Innocence

7 Capítulo 6 - Afraid


Edward POV.


Aceito carregar o seu bebê e o da Tanya.

Eu encarei Bella, esperando que, a qualquer momento, ela fosse dizer que tudo não passava de uma brincadeira, que ela nunca seria capaz de aceitar algo do tipo.

- Eu pensei muito – continuou, vendo que eu não falava nada. – Não queria fazer isso pelo dinheiro. Eu acho que a gravidez de substituição é um ato de amor muito lindo, e eu não vejo por que não fazer isso por você e sua noiva.

Não conseguia pensar em algo para dizer. Eu só continuei ali, encarando Bella.

Eu deveria estar feliz, não deveria?

- É isso – sorriu. – Depois conversamos mais sobre isso, ok? Tenho que ir. Tchau, Edward.

- Espere! – pedi. – Você tem certeza?

- Olha, Edward, se você e a Tanya tiverem escolhido outra pessoa, é só falar.

- Não, não é isso. Mas... Tem certeza? Você tem a sua faculdade, a residência médica...

- Vai demorar uns seis meses até eu receber o embrião, Edward – disse-me. – Eu só vou aceitá-lo depois que eu me formar.

- E a sua residência? – perguntei.

- Vou meio que me dar férias durante os meses em que estiver grávida – sorriu. – Bom, eu realmente tenho que ir. Podemos conversar sobre isso amanhã?

- Claro...

Eu queria pará-la, dizer-lhe alguma coisa, mas não estava certo do que eu iria dizer, nem o que eu iria e teria de fazer, então apenas observei-a se afastando. Eu esperei que Bella dissesse não, mas ela disse sim. Ela estava disposta a carregar um bebê que nunca seria seu. Disposta a assinar um contrato que faria com que ela abrisse mão de alguém que ela iria carregar.

Nervoso, caminhei até meu carro. Não iria ligar para Tanya agora. Esperaria para poder conversar com Bella e lhe perguntar se era aquilo que ela realmente queria.

Eu não deveria estar assim, deveria? Eu queria, afinal. Queria poder me casar com Tanya, ter um filho com ela, viver nossas vidas. Então, por que eu não estava feliz, anunciando a quatro ventos que em breve seria pai?

Dirigi rapidamente pelas ruas de Manhattan, e logo estava em casa. Enquanto comia, tomava banho, analisava alguns casos, e conversava com meus pais rapidamente, eu não conseguia parar de pensar no que Bella havia dito.

Deus, por que eu fico me perguntando a todo o momento se estou fazendo a coisa certa?

Bella POV.

Ok. Eu pensei que Edward iria surtar, agradecer-me, mas acho que ele ainda estava em estado de choque. Despedi-me, ele merecia um tempo para pensar. Dirigi para o apartamento, preparei uma coisa simples para eu comer, já que Rose havia ligado, avisando que iria sair com Emmett. Então, depois de comer, fui para o meu quarto, disposta a terminar um trabalho. Passava-se das dez da noite, quando o telefone tocou.

- Alô? – atendi, ofegante, por ter corrido.

- Bella? – Eu senti algo estranho, quase como uma emoção, por escutar aquela voz. Eu devia estar ficando louca.

- Sim... – disse apenas.

- Desculpe por ligar a essa hora, mas... – Edward hesitou. – Olha, amanhã depois do expediente, você aceita jantar comigo? Eu quero conversar com você.

- Tudo bem – murmurei.

- Ok. Até amanhã, então.

- Até.

Eu ainda fiquei encarando o telefone por alguns minutos, sem saber como reagir. Por que eu me sentia feliz ao saber que jantaria com Edward no dia seguinte? Eu não devia me sentir assim, ele era meu chefe, meu amigo, era noivo, e, provavelmente, eu carregaria o filho dele e de outra mulher em meu ventre.

Eu não podia me permitir ficar encantada, feliz ou boba com ele. Não podia me iludir, acreditar que um dia poderíamos ter algo... Eu nem devia, nem mesmo, ousar pensar em pensar ter alguma coisa com ele!

Assustei-me quando a porta se abriu; eu ainda encarava o telefone, nervosa. Eu já havia tomado minha decisão, provavelmente Edward levaria a noiva dele no dia seguinte para conversarmos sobre tudo. Sentei-me no sofá, ainda meio perdida, e vi Rose me encarando.

- Algum problema? – perguntou, colocando a chave na mesa.

- Não – suspirei. – Apenas pensando...

- Claro – assentiu.

- Rose... – chamei. – Amanhã não jantarei em casa.

Ela riu.

- Finalmente! – disse. – Pensei que você nunca fosse arrumar um cara.

- Não é um cara – revirei os olhos. – E eu já tive um namorado sério, ok? Namorei por dois anos. Assim como já comecei a namorar de novo, mas não deu certo, então... – Dei de ombros.

- Vai sair com quem, então? – indagou, franzindo a testa.

- Eu... – respirei fundo. – Rose, eu aceitei o convite de Edward e Tanya. Eu vou carregar o bebê deles, e amanhã iremos jantar.

- Você já sabe o que eu penso – disse. – Sabe o que todos da família Cullen pensam. Eu vou te apoiar, Bella, sabe disso, mas se eu fosse você não teria aceitado.

- Eu sei. Só que...

- Você tem um coração bom demais para não fazer algo por alguém – sorriu. – Você é a pessoa mais altruísta que eu conheço, amiga. – Rosalie se aproximou de mim e se sentou ao meu lado, pegando minhas mãos. – E vai ser sortudo o cara que conquistar esse seu coração. Você é como uma irmã para mim, Bella, a irmã que eu nunca tive, e eu espero que tudo dê certo. Vou torcer por você.

- Obrigada, Rose. – Abracei-a gentilmente, sem dizer mais nada.

Foi Rosalie quem me convidou para morar com ela, quando me viu dormindo no dormitório da faculdade. Foi ela quem sempre me apoiou e ajudou, tentando arrumar encontros para mim. Era uma boa amiga, como uma irmã.

- Bella... – sussurrou, saindo do abraço. – Emmett me pediu em casamento.

Sorri imensamente, feliz.

- Rose! – ri. – Você não sabe como eu fico feliz por você! Você merece. Tenho certeza de que vocês serão muito felizes.

- Obrigada. – Ela me mostrou o anel de noivado, comentando como havia sido perfeito. – E não precisa ficar preocupada. Emmett e eu decidimos esperar eu terminar a faculdade, sabe, para podermos começar os preparativos do casamento. Acredito que iremos nos casar daqui um ano.

- Não se preocupe comigo. Vai dar tudo certo.

E eu esperava que tudo desse certo mesmo.

Rosalie e eu conversamos mais um pouco, mas logo fomos dormir.

Acordei atrasada no dia seguinte, já correndo para a faculdade e depois para o trabalho. Acabei chegando em cima da hora. Edward chegaria em cinco minutos e eu ainda não tinha tudo pronto.

Quando ele chegou, somente acenei, ainda confirmando todas as consultas. Ele sorriu e indicou que iria esperar na sala. Quando desliguei, terminei de organizar todas as fichas e olhei para o relógio. O primeiro paciente iria chegar em dez minutos.

- Desculpe-me – pedi, entrando na sala dele. – Acordei atrasada hoje e tudo se atrasou.

Coloquei todas as fichas na mesa dele e o fitei.

- Não se preocupe com isso, Bella – riu.

- Ok – sorri. – Quando o paciente chegar, aviso ao senhor.

Eu já estava saindo da sala, quando tropecei. Não recuperei o equilíbrio a tempo e acabei caindo.

- Droga! – xinguei, sentando-me.

- Está tudo bem? – Edward perguntou, estendendo a mão. Só assim notei que ele estava ao meu lado, prendendo o riso.

- Pode rir – disse, aceitando sua mão. Correntes elétricas se espalharam pelo meu corpo e eu me afastei dele assim que estava em pé. – Não se preocupe comigo, provavelmente ainda vai me ver caindo muito.

Ele riu ainda mais.

- É sério, nunca vi alguém com uma coordenação motora igual a sua.

Corei e saí da sala.

Durante todo o dia, meus pensamentos iam e voltavam no jantar que aconteceria mais tarde. Não conseguia me esquecer, também, das correntes que passaram pelo meu corpo. Errado. Muito errado.

Estava distraída, os olhos fechados, pensando em tudo, somente esperando que o último paciente saísse. Então, me assustei quando ouvi a voz de Edward e a do Sr. Thompson.

Procurei um horário, dali a quinze dias, quando ele voltaria para trazer os resultados dos exames. Sentia Edward me observando, e não entendia porque meu coração estava acelerado e minhas bochechas corando.

Depois de marcar o retorno, despedi-me do Sr. Thompson, e Edward e eu caminhamos até o estacionamento.

- E a sua noiva? – perguntei, quando ele abriu a porta do carona para mim. – Você não vai buscá-la?

- Não. – Entrei no carro e esperei que ele entrasse pela porta do motorista. – Ela ainda não sabe que você aceitou, eu quis conversar com você primeiro e tudo o mais.

Assenti, ficando nervosa.

- Podemos ir somente a uma cafeteria? – pedi. – Tem uma Starbucks logo ali na frente.

- Tudo bem.

Permanecemos em silêncio até chegarmos lá. Eu estava nervosa, não iria conseguir comer, então pedi somente um café. Edward pediu um café também e ficou me observando enquanto ele não chegava.

- Por quê? – perguntei, sem conseguir me conter. – Por que você não ligou para sua noiva e contou a ela que eu aceitei a proposta? Que eu saiba, ela está bem ansiosa...

- Porque antes eu precisava conversar com você – disse-me, sua voz gentil. – Bella, sua vida vai mudar, mesmo que por alguns meses. Você vai ter que abdicar de muita coisa.

Suspirei.

- Eu sei. E eu te disse ontem, Edward. Eu ia terminar a faculdade, ia participar da formatura, e depois, eu iria receber o embrião. Quanto a residência, eu pretendo começá-la no ano que vem. Vai me atrasar, mas eu estou certa do que estou escolhendo.

- Por quê? – indagou, tomando um pouco do café que a garçonete havia acabado de trazer. – Por que você vai fazer isso?

- Porque é o certo – murmurei e depois sorri. – Vocês, homens, têm a vida muito fácil. Nós, mulheres, sabemos que vamos sofrer praticamente desde o dia que nascemos. Sentimos dor com tudo, depilação, cólicas, primeira vez... E sabemos, também, que a dor do parto é extremamente dolorosa. Entretanto, fomos escolhidas justamente porque os homens nunca seriam capazes, Edward, de agüentar tanta dor... De agüentar passar pelas transformações que as mulheres passam quando ficam grávidas... – Eu fiz uma pausa, respirando fundo, e percebi que Edward não estava entendendo aonde eu queria chegar. – E eu fico imaginando o que Tanya passa ao saber que não pode ser mãe... Que não vai ter o prazer de carregar um filho por nove meses, ficar enjoada, ver seu corpo mudar, e se preparar para o nascimento do filho. Eu não consigo me imaginar passar por isso, então...

- Então você vai nos ajudar – sussurrou.

- Sim – assenti. – Posso perder alguns meses da minha vida, mas pelo menos, eu vou ser capaz de fazer você e sua noiva felizes. Eu tenho certeza de que no futuro vou ser recompensada.

- Você tem um coração muito bom, Bella – sorriu. – Obrigado. Palavras são insuficientes para lhe dizer o quão eu estou agradecido.

Eu somente sorri.

Edward POV.

Eu a levei de volta para o hospital, assim que saímos da Starbucks, para que ela pudesse pegar seu carro e seguir para casa. Depois, enquanto seguia para a casa de meus pais – eu iria conversar com eles primeiro, antes de informar a decisão de Bella para Tanya –, fiquei pensando em tudo o que Bella havia dito.

Ela era tão altruísta.

E era bem linda, também.

Com certeza, o homem que conquistasse seu coração, seria um homem sortudo.

O modo que ela sorria, suas bochechas coravam, e seus olhos brilhavam... O modo que andava, sempre tropeçando. E mesmo sendo atrapalhada, ela conseguia fazer um trabalho mil vezes melhor do que Angela.

E, pensando em tudo isso, eu me perguntava por que não estava totalmente feliz. Uma mulher ótima iria carregar meu filho no ventre. Era a escolha certa. Não havia ninguém que se dedicaria mais, ninguém. Talvez nem mesmo Tanya.

Tanya...

Antes, quando eu pensava nela, eu ficava extremamente ansioso para vê-la, contar-lhe do meu dia e saber do saber.

Porém, algo havia mudado.

Eu estava com medo. Medo de que fosse me arrepender, de que talvez isso não fosse o certo. Mas me tranqüilizei; eu tinha seis meses até a formatura de Bella, e poderia desistir a qualquer momento. Ninguém poderia me obrigar. Nem mesmo Tanya.

_

Meus pais ficaram felizes por me verem ali. Só jantamos nós três; meus irmãos e cunhados não apareceram naquela noite.

Depois do jantar, contei a eles que Bella havia aceitado. Eles somente assentiram, e eu não insisti. Eu sabia o que eles pensavam sobre tudo, sabia que eles queriam que eu mudasse de ideia e visse que Tanya talvez não valesse assim tão a pena. Eu estava cheio de dúvidas, não sabia se estava fazendo o certo, mas tudo daria certo.

Eu estava contando com isso.

Assim que cheguei em casa, liguei para Tanya. Como o esperado, ela gritou, totalmente animada, dizendo que sabia que Bella iria aceitar.

- Obrigada, Edward – riu. – Obrigada, mesmo. Eu amo você, querido.

E pela primeira vez, desde que eu havia dito que a amava, meses atrás, eu não consegui dizer que a amava também.

Porque agora, agora que eu daria o que ela queria, ela me amava.

Mas... e depois?

Era muito para pensar.

Pensei que ela fosse dizer que iria voltar para meu apartamento, mas ela nada disse, e eu também não insisti.

Estava tudo muito confuso. E eu não sabia mais o que fazer.

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No dia seguinte, eu sabia que as coisas seriam corridas. Duas cirurgias simples pela manhã e várias consultas à tarde. Seria mais um daqueles dias que eu chegaria em casa tarde da noite.

Na hora do almoço, almocei no hospital mesmo. Depois, subi e fiquei na minha sala, sem entender o motivo de estar ansioso para que Bella chegasse. Sorri imensamente ao ouvir seus tropeços e logo a porta da sala se abriu.

Como sempre, ela se assustou a me ver ali, e eu somente ri. Bella deixou as fichas na minha mesa.

- Você avisou a sua noiva? – perguntou, e eu fiquei um pouco irritado. Não sabia por que, mas eu não gostava quando Bella dizia noiva...

- Sim – respondi. – Ela deve querer conversar com você também.

- Tudo bem.

Ela logo saiu da sala e eu fiquei perdido em pensamentos até que o primeiro paciente chegasse.

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Assim que dispensei o último paciente, arrumei minhas coisas e saí da sala. Bella conversava ao celular, um sorriso enorme no rosto. Foi impossível não me contagiar com aquele sorriso, e sorri também.

- Ok, mãe. Tudo bem, eu te ligo para confirmar. Claro. Eu também.

Ela desligou e sorriu, virando-se. Só assim percebeu que eu a olhava, e corou.

Completamente agradável.

- Vamos? – perguntei.

- Claro.

Andamos em um silêncio agradável até o estacionamento.

- Até amanhã, Bella – sorri.

- Até.

Eu dirigi calmamente, tentando organizar tudo em minha mente. Tomei um banho quente e acabei pedindo pizza. Enquanto comia, peguei-me lembrando do aniversário de Bella, e senti falta do seu jeito carinhoso de conversar, do gosto de sua comida...

Definitivamente, eu estou ficando louco.

Lavei a louça que eu tinha sujado e me joguei no sofá, ligando a TV. Eu tinha alguns casos para analisar, mas não estava com cabeça para isso agora.

Tudo o que eu queria era poder passar um tempo longe de tudo, entender esse medo e esse sentimento confuso que eu estou sentindo.

Porque há alguns meses eu estava certo de que queria me casar com Tanya, mas agora tudo parece tão indefinido. Minha noiva, quem deveria me apoiar, me amar, cuidar de mim, e estar comigo acima de tudo, não me tratava bem desde setembro.

Como eu podia dar tanto para alguém que parecia só querer um filho?

E se, depois que o bebê nascesse, ao invés de nossa relação melhorar, ela fosse piorar?

Era confuso, apavorante, pensar que eu passaria por tudo isso, e no fim não me sentiria realizado.

Eu estava com medo.

E não tinha ideia do que fazer.

Notas finais
n/a: Hei, babies! Nem demorei *_* E eu estou tão ansiosa, praticamente quicando aqui para postar o próximo capítulo para vocês... Acontece uma coisa nele que, provavelmente, vai animar muitos de vocês! Ai, Gosh. AHASIUHSAUIHS. Então, que tal vocês comentarem bastante e recomendarem também? Se vocês fizerem isso, haha, prometo que não demoro a postar o próximo. E não fiquem julgando muito ao Edward; vocês viram que ele está com medo, confuso, e, acreditem, ainda tem bastante coisa para acontecer. E, uma delas, é no próximo capítulo – que, acredito, seja o meu preferido até agora. Beijos, beijos e até o próximo. Deh C. / Fla n/b: É bom MESMO você não demorar, se não eu vou te bater até a morte -hehe