Inn

12 Seth x Léo


Seth

Ah, bem , ele estava parado na frente da pensão neste dia de domingo. Eu disse que vinha pegá-lo para que pudéssemos ir ao tal asilo.

Já são nove e quarenta e cinco e eu disse que o pegava nove horas. Mas ele já devia esperar, não sou nada pontual.

Estou sob o efeito de uma noite maravilhosa e proveitosa. Esses malditos óculos escuros não são o suficiente para parar esse sol e a minha garrafinha de café ta quase no fim. Não acredito que tive que acordar a essa hora para cumprir trabalho comunitário.

Agora ele entrava no carro. Confesso que estou orgulhoso da minha invenção e confesso que se o primo dele não quiser, eu quero. Mesmo sendo meio esquisito. Minha ideia hoje é levá-lo para o azilo, para ele socializar, mesmo que primeiramente com idosos, mas não será apenas nós dois de jovens naquele lugar.

- Pontualidade britânica. – ele comentou meio emburrado entrando no carro. Ah, com o tempo ele aprende meus horários, todo o resto já aprendeu.

- Cala a boca e me passa aquela garrafa de café. — comecei a mover o carro, eu acho que deveria ter trazido alguém para dirigir para mim. Mas eu queria um tempo a sós com o Téo.

- O que deu em você?! – acho que ele se referia ao meu humor e ao modo como eu dirigia, podia jurar que o espírito de um dos velhinhos tinha baixado em mim e eu não saia da segunda marcha.

- Tive uma noite proveitosa ontem. – falei com uma voz arrastada. Eu estava com preguiça até de falar. – E o que você vê aqui é o que restou dela.

- Planeja ajudar os idosos assim?!

- E como eu deveria?!

- Com atenção?! Simpatia?!

- Hum... você fica com essa parte. – a minha sorte é que a voz do Téo não era irritante. Até agradável.

- Por que está fazendo isso mesmo?!

- São minhas últimas horas de trabalho comunitário.

- Trabalho comunitário?! Então estou saindo com um criminoso?!

- Não seja dramático... eu só... perdi um pouco a compostura com uns moleques que vão para a boate e... era isso ou ser preso por três dias.Mas começo a pensar que perder três dias era melhor que perder quatro manhãs de domingo.

- Ah. Mas ficar preso é pior, não?! Tipo, com aqueles caras...

- Eu ia ficar preso com um monte de caras. Isso seria bom. – falei com leve tom de insinuação só para ver como ele reagia. O sangue subiu todo às bochechas dele. Já percebi que Téo é do tipo que esconde o que ele sente e que vai ficar magoado se essa história com o primo dele não der certo. Ele está tão confiante nessa história que eu tenho medo de ele se esquecer de se preparar para o pior.

- Mas vamos falar de coisas importantes... gostei de ver como se vestiu. Apesar da mancha de manteiga na blusa.

- Hã?! Ah, cara e eu tomei tanto cuidado...

- Gostei do modo como arrumou o cabelo.

- Mas eu só penteei.

- Continue penteando assim. Sua blusa de dentro está amassada. Cuidado com isso, não quer parecer desleixado... embora seja.

- Ei!

- E tente ajeitar sua postura. Às vezes você anda meio curvado. Isso é péssimo.

- E você reparou em tudo isso mesmo estando de ressaca e mesmo sem ter olhado direito para mim?! – falou me olhando de baixo, do jeito que ele fica mais fofo.

- E agora a pergunta que não quer calar: e seu primo?! Alguma novidade?! Depois daquele dia que te liguei você não me disse mais nada. – temos nos falado por telefone também. Frequentemente. O que mais me impressiona é ficarmos conversando por mais de uma hora, às vezes.

- Ah, ele notou! – disse me mostrando um enorme sorriso. – Bom, até aquele dia que você me ligou, como eu tia te dito, quem veio me buscar para levar-me ao colégio foi só o motorista dele. Mas no dia seguinte ele veio! Não me deu atenção, como de costume, ele estava ocupado eu acho com alguma coisa no tablet dele. Mas eu consegui chamar a atenção dele! No começo ele ficou surpreso ai disse: não me disse que ia cortar o cabelo! Ficou muito bom! Você é um garoto bonito Téo, devia se valorizar mais, cuidar mais de você!

- Humm.

- Pois é, foi isso!

- E nos dias que passaram depois disso?!

- Tudo normal. Eu tentei te ligar nesse dia, mas seu agente atendeu e disse que você estava ocupado e tudo mais...

- Ele não me disse nada. – eu odeio quando Max faz esse tipo de coisa, atende eu celular, fala com meus contatos pessoais e não me diz nada!

- Ele perguntou a minha fixa completa!

- É dele. – falei deixando isso de lado. – Mas voltando... normal?!

- É, tá tudo normal.

- Ele não fica de encarando nem nada do tipo?!

- Não... isso é ruim?!

- Não. – mas confesso que esperava mais um pouco de atenção. – Por que não tenta conversar com ele?!

- Não sou muito bom de conversas.

- Bobagem, já chegamos ao asilo e viemos conversando o caminho inteiro. – desci do carro e esperei por ele.

Olhei para aquele bando de idosos em seus andadores, com mais alguns jovens ajudando, misturado com visitas e agora a gente. Ai ai...

- Quantas horas você tem que prestar?!

- Três.

- Então vamos começar. – ele disse começando a caminhar.

Uma mulher nos deu duas blusas de voluntários e nós começamos o serviço. Assim, a gente ficou de pé, parado no meio do pátio com todo mundo passando sorrindo pela gente ajudando um velhinho. E a gente ficou meio parado.

- O que devemos fazer?! – Téo me perguntou e eu olhei ao redor.

- Não faço a mínima ideia.

- Rapazes?! – uma moça chegou para os ajudar. – Tem um senhor que acabou de acordar e precisa tomar café da manhã. Quero um voluntário.

- O Téo vai. – comentei empurrando um pouco, ele me olhou ameaçadoramente. – Ele adora conversar.

A moça seguiu com ele, ela me parecia feliz demais, mas eu entendo esse espírito altruísta, minha mãe é assim. Eu sentei em uma cadeira do lado de uma senhora que parecia dormir. Daqui eu podia monitorá-lo melhor.

Ele se apresentou meio sem jeito para o senhor que não falou nada. Apenas olhava sério e com cara de azedo para o Téo. Mas o moreninho começou a alimentá-lo mesmo assim, parecia um mingau.

- Bom dia, meu rapaz. – a senhora disse ao meu lado, parecia ter acabado de acordar.

- Oi.

- Você vem sempre aqui?! – ela ta me cantando?!

- Não...

- Você é muito parecido com meu neto.

- Ah... que legal.

- Ele mora longe, sabe.... mas sempre que vem até a cidade ele me visita. Disse que quando juntar dinheiro suficiente vem me buscar. O pai dele era um imprestável, a pobre da minha filha...

Ela começou a contar a triste história da família dela. Eu não precisava fazer muito apenas escutar e concordar, às vezes dava minha opinião, mas o negócio era escutar. Eu pastorava o Téo de longe e olhava para ela de vez em quando.

Téo já tinha terminado de dar a tal papa e agora conversava com o senhor que me parecia meio eufórico, falava como se estivesse ameaçando o garoto, com um dedo na cara dele. Mas acho que estava tudo bem, ele só me olhava de vez em quando, com uma expressão meio assustada, depois ele relaxou e acho que os estavam muito amigos.

- É seu amigo?! – a senhora me perguntou e eu demorei um pouco para saber que era comigo.

- Ah, sim... eu o trouxe comigo.

- Ele é uma gracinha.

- É... – ela me olhou desconfiada, com um sorriso desconcertante.

- Você já olha para ele por um tempo.

- Ah, é só para saber se está indo tudo bem.

- Ah, claro, um de nós pode pular em cima dele e fazer estrago, não é?! Há há há!

- E eu vou saber, alguns de vocês tem mais energia que eu.

- É, é... essa juventude está tão velha... mas diga para a vovó, ele é seu namoradinho?!

- O QUE?! Não, não...

- Ah, é só o seu paquera...

- Não... senhora, é só meu amigo.

- Hora, meu filho, acha que eu sou cega, meu nego vive com o namorado dele há doze anos e você tem o mesmo olhar que ele... acha que eu não sei o que significa?!

- Acho que está errada.

- Eu nunca me engano, com esses assuntos do coração. Você gosta dele... a vovó sabe. Me parece ser um jovem adorável, meio tímido, mas...

- Ah, ele é tímido demais, sabe, não consegue nem olhar para o meu rosto direito, não sabe conversar nem tenta, fica trancado em um quarto... e ele é legal sabe, é um desperdício ficar trancado por tanto tempo escondido.

- E por que ele faz isso?!

- Porque é tímido.

- Será que é só isso?!

- Eu não sei... não sei muito sobre ele.

- Hmm, misterioso, esse é um charme dos tímidos.

- Mesmo que eu gostasse, vovó... ele gosta de outro cara. – logo chegaram mais uns dois velhinhos e rapidinho ele estava conversando com eles, isso Téo, tem que praticar.

- Mas só porque nunca teve outro cara na vida dele, certo?!

- ... é, ele não tem amigos próximos.

- Então vai nessa, rapaz.

- A senhora é bem metida.

- Sou apenas velha, e estou tentando ajudar, mal agradecido. Conquiste-o.

Eu acho que, talvez... não!!

- Minha senhora, eu não gosto dele. Sou um espírito livre.

- Por que não para um pouco de voar, espírito livre, e descansa em um porto seguro... vai que você gosta e fica para sempre.

- Não...

- Acho que já podemos ir. – eu escutei a voz do Téo perto da gente. Com aquele jeito dele, meio calmo, sem presença, falando baixo e meio inseguro.

- Ah, essa é a vovó, Téo.

- Oi... vovó.

- Olá, meu bem. Eu vou indo e vou deixar o casal se entender. – ela levantou devagar e começou a se distanciar.

- Não entendi o que ela... – ele começou.

- Bom, então vamos... acho que ainda tenho uma hora de trabalho comunitário.

- Disseram que você ganhou pontos por trazer um acompanhante e também já está quase na hora dos idosos voltarem para dentro.

- Ah... tá, tchau vovó.

- Boa sorte. – ela disse de longe.

- Bom, vou te deixar em casa. Percebi que conversou muito com o vovô.

- Ah, sim... ele foi um cowboy. Contou várias histórias. Você vai me levar para almoçar?!

- Eu?!

- Estou com fome.

Passamos em um restaurante simples depois, devo evitar locais lotados, era o canto mais perto para comer. Téo me contou todas as histórias que ouviu do senhor e disse que ele tinha netos gêmeos. E falou mais um monte de coisa. Paramos no estacionamento e eu já notei que o Téo não é assim tão tímido, pelo menos não comigo, claro que ele ainda evita me olhar, ou encarar qualquer pessoa que esteja falando com ele, mas...

- Téo, você conversa muito quando está comigo. Nem parece aquele do início.

- Ah, é que... – ele falou e encarou, de baixo, como ele sempre fazia, que eu acho muito fofo. – Com você é diferente, eu acho. – e ele pulou fora do carro.

Ah, deus... talvez eu goste mesmo dele.

Léo.

Hoje é um novo dia com novas oportunidades e as minhas oportunidades estão circuladas em vermelho nos classificados do jornal. Hoje eu vou novamente procurar um emprego. Andrei e Edgar me desejaram boa sorte e eu sai junto com o Cody, íamos pegar o mesmo metrô.

Ele já está bem, mas confesso que no dia que ele chegou com o Zack quase morro de preocupação e depois de descobrir que ele tinha saído muito tarde do trabalho... nossa, o centro da cidade é perigoso até para policiais! Não sei onde estava com a cabeça quando levei Cody para lá. Achei que Zack ia ser responsável e cuidar dele... realmente, onde eu estava com a cabeça?!

Entramos no metrô lotado. Eu estava com minhas quatro folhas de jornal embaixo do braço e tentando não pisar nas pessoas, deve ser meio sufocante para o Cody. Eu só ia descer mais lá na frente, então, o garotinho ficou perto da porta eu segui mais para o fundo. Revisei a rota que eu ia fazer... mas o Cody é muito fofo, né?!

De vez em quando eu dava uma espiadinha nele, estava lendo um livro bem pequeno, do tamanho da palma de sua mão. De repente um homem chegou para conversar com ele, Cody parecia conhecê-lo, parecia responder apenas às perguntas do homem e nada mais.

De repente, esse cara começou a acariciar o pescoço do Cody! Eu vou até lá e vou fazer um escândalo! Tira as mãos dele! Seu tarado! O pequeno só olhava de vez em quando para ele, mas não fazia nada! Quaro que não, o que aquela coisinha sabe sobre malícia?!

- Com licença... – tentei passar por um senhor a minha frente, mas ele não deixou! Não é culpa dele, tem muita gente! Só tinha um canto por onde ir! Por cimas das cabeças das pessoas! Mas não era um bom plano.

E por sorte, chegou na parada do Cody. Ele desceu com cuidado para não ser esmagado pela multidão. O homem desceu também... eu deveria ir atrás deles?! Não a faculdade é perto e esse cara vai para o trabalho com certeza. Próxima vez que eu vier com o Cody e isso acontecer... vou ter que conversar com ele sobre isso.

Ah... eu desço daqui a duas paradas.


Fui primeiro em uma oficina, o local era agradável, com aqueles mecânicos musculosos sem camisa... infelizmente não rolou. Depois fui em uma obra, mas os dois me dispensaram pelo mesmo motivo: ser muito franzino.

Fui à padaria onde a vaga já havia sido preenchida, fui ao salão de beleza, mas não me quiseram como maquiador, acho que me faltava glamour, mas eu nem queria mesmo, e me pagavam mal.

Lanchonete, bar, mororista, carteiro... Nenhum deu certo. Ah, eletricista, bom, eles ficaram de me ligar, mas pela fila que estava lá fora, não botei muita fé.
E eu deixei esse por último. Pela localização da casa, era meio longe da pensão, e naqueles bairros rico da cidade, por isso deixei por último. E eu queria tentar outras coisas antes de virar empregado doméstico, pelo que foi anunciado, terei um excelente salário. Isso é bom e ruim, bons salários implicam em muito serviço.

Andei quase um quarteirão para achar ao portão principal, era uma mansão imensa... é eu sei “mansão imensa”, mas é que era grande mesmo! Eu podia ver mais ao longe do portão, o interfone perguntou quem eu era.

— Humm, meu nome é Léo, vim para a entrevista que é hoje.

— ... Ah, escute rapaz, já temos vários aqui, então...

— Mas nenhum como eu, garanto. Sou bom com eletricidade e encanamentos. Passo roupas como ninguém, limpo, varro, lavo... Tudo com experiência. Além de ser bom com animais. – aqui deve ter uns cinquenta cachorros. – Eu até cozinho bem, sei resolver alguns problemas de carros e sou muito eficiente. Por favor. Você tem uma bela voz, senhor...

-... Entre. – ele disse depois de pensar e os portões foram destravados.

— Ah o Sr. é um amor, obrigado.

Caminhei pelo caminho de pedras até a entrada da casa, contornei o chafariz e admirei o enorme terreno. Subi pela entrada principal e observei os belos detalhes da porta, impecavelmente limpos.

Quando eu ia bater na porta... um homem me interrompeu, acho que foi o mesmo que me atendeu no interfone.

- Ei, rapaz! O que pensa que está fazendo?!

- Eu ia...

- A sua entrada é pelos fundos!

- Ah, claro. – e é um uma casa de gente rica, lógico que vai ser cheia de frescura.

Entrei acompanhado do homem, tinha mais umas doze pessoas ali, a maioria mulheres, mas tinha alguns homens. Estavam conversando alto em uma bela cozinha, parecia uma cozinha de restaurante cinco estrelas, eu sei porque já trabalhei em um.

- Atenção. Atenção. – uma senhora, valou, com um sorriso doce, devia ter seus cinquenta e poucos anos, mas bem conversada e parecia feliz e amável. Tinha modos impecáveis. – Todos vocês estão prestes a concorrer por cinco vagas nessa casa. A primeira é de jardineiro, será o recém contratado e o senhor George. – ela apontou um senhor com a mão. – Os jardim devem estar sempre, impecáveis. Os donos da casa zelam por ele já que era a paixão da antiga dona da casa, falecida. A outra vaga é a de cozinheiro. Ficará aqui na cozinha sobre as ordens de Vladmir. – um homem gordinho de bigode e ar superior ergueu o braço. – A comida deve ser refinada, em certas ocasiões, mas na maioria das vezes, fazemos pratos comuns, os donos da casa não almoçam muito em casa. – Duas serão de serventes comuns, trabalharam pela casa, limpando-a e conservando-a. Trabalharão com mais seis pessoas. – essa casa é imensa. – E a última é de tratador dos animais. Deverá cuidar da saúde deles e alimentá-los, além da higiene e tudo mais o que seja necessário. – ouvi alguns dizerem que queriam esse por ser vai fácil. – São onze cachorros, dois cavalos e três pássaros. – eles desistiram depois disso. – Claro, os modos... vocês serão escolhidos em uma entrevista exclusiva com o dono da casa. Por favor, sejam o mais educados possível. Já podemos ir. Em fila atrás de mim, por favor. Ah, sim... meu nome é Madame Ellie, eu conduzo essa casa há mais de trinta anos.

Seguimos em fila indiana por um belo corredor, com vários quadros que me faziam andar mais devagar para apreciá-los.

- Atualmente, a família se resume a duas pessoas. Embora esteja planejado seu aumento em breve. – ela riu de seu próprio comentário.

Paramos no meio de uma escadaria, víamos alguns empregados cuidado da casa, todos uniformizados. E admiramos um quadro enorme de uma família. Uma bela mulher com um sorriso singelo, um homem sério de bigode e um garotinho de uns quatro anos... com traços conhecidos.

- Essa é a família para qual vão trabalhar. A senhora já faleceu. Sobraram o senhor Robert Valentim e seu filho Ace... ah, sentem tanta falta dela. Sr. Robert é dono da...

Es-es-es-es-espera ai. Não! Eu tenho que voltar daqui! Daqui! Eu era o último da fila e o homem do interfone estava atrás de mim.

- Oi... – falei para ele meio sem jeito. – Tem como eu voltar daqui?! Acho que desisti.

- O que?! Por que?!

- Porque... acho que o filho do dono não gosta muito de mim. – eu não gosto dele!!!

- Ah, não se preocupe, eles raramente tratam com os criados, os únicos que tem contado com eles são a Madade Ellie, o motorista e o servente privado que cada um dos dois tem. Provavelmente ele nunca saberá que está aqui. E a entrevista será feita pelo pai dele... se candidate à cuidar dos animais.

- Tá bem. Mas eu acho...

- Rapaz, não deixe essa oportunidade passar. Eles te pagam bem, você terá plano de saúde e férias uma vez no ano!

- Uhum... – acho que não tem problema e ainda tem a chance de eu não ser escolhido. – Por que insiste que eu fique?!

- Bom... você disse que a minha voz era bonita. – o homem parecia sério e taciturno, mas quando disse isso um sorriso bobo se desenhou em seus lábios. Não pude deixar de sorrir.

- Ah, ela é mesmo.

Quase que eu esbarro no meu concorrente da frente.

- Bom, comportem-se. Seu emprego depende disso. – ela disse abrindo a porta e entrando primeiro, depois a fila começou a andar.

Ham... então eu irei conhecer o papai do Ace. Meu sorriso murchou ao ver quem estava atrás da mesa avaliando os papéis.

Olhei meio raivoso para meu novo amigo de voz bonita. Ele fez um gesto como se não soubesse. Ace apenas largou os papéis em cima da mesa e levantou-se, caminhou até a frente da mesa e encostou-se nela.

- Bom, como Ellie já deve ter informado, temos cinco vagas. – ele começou a andar de um lado para o outro na sala. – Geralmente quem faz essa entrevista é meu pai. Mas hoje... – ah, deus, ele começou a olhar os rostos a sua frente. – Convenientemente... – ele me viu e sua expressão mudou para confusa, intrigada, talvez. – Convenientemente meu pai teve que sair para uma viagem de negócios e eu fiquei com essa tarefa. Agora quero que se apresentem e me impressionem. Você, senhorita.

- Ah... m-meu nome é Angeline, eu sou filha de uma costureira e adoro cuidar dos jardins, tenho experiência de...

Sabe, não é o fato de eu não gostar dele que me incomoda na verdade. É o fato da gente não se dar bem e eu estar aqui, na cara limpa, concorrendo a uma vaga de emprego na casa dele! É muito esquisito, fora que... não quero ficar perto demais dele. Por falar... e pensar nisso, eu ainda estou devendo?!

- Meu nome é Davis. – Davis era grande, com cabelo impecavelmente bem cuidado, loiro e um jeito confiante de falar. – Sou jardineiro a seis anos, tenho muita experiência e alguns dos jardins da cidade são obras minhas. Como o da senhora Holks. – Ace olhou para a senhora do lado dele e ela disse que o jardim era lindo.

- Era autônomo?!

- Sim... mas não conseguia manter um renda todos os meses. Resolvi aceitar algo certo.

- O jardim é a parte mais importante da casa.

- Eu entendo, senhor.

- A vaga de jardineiro é sua. Os outros que queriam concorrer à vaga já podem se retirar.

- Obrigado, senhor. – ele disse saindo com mais duas pessoas.

Passou por mim e me lançou uma piscadinha de olho e sussurrou um “Relaxe.” AH MEU DEUS! Eu estava tão tenso a porto do jardineiro notar!!! Eu to perdido, ele vai me humilhar na frente de todos eles! E daí! Eu revido também! Eu...

- Sou Emma.

- É bem jovem Emma. – eu notei agora que mais um rapaz estava encostado no canto da sala. Era um jovem, mais novo que eu, acredito. Com ondas de um castanho claro e olhos de um castanho da mesmo cor do cabelo, estava impecavelmente colocado e mandinha um leve sorriso superior que completava a expressão convencida.

- Sim, preciso trabalhar, porque...

- Quantos anos tem.

- Acabei de fazer dezoito.

- E a escola.

- Já terminei. Mas optei por trabalhar, moro com meus avós que precisam constantemente de cuidados caros, então...

- Já conheço alguém assim... – o que?! Espero que não esteja falando de mim!!! – E por que devo contratá-la, Emma.

- Porque eu seu cozinhar muito bem, minha mãe tinha um pequeno restaurante. Aprendi muitas receitas. Mas também sou boa em cuidar da casa, como eu disse, somos apenas eu e meus avós. – parece comigo... mas versão feminina.

- Pode ficar com a vaga na cozinha. Acho que ninguém mais aqui vai se candidatar a ela. – e realmente foi assim, ela foi a única a sair da sala.

- Você. – ele disse me lançando um olhar comum, como havia lançado à todos.

- Meu nome é Léo e estou aqui por uma tremenda coincidência. – lógico que ninguém entendeu só ele, que também não fez muito caso. – Quero a vaga para cuidar dos animais.

- Dos animais?!

- É.

- Você?!

- Isso.

- Por que eu deveria?!

- Tive três cachorros e dois gatos.

- E como eles estão hoje?!

- Morreram, mas todos de mortes naturais. Deve atestar a meu favor, cuidei muito bem deles.

- E de cavalos?!

- Eu... não, mas aprendo rápido. – um dos meus cachorros era tão grande que eu montava quando pequeno... mas acho que não conta.

- Aprende rápido... sabe quanto custa esses cavalos?!

- Muito. – são de gente rica, então...

- Provavelmente mais do que a sua vida. – ah, não é tão difícil vale mais que a minha vida!

- Com certeza. Mas não vou deixá-lo passar necessidades.

- Não. Próximo. – ah, bem, pelo menos não vou precisar ficar aqui.

Os outros dois foram escolhidos rapidamente e quando eu achei que finalmente havia terminado, ele me vem com essa!

- Os animais são muito delicados, Sr. Léo. E minha mãe amava muito todos eles. Os cavalos tem pedigree, são a paixão do meu pai, os cachorros em sua maioria minha mãe recolheu das ruas. Mas não acho que você seja competente o suficiente. Mas... seria um desperdício deixar um faz-tudo como você se perder. – não sei não. – Kevin... – o garoto que estava no canto da sala o encarou prontamente.

- Sim, senhor?!

- Você será remanejado. Ficará cuidando dos animais, você está melhor preparado para isso.

- Mas, senhor, eu... estou a muito tempo servindo como seu assistente pessoal. Não acho que...

- Exatamente, você é jovem e cuidando dos animais você terá mais tempo de aproveitar sua vida, quem sabe estudar. O Sr. Léo ficará no seu lugar.

O QUE?!

- Mas... Ace...

- Eu já falei. O emprego de assistente é seu, Sr. Léo, se aceitar.

Ignorando toda a fúria que surgia no rosto daquele rapaz, eu devia negar. E era o que eu ia fazer. Encarei os olhos desafiadores.

- Eu aceito.

- Bom, você começa daqui a dois dias. Madade Ellie vai ajudá-lo.

- Claro.

E a porta foi se fechando atrás de mim... oh, céus, o que eu fiz?!

Notas finais
E a família de vocês...
Cody:... eu pai, sumiu, ninguém sabe onde ele está realmente. Minha mãe também está viva e.. é só o que eu quero falar.
Alex: não sei, me abandonaram, não ligo, meus avós também sumiram depois de me deixarem na pensão para fazer uma viagem.
Eros: não é da conta de ninguém.
Cody: ah, podia ficar sem responder?!
Léo: os meus morreram de epidemia, logo após meu nascimento... eu morava com meus avós, mas agora...
Eros: é, é, a gente já sabe.
Léo: cala a boca!
Téo: tenho uma mãe.
Zack: só tenho meu pai.
Luther: os dois estão vivos, mas eu não gosto de visitá-los nem eles gostam que eu os visite. Estamos muito bem assim.
Lars: aham... meus pais são ótimos.
Luther: sei...
Ace: só meu pai e talvez... não. Só um pai mesmo.
Seth: tenho pai e mãe amorosos. AMOROSOS ATÉ DEMAIS!
- estou ficando sem ideias aqui,se quiserem perguntar... eles respondem :D