Notas iniciais
Então...
Obrigada a quem lê, ou seja, ninguém X_______X
Aqui está o 3° capítulo... Aproveitem.

Acordei com aquele despertador irritante. Dei um tapa em cima do objeto, localizado em uma pequena cômoda de madeira ao lado da cama. Sentei-me nela, bagunçando os cabelos roxos com a mão direita, e com a esquerda, me servindo de apoio. Faltava meia hora pra começar a aula. Olhei-me na parede espelhada à minha frente, ainda sentado.

Eu havia esquecido de tirar as lentes de contato, então quando olhei para o meu rosto sonolento, quase levei um susto pelos olhos vermelhos psicóticos. Eu suspirei, pensando o que as pessoas sentiriam quando me vissem aparecer de surpresa com esses olhos, com um sorriso psicopata dizendo que eu vou matá-las.

Abri a última gaveta do meu armário, que fica do outro lado da cama. Nela os meus uniformes passados e lavados estão guardados. Peguei um deles, e me vesti rapidamente. O relógio me dizia que faltava apenas quinze minutos pra começar a aula.

Como sempre, peguei a mochila, meu IPod Touch e meu relógio de pulso que estavam em cima da pequena mesa que tenho ao meu quarto. Ia pra cozinha, até ouvir um baque surdo. Olhei pra trás. O caderno que Polu esquecera ontem estava no chão. Rapidamente, lembrei-me dela quase chorando com aqueles olhos azuis profundos dela, e o cabelo negro que mesmo amarrado em estilo “maria-chiquinha” ia até sua cintura.

Chacoalhei a cabeça, parando de pensar nela. Mecanicamente peguei o caderno do chão e, tirando a mochila das costas, guardei-o no primeiro zíper da mochila.

A cozinha ficava no andar de baixo. Desci as escadas ainda com um pouco de sono. A cozinha não era realmente grande. Apenas era um cômodo do tamanho de uma sala, com um fogão de quatro bocas comum, uma geladeira branca de tamanho médio, três armários também brancos fixados nas paredes pintadas em bege, tirando as bancadas e a pia em granito cinza. Abri um armário, pegando um copo vazio. Depois me dirigi à geladeira, pegando a caixa de suco de maçã. Era o suficiente pra mim. Fui ao banheiro mais próximo da cozinha, escovando os dentes e os cabelos. Olhei-me novamente no espelho, e vi que eu ainda não tirara as lentes. No meu relógio de pulso marcavam 6:50. Dez minutos pra começar a aula.

“Droga” pensei enquanto subia novamente as escadas com raiva e tirava as lentes com pressa, o que deve ter demorado uns cinco minutos. A sorte é que eu moro perto da escola.

Tranquei a porta da casa, colocando a chave no bolso. Dei uma última olhada para o meu... Refúgio (se é que posso chamá-lo assim) antes de começar a andar para a escola. Uma casa pequena de dois andares, de uma cor verde clara. Tem uma pequena varanda no andar de cima, que dá para o escritório, antes da minha mãe. O telhado é feito com telhas marrons, o que dá para a aparência da casa certo conforto e normalidade.

Suspirei. Sabia que aquela impressão da casa era total mentira. Para pessoas normais, pareceria mais um covil do que um refúgio.

Arrumei a mochila nas costas. O IPod estava dentro do bolso esquerdo da minha calça azul marinha. Coloquei os fones no ouvido, e rumei à escola ouvindo Help! dos Beatles.

...

– Oi Jiiiiiiiiiiin!

Estava terminando de guardar meu material depois da aula de história, quando senti um par de braços enlaçando meu pescoço. Corei um pouco com o gesto.

– Olá Sarah...

Sarah, uma menina inteligente da minha turma. Tem longos cabelos ruivos e ondulados, que batiam mais ou menos nos ombros. Os olhos eram verdes bem claros, e ela tinha algumas sardas no rosto. Tinha mais ou menos a minha altura, senão, uns dois centímetros a menos. Na cabeça, uma tiara de plástico preta era o que segurava sua franja. Era uma garota bonita. Foi uma das minhas primeiras amigas verdadeiras que fiz.

Mas não se engane. Por mais bonita que ela seja, ela é sadista e pervertida.

– E aí? Vamos logo pro recreio! – ela disse, com um sorriso enorme, revelando seus dentes brancos e perfeitos.

– Vamos... Só preciso entregar uma coisa a uma garota antes – ao olhar pelo canto do olho, só pude ver Sarah dando risadinhas maliciosas -... Hey, não é o que você está pensando. Quando eu fui pegar meu caderno ontem aqui, uma menina também havia esquecido o dela. Conhece uma tal de... – fingi não saber o nome de Polu e olhei na contracapa do caderno, e que, felizmente ela tinha anotado seu nome lá -... Poliana?

– Hm? Poliana? – ela piscou algumas vezes – Aquela da nona série?

– Essa mesma – comentei, olhando novamente o caderno, que estava escrito ‘Poliana – 9° série’ – Sabe onde ela está? Este é o caderno dela.

– Ah, se este é o problema, venha comigo – disse, me puxando pelo braço.

Ela me puxou por alguns corredores, até chegarmos na classe da nona série. Polu ainda estava lá, com mais cinco pessoas que ainda não tinham ido pro recreio.

– Hey, Polu!

Ao reconhecer minha voz, ela soltou um pequeno gritinho agudo, quase como se lamentasse. Bem, ver um psicopata, que matou uma professora na sua frente, ser gentil não era bem algo que se vê todo dia.

– J-Jin? – gaguejou, se dirigindo à mim e Sarah, forçando um sorriso – O-O que foi...?

Mas que menina irritante. Pelo menos ela estava tentando disfarçar o medo. Os outros estudantes apenas olharam para nós, e se viraram para conversar normalmente.

Pelo jeito Polu cumpriu a promessa e não contara pra ninguém o meu segredo. Ainda.

– Você deixou isso aqui ontem – estendi o caderno para ela, e a morena suspirou aliviada. Não sei se foi porque conseguiu recuperar o caderno perdido ou se foi porque eu não tinha feito ameaças ou algo assim.

– A-Ah... Obrigada. – pegou o caderno das minhas mãos, e abriu um sorriso. Ela estava muito agradecida mesmo. Deveria ser uma aluna aplicada.

O sorriso dela era muito lindo, e eu acho que cheguei a corar um pouco, porque contanto com os olhos azuis profundos dela, ela realmente ficava... Linda.

Sarah deu uma risadinha maliciosa, e eu percebi que era melhor disfarçar. Polu poderia perceber também.

–... Por nada.

Virei-me de costas, puxando Sarah para o pátio. Ajeitei minha gravata no uniforme, e esperei ela começar a rir enquanto sentávamos em uma mesa.

Quando me sentei a sua frente, foi que ela começou a gargalhar de verdade.

– Whoa, whoa. O que foi aquilo? – disse ela, agora sussurrando, com os cotovelos apoiados na mesa, e o queixo nas mãos com os dedos entrelaçados. – E você me disse que não estava namorando!

– Não estou – disse, com uma mão na testa. Não sou pessoa de mentir. Eu realmente não estava gostando de Poliana, eu só tinha a achado incrivelmente linda naquele instante.

– Tá bom, tá bom. Vou confiar em você – Sarah sabia que eu falava sério quando eu não sorria -... Por hora.

– Maldita – brinquei, dando um tapa fraco na testa dela, e depois, rindo. Ela deu um soco fraco no meu ombro também, e rimos juntos. Eu deveria tê-la conhecido antes.

Continuamos a conversar sobre como as provas estavam pra chegar, e de como ela precisava de ajuda em algumas matérias. Depois de me bajular, eu aceitei ajudá-la. Ficamos assim até o recreio acabar, e depois, fomos obrigados a voltar para a sala, ainda conversando.

Enquanto voltávamos, eu vi Polu com mais duas amigas ao seu lado. Uma tinha cabelos louros os dela que estavam amarrados em um rabo de cavalo, mas olhos redondos castanhos e um nariz empinado. A outra era morena como Polu, mas o cabelo era um pouco armado e cheio de cachos, que ia até os ombros. As duas eram um pouco mais altas que Polu, sendo a de cabelos armados a mais alta. Elas estavam rindo, então talvez Polu não tivesse contando meu segredo. Desviei minha atenção delas, e continuei conversando com Sarah.

Não sei por quanto tempo eu teria que ficar observando Polu, mas sei que não será por pouco.

Ou eu começo a confiar nela, ou eu a mato.

A escolha é sua, Polu. O que antes vier primeiro, melhor.

Notas finais
Hehe, e aí? @_@ Eu não gostei de escrever esse capítulo, já que não teve ação ou sangue... Então ficou essa coisa mixuruca mesmo :/
Mereço reviews?
Dan-Aye!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.