Inn

2 Alex Blaine x Luther Ray


Esperava os carros, da movimentada rua, pararem de correr tanto para que eu pudesse atravessar. Olhava o prédio bem cuidado e exótico do outro lado da rua com uma certa ansiedade.

Quando finalmente consegui passar, entrei pela porta simples e subi pelas escadas mesmo, estou sem paciência de esperar o elevador. Subi seis andares, mas cheguei bem lá em cima. Bati na porta avermelhada pela madeira peculiar e esperei.

Ouvi vozes e passos chegarem à porta que logo foi aberta. Ele não está sozinho, nem esperava que estivesse, mas... a essa hora da tarde?! Um rapaz loiro e um pouco alto saiu de lá colocando seu casaco e me sorrindo simpático, sorri de volta e fiquei observando entrar no elevador.

– Vai entrar ou não vai? – eu escutei aquela voz vim de dentro do apartamento.

– Estou tentando encontrar algo de especial nele. – falei de volta e passando pela porta. Sou mais eu.

– Talvez esteja em algum lugar onde você não possa ver. – disse saindo de trás da porta e depositando um beijo no meu pescoço.

– Hum, e você verificou?! – ele apenas me lançou um olhar de “O que você acha?” e caminhou em direção à cozinha.

É um apartamento em uma parte até rica da cidade, embora ele não queira admitir. É uma sala grande, um banheiro, um quarto e uma cozinha, tudo bem localizado. O banheiro tem paredes normais, mas as paredes do quarto são foscas, já tive de ver sombras interessantes nessas paredes quando eu chego na hora H.

E com certeza já fui essas sombras várias vezes.

Ah, claro, tem mais um quartinho recuado. É o ateliê dele. Luther é um pintor bem sucedido aqui e em alguns países.

Me deixei cair no sofá enquanto observava ele pegar uma garrafa de água na geladeira. Estava com uma calça simples de algodão e sem blusa, diria que até um pouco suado.

– O que veio fazer aqui hoje? – me perguntou olhando para a grande janela da sala. – Não vinha só quinta?

– Ah, desculpa se incomodo, já vou.

– Certo.

– Você não sabe brincar. – ele sorriu um pouco.

– O que veio fazer aqui, Alex?

– Ver você.

– Hum. – ele disse e se retirou ao ateliê.

– Você estava com saudade de mim? Já faz quatro dias que você não me vê. – eu tive que aguentar todo esse tempo porque eu queria que ele sentisse minha falta. Eu ia ficar uma semana sem vir aqui, mas não consegui não.

– Era como viver no sossego absoluto. Sem pirralhos me seguindo pelo apartamento. Mas agora já era.

– Sei que você quase morreu de solidão. – ouvi o riso dele.

Tudo bem, passei longe, se eu chutar o número de homens que devem ter pisado aqui nesses dias eu erraria, ele sempre me surpreende. Solidão foi o que ele menos sentiu.

Tirei meus tênis e deixei na porta, andei até o ateliê dele. Ele vai ter uma exposição em poucos dias, então aqui está lotado, quase impossível de se movimentar, entrei devagar e com cuidado para não pisar em telas que apareceriam, com certeza, do nada. Desviava com cuidado de alguns esboços pendurados, eu gosto de olhar o trabalho dele, geralmente fico aqui quando ele não está em casa.

Senti a presença dele atrás de mim, parece magnetismo, todo o meu corpo se arrepia, aquele braço contornou minha cintura, tocou minha pele quente quase sem querer, e aquela respiração ficou próxima ao meu ouvido logo dando lugar a sua voz em um tom sexy.

– Já pedi para não entrar aqui.

– Já disse que sou cuidadoso, você nem me ouviu quando entrei, tenho certeza.

– Senti seu cheiro. – eu gosto quando ele faz isso, quando os dedos dele se entrelaçam no meu cabelo e ele o puxa de leve levando minha boca ao encontro da dele.

É algo diferente quando os nossos lábios se encontram assim, não sei, ele consegue me fazer esquecer do tempo que continua correndo, me faz querer acompanhar o ritmo, mas ao mesmo tempo me instiga a convidá-lo a algo novo.

É algo que automaticamente me faz deseja-lo. Com todas as minhas forças.

E então ele desce devagar pelo meu pescoço, abandonando a minha boca, removendo o casaco que até poucos minutos me aquecia, não dá para escutar muito os ruídos dos carros. Nossas respirações são mais altas que eles. E ele esquece onde a gente está, vai me guiando para trás, mordendo a minha pele como se fosse algo delicioso, me prende a parede e me põe de costas num piscar de olhos. Ele desce as mãos até a minha calça no intuito de removê-la pelo menos um pouco, e eu busco de novo a boca atrás de mim.

Mas não é mais tão fácil assim de ele me ter.

– Primeiro você vai tomar um banho. – ele parou só para me encarar incrédulo. – Não vai tocar em mim fedendo aquele cara.

– Hum... ultimamente você está bem fresco. – ele começou a sair do ateliê de volta a sala. Eu fiquei lá para me recuperar um pouco, aproveito para ver o progresso do trabalho dele. – Não reclamava quando você participava. – disse da cozinha.

– Aí é totalmente diferente. – já fiz muita coisa diferente e condenável, mas a culpa é desse promíscuo.

Eu sei que não sou o único na vida dele, mas também sei que o que ele tem com os outros não é sério. É só sexo. Comecei a andar pelo ateliê e achei um desenho meu, um esboço que ele tinha feito de mim, bem no começo, vai fazer um ano que a gente se conhece.

Eu tenho certeza absoluta que ele me ama. Só preciso fazer com que ele de diga em voz alta.

– Olha o que eu achei. – eu disse aparecendo da porta e mostrando meu desenho. Ele só olhou desinteressado.

– E?

– E que você guardou o desenho porque você me ama.

– Tenho outros. – caminhou meio desinteressado no meu comentário, até uma pasta preta e me deu. Mas não eram desenhos só meus. Tinha outros caras também.

– Hum. Legal. – falei meio desanimado. Então porque meu desenho não tá aqui também?! Fui excluído agora?! Ele pegou o meu desenho de volta.

– E pare de mexer nas minhas coisas.

– Se vai deixar ele levando poeira eu prefiro que você me dê. – olhou novamente a folha e me devolveu. Awn. – Mas se você quiser...

– Decida-se. – eu fiquei com o desenho.

O celular dele tocou. Era Max, o agente dele, cara legal, de vez em quando a gente se encontra aqui e conversa. Tenho aula daqui a pouco, um reforço, não sou um dos alunos mais inteligentes ou algo assim. Talvez o novato da pensão possa me ajudar. Melhor do que pagar as aulas extras de preços exorbitantes naquela escola.

Luther fala ao celular andando de um lado para o outro, inquieto. Ele é alto e tem trinta anos, eu tenho dezessete. Tem longos cabelos pretos até abaixo do ombro, da mesma cor do meu, mas o meu é mais curto, seus olhos são mel, mas eu duvido que alguém perceba os riscos verdes, mesmo quando ele olha intensamente nos seus olhos. Ele cuida do corpo, não parece ter trinta anos, embora Edgar insista que ele parece ter mais, eu daria uns vinte e sete. O corpo dele me excita, cada movimento, cada musculo desenhado sem grandes exageros na pele bronzeada. A voz, grave, e muito sedutora. Cada detalhe é só mais um agravante para mim.

Léo diz que é excitação de adolescente.

Nos conhecemos de um jeito diferente, mas isso é outra história. Desde esse dia que ele não consegue se livrar de mim e eu tenho certeza que ele também não quer. Edgar diz que eu me iludo e imagino coisas. Max também diz a mesma coisa, Leo também, já o conheceu. Mas eu tenho certeza, não importa o que digam.

– Max está vindo. – comentou em voz alta.

– Acho que não vou estar aqui quando ele chegar. Onde vai ser a sua exposição?

– Ele vem para me informar dos por menores.

– Hum.

– Como vai a escola? – odeio quando ele pergunta isso. Mas o dinheiro é dele afinal.

– Bem.

– Já está perto das férias.

– É.

– Como vão as notas?!

– Vou ficar de recuperação... provavelmente. Se não me recuperar logo.

– Em quantas?

– Umas... dez.

– Quantas matérias são pelo amor de deus?!

– Mas vou recuperá-las no segundo semestre não se preocupe.

– É bom mesmo. Não pago para você ficar vadiando.

– Não estou vadiando! E eu não pedi para você pagar nada! Principalmente uma escola daquela.

– Alguém com o histórico escolar como o seu deveria ter pelo menos o diploma de uma escola descente.

– Não sei por que se importa tanto. – é porque ele me amaaa!!!

– Porque lá fora, ou você come ou é comido.

– Geralmente é a segunda opção. – ele só riu um pouco.

– Falo sério. – levantei e fui pegar meu casaco, já já tenho aula. – Devia tomar jeito, Alex.

– Não vou ouvir isso de você. – o cara mais promíscuo da face da terra.

– Deixar de ser irresponsável...

– Ah, agora vai me dizer que não sabia como eu era. Que eu não era problema?! Qual é, Luther, não me fiz de inocente, até meus pais perceberam isso a tempo... – merda. Odeio falar deles. – De qualquer forma não se preocupe. Eu vou passar de ano.

– Se você diz eu realmente acredito. – achei que ele estava tirando com a minha cara, mas não, ele me olhava bem sério.

– Chegou um garoto novo na pensão.

– É bonito?!

– É uma criança basicamente. Tem quinze anos e já faz faculdade.

– Se espelhe nele.

– Hum.

– Tinha um rapaz lá que era realmente um achado, mas me pareceu ser meio...

– Chato, antipático, inconveniente?! É o Eros, mas ninguém liga para esses defeitos se ele te oferecer um sorriso e te der uma chance.

– Realmente não ligaria.

– Pois é.

– Vai querer que faculdade?!

– A mais cara que tiver.

– Não abuse da sorte. – ele disse bebendo um gole de whisky que tinha colocado num copo há alguns segundos.

– Não queria fazer faculdade.

– Mas vai. – ele disse com a maior autoridade do mundo.

– Se você manda, pai.

– Estou longe de ser seu pai, Alex. – ele disse sorrindo malicioso. – Nem tenho idade para isso. – se você o chamar de velho, ganha um inimigo.

– Aham. Não se preocupe. – disse suspirando, sei que é para um bem maior. – Vou para qualquer lugar do país fazer essa faculdade.

– Não precisa ir pra tão longe. – agora eu não pude deixar e abrir o maior sorriso do mundo. Me inclinei no balcão da cozinha e fiquei perto do rosto dele.

– Por que? Vai sentir minha falta?! – nunca falei algo mais convencido.

– Só quero ficar de olho no que eu estou investindo. – disse tocando embaixo do meu queixo.

– Serei eternamente grato.

– É o que eu espero. Vai ter que trabalhar muito para me pagar. Horas e horas, noite a dentro. – disse convencido como ele sempre era. – Vou tomar o banho que você insiste, mas você podia economizar tempo e se juntar a mim.

– Tentador, mas estaria jogando seu dinheiro fora. Tenho aula extra daqui a pouco. Não quer me dar carona?!

– Não.

– Mas vou chegar atrasado.

– Então sugiro que saia logo. – que cara preguiçoso! Pelo menos ele foi até a porta abri-la para mim.

– Tááá. — comecei a ir para a porta. Ônibus a essa hora é lotado. – Tchau. – parei ainda com preguiça e fiquei encarando o homem que se encostava na porta.

Enquanto continuava a me encarar, seus dedos se enroscaram na minha blusa, perto da minha barriga, e começaram a puxar o tecido de encontro a ele. Logo eu já estava colado no corpo quente e sentindo a pele de seu peito, arranhando-a de leve, deixando minha marca, é muito difícil sair daqui. Então dei logo o que ele queria: minha boca.

Minha língua avançou na dele convidando-a a dançar no ar externo, e claro que ela me acompanhou, mas ele fez mais do que deveria, pressionou meu baixo ventre com sua coxa, sentia suas mãos descerem para apertar de leve a minha bunda... cara, isso não vai dar certo.

Meus dedos seguiram para os longos fios negros unindo ainda mais a minha boca a dele, foi rápido, logo estávamos avançando um sobre o outro rápido demais, com desejo demais. Ele jogou minha mochila um pouco longe e seguiu para morder minha orelha.

– Acho que vou deixar você faltar a aula...

– Que aula?!

Logo a gente estava no chão da sala e suas mãos subiam pela minha pele já meio quente em direção aos meus mamilos. Comecei a tirar minha blusa.

– Ah, por favor, eu avisei que estava vindo. – aquela voz veio da porta. Max estava parado lá, nos repreendendo com o olhar.

– E daí?! – Luther comentou e voltou ao meu pescoço, mordeu e lambeu, fazendo minha pele tremer, maldito ponto fraco.

– E daí que eu não vou ficar assistindo vocês dois se pegarem no meio da sala. – ele colocou um monte de papel em cima de uma mesinha.

– Junte-se a nós então. – foi a resposta do Luther já perdendo o interesse. – Ou vá embora.

– Você tem que assinar umas coisas, Luther Ray. – ele apontou para o monte de papel. — Como vai, Alex?!

– Muito bem. – Max é o agente do Luther, como eu disse, ele é alto, tem sempre olheiras que fazem par com olhos escuros e mantem o cabelo negro e curto ao gel, é muito simpático e muito bem conceituado. Dizem que é um dos cinco caras mais ricos da cidade, nunca perguntei se era verdade, nunca me interessou.

– Estava ótimo, até você aparecer. – Luther disse levantando e me deixando respirar melhor.

– Liguei avisando justamente por isso.

– Agora o pequeno Alex tem que ir para o colégio. – olhei incrédulo para ele que só tentava amarrar os cabelos.

– Sem chance de eu chegar lá a tempo agora.

– Tente.

– E como fica você? – falei olhando para uma parte específica do corpo dele.

– Eu me viro. Agora vá. – sinceramente, eu sou muito besta mesmo, peguei minha mochila e ia sair, o filho da mãe já me esperava na porta. Apenas passei direto. – De qualquer forma... – falou quando eu já estava quase descendo as escadas. – Você não tem nada para fazer a noite, certo?! – falava com aquela cara de tédio, que eu acho um charme. Não me esperou responder apenas fechou a porta. Eu só não consegui deixar de sorrir um pouco.

É óbvio que ele me ama... e eu vou chegar atrasadíssimo.



Nunca corri tanto na vida, esse professor odeia quem chega atrasado e ele não iria me deixar entrar na sala. Finalmente eu via os portões daquele luxuoso colégio, confesso que não me sinto muito bem aqui, mas se estão pagando para mim, eu não tenho o direito de reclamar.

Por sorte o movimento do transito estava menos intenso naquele momento, vi o porteiro e um grupo de três rapazes. Eu odeio esses três. Principalmente o “líder” deles. Corri, ia dar tempo, ainda faltavam três minutinhos.

Parei na calçada oposta e aqueles olhos de cobra me encararam, eu só ouvi ele dizer “Feche os portões.” Aquele imbecil do Abel. Tratei de correr o mais rápido que eu podia para atravessar aquela rua, sem bater nos poucos carros. O porteiro tentou argumentar que eu estava chegando, mas ele respondeu apenas com “Você sabe quem é meu pai?!” e foi o suficiente para o porteiro começar a fechar o portão. Merda.

O portão fechou, mas eu continuei correndo encarando o sorriso ridículo daquele garoto.

– Vai esbarrar no portão, mocinha. – ele disse rindo acompanhado pelas duas hienas.

Apenas escalei o portão, ainda levo jeito para a coisa, e caí lá dentro do colégio, mas não deu tempo de cantar vitória, o sinal tocou e nós quatro começamos a correr feito loucos. Passamos pelos corredores já ficando vazios.

Um deles, o maior e meio gordo, me empurrou feio nos armários, senti o ferro entrar nas minhas costas, mas não sangrou, então tá tudo bem.

Chegamos os quatro na sala, o professor já tinha entrado. Ele nos olhou com uma cara muito feia.

– E porque motivo deveria deixar os quatro irresponsáveis entrar?! – o professor nos disse chamando a atenção da sala inteira.

– Problemas de saúde professor. – o Jorge, o gordinho que me empurrou, comentou com cara de culpado. Obviamente o professor não acreditou, mas o deixou entrar. Ele está de bom humor.

– Banheiro. – disse o outro seguidor e entrou também.

– Estava em uma conversa com o diretor. – Abel falou e não esperou o professor falar qualquer coisa e entrou. Depois o olhar do senhor se dirigiu a mim. – Ele estava se esfregando com o namorado, professor. – mas Abel fez questão de responder por mim.

– Me atrasei, professor, desculpe, e aparentemente o pai de alguém mandou fechar os portões mais cedo. – respondi e esperei, comportado, a permissão de entrar na sala. E eu consegui, parece até que ele ficou satisfeito com a minha resposta.

– Me parece que o Sr. Blaine falou a verdade. – o professor disse casualmente à sala. — De qualquer forma, Sr. Robbins, sobre o seu comentário... que eu saiba, não era o Sr. Blaine que estava em uma “conversa com o diretor.” – na sala ecoaram risinhos, mas Abel não gostou nem um pouco do comentário. – Chega. Abram os livros na página 60.

No dia seguinte nosso professor foi demitido.

Quando a aula de reforço terminou me senti ainda mais burro. Eu devia ir para casa estudar e pedir ajuda para o Cody. Já está escuro e vários carros caros estavam parados na frente do colégio. Tomara que meu ônibus não demore.

– O que vai fazer hoje à noite, Alex? – Abel me acompanhou

– Por que? Está pensando em me chamar para sair?

– Nem se você fosse a ultima bixa da Terra.

– Isso seria o meu prêmio de consolação. – já pensou se eu fosse o único gay da face da Terra?! Seria o inferno!

– Estava pensando que tipo de lugar você frequenta.

– Se tem tanto interesse, devia me acompanhar. E leve o diretor também. – me virou para ele e me encarava com ódio.

– Nem brinque com isso, seu putinho! Não sou da mesma raça que você que sai dando a bunda para o primeiro que aparecer. Dobre a língua imunda pra falar comigo.

– Não sei porque ainda dou atenção a você. – deixei ele lá. Odeio esse cara com todas as minhas forças.

– Seus pais já deviam saber o desgosto que o filho ia dar. Eu teria feito o mesmo se ele fosse uma aberração como você. – agora já deu! Eu ia brigar, virei com a intenção de quebrar o nariz dele e fazer estrago!

Mas eu fui impedido por uma voz familiar.

– Alex? – para minha surpresa era Lars, o irmão do Luther, estava fora do país, mas voltou com a intensão de ser professor. Bom, ele é totalmente o oposto do Luther, ele é responsável e maduro e ainda é o caçula. – Luther está lá fora ainda... acho que está te esperando.

– Oi, Lars. – respondi ainda meio grosso, Abel começou a sair pela tangente enquanto eu desviava a atenção. – O que faz aqui?

– Vim deixar meu currículo... o que foi isso nas suas costas? – ele meio que levantou um pouco mais a minha blusa. Eu vi também, era quase no fim das costas, uma mancha roxa, sei lá, já preta, de onde eu tinha batido no armário de ferro. Não sinto nada.

– Ah, nada. – ele tocou e nunca senti dor tão forte.

– Hum. – Abel passou por mim sorrindo sádico. Eu vou revidar, ele que espere. – Anda, antes que ele desista e vá embora. – falou com aquele jeito sério e monótono do Lars, não mudou nada. No início ele não aceitava que o Luther estivesse com um garoto de 17 anos na cama dele, mas hoje, ele á desencanou.

A gente seguiu para fora e realmente ele estava lá, encostado no carro esporte dele, chamando atenção das garotas, até conversava com algumas. Quando viu a gente ele deixou uma delas falando sozinha.

– Não acredito que veio me busc... – eu comecei e Lars meio que me virou e subiu um pouco a minha blusa. Me senti meio exposto, sabe?!

– Foi você? – Lars perguntou ao Luther. Que absurdo! Ele nunca faria isso comigo. Mas o rosto antes em tédio do Luther começou a ficar sério.

– Não que eu me lembre. Isso não estava aí à tarde.

– Então descubra o que foi. – Lars disse não acreditando muito em Luther. – Vou entregar meu currículo, me espere.

– Então seja rápido, estou sem paciência.

– Não se atreva a ir sem mim. – Lars já dizia do portão, ele foi rápido pelo visto. Quando meus olhos voltaram a atenção a Luther, ele me encarava como se esperasse eu dizer alguma coisa.

– Vou precisar perguntar, Alex? – ele me disse cruzando os braços.

– Não foi nada, eu bati nos armários.

– Hum. Você se jogou nos armários, você quer dizer, pra ficar roxo desse jeito...

– Foi a pressa. – ele não acredita em mim, como pode me ler tão facilmente. – Fui empurrado. Mas foi sem querer. – não quero que ele pense que eu sou um fraco que não pode lutar minhas batalhas.

Escutei os risonhos do grupo do Abel e ele estava lá, e provavelmente falavam de mim porque olhavam na minha direção. Falem de mim, mas se eu ouvir qualquer merda da boca deles sobre o Luther...

– Quem são? – Luther tinha seguido meu olhar.

– Uns homofóbicos de merda. – ele continuou olhando, mas agora um risinho escapou de seus lábios e ele tocou de propósito, eu tenho certeza que foi de propósito, no meu roxo.

– Au! Dói. – mas ele continuava olhando o grupinho do Abel.

– Foi sem querer é?!

Ele saiu me puxando para lá. Ei, Luther, o que você vai fazer, os risinhos diminuíam a medida que a gente se aproximava. E quando a gente já estava bem perto deles, Luther me pôs a sua frente, encostado no muro, fiquei entre seus braços, que me impediam de sair, apoiados no muro.

E me beijou daquele jeito seguro, bem na frente deles, eu só vi a cara de nojo dos seguidores e de choque do Abel, depois eu preferi curtir aquele assédio. Não tinha mais tanta gente assim no portão, mas eu não me importo de qualquer forma.

O melhor foi a cara que eles fizeram, o fato foi que, quando a gente se separou eu estava sorrindo feito idiota e eles já tinham se afastado. Ridículos, não tenho vergonha do que sou.

– O que? Me beijar é engraçado? – ele me perguntou enquanto eu via aqueles três se afastarem fofocando. Luther também sorria e eu tenho certeza que era pelo mesmo motivo que eu. Já me sentia melhor.

– Não mesmo. É realmente muito bom, em qualquer circunstância. – ele se encostara no muro agora, trocara de canto comigo, e me envolvia em seus braços com cuidado para não bater no meu roxo, mas olhava meio sorridente os carros que passavam atrás de mim. – Então, você veio me buscar. – outro motivo para ficar feliz.

– Depois de como você me deixou de tarde... meio tenso, não podia deixar você furar comigo, certo?!

– Não ia.

– Ah, por favor vocês dois, estão na frente de uma escola. Tenham mais consciência dos seus atos. – Lars apareceu do nosso lado falando meio ofegante, acho que ele foi e voltou correndo com medo de Luther deixa-lo, o que provavelmente teria acontecido.

– Mas, como pode ver, uma visita chegou e eu prometi ir a casa dos pais dele com ele hoje. – Luther disse com um certo tom amargo, acho que os pais dele meio que o condenam pelo estilo de vida e pela carreira, sabe, artista e tal. – Então... você vai para casa.

– Pode ficar na pensão comigo... são seus pais ou Edgar. – falei a ele enquanto nos dirigíamos para o carro.

– Prefiro meus pais. – me respondeu observando o irmão andando a nossa frente.

– Não me contou que Lars voltava hoje.

– Não preciso te contar tudo que acontece na minha vida, certo?!

Quando ele fala esse tipo de coisa eu lembro do imenso abismo que ainda existe entre a gente, mas que eu planejo quebrar devagar, insistir e persistir, no início ele nem me deixava entrar na casa dele, agora praticamente moro lá. Com quase um ano, ainda não consegui dormi lá uma vez sequer, mas sinto que tenho pequenos progressos. Como hoje.

Eu sei que ele me ama, só preciso que ele me diga em voz alta.


“Nossa relação não tem um nome específico, não é namoro, não é compromisso e, definitivamente, nunca, jamais, será casamento. Não precisa de um nome. Já deixei bem claro que ele nunca vai ter uma relação séria comigo, está nessa por sua própria vontade, correndo riscos conscientes. E se ele não se incomoda, quem sou eu para afastar um dos garotos mais belos e fascinantes que já vi?! ”

Luther Ray


Notas finais
>.< yey! tem notas finais, mas amanhã eu posto.