Inimizade Amorosa
8 Odeio te amar
Notas iniciais
Quando já estávamos no carro, no caminho de volta para Itapema, foi que tive consciência dos meus atos. Tanto ao quase beijo, e a minha reação. Como eu fui tão burra, ao ponto de deixa-lo quase me beijar?! E o pior é que agora está estampado na minha testa, em letras de néon vermelho: “EU SOU UMA OTÁRIA APAIXONADA PELO DANIEL!” A minha grande sorte, foi que no momento em que ele iria fazer o “grande feito”, o bondinho chegou à outra parte do parque, e a mocinha que cuidava de lá levou um susto ao nos atrapalhar.
- Boa tarde, como est.... –ela disse, mas parou de falar ao ver que nos estava “atrapalhando”. A fala dela foi o que me chamou de volta a realidade. Sai de perto de Daniel em um pulo, e me sentei no outro acento, ficando de frente para ele. –Me desculpe, eu não havia percebido... –a moça começou a se desculpar.
- Sem problemas, está tudo bem... –eu a respondi com a voz tremula e apressada, antes que ela ficasse mais constrangida. Nisso, o bondinho virou, e começamos a fazer o caminho de volta. O silêncio permaneceu no bonde por uns dois minutos. Eu estava em choque, como permitira que aquilo acontecesse? Onde estava a voz da razão, que deveria estar gritando: “Ele é um canalha! Saia dessa!” Em? onde ela estava...?
- Olha... Eu não sei o que foi isso, eu... –tentei dizer para quebrar o gelo, mas as palavras não me vinham.
- Tudo bem. Eu... Me desculpe, não consegui conter o impulso, foi mal. –Daniel disse se desculpando. “Conter o impulso? De quê?” pensei. “Quebrar meu coração, com ilusões idiotas?!” Sinto lhe informar, que isso, você já fez.
- Eu... Só to estranhando o seu comportamento. E depois eu que sou a bipolar... Em um dia você me zoa até acabar as piadas, e em outro, tenta me beijar... Você é louco?! –eu disse já irritada e amarga, querendo esconder o fato de que meu estômago ainda estava dando voltas, minhas mãos suando e minhas pernas bambas, por conta do quase beijo.
- Não, é só que... Eu... –ele disse se perdendo nas palavras, e minha raiva foi crescendo dentro de mim.
- Você acha que eu vou ser o quê na sua vida?! E ta achando que eu vou ficar me arrastando ao seu pé?! Sem chances, eu não sou o tipo de garota que você costuma andar, quando me envolvo com alguém não procuro apenas a diversão, e sim o verdadeiro sentimento! E não, eu não vou ser apenas mais uma das garotas para você ficar ai se gabando por que me “pegou”! E se você acha que em algum momento teve alguma chance comigo, pode esquecer! Não sei o que se passa na sua cabeça, mas finja que eu não existo! –gritei quase deixando escapar algumas lágrimas. Estava sentindo um ódio mortal de Daniel. Quem ele acha que era para me fazer de “troféu” para ele? Para ficar se gabando para os amigos? Quem ele acha que é para ficar brincando com meus sentimentos? E para bagunçá-los de uma forma que ninguém conseguiria arrumar?
- Isa, eu... Me desculpa, você entendeu errado, eu nunca... –ele tentou se explicar, mas então o cortei explodindo de raiva.
- EU ENTENDI ERRADO?! Acho que entendi errado mesmo, porque cheguei a pensar que poderia ter uma relação “amigável” com você! Mas nem isso é capaz, porque eu e você não nascemos para se socializar, e nunca, nunca em minha vida, vou ter algo com você! –gritei. Sei que exagerei muito, muito mesmo. Mas eu estava nervosa, e ele estava sem reação, só me olhava com uma cara apática, e por incrível que pareça, os olhos estavam molhados, como se ele estivesse segurando as lágrimas. Ele não me respondeu de imediato, apenas ficou sentado olhando para janela no mundo de seus pensamentos. Sentei frustrada (sim, enquanto gritava me levantei) e o observei. Ele tinha perdido aquele ar brincalhão de sempre, e se mostrava uma pessoa muito apática. Eu fui grossa, estúpida, e insensível. Não o deixei falar quando ele iria me explicar, e feri os sentimentos dele. Bom, nada que ele já não tenha feito comigo. Mesmo assim, me senti culpada pelo modo que havia agido, então tentei pedir desculpas.
- Olha... Desculpa, não queria realmente ser grossa... Eu só já estou cansada de ver o modo que você trata as garotas, e não quero ser uma delas. –disse no tom mais ressentido possível. Nessa hora, ele desviou o olhar na janela e me olhou nos olhos. Partiu o coração ver aqueles lindos olhos azuis que antes eram eletrizantes, agora estavam foscos, vermelhos e visivelmente molhados.
- Ta... –ele respondeu apenas, e nisto o bondinho parou e nós já havíamos voltado para a estação. Descemos do bonde e fomos à procura de Tomás e Dona Aurora, sem trocar uma só palavra. E logo depois, como já estava tarde, decidimos ir embora. E aqui estou eu, no carro, me segurando para não chorar. Porque Daniel tem que ser esse cafajeste que ele é?! Puxa, magoa pensar que ele só estava fingindo sentir algo por mim... Cara, eu gosto dele, de verdade, mas assim não dá, não acredito que aja um sentimento bom dentro dele relacionada a mim. Sei que eu deveria pensar que ele me ama por ter tentado me beijar, mas não é bem assim que a banda toca. O conheço desde os cinco anos, sei bem quando ele só quer se aproveitar, e usar alguém. Já vi minha antiga amiga passar por isso, de ser usada por ele, e não quero ser a próxima. Mas agora, não adianta, ele sabe que mesmo eu não admitindo, sinto algo muito forte por ele. Droga.
Depois de incansáveis minutos dentro do carro, que permaneceu silencioso o tempo todo, chegamos em Itapema, Meia-Praia. Desci do carro e fui direto a Mona, enquanto o restante entrava em casa. Chegando perto daquela linda Bloodhound. Ela me olhou curiosa, como se esperasse que eu a soltasse, e assim fiz.
Enquanto ela fazia a festa por estar solta, eu comecei a rir. Ri para tentar tirar a tristeza do meu coração, e quando vi, em vez de rir, já estava chorando. Abracei Mona, e me sentei no chão para poder fazer carinho na mesma. Fiquei horas ali no chão junto com Mona, só sai de lá quando minha mãe veio me dar uma bronca.
- Isabela, já são nove horas, e você ainda não entrou. Vem, deixa a Mona ai e vai tomar banho. Depois se não estiver muito cansada, vá passear com Mona, tadinha, ficou dentro de casa desde que chegamos. –disse minha mãe. Então prendi Mona na coleira novamente e fui para dentro da casa. Fui até meu quarto e peguei uma muda de roupa.
- Isa, seu rosto ta vermelho. –disse Tomás quando me viu no quarto.
- Não ta não, é impressão. –eu disse mentindo porque Tomás era muito novo pra me entender, e também porque Daniel estava ali no quarto também.
- Ta vermelho sim... O que aconteceu? –meu irmão voltou a perguntar.
- Ai, deve ser o sol! Me deixa em paz Tomás! –gritei já irritada.Sai do quarto e fui tomar banho. Debaixo do chuveiro algumas lágrimas escapuliram, mas a água acabou me acalmando. Depois que sai do banheiro, fui a sala.
- Vamos sair pra jantar, se arruma direito. –disse minha mãe ao ver que eu estava simples, mas no modo dela ver, eu estava jacu.
- Não vou ir jantar, to sem fome. Vou dar umas voltas com Mona, e depois se bater fome eu como alguma coisa do armário. –eu disse sem muita animação. Minha mãe me olhou brava, mas percebeu que eu estava mais triste que o normal, então deixou passar. Fui até Mona e dou de cara com Daniel brincando com ela. Que traidora! — pensei.
- Am... Er... Eu vou ir passear com ela. –eu disse pra tentar dizer educadamente um: Cai fora, mané! Ta me atrapalhando.
- Ah... Posso ir junto? –ele perguntou em dúvida, ainda sem me olhar. Pensei em gritar que não, mas isso não adiantaria. Então falei para ele perguntar a mãe dele, se ela deixasse, ele iria. Para meu total azar, Cecília deixou Daniel ir. Pronto, é agora que tenho uma recaída, ou uma crise. Ai, mereço, acho que to passando mal... Será que vai dar certo eu ir passear com ele...?
Notas finais
Ela é o estilo do Pluto do Mikey.. Bom, obrigada por ler! Beijos!
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