Ela tinha uma inocência, e cabelos encaracolados, longo e loiro, olhos azuis profundos, ela tinha uma inocência, no olhar, na personalidade, e em tudo nela. Seu nome era Alicia, o nome que provavelmente mais combinava com ela.

Em uma noite, chovia muito, haviam raios e trovões. Alicia estava deitada em sua cama, abraçada em seu ursinho de pelúcia, com medo. Ela tinha medo, pois só tinha sua mãe. Sua mãe estava dormindo em seu quarto, muito a vontade. Já Alicia, não conseguia dormir. Tinha medo, muito medo. Medo de algum monstro vir e atacar ela. Ela achava que um monstro podia aparecer debaixo da cama dela.

Porém, Alicia, por ser criança, não havia aprendido, ainda, que as pessoas param de procurar monstros em baixo da cama, quando elas percebem que os monstros estão dentro das próprias pessoas.

Um barulho alto veio da cozinha. Alicia estava cada vez com mais medo, então cobriu a si, e a seu ursinho de pelúcia com o cobertor. Ela ía morrer. Ela sentia isso. Lágrimas escorriam de sua face angelical, e ela queria que tudo isso fosse apenas um pesadelo.

Ela olhou para o chão, e por baixo da porta, escorria sangue... Sua mãe teria sido assassinada? A próxima era ela? Então, alguém abriu a porta de seu quarto... Ela não viu quem. Ela estava em baixo do cobertor, sem se mover, sem fazer barulho algum. Porém, ela deu um espirro, pois não conseguiu segurar o espirro.

A pessoa viu, puxou o cobertor rapidamente da cama, Alicia viu. Era seu pai. Seu pai era uma pessoa ruim. Sua mãe havia fugido com Alicia, quando a mesma era menor, pois o pai de Alicia batia muito na mãe dela, e em Alicia também.

Ele encarou sua filha, e Alicia olhava para ele, com medo. Umas lágrimas escorreram de seu rosto, e ele, tirou uma arma de seu bolso, apontou para Alicia por um tempo, e a menina disse em voz baixa, ‘papai, por favor, não me machuque’, ele ouviu. E atirou. A menina, a mesma menina com um aspecto ingênuo, agora, não estava mais viva. Bem, seu corpo não estava vivo. Mas sua alma, estava, e ainda está.

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