Inner Beauty 2

49 Especial Dick Taylor


Notas iniciais
Uhuu! esse é grandinho!

Olha se a formatação nao sair okay a culpa nao é minha viram, o nya está sacanagem ultimamente comigo XD

Vamos lá então agradecimentos especiais Melissa Moreli e Taiana Cruz e atodos pelos M A R A V I L H O S O S reviews! *-*
Um avisinho: Dick é superdotado ou seja ele nao tem bem a mesma mentalidade que os garotos da idade dele e como ele só anda com gente mais velha ele tem um linguajar mais culto e sem girias.

Boa leitura e desculpem os erros!

Capitulo Especial

Dick Taylor



Adolescência... A fase mais inútil e desprezível do ser humano, uma fase onde não se é uma coisa nem outra, uma fase onde muito se tornam o que não gostam só para agradar terceiros... Eu sei, não estou salvo dela, mas pretendo usar toda minha genialidade para passar por ela sem estragos de uma estupidez momentânea como a tapada da minha irmã.


Olhem só para eles por alguns instantes, sentados no refeitório da escola rindo de coisas sem sentido e carentes de uma atenção súbita diária de pessoas que não tem a menor importância diante a sociedade e o pior de tudo é que esses ‘adolescentes’ são capazes de passar em cima de qualquer um só para ter essa atenção célere, mesmo que isso não queira dizer nada, afinal que diferença faz ser apreciado por um imbecil de notas baixas que conta piadas o tempo todo e tem um social elevado? Para o futuro eu lhe respondo, ele não serve de porcaria nenhuma.


Mas não se enganem, ainda que estando perto dessa maldita fase e já no que eles chamam de pré-adolescência tenho algo que irá me salvar dessa maldição doentia que nos deixa débil na puberdade.... Eu tenho um cérebro potente e a parte mais importante é que sei usá-lo!

Eu não preciso dessa atenção, eu não preciso dessas ‘pessoas’ para fingirem ser algo que nunca serão... Eu não preciso desse tipo de amigos, eu já tenho um amigo e ele já é o suficiente.

–Eu já preparei tudo para a guerra essa semana, nossa guild vai estar no topo ou eu não me chamo Dick!-Ajeitei o notebook no colo melhorando a câmera e vendo o Oliver do outro lado.

–Ahh.... Dick, eu queria muito jogar essa semana, mas não vai dar....-Murmurou ele com um sorriso sem graça, qual é?! Ele nunca recusa uma guerra.

–Como assim?! Eu já arrumei tudo, já até avisei os outros garotos que quem faltar está fora da guild!-Ele negou novamente suspirando.

–É a sua irmã Dick, ela não está bem! Eu estou preocupado, eu estou tentando de tudo e nada faz ela melhorar!-Ahhhh claro, minha irmã.... Ultimamente ela tem sido seu assunto preferido e isso já estava me dando nos nervos... Kailyn isso, Kailyn aquilo.... Como se já não bastasse eu ter divido a Eloise com ela agora minha irmã babaca pega meu melhor amigo.

–Dá um tempo Oliver! Minha irmã se cuida sozinha, aliás você ficou com ela esse tempo todo e agora não quer nem tirar duas hora do sue tempo para participar de uma guerra? Cara eu pensei que fosse meu amigo!-Ele negou suspirando de novo.

–E sou Dick, mas as coisas são um pouco mais complicadas do que parecem... Sua irmã está realmente mal, eu estou já sem ideias....-E de novo ele volta no assunto Kailyn sendo prioridade.

–Já compreendi! Vá cuidar da minha irmã então!!-Falei zangado.

–Eu prometo que na semana que vem ganhamos a guerra, mas não posso colocar um jogo acima dela... Desculpa Dick....-Que coisa depressiva de se dizer, desliguei a ligação zangado pensando naquilo.


Bom, não que esse interesse dele pela minha irmã fosse uma novidade para mim, só que eu esperava que a consideração por mim fosse um pouco maior.



Eu resolvi deixar esse assunto de lado, sou um garoto racional, não posso me apegar a raivas momentâneas, isso seria um desperdício de tempo. Mas se querem saber, ser um superdotado seria até uma dádiva se não houvesse uma simples e modesta palavra que tirasse todo encanto de ser mais inteligente que as pessoas normais e essa palavra era.... Pais!

–Por que eu tenho que ir a escola?! Já pararam para pensar que para mim é como assistir a um filme que simplesmente já sei o final, daí a professora explica e explica uma coisa que aprendi quando ela falou o titulo! Vamos encarar a realidade e enxergar que aqueles professores não tem formação e nem Qi suficiente para me dar aulas!-Aquela mulher perversa que regia uma ditadura por aqui insistindo em me obrigar a chamá-la de mãe me lançou seu olhar zangado.

–E ouvir essa pergunta é como assistir ao mesmo filme diversas vezes, então senhor Dick finja que respondi a mesma coisa que ontem, tenho certeza que seu Qi elevado se lembra do que era!-Revidou ela servindo meu café, voltei um olhar desafiador para ela que sorria tentando ganhar minha simpatia.

–Mãe aquela escola é uma droga, metade dos alunos não tem futuro e a outra metade vai trabalhar para mim limpando a minha empresa! Você está bloqueando minha mente impedindo que eu progrida como realmente sou!-Nesse instante meu fiel aliado passou perto de mim colocando as torradas e sorrindo.-Pai por favor explica em uma língua inculta para ela entender!-Ele deu uma risadinha negando.

–Sinto muito filho, mas sua mãe manda na educação e se ela acha que é melhor para você estudar em um colégio comum, então assim será!-Que vergonha, apertei os olhos não acreditando.

–Não fica constrangido de dar uma exemplo submisso sendo um capacho dessa ditadora...?-Ele voltou a sorrir, até parece que eu estava contando uma piada, ele foi até ela dando um beijo nela....ECA!

–Um dia você vai entender....-Acho que vou vomitar, primeiro o Oliver enfeitiçado pela minha irmã, meu pai seguindo as ordens da minha mãe, e o tio Ed que parece um cachorrinho perto da minha tia.... Mulheres são seres perigosos.



Exceto minha amada Eloise, eu ainda carregava uma foto dela na carteira, sempre sorridente e dizendo que eu era adorável.... Aonde será que eu errei para ela preferir o tal do Dillan!? Grosseiro, baixo e sem uma mente brilhante como a minha....Era uma pessoa legal eu tinha que confessar, mas qual era o problema comigo?!


Durante a aula peguei um dos meus cadernos de ideias e comecei a pensar sobre isso, ainda que Oliver dissesse que não ser inteligente não era bem visto, as pessoas sempre diziam que precisávamos de Qi para chegar a algum lugar, porém os seres que diziam serem racionais tinham mais preferências irracionais do que propriamente racionais. Quero dizer, olhe para aquelas garotas.... Elas vestem sais curtas da mesma cor, amarram o cabelo do mesmo jeito e enchem os sutiãs de papel higiênico por que a puberdade não acompanha sua necessidade de atenção da parte dos garotos.... Elas falam de um jeito forçado como se quisessem se passar por coitadinhas fofas, mas é cruel com as outras que não tem grana para comprar a mesma debilidade na loja. Isso faz sentido? Nem um pouco, parecem Barbie com falas pronta...Futuro?! Acho que elas não estão muito preocupadas com ele.


Minha mãe reclama muito sobre eu não me socializar, mas sempre que eu tentava logo acabava falando sozinho com um monte de tarefas na minha mesa para responder como condição de amizade.... Então, eu desisti.... Como disse um dia um sábio suricata um dia “Quando o mundo vira as costas para você, você vira as costas para o mundo”.

Eu não conversava na sala, não levantava mais a mão para responder as perguntas por que nem mesmo os professores queriam um aluno que sabia das respostas ou que dissesse que ele estava errado, daí procuravam erros minuciosos na minha prova afim de buscar um erro que não existia.

–Cabeça de ferro!-Eram assim que geralmente me chamavam, o apelido sem sentido demonstrava a limitação criativa dos meus colegas de sala.-Vamos lanchar, não gostaria de ir com a gente?!

–Não, tenho mais coisa para fazer....-Não tinha, mas tentem ver a tática falha por trás do pedido ... O que eles queriam não era minha presença por afeição... Eu era um teste, a diversão ou em um linguajar mais informal o saco de pancada, assim que chegasse lá todo alegrinho seria recebido com restos de alimentos e frases típicas direcionadas a nerds como eu como: “ Você realmente achou que queríamos você por perto?” ou “Seu nerd idiota!”.... Mas eu já passei por isso varias vezes para aprender que algumas coisas simplesmente não mudam, eles tem a necessidade de me colocar para baixo o que ao meu ver é o nível deles.

–Não tem nada para você fazer! Vamos lá!

–Vocês são surdos ou burros? Eu não vou!-Eles saíram resmungando me olhando travessado e no fim.... Fiquei na sala sozinho com meus desenhos e mangás para ler.


Acho que já até me acostumei com isso, o silencio em volta de mim, o som do nada gritando na minha mente... Depois de um tempo você passa até a preferir, ficar perto de pessoas que não estão preparadas para admitir que tem uma mente menor que a sua é desgastante. Mas a solidão?! Ela não reclama, não pede favores em troca de amizade, não olha para você como se tivesse um problema sério.... Ela acaba se tornando uma companhia agradável e com uma imaginação aguçada a realidade se torna pequena dentro no meu mundo.

–Taylor venha até aqui!-Eu estava tentando imaginar os sons com as cifras que me foram entregues na aula de música passada, como nenhum professor gostava de mim fiquei até surpreso ao ouvir meu sobrenome sendo chamado. Fui até ela na frente de todos, como estudava em escola publica não era novidade que uma professora de matemática também dava aula de música mesmo sem qualquer formação nessa área.-....Muito bem agora me dê um Dó maior!-Franzi o cenho olhando bem para ela, até os outros alunos acharam estranho... Ela queria que eu tocasse o que se os instrumentos ainda não foram entregues?! Uma flauta imaginaria?

–Com o que?-Ela sorriu estranho apontado para boca.

–Quero que cante!-Eu neguei no mesmo instante, ela é louca?

–Que mal eu pergunte, mas a senhora bebeu? Eu toco flauta, as vocais são aquelas ali!-Apontei para as meninas que até fizeram que sim confirmando.

–Mas eu quero que você cante, hoje a aula será sobre isso! Ahh não ser que o ‘senhor mais inteligente que os outro’ não consiga interpretar minha ordem!-Apertei os olhos mirando ela com desdém, era um ataque direto, afim de me humilhar na frente dos outros, se eu não cantasse ficaria como burro agora, se eu cantasse coisa que eu não fazia iriam rir, pois minha voz não servia para a música.... Só que eu já não ia mais ficar me segurando.

–Engraçado ouvir isso de uma professora de matemática que só foi contratada para dar aula de música por falta de verba da escola, mais engraçado é ouvir dessa mesma professora critica sobre inteligência sendo que nem tem qualificação suficiente para dar aulas em uma escola melhor! Devo dizer que diante mim seu currículo choraria de vergonha vendo uma mulher da sua idade tendo que fazer bicos para pagar as contas!-Assim que falei isso ela bufou de raiva, como se EU estivesse de bom humor!!

–Escuta aqui....

–Não! Escuta aqui você! Eu vim aqui para aprender a tocar flauta, se não tem capacidade para fazer isso suma da minha frente!!!-Retruquei nervoso fazendo um silêncio enorme ecoar enquanto o ódio da mais velha a minha frente só aumentava me dando certeza que as coisas não ficariam só por isso.



–DETENÇÃO!?!? Eu nunca peguei detenção antes! Você devia punir os professores por não fazerem seus trabalhos direito!-A diretora me fitou zangada puxando meu braço me levando para a sala do delinquentes juvenis, aqueles cuja a cadeia era seu próximo lar.

–Vai aprender a respeitar seus superiores de agora em diante, três dias de detenção e quero ver esse papel assinado pelos seus pais amanhã bem cedo para que saibam o individuo que está se tornando!-Falou ela frente a porta me entregando a carta da minha condenação.

–Um empresário de sucesso inteligente com futuro próspero pela frente?! Acho que iram ficar felizes!

–Tente um ser desagradável e desrespeitoso com os mais velhos!-Revidou ela brava.

–Hey! Desse jeito eu não vou deixar seu filho tapado lavar os banheiros da minha empresa quando eu a construir!-Dessa vez ela fez foi me empurrar para dentro da sala, agora sim eu risco ele da minha lista de empregados.



E lá estava eu parado perto da porta sendo fuzilado com olhares dos menores infratores da escola, era como entrar na cadeia sem ter cometido nenhum crime, quer dizer eu cometi um... Eu disse a verdade. Acho que se pudessem já tinham vindo até mim e me espancado, mas a professora da detenção que mais parecia uma lesma mexendo os olhos tinham um certo estranho controle... Ou não, de qualquer jeito estavam todos sentados esperando o tempo acabar e poderem ir embora. Engoli seco procurando uma carteira vaga, sentar na frente seria burrice, sentar no meio suicídio, então o jeito era sentar na carteira mais distante no fundo para não causar problemas ou ser perturbado.



Respirei fundo quando consegui chegar lá sem levar tapa ou ser derrubado no chão, curiosamente eu parecia ser um dos mais novos da sala.



Sentei na carteira aliviado, porém logo notei todos ali me fitando um pouco espantados e depois rindo abafado entre eles. Procurei o motivo disso na cadeira, dos lados e não via nada de diferente, exceto um desenho de um dragão na mesa mal feito. Sem me preocupar muito com o que eles tinham em mente comecei a consertar o desenho e pegando meu caderno de ideias... Para melhorar seria interessante um domador ao lado do dragão. Em poucos minutos o desenho da carteira já estava contornado e bem feito, melhor só pintando.... Mas foi nessa distração que ouvi o barulho da porta bater e não somente eu como todos na sala direcionamos nossos olhos para a porta, até a professora lesma se ajeitou na cadeira quando aquele ser baixinho de cabelo preto curto com a franja reta quase escondendo seus olhos assustadoramente azuis entrou, diferente das outras garotas da minha sala ela usava uma bermuda preta cheia de bolsos e um coturno preto também... Não parecia uma daquelas góticas, só um gato preto ou algo do tipo. Só que seja lá quem fosse, parecia ter colocado medo em todos os outros delinquentes, o que era esquisito por que ela era do meu tamanho. De repente os olhares se voltaram mais uma vez para mim e quando eu vi aquele ser começar a vir pro meu rumo eu entendi tudo.... A carteira era dela e se os infratores ali que eram muito maiores do que eu tinham medo dela, com toda certeza eu deveria ter motivo de sobra para ter também.



Mas era tarde demais, quando fui arrumar minhas coisas para sair ela já estava do meu lado com uma expressão sem muita emoção.

–Essa carteira é minha...-Falou ela que curiosamente tinha uma voz bem infantil para quem dava medo em todo mundo.

–Humm..-Tentei não encarar ela apertando minha própria mão, enquanto os risos maldosos ecoavam na sala.-....Você.. Não pode sentar em outra...?-E com uma ação eu compreendi todo pavor da sala, a meliante com uma só mão me suspendeu pelo uniforme com uma expressão zangada, confesso que não comecei a chorar e implorar pela vida agora por que estava com medo demais para fazer isso.

–Você não acha que se eu quisesse sentar em outra eu já teria sentado?!- Meu Deus destrave minha língua para e poder pelo menos pedir a ela para não me matar! A X-man me soltou assim que eu fiz que sim engolindo seco.

–Okay, eu já...Saiu...-Gaguejei tentando não tremer, mas do nada a super girl ficou com os olhos fixos no dragão que eu tinha redecorado... Ahhh Jesus o dragão era dela, juntei tudo o mais rápido que pude antes que fosse acusado e até parece que já não era tarde demais.

–Foi você?!-Eu ia dizer que não, mas de qualquer jeito ninguém ali iria me ajudar a mentir! Então eu fiz que sim.-Hum.... Ficou legal...-Herhnm o que dizer em um momento como esse?

–Eh... O outro que estava antes ajudou....-Revidei em um pigarreio e do nada a rainha da máfia sorriu simpaticamente para mim, me fitando.....Eu não sabia se entrava em desespero ou fiava aliviado.

–Fui eu que fiz!-Eu iria soltar um “Olha se você não tivesse tido eu nunca teria adivinhado” cheio de sarcasmo, mas fiquei com medo que ela pegasse essa ironia e me acertasse ela na cara.-Segura...-Do nada ela jogou as coisas dela no meu colo e expulsou o garoto mais próximo da carteira dele puxando ela para perto da que eu estava.... Mas que droga, a meliante queria mesmo que eu ficasse perto dela? Sim, a resposta era essa e ainda me fez ir pra outra carteira por que a que eu estava era a DELA não tinha jeito.-Meu nome é Undine!-Ela ergueu a mão até mim e eu precisei olhar pra ela assustado, não por que ela me disse o nome, mas sim pelo NOME dela.

–Undine?! Sério?!-Ela riu fazendo sim.

–Por quê?!

–É o nome de um espírito da água em um jogo, sabia?! Sou Dick!-Apertei a mão dela que sem notar ela quase quebra a minha.

–Ahh meu irmão tirou o nome de um jogo mesmo!-Mirei ela indignado aproximando meu rosto um pouco para cochichar, não sei o que é mais estranho o irmão dela ter registrado o nome dela ou ele ter tirado o nome de um jogo!?

–Seu irmão que te deu um nome?!-Ela riu novamente fazendo que não e se aproximando também.

–Oh não, não é assim que você está pensando, ele é meu pai biológico, mas não gosta que eu chame de pai, então eu chamo de irmão...-Eu já ouvi falar de avós que não gosta de ser chamados assim pela idade, mas é a primeira vez que ouço uma loucura dessa e eu que achava minha família complexa.

–Ahh entendi...-Na realidade não entendi, mas não queria prolongar a conversar, a apresentação acabou e o silêncio pairou, só que a rainha dos delinquentes não ligava muito para as regras. Do nada ela foi no quadro fez um desenho voltou pra cadeira depois voltou até lá e apagou desenhando outro, entrava e saia quando queria e ninguém contestava nem poderia com uma força daquelas. Só que eu já estava intrigado com aquilo.... Ela não estava nem ai.-Não tem medo de pegar mais tempo de detenção?-Cochichei para ela que riu fazendo que não.

–Ficar uma hora e meia em uma escola vazia de alunos e cheia de coisas legais para mexer? Está brincando?! Isso aqui é incrível!-A escola? Ela é doida? Onde ela tinha visto algo legal aqui? A escola era uma droga, cheia de gente chata e sem nenhum vídeo game!

–Desculpe, mas isso aqui não tem nada de divertido!

–É por que você não sabe se divertir!-Que historia é essa?!

–É claro que eu sei! Eu tenho muitos métodos para me diverti! Fique sabendo que sou um superdotado, eu sei tudo!-Ela negou.

–Uhh superdotado que medo! Tudo bem megamente, por que não me mostra algo divertido!?-Ela me desafiou?! Pensei o mais rápido que podia e tudo que eu tinha era um caderno de desenho.

–Com a imaginação isso se torna a melhor de todos os divertimentos!-Ela deu uma olhada estranhando e depois me lançou uma expressão penosa.

–Você não tem muitos amigos, não é?!-Tirei o caderno da mão dela sem medo de levar um soco.

–Não preciso! Tenho água e comida o resto como diria Sheldon é opcional!-Undine continuou me olhando e abaixou o olhar.

–Hum.... Tu pegou quantos dias?-Suspirei guardando minhas coisas, estava bem perto de dar a hora de ir embora.

–Três... E você?-Perguntei mais por conveniência do que por curiosidade.

–Ohh que pouquinho, aposto que deve ter só xingado a professora, eu peguei duas semanas!-Okay, agora meu medo voltou.

–O que você fez?!-Ela sorriu de lado de um jeito macabro.

–Prendi um colega de classe na sexta de basquete!-Meu Deus, o que ela era? A mulher biônica?

–Você desafia as leis da física!-Sorriu novamente sem contestar, eu não estava muito apto de continuar essa socialização com ela, mas pensei no lado onde não sou espancado pelos outros meliantes por ter essas curtas conversas... Pelo menos até o fim da detenção.



Só que essa garota não era problema nenhum comparado á aquela que eu tinha em casa, a ditadora cruel lendo o bilhetinho da escola como se estivesse olhando para a balança aumentando seu peso gradualmente... Engoli seco preparando minhas melhores desculpas.

–Detenção?! Dick quantas vezes eu tenho que dizer para se segurar? Para ser forte e tentar enxergar o lado oposto da historia??-Brigou ela colocando a carta em cima da cama.

–E o meu lado quem vê?! Não dá para abaixar a cabeça sempre que alguém tentar agir como se fosse melhor do que eu....-Ela bufou impaciente.

–Interessante você dizer isso, afinal e as vezes que você age dessa maneira?! Filho não é assim que as coisas funcionam, você tem entender que as pessoas são bem mais do que o nivel intelectual dela pode mostrar! Quer saber?! Talvez essa detenção te faça bem, te faça ter um pouco mais de humildade!-Ela nem me dava tempo de me defender apropriadamente.

–Eu tenho humildade o que eu não tenho é paciência e sangue de barata para aguentar ouvir asneira! Se VOCÊ tentasse enxergar o meu lado talvez entenderia, mas não.... Acha que eu tenho a obrigação de engolir sapo só pra fingir que tenho amigos falsos!-Retruquei zangado.

–Não seja imaturo! Você se quer tenta e digo mais, acho bom esse ser o ultimo bilhetinho da escola se tem um pingo de apreço pelos seus vídeo games!-Ahh não, ela não pode estar falando sério! E estava saiu batendo a porta do meu quarto sem mais conversa!

Abri a porta com cautela indo até o andar de baixo ouvindo ela falar com o meu pai, eu sabia que ele iria ficar do meu lado.

–Está sendo dura demais com ele...O colégio nunca o recebeu muito bem.-Disse meu pai, meu herói, infelizmente não servia pra nada já que ele sempre acatava as ordens dela.

–Você o mima demais, temos um filho arrogante, egoísta, sem um pingo de vida social que acha que as pessoas são inferiores... E você acha que eu estou errada?!-Revidou minha mão indignada.

–Ele tem o Oliver!

–Que não serve de base, por que é outro que não é lá muito sociável, mas pelo menos faz amizade com os mais velhos pelo que eu já vi! Agora o Dick?! Não faz força nem pra se dar bem com cachorros! Eu não sei mais que atitude tomar com ele....-Meu pai pareceu dar a volta e massagear os ombro dela.... Hummm interessante tática.

–Tem razão, ele tem uns problemas sim, mas querida tem que entender que é mais complicado do que pensa, ele não se voltou contra a escola por que quis de um dia pro outro... E você dar uma de justificar os erros dos outros e acusar só ele não está ajudando em nada! Logo ele vai achar que você está defendendo os agressores dele, precisa ter mais paciência.... Eu sei o que estou falando, eu passei por isso e ouvir dos outros que não somos bons do jeito que somos não é fácil principalmente para quem enxerga o mundo como ele!-Quando vi que eles viam para o meu rumo dei um jeito de sair dali e voltar para o meu quarto.


Claro que eu não odiava minha escola ou as pessoas dentro dela do nada, começou quando entrei e me tratavam como se eu fosse uma aberração por saber as respostas, depois os professores se zangaram e tomaram raiva da minha cara por que eu os corrigia na frente de todo mundo e por fim as humilhações públicas onde eu levava surra ou jogavam as coisas em mim só para se divertirem.... Tudo isso se acumulou por que minha mãe dizia que eu não podia responder e tinha que ser o mais politicamente correto, mas é como meu pai disse... É mais complicado do que se imagina.... E mesmo com a minha mente brilhante eu não conseguia encontrar a resposta para essa pergunta... Talvez eu só não seja bom com as pessoas.


No dia seguinte lá estava eu batendo ponto no colégio de novo, tirei meus livros do armário e de longe vi a figura da ‘super girl’ andando pelo corredor, as outras meninas cochicham maldosas sobre as roupas um tanto masculinizadas dela e os garotos se recolhiam sem olhar para ela.... Acham que ela liga?! Nem um pouco, às vezes ela acenava para alguns garotos que pareciam conhecê-la e andavam por ali como se não tivesse duas semanas de detenção nas costas. Ela passou por mim sem dizer nada, também por que eu meio que me escondi por trás dos livros.



Eu nem pensei na hipótese dela voltar a falar comigo na próxima vez que eu pisasse na sala de detenção, mas antes de entrar fui puxado pela blusa levando um susto vendo ela fazer sinal de silêncio.

–O que?! Temos que entrar!-Ela fez que não.

–Não seja tediante! Olha só o que eu tenho aqui!-Achei que ela fosse me mostrar uma arma e que ia colocar uma maça na minha cabeça pra tentar acertar, imenso erro, era uma simples chave.

–Uau que legal uma chave....-Fale com sarcasmo fazendo ela rir, pelo menos ela tinha senso de humor.

–Pergunta da onde é!-Girei os olhos sem interesse.

–Da onde é?!-Perguntei respirando fundo.

–Do teatro!-Ohh meu Deus ela queria roubar os figurinos?

–E por que você tem isso?-Ela deu de ombros sem responder.

–Eu tenho uns contatos! Vem vamos até lá!-Ela é mais doida do que pensei.

–Não! Eu tenho detenção e você também! Alias se formos pegos é bem provável que aumente nossa detenção!-Ela alargou o sorriso.

–E daí! E as chances de sermos pegos é mínima a sala não emite muito som de portas fechadas!-Ohh ela não é tão boba assim...

–É, mas a dente....-Agora ela me fitou zangada.

–Anda logo Dick!-Falou me empurrou praticamente a força até lá e nos trancou pelo lado de dentro..... Okay eu estou com medo de novo... O que íamos fazer ali?

–Certo estamos aqui! Já podemos voltar?-Ela me fitou incrédula.

–Você não disse que sabia se divertir?!-Franzi o cenho confuso.

–Me divertir?! Com o que?!

–Cara e você ainda se chama de superdotado?! Tem um teatro cheio de fantasias, luzes do palco e um som magnífico que pode ser manipulado e não consegue pensar em nada divertido para se fazer com isso??!? –Ela me fitou indignada, agora me senti um idiota.-Se não consegue pensar em nada, vigie a porta!



Eu sentei em uma das poltronas enquanto ela corria para dentro alegre e cantando, que pessoa mais sem noção...Fiquei ali de pernas para o alto até ouvir a música ecoar por todo o teatro da escola e do nada aquela maluca sair vestida com um figurino de aspecto antigo com uma espada na mão brincando como uma criança de três anos.

–Se você for pega assim....-Gritei para ela que tapou os ouvidos.

–Quer fazer o favor de parar de dizer isso! Por que não veste algo engraçado para a gente lutar!-Eu neguei.

–Eu passo...-Ela deu um salto vindo pra perto de mim.

–Não foi um pedido!-E lá fui eu com medo de levar um soco escolher um figurino para brincar com ela.... E UAU eu não sabia que a escola tinha tantas opções de figurino assim, adentrei por aquele monte de roupa analisando uma mais curiosa que a outra.-O que acha desse?-Ela me mostrou um de coelho do ‘Alice no pais das maravilhas’.

–Não! Por que eu vestiria isso?

–Você é medroso e paranoico como ele!

–HAHA! Muito engraçado!-Ri de mentira fazendo ela rir de verdade.

–Ohhh achei um bem legal!! Um pirata!-Hummm fazia parecer a do Jack Sparrow, tomei da mão dela e fui logo me vestir... Se não fosse uma cena de crime eu arriscaria tirar uma foto.

–Undine preciso de uma espada!-Eu ia pegar a dela, mas ela segurou minha cabeça me afastando.

–Procura uma pra você! Essa pertence a princesa Charlotte!-Falou empinando o nariz.

–Princesas não usam espadas sua tonta, pega uma varinha de condão e fica rodando ela por ai!-Ela me fitou desafiadora.

–Tonto é você, eu sou uma princesa guerreira! Em posição seu pirata ladrão!-Gritou apontando a espada para mim.

–Hey eu estou desarmado!-Ela gargalhou balando os ombros.

–Usa seu Qi MEGAmente!-Falou curtindo, agora ela me deixou zangado.... Olhei para os lado procurando qualquer coisa que me desse a resposta para derrota-la.

–Pois bem, roubarei sua espada e tomarei seu reino de algodão doce!-Quando disse isso ela caiu na gargalhada.

–Palavras demais para um pirata desarmado!-Vendo aquele tanto de figurino tive uma ideia, corri para o meio dele me escondendo ela que tentou vir até mim, fiquei em um canto esperando um sinal para ataca-la.

–O que foi princesa Charlotte? Seu guarda roupa se virou contra você?!-Falei me misturando bem devagar com as outras roupas deixando praticamente só meus olhos de fora, eu vou dar uma lição nessa sabichona.

–Espera até eu achar você!-Falou rindo e eu pude ouvir os passos bem leves dela próxima de mim.... Quando vi ela de costas mexendo nas roupas a minha procura aproveitei sua distração empurrando ela de uma vez a fazendo tropeçar e cair sobre as roupas do pau de arara.

–AHA! A espada é minha!!!-Gritei pegando a espada do chão.-Espero que tenha um príncipe rico a sua procura princesa, pois seu resgate lhe custará muito dinheiro! Pensando bem, todo algodão doce do seu reino já me parece uma boa troca!-Brinquei falando pra ela que não conseguia parar de rir, não entendi, ela tinha perdido!

–Pelas costas... Tipico de um pirata da sua....

–TEM ALGUÉM AI!-Gritou uma voz vindo da entrada do teatro, eu sabia! Eu sabia que íamos ser pegos e nos ferramos! O pior é que agora que eu estava me divertindo. Ela se levantou de uma vez atenta fazendo sinal para eu ficar em silencio.

–Ele está vindo para cá!-Cochichei para ela que voltou a fazer sinal de silencio.

–Não esquenta! Se ele não souber quem nós somos não poderá acusar ninguém!-Revidou ela me puxando para esconder no meio dos figurinos novamente.... Sinceramente eu estava apavorado e quase chorando de medo. Ouvimos os passos do homem andando bem próximos a nós o que me fez parar de respirar na mesma hora... Mas se ele saíssem levaria a chave e ficaríamos presos ali.

–Temos que sair antes dele, se não vai nos trancar aqui dentro!-Sussurrei para ela quando ele foi para a cabine de som desligar a música.

–Tem razão!-Undine olhou para os lados pensando rápido e logo me entregou uma mascara. -Coloca isso!-Eu obedeci, ela parecia ter experiência nesse tipo de situação.-...No três a gente sai correndo e pelo amor de Deus não esquece sua bolsa ou vai se ferrar do mesmo jeito!-Ahhh ótimo! Pressão era a ultima coisa que eu precisava nesse momento.



Mas eu fiz que sim e quando ela sinalizou o três nós dois saímos correndo até onde tínhamos largado as mochilas, o cara que tinha entrado logo percebeu e começou a gritar para pararmos correndo atrás da gente eu sentia meu sangue ferver de emoção quando percebia que ele não conseguia nos alcançar, sorria achando ótimo depois de tanto tempo tendo que abaixar a cabeça para esses adultos injustos... O meu problema? Eu tinha uma péssima aptidão física e não demorou muito para eu cansar, se continuasse logo estaria no hospital por que para piorar eu tinha asma. Quando meus passos se diminuíram e a supergirl já estava bem a frente eu já estava procurando desculpas para os meus pais e professores por ter invadido o teatro.... Só que aquela estranha delinquente quando me viu parando voltou para trás ofegante.

–Vamos!!-Gritou ela.

–Não dá! Se eu correr mais vou ter uma crise de asma!-Revidei para ela acenando que podia ir, porém ela não se contentou e se aproximou de mim.

–Se esconde ali Megamente! Eu vou despistar ele! Não saia dali até eu voltar e te buscar! Isso é uma ORDEM!-Ela apontou para uma porta de dispensa e não é que a maluca foi até o cara e lascou um soco na barriga dele provocando e fazendo ele seguir ela e esquecer de mim! Fiquei ali naquele armário com cheiro de desinfetante recuperando o folego esperando ela voltar até ali, se eu fosse embora provavelmente minha vida estaria acabada por que ela me mataria... Mas pelo menos ela não me deixou para trás o que me fez dar a ela um voto de confiança.



Passou uma meia hora quando notei a porta abrir com aquela baixinha buscando ar, ela engolia seco olhando para trás e já não estava com a mascara do figurino.

–Ele está ....Procurando a gente do outro lado... Da escola, mas não vai demorar até voltar pra cá! Vamo bora!-Falou ofegante e em passos apressados mais não exagerados saímos do colégio pulando o muro, já que pelo portão seria obvio demais. Quando nos distanciamos sentamos no meio fio para descansar um pouco....Não acredito que estava vestido de pirata no meio da cidade, mas eu não consegui segurar o riso... Se eu contasse isso para qualquer pessoa que fosse diria que estava mentindo.- Isso foi demais! Devia ter visto a cara dele quando não aguentava mais correr! Só não soltou um palavrão por falta de folego!-Contou ela toda animada dando socos no ar.-Está vendo Megamente! Isso é o que eu chamo de diversão!

–Invadir um teatro, usar o figurino, sair correndo e deixar o responsável para trás? Eu chamo isso de vandalismo!-Ela riu negando.

–Meu irmão sempre diz que paga imposto adoidado, graça a esses impostos a escola mantem esse teatro e os figurinos, em outras palavras tudo que tem lá dentro vem do nosso bolso! Então não é vandalismo! Como se invade uma coisa que é sua?-Bom ponto de vista, inesperado para uma criança de dez onze anos que passa mais tempo fora da sala do que dentro dela.

–Tuche! Mas não vai adiantar nada pra mim por que quando meus pais me verem com essa fantasia vão me dedurar no mesmo instante e eu vou me ferrar do mesmo jeito.....-Murmurei me levantando.

–Ehh são certinhos que nem você?! Não me admira! .....Então está decidido!!-Ela falou apontando para mim.-O meu irmão vai aliviar sua barra dessa vez! Vem comigo!-E lá fui eu seguindo aquela maluca de novo.



Acabamos entrando em uma casa sinistra de decoração ridicularmente espantosa, sabe era como estar no fundo do mar, os sofás pareciam estar envoltos de um pano que fazia eles parecerem pedras e as luzes estavam com um enfeite de peixe. Porém parecia ainda está em fase de construção.... Que doido mora aqui?!

–Essa é sua casa?!-Perguntei um pouco assustado.

–Ahh é, mas não repara na bagunça, meu irmão está redecorando!

–Redecorando?! Mas isso aqui é AHHHHHHH!-Gritei pulando para trás morrendo de medo quando o boneco de mergulhador daqueles com capacete que tinha um vidrinho na frente se mexeu vindo até nós.-Se mexeu, se mexeu, se mexeu!!!!-Falei ficando atrás dela que ficou rindo.

–Relaxa Dick! É o meu irmãozão fantasiado!-Ela se virou para o mergulhador acenando.- Cheguei!-Disse e o mergulhador abriu a parte de cima do capacete.

–Olhem só o que mar me trouxe, uma princesa submarina e um pirata medroso!-Revidou ele rindo, sai de trás dela estufando o peito.

–É e um antiguidade em roupa de mergulhador!-Retruquei e ele tirou logo o capacete rindo.

–É que o dinheiro que sobrou só deu pra comprar esses, os tubos de oxigênio estão um pouco caros no mercado!-Ele tinha os cabelos escuros iguaizinhos ao da Undine, os olhos eram castanhos e...Sei lá era impressão minha ou ele tinha uns vinte e poucos anos?!

–Vocês vão dar uma festa?-Perguntei dando outra breve olhada no lugar, até que era interessante.

–Não! Que isso, jamais! Eu achei que seria divertido se nossa casa se parece com o mar!-Quando ele disse isso, eu saquei tudo, agora sei da onde essa garota tira o fascínio pela diversão.

–Gastou dinheiro só pra ter uma casa parecida com o mar?!-Mirei eles que fizeram que sim.- Já ouviram falar na palavra falência?

–Hehe que pessimismo para alguém tão jovem!-Ele me olhou depois ara a filha de um jeito curioso.- Por que estão vestidos assim?-Eu jurava por um segundo que ela fosse dar uma desculpa, mas essa familia era mais estranha que eu pensava.

–Eu e o Megamente invadimos o teatro!-Ao invés de bronca ele pareceu fascinado.

–Está brincando!??! E não conseguiram te pegar!?-Que pergunta idiota, antes dela responder alguma coisa apitou lá dentro.-Ohh a refeição dos seres marinhos estão prontas!-Disse em um tom gozado.-Me contem enquanto comemos sim?!



E ela começou a contar desde o inicio, cheia de exageros como o meu tio Ed, mas que deixava o pai dela encantado... Caramba se eu contasse pros meus ficariam furiosos.

–Então o Megamente precisa de um uniforme da escola masculino por que deixou o dele lá? E eu também!-Ele pensou consigo olhando para a filha.

–Eu não tenho, mas dou um jeito de te colocar em casa sem seus pais te pegarem! Porém... Amanhã vamos dar um jeito de pegar o uniforme de vocês de volta!-Franzi o cenho sem entender.

–Como?! A essa altura já deve estar confiscado com a diretora!

–Uma coisa de cada vez Megamente!-Argh ele é doido?! E tinha mesmo a necessidade de me chamar assim?

–Dick! Meu nome é Dick Taylor!-Falei impaciente para ele que logo mirou a Undine.

–O garoto solitário?-AH Chega! Me levantei zangado.

–Eu não sou solitário! E não tenho que ficar ouvindo isso! Agradeço a comida e passem bem!-Falei indo embora quando a super girl ficou de frente pra mim.

–Relaxa! O irmãozão não está zuando você! E nós vamos te levar, não é?!-Ela perguntou para ele que fez que sim.

–Claro! E não esquente, eu na sua idade também tinha dificuldades em fazer amigos! Na verdade eu não tinha nenhum, mas enfim isso não vem ao caso! Vamos dar um jeito no seu problema antes!-Sentei em uma dos sofás pedras esperando os dois se trocarem para me levar. E quando achava que não podiam ser mais doidos, o pai dela entra na sala vestido de terno e alguns papeis na mão e ela sai vestida de....

–Lolita?!-Ela alargou o sorriso fazendo que sim.

–Ahh você entende! A escola me proibiu de ir assim, mas fora dela nada me impede!-Não combina nenhum pouco com a personalidade dela.

–Chega de papo! Megamente e Undine o plano é simples... Eu vou bater na porta da casa do Dick e chamar a atenção dos pais deles o mais longe da entrada e vocês....

–Não vai dar certo! Meu quarto é no segundo andar e a sala é praticamente a entrada de casa!-Ele pensou rápido apontando pra filha.

–Temos escada no carro, se ele não alcança você acha que consegue subir ele?-Ela fez que sim.

–AH com uma mão se quiser!-Falou ela apontando pro braço, eu não tinha argumentos a supergirl tinha uma estranha força.

–Perfeito! Vamos chamar esse plano de....-Ele ficou pensativo... Dar um nome pro plano? Ele está achando que isso aqui é o que? Uma missão do exército?-.... “Na toca dos corujas”!-É o que?

–Isso não faz o menor sentido...-Comentei indignado.

–Ótimo então me ajude a pensar em um nome!?-Revidou ele.

–Pra que?-Eles se olharam animados.

–PARA SER MAIS DIVERTIDO!!!-Responderam ao mesmo tempo alegres....Que bando de doido.



Eles eram os seres mais excêntricos que eu tinha visto em toda minha vida, enquanto o pai da Undine ficou embromando meus pais na porta ela me ajudou a entrar pela janela do meu quarto, mas não se contentou em somente isso insistiu em querer entrar também.

–AHA o laboratório do Dexter! Caramba você é viciado em jogo!-Falou curiando cada canto.

–Né por nada não, só que não é melhor você ir?! Seu pai deve estar te esperando!-Ela fez que não.

–Não esquenta... E é irmão! Lembre se disso....Ohhhh eu adoro esse desenho!!!-Ela pegou um dos meus goshapons sem o menor cuidado tive que correr até ela e tirar da sua mão.

–Anime! E isso aqui não é brinquedo!-Voltei pro lugar dele e ela me ficou incrédula.

–Sabe megamente, você precisa se divertir mais! Mas não se preocupe, eu vou te ajudar nisso! Afinal é pra isso que servem os amigos....-Hein?! Desde quando eu me tornei amigo dessa delinquente precoce? Mas não ia contestar, tinha saído ileso hoje não queria um olho roxo logo agora.

–Certo, certo... Mas agora vai! Eu vou trocar de roupa!-Ela arregalou os olhos fazendo que sim.

–Tudo bem, só não se esqueça que amanhã temos um plano a executar!? Até mais Megamente!-E nisso a doida pulou de uma vez do segundo andar.... Com certeza era uma X-man, onde já se viu um ser humano fazer uma coisa dessa sem se machucar?



Acordei pela manhã todo dolorido, aquela corrida com toda certeza não tinha me feito bem.... Dormi como uma pedra depois de mentir descaradamente pros meus pais. Eu pensei em conversar com o Oliver pela manhã, mas pelo visto minha irmã e suas problemáticas estavam ainda tomando seu tempo.

–Cadê seu uniforme?-Perguntou assim sentei na cadeira sonolento.

–Na mochila, é moda!-Falei escorando a cabeça na mesa.

–Deixar o uniforme na mochila?-Perguntou meu pai confuso.

–É, sabe, e só coloca ele quando está na escola!-Ainda sim os dois me fitaram estranho.-Ora, não era isso que queria? Que fizesse parte do outro lado da historia? Pois bem, estou seguindo a imbecilidade juvenil da minha escola pra tentar conseguir amizades falsas e traiçoeiras como você e a Kailyn!-Completei olhando pra minha cara dona de casa que só não me bateu por falta de razão.

–Isso não é jeito de falar com sua mãe!-Mirei meu pai suspirando.-Peça desculpas!

–Desculpa por tentar me defender mãe! Esqueci que seu motivo sem sentido tem prioridade nessa casa!-Agora peguei minha mochila e sai.



Sabe, eu não estava querendo realmente dizer aquilo, entretanto estava zangado... Conhecer o pai da Undine me fez perceber o quanto os meus são injustos, quero dizer... Ele me pareceu ser alguém que sempre da um voto de confiança a ela, porém os meus sempre duvidam de mim antes de mais nada. Poxa, eu sempre fiz tudo certinho, sempre tirei as maiores notas, jamais fugia do colégio, nunca me misturei com pessoas erradas.... Só que nem isso fazia eles confiarem em mim.

–Megamente!!-Gritou uma voz não muito longe de mim acenando, era a supergirl pra varia ao lado do pai dela que estava vestido de.... Astronauta.-Temos que pegar os uniformes antes de entrar ou vai ficar meio obvio que foi a gente né?!-Disse ela, aliás ela tem razão.-Trouxe a fantasia?

–Uhum, eu ia devolver no recreio ou sei lá!-Acenei pra bolsa e ela fez sinal de Okay.-Que mal eu pergunte, mas por que está vestido assim?-Perguntei pra ele que tirou o capacete que mantém o oxigênio circulando na roupa.

–Boa pergunta, eu e Undine ficamos pensando em um plano ontem a noite!-Eu acenei com a mão.

–Nem precisa terminar, eu já imagino qual o plano... Você distrai a diretora com uma conversa fiada de astronauta e a gente se enfia dentro da diretoria!-Ele fez sinal de sim animado.

–ISSO GAROTO!-Agora se virou pra Undine.- Eu adoro esse garoto!-Girei os olhos respirando fundo.

–Eu disse que eu sabia escolher amigos!-De novo com isso?! Acho que a palavra que nos define seria ‘Cúmplice’.

–Olha vamos fazer isso logo!-Eles fizeram que sim e acabamos indo para de trás da escola e nos agachando para combinar o tal plano.

–Bom, vai ser assim.... Eu vou entrar no colégio chamando a atenção de todos, nesse tempo vocês já podem correr pra onde fica a janela da diretoria! Vou chamar a diretora e todos que tiver lá dentro e gritar: “MAS OS ETS AINDA NÃO FORAM DESCOBERTOS!”...-Eu tive que cair na gargalhada, que frase mais própria!-Sossegue e me deixe terminar! Então, quando ouvirem isso vocês entram pela janela e procuram pelos uniformes confiscados e vão para onde eu estou! Quando eu ver vocês eu encerro a encenação!-Terminou de explicar animado.

–Mas e se ela não quiser te ouvir ou quiser voltar antes da gente sair?-Perguntei pensativo.

–Sem pessimismo! Isso não vai acontecer!-Replicou ele e Undine riu.

–Meu irmão é o mestre na embromação!-Ela contou fazendo ele apertar os olhos zangado, acho que nem era bem um segredo esse fato, ele tinha cara de embromador.

–Não me parece novidade....-Comentei rindo junto com ela que fez que sim.

–Tá! Vamos logo com isso, essa fantasia esquete pra caramba!



Eu tinha que confessar, era divertido, talvez um pouco além disso.... O sangue fervendo enquanto procurávamos desesperadamente pelos uniformes sendo que a qualquer momento poderíamos ser pegos, eu nunca tinha cometido um delito, mas sinceramente dessa vez minha consciência estava limpa, não era como se eu estivesse roubando algo que não era meu.

Abri sorrateiramente uma das gavetas procurando e acabei achando o que não devia.... OMG.

–Undine vem cá....-Chamei ela que estava do outro lado da sala, ela correu até mim tendo a mesma expressão espantada.

–Que merda é essa?-Eu sorri, talvez eu tivesse uma certa noção do que seria, mas tinha um pouco de duvida sobre o que aquilo fazia na gaveta da diretora.

–É uma roupa...-Levantei aquela coisa feita de couro pra cima espichando por completo... ECA!

–Roupa? Quem sai vestido com isso?! Não tampa nada!-Eu dei uma breve risada.-Minha nossa....-Ela fuçou na gaveta de novo e acho que entendemos mais ou menos como devia funcionar o esquema da roupa. Era uma foto da diretora amarrada a uma corda com essa roupa com um cara todo de preto do lado mais ou menos de costas...Mas acho que ele segurava um chicote.

–Sério eu acho que vou vomitar.....-Falei jogando aquela coisa no chão.-...Por favor Deus, apegue essa imagem do inferno da minha cabeça!-Implorei tapando os olhos.

–Eu não saquei...-Murmurou ela... Ainda bem.

–Melhor pra você, olha deixa isso ai! Vamos continuar procurando!-Ela fez que sim e começamos a procurar de novo. Mas sinceramente acho que vou ter pesadelos de noite, tipo eu não sou o tipo de garoto santo que nunca viu um hentai na vida, mas aquilo ali é asqueroso.



Quando finalmente encontramos eu me senti aliviado, acenamos para o pai dela que estava dando demonstrações de como era na lua... Em resumo, ele estava andando em câmera lenta, eu não sei se ele era idiota ou simplesmente um cara com senso de humor.



Apesar de estar livre dessa encrenca, eu ainda estava de detenção e era meu ultimo dia finalmente... Depois não teria que aturar mais nem a supergirl ou o pai doido dela....Pois..é... Era o fim e isso era bom, não é?!

Bom ainda sim, conversamos bastante nesse ultimo dia e também brincávamos durante aquela uma hora e meia tediantes e talvez seja hora de confessar que esses três dias até que foram bem divertidos, mas de volta ao meu próprio mundo.



–Hey Dick!-Chamou uma voz na minha sala na hora do recreio, o que ela está fazendo aqui?

–Oi Undine, como vai a detenção?-Ela mostrou a língua fazendo careta.

–Meio chato, por que está aqui na sala na hora do recreio?-Girei os olhos.

–Vou fazer o que lá fora?-Do nada a doida me puxou pelo braço.

–Vamos lanchar! Tem uns amigos de sala que eu quero que conheça!-Amigos de sala?

–Eu não acho uma boa ideia! Eu prefiro ficar!

–Não seja chato! Vai continuar preso nessa zona de conforto até quando? Além disso vai ser divertido e acho que você sabe que eu sempre sei como me divertir!-Bom isso eu não podia negar, respirei fundo e fui com ela.-Não esquenta, eles são bacanas e gostam tanto de jogos quanto você!-Isso eu duvido.



Okay, eu fiquei um pouco animado quando me sentei perto deles, fazia tempo que não ia na cantina me socializar e eles não me pareciam más pessoas, cumprimentaram a Undine e depois a mim sem muito receio.

–Então você é o Megamente? A bruxinha não para de falar de você na sala!-Bruxinha?

–É, ela disse que você é bom em games!-Eu dei de ombros meio sem graça.

–Não querendo me gabar, mas faço qualquer um de vocês chorarem!-Eles riram negando.

–Que modéstia a sua!-Revidou ela.

–Não posso fazer nada quanto a reali...-Antes de eu terminar senti aquela coisa gosmenta e nojenta penetrando no meu cabelo e roupa, pisquei varias vezes até olhar bem apara as expressões um tanto surpresas e depois que analisei bem essa gosma notei o que tinha acontecido. Comida mal feita publica tinha sido jogada em mim, meu ouvidos logo funcionaram e eu pude ouvir a risada se contagiar por toda parte....Aconteceu de novo.



Me levantei segurando todo meu orgulho, olhando aos que estava ao meu redor, todos estavam rindo, até aqueles que Undine disse que eram amigos... Eu devia saber, eu fui enganado de novo e ela que ficava falando tanto em sermos amigos agora tinha me usado para seu tal divertimento. Tirei um pouco daquela nojeira de cima de mim e fui saindo dali em passos lentos.

–Dick espera!-Eu logo coloquei a mão na frente dela.

–Acho que você já se divertiu o suficiente! Agora me esquece!-Revidei zangado dando logo de cara com os professores que adoraram me ver naquele estado... Bando de urubus, vão morrer dando aulas nessa escola sem futuro!


Eu não quis saber de mais nada, peguei minhas coisas e fui para a casa, mas ainda na saída acabei sendo perseguido pela autora da brincadeira de mal gosto.

–Hey espera! Deixa eu te ajudar!-Me virei pra ela furioso.

–Me ajudar? A que? A me tornar uma piada? Não obrigado, acho que já fez o bastante!-Voltei a andar em passos céleres.

–Calma ai! Eu não tive nada haver com aquilo, eu não sabia que iam fazer isso!-Eu não parei para escuta-la e ela ainda sim continuou me seguindo.

–Eu não quero saber! Eu estava muito bem antes de você aparecer e vir com essa conversa fiada! Me deixa em paz!!-Retruquei zangado, ela correu e ficou na minha frente.

–Bem?! Você não estava nada bem! Olha pra você, se afasta de todo mundo por que não aguenta alguns idiotas no seu pé!-Eu ri amargurado, como ela podia dizer isso?

–Não fala sobre o que você não entende! Eu não me afastei de todo mundo, foram eles se você quer saber que se afastaram de mim!!! E quer saber? Eu consigo viver com isso, eu não preciso de amigos... EU NÃO PRECISO DE NINGUÉM!!!-Gritei correndo deixando ela pra trás com aquele olhar de piedade, como se eu necessitasse disso.



Quando cheguei em casa lá estava minha mãe me olhando penosa, ahhh agora ela está vendo meu lado.

–Dick o que....

–São os amigos que você quer que eu faça mãe! São o tipo de pessoa que você sonha tanto que eu me torne amigo!-Eu estava chorando, eu odiava tudo naquele momento.-Parabéns! Você tem um filho que todo mundo conhece como você tanto quer, o palhaço que serve pros outros rirem no recreio!!! Vai lá enxergar os lados deles mãe! Afinal tudo que eles fazem tem uma justificativa não é?! Só EU que estou errado!-Gritei subindo para o banheiro e fechando a porta antes dela entrar.



Acho que acima de tudo, eu me odiava..... Eu era patético, com tanta inteligência e não conseguia fazer o mais simples dos atos que era me manter longe das pessoas. Acabei me deixando acreditar em pessoas que não mereciam e o preço disso? Estava ali.... Solidão você ainda é minha melhor amiga, não devia ter me deixado fazer amizades com aquele tipo e gente!


Se tivesse dinheiro, ia embora para bem longe, mas na minha identidade ainda tinha números que me obrigavam a ficar perto dos meus geradores. E a ditadora estava só esperando eu sair para tentar me ganhar com aquele olhar de quem tinha me amamentado desde que nasci. Ela me sorriu tristonha me abraçando logo em seguida, que tática cruel de se usar com o filho.

–Eu sinto muito....-Ela disse ainda abraçada comigo, arrependimento tardio?!

–Eu não tenho um problema com eles mãe, são eles! Eles é que sempre olham pra mim e enxergam um enorme problema que nem eu sei qual é!-Eu não sei, mas minha geradora tinha um estranho feitiço que me fazia ter vontade de liberar todas as verdades escondidas que eu geralmente guardava com um chefão de lvl 100 dentro de mim.

–Nenhum, é que para algumas pessoas é difícil dançar perto de quem dança mil vezes melhor do que elas....Você pode me desculpar por não ter visto isso?-Mesmo que suas metáforas não fizessem o menor sentido não me importei.

–Oliver sempre diz que rancor é um mal que nos impede crescer e eu não conseguiria ficar com raiva de você...- Acabei me simpatizando com a ditarora, mau ou boa ela sempre estaria ali no meu mundo pra me confortar....Afinal, ela era minha mãe.



No final da tarde recebi mimos dos meus pais, suas palavras de agrados faziam a situação ir melhorando aos poucos e eu acalmar meu interior, mas quando a noite chegou e fui limpar minha mochila lembrei que tinha esquecido de entregar uma coisa importante ao teatro..... E acabei sentindo falta de outra coisa. Talvez eu não precisasse de amigo, mas eu não podia negar que sentia falta de alguns sem noção.

No dia seguinte meus pais insistiram em ir ao colégio comigo, um tanto vergonhoso, mas nada que eu dissesse varia eles mudarem de ideia.... Só que quando chegamos lá o espanto pareceu geral.



Chegamos perto da diretoria e já vimos outros pais com alunos chegarem, dois desses era da minha sala e estava todos com o rosto do roxo.... Eu me aproximei e eles se afastaram com medo, o que diabos aconteceu aqui? Mirei meus pais sem entender e claro que eles também não sabiam.

–Megamente! Não vai me dizer que está indo pra diretoria também?-Quando me virei vi o pai da Undine e ela do lado com as mão enfaixadas.

–Não.... Meus pais querem falar com a diretora....-Disse para ele um tanto sem jeito.-O que houve com a sua mão?-Perguntei pra ela que somente sorriu sem graça sem responder.

–Eu digo! Essa monstrinha espancou meu filho!-Respondeu um dos pais dos garotos.

–É o meu também!-Completou outra, Undine brigou com meus colegas de sala?

–Calma pessoal, isso é briga de criança!-Tentou amenizar o pai dela.

–Desde quando crianças brigam desse jeito? Olha pra ele?!-Vociferou uma das mães.

–Desde que os pais não educam seus filhos e se ele fizerem de novo eu espanco eles de novo!!!-Gritou a supergirl com muita raiva.

–Hey vai com calma! Não é bem por ai! Eu sei que tem um motivo, mas melhor ir devagar!

–Mais irmãozão eles humilharam o Dick!-Quando ela disse isso aquele homem sereno ficou sem ar..... Espera.... Ela bateu neles por minha causa?

–Ora seu pirralhos malditos eu mato vocês!!!!!-Ele já ia avançar em cima deles quando a diretora saiu da sala dela.

–Muito bem, todos os envolvidos entrem!-Bom, acho que estou envolvido nisso já que eu sou a causa....E também eu queria ver no que ia dar, o pai da Undine se aproximou de mim e cochichou.

–Não se preocupe Megamente nós estamos com você!-Ele pirou? Eu sou vitima não vou ser acusado.

–Por que será que não é surpresa a senhorita Undine na minha sala? Não é a primeira vez que vem aqui não é brutinha!-Apertei os olhos mirando aquela velha sádica.

–Se você disciplinasse e preparasse corretamente essa escola com toda certeza não veria tantos alunos na sua sala cara diretora!-Falei defendendo ela.

–É isso ai, cara diretora!-Revidou o pai da Undine sem nenhuma ideia do que eu tinha falado.

–Ora, me admira você ‘mais inteligente que os outros’ aqui na minha sala de novo!-Minha mãe já soltou um ruído zangado.

–Cuidado com o tom que usa com meu filho! Ele vem sofrendo bullyng aqui e pelo que soube as atitudes tomadas pela escola não tem sido nada eficientes!-Replicou minha mãe.

–Quer falar de bullyng olha pro meu filho!! Essa marginalzinha está solta nessa escola e você está preocupada com umas brincadeiras inocentes??!-Inocentes?

–Inocentes uma ova! Deixa eu jogar um monte de comida em cima de você pra ver o que você sente!!!-Gritei zangado pra ela.

–Estou dizendo que perto do que essa bruta fez o que aconteceu não foi nada!

–Eu discordo!-Replicou meu pai em seu tom assustador que só usava quando queria brigar comigo e com a Kailyn.-....O psicológico de uma criança é muito mais delicado do que o físico, confesso que brigar não foi a melhor atitude, mas a parte onde os filhos de vocês depreciam os outro não é menos pior do que a surra! Seus filhos acham que podem se divertir as custas da humilhação de outra criança, isso não gera só um problema no meu filho, só que também nos seus que vão crescer achando que tudo que fizerem não tem impunidades e que passar por cima dos outros é divertido e aceitável!-Todos ali se calaram, os olhos do pai da Undine brilhava batendo palmas sem som.

–Mas violência ainda é inadmissível aqui dentro! E a senhorita Undine Aincurt será expulsa do colégio!-O que!?!

–Não pode expulsar ela! Ela só quis me defender!-A velha negou sem querer ouvir.-Beleza, então eu também saiu do colégio!-Quando disse isso ela já arregalou os olhos um tanto assustada, lógico né?! Um gênio que vence as olimpíadas e que faz o colégio receber verba graças a isso é no mínimo assustador pensar em sua saída.

–Estou expulsando ela não você! Alias os demais alunos também serão punidos se quer saber!-Girei o rosto.

–Por mim que eles morram! Se tirar minha amiga daqui tenho certeza que meus pais apoiaram minha decisão de sair do colegio!-Elas fitaram eles que sorriram fazendo que sim, mas a velha era orgulhosa e não pareceu que ia ceder.

–Fazer o que, faça o que quiser!-Humm... Outro colegio? Na verdade eu já não sabia se queria realmente sair desse, tinha achado um conforto agradável ali....Lá na sala de detenção.

–Dick..-Ouvi o cochicho da Undine sorrindo e me entregando uma foto, a esperta tinha guardado uma carta na manga, sorri pra ela fazendo para esperar.

–A senhora disse que violência é inadmissível?!-Me levantei e fui até ela.-Eu vejo isso como violência.... Decida melhor a que tipo de violência se refere..E antes que eu me esqueça, eu tenho mais copias guardadas...-Tinha nada, mas o pavor no rosto dela deu o veredicto daquela reunião.



Undine ganhou mais duas semanas de detenção os outros garotos ganhou uma semana e com direito a sentar perto dela e eu?....Eu... Bom...Eu acho que ganhei mais dois amigos.



#BONUS #


Sabe eu gosto da Eloise, ela é minha prima favorita acima de tudo.... Mas cada vez mais só como prima, é tal deprimente um garoto de dez anos se apaixonar por garotas de dezoito. Garotas ainda são perigosas ao meu ver, elas tem um jeito estranho que conseguirem o que querem sem usar a força física.


Undine na noite seguinte invadiu meu quarto e disse que tinha uma surpresa, para isso eu tinha que sair escondido e ir aonde ela e o pai dela tinha armado o que eles chamavam de luau estelar... Que na teoria deles era sentar no teco de casa olhar as estrelas e acender aqueles foguinhos comendo doces e tomando chocolate quente, era a coisa mais estranha e reconfortante que eu já tinha feito na vida.

–Eu vou lá em baixo pegar mais chocolate!-Disse Undine descendo.

–Posso te fazer uma pergunta?-Mirei ele que fez que sim... Era estranho olhar pra ele e o ver vestido de pluto.- Por que ela te chama de irmão e não te pai?!-Ele acabou fazendo algo que eu não esperava, deu um sorriso amargurado.

–Boa pergunta, sabe quando eu era uns três anos mais velho que vocês... Mais ou menos, me convenceram a brincar de uma coisa que...Bom não era bem uma brincadeira, mas naquela idade tudo pra mim era diversão.... Mas eu não entendi sobre os erros da vida e acabei engravidando uma garota mais velha e eu com treze anos não tinha ideia do que isso significava! Ela teve o bebe, mas não o queria e estava tudo combinado de vendermos mesmo antes de ela nascer.... só que quando eu vi o rostinho tão pequenininho dela eu fui contra todo mundo e resolvi cria-la!

–Com treze anos!?!?-Ele gargalhou fazendo que sim.

–Basicamente, uma criança cuidando de outra criança! Eu sei foi uma loucura, por que meu pais me expulsaram de casa e fui morar com meus avós que me acolheram até eu ter um emprego! Mas a questão era que quando ela aprendeu a falar com dois anos e meio e me chamar de papai as pessoas a viam com maus olhos! Então eu a ensinei a me chamar de irmão e assim ela não teria que sofrer preconceito! E acabou ficando e quer Megamente...Eu não me arrependo, as vezes a gente comete um erro irremediável, mas que na frente você percebe que ele foi necessário pra você crescer e ter o que realmente quer! Vai por mim garoto, não erre muito, mas não tenha medo de errar algumas vezes, é por isso que deixo ela fazer o que quer as vezes, pra que erre e aprenda com os erros!-Que historia.

–Vendo por esse ponto....

–Mas você vai saber o que fazer quando casar com ela......-Eu tive que cuspir meu chocolate na hora, ele disse casar??!?!

–Casar?!?!-A droga do homem vestido de cachorro começou a rir.

–Eu estou brincando! Você vai ter que ralar muito se um dia quiser casar com a minha filha! Na verdade vai ter que passar em uma missão que eu chamo de ‘A filha com o pai chamado MORTE’”-Eu cair na gargalhada.

–Vestindo isso ai soa até ridículo!-Ele riu junto enquanto ouvíamos ela chegar com o chocolate.

–Voltei!-A noite foi agradável, talvez um pouco mais do que isso.



De volta em casa abri meu notebook e logo de cara Oliver me chamou em uma ligação.


–Dick! Ainda bem que consegui falar com você! Preciso da sua ajuda, acho que já sei como resolver essa situação!


O assunto? Minha irmã claro, mas do que será que se tratava essa solução?


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Notas finais
*"amiguinha" do Dick-Undine.

Bom eu nao sei se vocês gostaram, mas eu adorei escrever esse escpecial! Sei lá por que, mas gostei xD
eu ia colocar um pouquinho de romance ai, mas deixei assim afinal são crianças ainda e tive que manerar nesse quesito!

Well até o proximo com MUITO romance e drama!

Bjus amores!!