente para me sentir tomada por seu cheiro e de alguma forma, só aquilo foi capaz de acalmar meu coração que até então estava saltando em meu peito.

— Kile eu estou confusa. — Seus dedos se entrelaçaram aos meus e ele levou nossas mãos até seu peito onde podia sentir seu coração tão acelerado quanto o meu.

— Eu estou aqui com você Eady. — Eu entendi que o estar aqui não era fisicamente, mas sim que estávamos juntos naquele turbilhão emocional. — É confuso, e sem dúvidas assustador. Eu mesmo nunca havia sentido algo tão intenso quanto o que sinto por você, mas estou disposto a seguir esse sentimento se você também estiver.

Como poderia responder que não diante daquele oceano em seus olhos. Olhei para nossas mãos ainda unidas, fazia sentido para ele, assim como fazia sentido para mim. Soltei minhas mãos e pude ver a confusão em seus olhos, me apressei a puxá-lo para mim, lhe tomando os lábios num beijo lento e carinhoso, torcendo para ser capaz de transmitir minha resposta através daquele gesto, já que eu ainda era incapaz de organizar palavras para me expressar.

L'amore stesso era innocuo, puro e un mondo completamente sconosciuto per me, ma se ero al suo fianco, sono sicuro che alla fine tutto si sarebbe risolto.

(O amor em si era inofensivo, puro e um mundo completamente desconhecido para mim, mas se eu estivesse ao lado dele, tenho certeza, tudo daria certo no final.)

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!