Inimigos Íntimos
31 Punição
POV Miyako
Depois daquela noite horrível, amanheci quase sem vida, minhas irmãs bateram na porta do meu quarto me convidando para o café da manhã, mas eu mal conseguia sair da cama, meus olhos ardiam e minha cabeça estava doendo e pesada.
Me levantei atordoada, os raios de sol já invadiam o quarto, esfreguei os olhos e procurei por meus óculos os colocando. O dia estava frio e cinzento, verifiquei meu celular e d-terminal, mas não havia nenhuma mensagem, meu coração doía com um mau presságio, eu estava impotente diante daquela situação, Kami, o que seria de mim, de Hawkmon?
Aquele domingo foi péssimo, não consegui fazer nada, nem comer direito, meus irmãos perguntaram quinhentas vezes se tudo estava bem, mas eu não menti, apenas pedi espaço que era o que eu precisava para tentar respirar e buscar uma saída.
Me sentei próximo a janela do meu quarto e fiquei olhando a chuva cair, olhei para o cestinho onde Poromon dormia e retornei meu olhar para o vazio, minha cabeça estava a mil com tantos pensamentos. Eu tinha rejeitado Koushiro-kun com tanta repulsa, tanto nervo e não sabia como deveria me sentir por isso, ele não merecia ser tratado daquela forma. Kaiser venceu, é isso? De certa forma é como se ele tivesse colocado um Anel Negro em mim, em meio aos meus amigos eu me senti mal, me senti uma traidora tanto de um lado quanto de outro.
O que esse louco fez comigo? O que ele fez com a minha mente? Porque me sinto como se eu fosse uma propriedade dele? Eu nem posso entrar na internet e pesquisar sobre isso, pois ele saberia uma vez que vigia minhas redes sociais e sistema. De uma coisa eu tenho certeza, meu psicológico não está bem, tanto que quando Koushiro-kun mencionou sobre o que Ken está fazendo comigo ser um crime, meu coração apertou. É verdade, é um crime, mas eu, eu não sei…
A semana começou e eu segui para escola, sem saber o que iria encarar, mas para minha total surpresa ele não estava lá, nem ao menos mandou Bakemon, eu esperei, amedrontada, impaciente, sentindo os risos e cochichos a respeito do que houve na festa, vi quando Hino tentou se aproximar, mas Mimi-chan derramou chá gelado em seu uniforme e fez um falso drama se desculpando; o sinal tocou e ele não chegou.
Foi isso durante o restante da semana, fui procurada por seus pais querendo saber se eu tinha alguma notícia de seu paradeiro, fiquei perdida sem saber o que dizer, saber eu sabia, mas como contar que o filho dele se intitulou imperador e massacra criaturas inocentes em outro mundo? Não pude dizer isso, tive que ficar ali vendo o desespero deles, as lágrimas da mãe, as perguntas do pai, vendo a polícia mexer no meu computador, celular a procura de pistas, respondendo a várias perguntas repetidas.
Naquela semana minha vida se tornou um inferno bem maior do que já estava, as redes sociais me culpavam, as montagens minhas com Koushiro-kun viralizaram na net, tidas como causa do repentino desaparecimento de Ken, na escola eu era agredida de todas as formas, com bilhetes e ofensas, fui esperta em não ficar sozinha em locais sem câmeras de segurança, pois sabia que Hino e suas coleguinhas estavam loucas para me agredir fisicamente, embora creio que Bakemons tenham assustado bastante em relação a mim.
A noite, a cada vez que eu conseguia dormir sonhava coisas estranhas, quando não eram pesadelos horríveis em que eu estava em um lugar sombrio, cheio de criaturas monstruosas, horas correndo por uma Odaiba destruída, todos estavam mortos… Por vezes acordei gritando e minha família vinha ver o que aconteceu.
Talvez aqueles pesadelos fossem uma forma do meu medo pelo que possa estar acontecendo ao Hawkmon, talvez Kaiser tenha ficado com tanto ódio que o tenha matado de uma vez e agora… Não sei, talvez queira me mostrar a dor, mas porque Bakemon ainda estaria aqui fingindo ter um compromisso comigo? Se meu parceiro estiver morto, eu estou livre. Não! Eu não quero uma liberdade a esse preço, jamais seria feliz, viveria assombrada por toda minha vida. E se essa for sua vingança?
Entretanto minha mente também vagava por sonhos estranhos, onde estava com Kaiser em um lugar bonito, Hawkmon estava lá, saudável, bem? Como eu posso ter sonhos assim, com ele? Era tão real… Era algo como uma lembrança de vidas passadas, mas… Kami! Cada beijo que trocamos, cada carícia, era tudo muito intenso e muito agradável? Eu procurei por ele a cada momento, sentei em seu colo, o puxei para beijos, muitos beijos. Não! O que raios, eu estava fazendo? Porque? Ele é uma pessoa doentia e desprezível…
No final da segunda semana eu já estava completamente louca, a realidade se misturava com ilusão, nos corredores da escola eu tinha flashes, conseguia me ver na base escura de Kaiser, ouvia sua risada debochada em minha mente. Em um segundo eu estava no meu mundo, mas no segundo seguinte eu estava em outro lugar e novamente tudo estava normal.
Eu sabia que coisas ruins aconteciam quando não me alimentava direito, mas eu não conseguia comer, tentei ao maximo me alimentar, mas era quase impossível, o estranho era que eu sentia como se Hawkmon estivesse bem. Quando Kaiser o estava mantendo fraco e torturado eu podia sentir também, como uma elo, uma conexão, mas agora eu sentia como se ele não estivesse em perigo, era um alívio, contudo era estranho demais? Ainda me perguntava se me sentia assim porque meu parceiro já estava morto e na morte não há medo e nem dor, apenas paz.
E se? Talvez ele não fez nada com meu parceiro, porque… Nesse momento minha mente vagou pelos momentos que tivemos, desde que acordei, sem me memoria, o clima entre nós estava diferente, seja desde o momento em que despertei, a forma como me olha e me trata, olhando por esse lado, agora percebo que ele não me chama mais por meu segundo nome.
O sinal toca, anunciando o término do horário de almoço, mas eu nem quero ir para minha sala, corro para sala de música, que hoje ficará vazia e quando abro a porta, por um momento vejo a imagem de Ken, sentado próximo à janela, olhando, distraído para fora, como no dia em que vim buscá-lo nessa sala. Balanço a cabeça, afim de me livrar dessas lembranças e fecho a porta com força, com raiva de mim mesma.
Me sento na cadeira do piano e deito a cabeça sobre sua tampa, as cenas do jantar na minha casa, daquela massagem, da nossa ida ao dentista, tudo começa a rodar na minha cabeça, as vezes que quase nos beijamos, ele poderia estar se divertindo com a minha cara, estudando minhas reações, mas acho que não, era algo a mais e se ele gostar de mim? E se tiver realmente ficado magoado com as coisas que sairam na internet? Sei que a vaca da Hino foi uma a fazer várias montagens minhas com Koushiro-kun.
O que eu estou pensando? Kami, minha cabeça está muito confusa, Kaiser, Ichijouji Ken, não ama nem os próprios pais, já me pisou mais que um tapete, declarou com todas as palavras o quanto me acha patética. Ele me deixa confusa e se diverte com isso, brinca com a minha vida, com minha mente. Como posso pensar que ele tenha se magoado? No mínimo seu orgulho pode ter sido ferido, uma vez pintou Koushiro-kun como namorado traído, agora ele foi vítima das maldades das redes sociais.
Nessas duas semanas eu tenho fugido dos meus amigos por conta própria, não quero falar sobre o que houve aquela noite, não quero lembrar, minhas irmãs estão pensando que eu estou confusa entre dois garotos, mas eu nada quis falar sobre o assunto.
Confusa, eu? Completamente, sobre mim, sobre o que tenho sentido, isso tudo me fez rever completamente os meus conceitos, no sábado de manhã coloquei uma blusa de capuz e eu saí para comprar pão, observei uma das minhas vizinhas de prédio, ela mora com o namorado, ambos são punks então as pessoas passam longe, como se tivessem uma doença contagiosa, mas o que me chama atenção é a garota aceitar a forma com que o cara a trata, sempre gritando com ela, traindo, passando noites fora.
Acabo subindo no elevador junto com ela, nem dei conta do quanto a encarava, pensando se não sou muito diferente.
— O que foi, patricinha? Tá encomodada com o cigarro? — Foi ríspida e direta.
— Não, não, não… — Fico sem reação, mas do nada acabo perguntando. — Porque você aceita isso? Porque está com esse cara?
Ela tirou o cigarro da boca e me encarou, por um momento eu pensei que fosse avançar contra mim e apertar meu pescoço.
— Uma pergunta intima, muito íntima vinda de uma pessoa que até hoje nunca me dirigiu um bom dia. Não acha? — Retrucou sarcástica.
Assenti com a cabeça, corei de vergonha, realmente nunca a cumprimentei, a regra geral é não falar com gente como ela, mas isso está errado, não é? Quero dizer, gente como ela, ainda é gente, mesmo que ela beba, que se drogue, faça sexo com todos os caras do Japão, ela é um ser humano, teve uma história que a fez ser o que é, tem um motivo para fazer o que faz, não é?
Quando me dei conta, já estávamos no terraço do nosso prédio, ela me contando sua história de vida, como era uma garota normal, colegial que morava com os pais e deixou tudo para ir atrás do namorado que tocava em uma banda, depois do fracasso da mesma começou a mexer com drogas. Disse que uma vez o conheceu como ele realmente é e estava com ele ainda, por ter esperanças de tê-lo de volta.
Ouvir tudo aquilo me deu uma angustia, me senti culpada de sempre ter a ignorado, uma dor no coração por ver alguém tão jovem e bonita, alí afundada em uma esperança tão vaga. O quão difícil é amar alguém que faz tudo errado e crê que aquilo é o certo?
Era isso que eu estava me tornando? Como aqueles casos de mulheres que apanham, sofrem maus tratos do marido e ainda estão lá para eles? Não, eu não quero me tornar isso, não quero ser assim, sempre fui uma boa garota, criada com carinho dos meus pais e irmãos, cercada de bons amigos, tirando boas notas, nunca gostei de caras rebeldes, sempre me derreti pelos bonzinhos, educados. Que treva é essa na minha vida?
Lá estava eu, no silêncio do meu quarto, eu já não sou a mesma, estou com medo de mim, com medo das coisas que penso e sinto, estou fugindo de não ser algo que sempre olhei com olhar crítico, sempre julguei, fugindo de acabar como aquela garota, estou lutando… Sufocando… Sufocando…
Me esparramo na cadeira giratória e quedo as costas para trás, fitando o teto, tiro meus pés do chão e a cadeira gira e gira, as horas se passam torturantemente, estou presa nessa maldita espera, nessas malditas dúvidas, girando e girando, ouvindo o tic, tac do relógio, fitando o teto branco do meu quarto…
A noite chegou, nem sei por quanto tempo permaneci ali, naquela mesma posição, cheia de perguntas sem respostas, formulando teorias, me punindo, parecendo aquelas garotas que ouvem Melanie Martinez e se cortam. A casa completamente silenciosa e o celular e o d-terminal sobre o meu colo, perdi as contas de quantas mensagens mandei para Kaiser. Sim, me humilhei, pisei no meu próprio orgulho, pode ser acho que já não me resta mesmo muito disso para preservar, mas precisava acabar com aquela tortura, entretanto, se ele leu alguma, ignorou todas.
Deixei tudo sobre a cama e fui para um banho, onde eu penso melhor, a água cai sobre mim, sobre minha cabeça e parece me relaxar um pouco e alí eu fico por um bom tempo. Duas semanas completas, meu Kami! O que Kaiser estará fazendo? O que planeja? Quero ver meu parceiro e ter certeza de que ele está bem. Tento esvaziar a mente e só aproveitar o banho.
Saio do chuveiro, me seco e visto um pijama confortável, volto para o meu quarto e me tranco novamente, me sento na cama começando a escovar os cabelos. Tudo está uma droga, me sinto tão derrotada, tão destruída, como se a batalha já tivesse sido travada e eu tivesse perdido tudo. Meu celular vibra com uma mensagem, corro para ver, era Mimi-chan preocupada, dizendo que pegou meu numero novo com a minha irmã, não tenho animo para responder.
Termino de escovar os cabelos e me arrasto, entediada, pelo quarto, as luzes dos postes da rua já se acenderam, deixando o local em meia luz. Eu não quero ir lá fora e encarar perguntas, não quero dormir e ter pesadelos ou sonhar com ele, não quero ficar acordada com a cabeça doendo pensando em tudo isso… Me deito em posição fetal e aperto meu celular e meu D-terminal, contra o peito.
Meu D-terminal apita e eu salto da cama, dessa vez só poderia ser ele, afinal fui obrigada a bloquear meus amigos, então… Esfrego os olhos, forço a visão para ler a mensagem.
“Venha para a basa agora, as coordenas já estão salvas no seu computador.
Digimon Kaiser”
Respirei fundo e saltei para o computador que já estava ligado, peguei meu D-3 e abri o portal, estava preparada para tudo, na minha mente só passava o pior, bem, Hawkmon não tinha sido torturado, mas ele poderia fazer isso hoje na minha frente, não é? Orei para Kami, para que isso não acontecesse, reuni forças e atravessei o portal, finalmente estava de volta naquela sala medonha.
Pisquei algumas vezes, arfando com dificuldades, minhas pernas estavam tremulas e meu corpo bambo, olhei para a cadeira de Kaiser, mas ela estava vazia, olhei em volta e vi que Wormmon também não estava, então um Guardromon adentrou o local e me passou suas ordens.
— Kaiser-sama, saiu em uma missão e Wormmon foi com ele, mas ele deu ordens para que a senhorita se sente aqui. — Ele apontou a cadeira de Kaiser, segui meio receosa, mas obedeci e me sentei, quando fiz isso ele ligou um dos monitores.
— Seja bem vinda querida! Sentiu minha falta? — A carranca debochada de Kaiser, surgiu em minha frente. — Pelo tanto de mensagens que me mandou, estou apostando que tenha sentido, mas deixando isso de lado, quero que aproveite o espetáculo! — Após sua última fala a tela desligou.
Outro monitor foi ligado exibindo o tanto de Torres Negras que tinham surgido durante todo o tempo, creio que se meus amigos tinham alguma dúvida sobre a identidade de Kaiser, agora não possuem mais. Como se completasse meus pensamentos, outro monitor é ligado e neste posso ver meus amigos e seus parceiros em um local cheio de poços de lava.
— Ichijouji Ken, seu covarde, apareça de uma vez! — Gritava Daisuke irado.
Neste momento, cinco Meramons surgem prontos para atacar.
— Vai Veemon…
— Certo, Daisuke, estou pronto.
— Digimental Up… — Daisuke dá o comando e Veemon evolui para Fladramon
— Punho de Fogo! — Fladramon ataca com tudo, mas o ataque é inútil.
— O Punho de Fogo, não adiantou? — Lamenta-se Daisuke.
— Creio que fogo contra fogo não vai resolver. — Hikari-chan alerta.
Se eu estivesse lá daria o comando para Hawkmon evoluir e depois atacar com Asas da Tempestade, mas pensando bem, acho que isso só iria aumentar as chamas. A situação estava bem critica.
— Armadimon, agora é a nossa vez! — Iori-kun avisa o parceiro, que assente se pondo em posição de batalha. — Digimental Up! — Armadimon evolui para Digmon e ataca.
— Terremoto! — Finca suas brocas no chão, fazendo o solo se abrir e os Meramons caírem lava e a galera vibra pensando terem conseguido, mas como são feitos de fogos, eles regressam a posição de ataque, ainda mais fortes.
Paralelo a isso, Kaiser montava um Airdramon, era seguido por cinco ou seis, fiquei em choque ao vê-lo abordar Greymon, que fez a mesma pergunta que eu tinha em mente:
— O que você quer comigo? — O parceiro de Taichi, perguntou alarmado.
— É uma boa pergunta, o que eu quero de você, seria melhor. — Alargou um sorriso que me fez levantar da cadeira, temendo o que viria. — Vim te usar em uma pequena experiência. — Estalou os dedos fazendo com que um Anel Negro surgisse e atingisse Greymon, que imediatamente ficou com os olhos vermelhos.
Quando olho para o outro monitor, vejo que Takeru-kun e Hikari-chan já evoluírem seus parceiros e lutam com todas as forças.
— Estrela Cadente! — Pegasmon ataca os oponentes tendo um efeito mediano.
— Maldição da Rainha! — Nefertimon desfere seu golpe derrubando alguns Meramons.
— Vamos derrubar aquela Torre! — Ouço a voz de Hikari-chan.
Mas minha atenção se volta para o outro monitor, vejo Kaiser fazendo com que os Airdramons carreguem Greymon suspenso por cordas presas ao Anel Negro de seu pescoço e ele gargalha feito vilão de quadrinhos, me fazendo cerrar os punhos de raiva.
— Do que você está rindo, Ken-chan? — Wormmon questiona.
— Eu falhei antes em tentar dominar Andromon, mas descobri que é possível controlar um kanzentai se forçá-los a evoluírem de suas formas anteriores. Vamos Greymon. — Ele ergue seu Digivice negro. — Aceite o poder das trevas, passe pela evolução, torne-se MetalGreymon e seja meu escravo! — Dá ênfase na última parte de sua fala.
Uma luz roxa sai do digivice e atinge Greymon que se contorce e se ilumina, mas no lugar de MetalGreymon, ele se torna um monstro horrível, todo feito de ossos e pela cara de Kaiser, ele definitivamente não esperava por isso, meus amigos também ficam apavorados.
— SkullGreymon, mas que porra é essa? — Kaiser repete meio atordoado.
— Ai que medo! — Wormmon choraminga em voz tremula.
Tenho que concordar, mesmo a distancia fiquei petrificada de medo, aquela sensação ruim, tanto que me sentei novamente, completamente pasma com a cena. SkullGreymon arrebentou as cordas que o prendiam arremessando os Airdramons que o segurava, para longe, assim que pulou em terra começou a atacar tudo que via pela frente.
— Que monstro bizarro é esse? — Iori-kun pergunta estarrecido.
— É o SkullGreymon… — Hikari-chan responde, perplexa.
— Skull o que? — Daisuke parece perdido.
— Vamos dar o fora daqui, não tem como lutar contra ele! — Takeru-kun afirma como se já tivesse experiência no assunto.
Fladramon avança contra o monstro, usando o Punho de Fogo, mas é atingido e cai regredido a Veemon, Digmon também avança contra o inimigo, mas recebe um golpe e volta a forma de Armadimon. Daisuke e Iori-kun, correm para pegar seus parceiros.
— Fujam todos! — Nefertimon atenta os demais.
— Cuidaremos dele! — Tranquiliza Pegasmon.
— Não podemos deixá-los para trás. — Grita Takeru-kun.
— Impacto Final! — A voz horrenda do monstro soa juntamente com seu ataque.
Uma luz intensa quase cega a todos, uma rajada poderosa de energia arremessa todos para longe, inclusive meus amigos que por sorte não cairam dentro de um dos poços de lava, fiquei em panico só de pensar nessa possibilidade.
— Que inferno! Odeio fracassar! — Kaiser resmunga furioso, mexendo em seu bracelete, ele convoca oito Dark Tyranomons que se postam em volta de SkullGreymon o atacando com uma rajada de fogo saída de suas bocas.
— Estão atacando seu próprio aliado! — Exclama Takeru-kun, horrorizado.
Me levanto inquieta, o cenário é o pior possível, dois parceiros dos meus amigos estão abatidos e fora de combate, eles precisam sair dali rápido, está muito perigoso. O ataque dos Tyranomon não faz efeito algum, SkullGreymon ataca com suas garras enormes, arremessa alguns para longe, outros ele destroça sem piedade os transformando em dados, outros joga dentro do poço de lava.
— Meu Kami! Ele é muito forte! — Daisuke fica admirado, com a boca aberta.
Ele é muito forte, saiam daí seus babacas! Levo a mão ao peito, é como se o meu coração fosse explodir. Depois de tanto esforço SkullGreymon regride a Agumon e meus amigos ficam em choque enquanto ele é pego por um Airdramon.
— Não pode ser… Aquele é… — Hikari-chan deixa as lágrimas escaparem. — O Agumon, o Agumon do onii-chan!
— É mesmo o Agumon do Taichi-kun! — Confirma Takeru-kun.
— Não leve o Agumon… Agumon… AGUMON! — Hikari-chan esgoela inutilmente.
Kaiser segue com sua escolta de Airdramons, trazendo Agumon esgotado e desmaiado, em estado deplorável, os monitores são desligados e eu me sento na cadeira, essa nova forma de evoluir com o Anel Negro, todas as cenas que vi, o cenário horrendo, o desespero dos meus amigos e o risco imenso que correram, tudo isso me deixou chocada, sem palavras, olhando para a tela sem nenhuma reação.
Kaiser está mais insano que antes, tentar evoluir Greymon pelas trevas, criar SkullGreymon! Meu Kami, então é isso que ele tem armado o tempo todo e agora está trazendo Agumon para base, só Kami sabe o que ele vai fazer com o coitado.
Ele está vindo e eu não sei como vai ser quando chegar aqui, me levanto novamente da cadeira e circulo pela sala, minhas mãos estão geladas e de repente ele passa pela porta, seguido por Wormmon, anda até mim, eu tomada por uma coragem que nem sabia que tinha, ando até ele e o encaro, mesmo com seus olhos protegidos por aqueles malditos oculos eu posso sentir o odio com que me olha, agora tudo é como antes, é como se ele fosse me enfiar uma adaga a qualquer momento.
— Seja bem vinda de volta, escrava. Espero que tenha apreciado o espetáculo, pois é apenas o começo.
— Isso é por minha causa? Está fazendo isso por causa da festa…
— E o que? Você ter ignorado minhas ordens e saído com aqueles imbecis, ter sambado na minha cara, se pegado com Izumi e denegrindo minha imagem por cada site da internet?
— Não foi assim que aconteceu, você não estava lá, não sabe. — Cruzo os braços, tento me manter firme e não demonstrar que estou morrendo de medo.
— Ah, não… — Olha para seu bracelete e digita algo, em seguida o monitor liga com as imagens do dia da festa, não são imagens da internet, são imagens de perto. — Mandei um Bakemon te seguir em modo invisível, a câmera acoplada em seu Anel gravou tudo, mas isso não tem a ver com você, faz parte do meus planos de dominação, não se dê mais importância do que tem.
As cenas vão se passando e eu fico furiosa, ofendida, agredida.
— As imagens do meu quarto… Isso não foi só a câmera de Bakemon.— Levo a mão sobre a boca, horrorizada. — Você me espiona em tempo integral, colocou câmeras pelo meu quarto! Como pode? Isso é invasão de privacidade, sabia?
— Sabia. — Alargou um sorriso sínico. — Você tem um acordo comigo, não tem volta garota. Você, Inoue Miyako, é propriedade minha, eu não vou te dar privacidade nem nos seus sonhos.
— Seu louco, psicopata, maníaco… — Quando dei por mim, já estava tentando lhe acertar um tapa, mas ele me segurou pelo pulso e me arrastou até a cadeira.
— Fica quietinha aí, que o espetáculo ainda não acabou. Esse video eu vou mandar para seus amigos curtir e compartilhar nas redes sociais deles. — A imagem do monitor mudou para onde Agumon estava desmaiado. — Guardromons, soltem os convidados!
Neste momento uma das paredes da cela se abriu e Tentomon e Palmon foram arremessados ao lado de Agumon. Não! Meu Kami! Isso não pode ser o que estou pensando.
— Por favor… — Choraminguei em desespero.
— AGUMON, EVOLUA PELAS TREVAS, AGORA! — Ele me ignorou e deu o comando, o digivice negro em sua mão brilhou em tons de roxo e Agumon ficou suspenso no ar.
Na cela Tentomon e Palmon pareciam atordoados tentando acordar o amigo, quando ele começou a brilhar eles se olharam assustados. Arregalei os olhos para ver a cena horrivel, SkullGreymon surgiu enfurecido e os parceiros de Mimi-chan e Koushiro-kun, eram minúsculos, eles lutavam para escapar das garras enormes do maior.
— Por favor, Ken, pare com isso. Pune a mim, não os mate! Pare com isso! — Eu estava desesperada, me joguei contra ele, me engasgando com o choro desesperado.
— Vocês três, você, o nerd babaca ruivo e a sirigaita americanizada, vocês riram da minha cara, se divertiram as minhas custas.
— Não, não… Não é como você pensa. — Escorreguei para o chão. — O que eu preciso fazer? Você me quer de joelhos? Aquela noite foi um erro. Estou implorando, eles são amigos, companheiros de batalha, por favor! — Me ajoelhei humilhantemente.
Eu não tinha mais coragem de olhar para aquele monitor, mas sabia que ele podia parar tudo aquilo. Aquela noite foi um erro, eu não deveria ter saído e agora criaturas inocentes pagariam por isso, eu jamais me perdoaria.
— Vai se comportar direitinho, de agora em diante?
— Eu prometo.
— É bom que se lembre, não exija privacidade, nem respeito ou seja lá o que for, sua vida já não pertence a você. — Ele se abaixa e me segura pelo queixo, forçando-me a encará-lo.— Nada mais a será como antes, porque você me pertence, quanto mais você tentar negar, tentar se libertar, mais as pessoas a sua volta se machucarão, então enfrente sua natureza rebelde, engula seu orgulho e aceite seu destino. Estamos entendidos? — Apenas assenti em desespero. — Boa menina! — Deu dois tapinhas leves na minha bochecha e segurou meus braços me fazendo levantar.
— Meu Kami! — Olhei para tela e vi apenas uma fumaça branca intensa, quando essa se dissipou revelou Agumon, Tanemon e Motimon, sendo que os dois últimos estavam muito feridos e foi um milagre terem sobrevivido. — Deixa eles livres, por favor.
— Não que você mereça, mas eu mandarei que meus escravos soltem Motimon e Tanemon, mas Agumon ficará! Ah, os vídeos do espetáculo já foram enviados para os parceiros dos envolvidos, só não mandei o final, pra ficarem mais emocionante. Adivinha só, hashtag “não mexam com as minhas coisas.”
Eu não sabia como reagir, estava em estado de choque ainda, minha mente estava uma bagunça, as coisas tinha sido bem piores do que imaginei. Como pode uma pessoa jogar tão sujo dessa forma, ele ferrou a vida de todo mundo pelas redes sociais e teve sua reputação jogada na lama e quer saber…
Estava perdida nos meus pensamentos quando Kaiser começa a gargalhar insanamente comemorando o sucesso de seu show, ah, mas aquilo fez o meu sangue ferver de um jeito, foi uma explosão de raiva por tudo que ele fez, por tudo que eu andei pensando e sentindo.
— Cala boca, cala boca… CALA BOCA! — Gritei o mais alto que eu pude e ele parou e me encarou incrédulo. — Propriedade sua? Isso passou de todos os limites da loucura. Você não é imperador coisa nenhuma, se diz superior, mas seu lugar é em um hospício. Olha pra você, uma fraude, as pessoas que te idolatram são todas enganadas, se te conhecessem de verdade iam te odiar. Você é tão desprezível que seus pais demoraram três dias para dar falta da sua presença em casa, eles podem chorar agora, mas você fez um favor em sumir da vida deles, sumir do nosso mundo e se você morrer aqui ninguém vai sentir porque todo mundo te odeia, você se odeia, eu te odeio, te odeio!
— Ah, você me odeia tanto assim? Também me odeia quando se toca chamando meu nome?
Kami! Aquilo me subiu um ódio, uma vergonha, uma mistura de tudo e quando me dei conta já tinha estalado um tapa com todas as minhas forças, em sua cara o que fez com que seus óculos voaram longe, mas recebi outro tão forte que me fez cair.
Minha cabeça girava, eu não conseguia processar direito o que tinha acontecido ali, os sons de tudo a minha volta sumiram e meus ouvidos pareciam ter pressão excessiva como um zumbido estranho. Ele se abaixou me puxando para si, me apertando em um, abraço? Nada fazia sentido, eu queria sumir, queria ficar ali. Fechei os olhos para tentar me acalmar, meu rosto doía demais, minha audição foi normalizando e pude ouvir as batidas do seu coração, aceleradas, era estranho que alguém como ele tivesse um.
— Não tinha que ser assim… Porque você torna tudo tão difícil? — Ele sussurra e me aperta como se fosse me quebrar, me fazendo tossir algumas vezes. — Porque insiste em ser tão selvagem? Não vê que a culpa de tudo isso é só sua, você começou tudo.
Ele me solta e eu puxo o ar enchendo meus pulmões, segura meu rosto entre suas mãos e me olha nos olhos, milhares de sensações se misturam dentro de mim, medo, raiva, seu olhar transborda insanidade. A culpa é minha? Eu quem comecei tudo isso? O que? Porque?
— O que você quer de mim? — Pergunto em meio a uma crise de choro. — Meu Kami! Você me destruiu de todas as formas, acabou com meu namoro, jogou meu nome na lama, me fez perder o respeito da minha família, me afastou dos meus amigos, acabou com a vida deles e deixou claro que a culpa foi minha por ter te afrontado, tirou meu parceiro de mim, me fez de empregada, escrava, brincou com os meus sentimentos, destruiu minha mente. — Engoli certa quantidade de saliva, entre soluços. — Você diz que eu sou sua, mas não sobrou nada, nada de mim, o que você quer?
O encarei com toda minha coragem, esperando a resposta e ele… Ele me beijou… Me beijou? O soberbo do Kaiser que tanto soube me humilhar, me depreciar desde que nos conhecemos, me beijou? Eu não sabia como reagir, fiquei parada atônita, com os olhos arregalados, os dedos das mãos abertos, não sabendo o que pensar.
Meu choque ainda era intenso, mas meu corpo pareceu reagir por conta própria enquanto minha mente bugava completamente, aquele contato parecia tão assustadoramente familiar, mas não podia ser, antes eram apenas devaneios, não eram? Ou seria lembranças?
Enquanto minha mente dava um pane tentando entender, minha cabeça quedava suavemente para o lado e minha boca abri-se cedendo passagem para sua língua e quando ela se chocou com a minha… Kami! Minha mente parou por completo, aquele contato foi delicioso demais, eu não queria ter que admitir isso para mim mesma, mas era muito mais forte do que eu.
Eu não podia me render, não devia, não era certo, mas era inevitável, foi como se eu tivesse lutado com todas as minhas forças e perdido, meus olhos se fecharam, meus dedos se moveram e minhas mãos se enlaçaram em seu cabelos, minha língua se moveu no ritmo perfeito da sua. Eu estava tomada, dominada naquele beijo cheio de loucura, negação e luxuria.
Meu corpo todo estava em êxtase, eu tive absoluta certeza, mesmo que não conseguisse me lembrar, de que já tínhamos nos beijado daquela forma, muitas e muitas vezes. Quando o ar nos faltou durante o beijo, nos separamos e ele me encarou por segundos, sem me dar oportunidade de questionar qualquer coisa, sua boca seguiu para minha orelha, mordiscando-a.
— Você é minha… — Sua respiração quente, sua língua, a forma como mordiscava o lóbulo, o sugando, descendo lambidas pelo meu pescoço, me deixava completamente quente.
— Não, eu odeio você… — Respondi entre gemidos condenadores, já nem sabia o que dizer ou o que fazer.
— Não odeia, nada! — Ele me beijou novamente, me rendendo mais uma vez, eu odiava ficarem assim indefesa, à mercê de sua vontade, sua loucura, provando o quanto ele tem razão sobre tudo. Quando me dei conta, já estava deitada no chão e ele estava sobre mim, me beijando como se fosse roubar minha alma. — Você me quer… — Falou ofegante ao separar o beijo.
Ai Kami, aquilo estava errado demais! Ele fez tudo aquilo, fez tudo de ruim desde o começo… Ele me bateu, nem meus pais me batem. Como eu posso estar jogada nesse chão frio, trocando um amasso delicioso desses, eu sou mais louca do que ele. Isso tem que parar.
Sim, tinha que parar, mas era um conflito complexo, uma vez que o meu corpo estava se deliciando com cada beijo, lambida, mordida, que com certeza deixariam marcas gigantescas. Suas mãos percorreram, sem delicadeza pelos contornos do meu corpo, apertando meus seios, descendo para minhas coxas, me arrancando gemidos escandalosos, Kami, que vergonha, aquilo tinha que parar.
Era como nos meus sonhos, só que real demais, senti sua pélvis pressionada contra minha, sua ereção pulsante, contra minha intimidade em chamas, escorrendo de excitação, meu corpo correspondia aquela loucura toda, de uma forma que eu nem sei explicar, minhas mãos o apertavam, as pernas se enlaçavam em torno de seu quadril, na ânsia de senti-lo mais contato.
Um beijo a mais e o tempo parecia parar quando nossas línguas chocavam em contato, extraordinariamente prazeroso gememos na boca um dos outro, aquilo estava quente e elétrico demais, se continuasse assim, eu… Eu... Com certeza já estava toda marcada e desgrenhada, como ele já havia se livrado daquele sobretudo quente, o inseparável bracele e suas luvas.
Em um lapso de sanidade, me dei conta da situação em que estávamos, o uniforme de empregada que eu usava, estava com os primeiros botões da frente abertos, expondo parte do meu busto e a peça intima, a saia estava completamente embolada acima das minhas coxas. Kaiser mordia meu pescoço descendo para o colo deixando marcas, usando os dentes para arrancar os botões, paralelo a isso, suas mãos subiam pelas minhas coxas, os dedos escorregavam pelo tecido da minha calcinha.
— Hmm… Toda molhadinha! — A forma canalha com que ele falou me fez querer sumir dali. — É assim que você me odeia? — Deu uma risadinha sacana, voltando a morder o recheio dos meus seios.
— É, isso está errado. — Tentei soar firme, aquilo tinha que parar.
Olha a que ponto chegamos? E se Wormmon entrasse na sala naquele momento, e se… Eu não sei, só tinha que parar, estava tudo errado demais o empurrei com todas as minhas forças e me levantei, atordoada e corri para fora dali, só que no meio do caminho eu me lembrei que para voltar para casa, precisava do meu D-3, que tinha entre a Guardromon e provavelmente quando Kaiser chegou, ele entregou a ele.
Que vergonha! Como voltar para aquela sala? Ai que treva! Ficarem vagando por esses corredores escuros também não é a melhor opção. Aquilo aconteceu, eu tenho que aceitar isso e voltar pra lá. Ai Kami! Aconteceu mesmo, qual o meu problema, como pude trocar um amasso daquele com o louco do Kaiser?
Andei de um lado para o outro, bati a testa contra a parede repetidas vezes, como se estivesse me punindo, mas eu precisava voltar lá, não tinha como fugir, para ir pra casa, bem ficarem na base seria pior. Me enchi de coragem e segui o caminho de volta e meu rosto queimava e não era pelo tapa que levei. Entrei no local, a passos arrastados, ele estava em sua cadeira, o sobretudo jazia pendurado sobre o encosto da mesma.
— Ah, voltou? Fiquei aqui me perguntando qual seu plano, se tentaria voltar para casa sem seu D-3 ou se esperava que eu iniciasse uma caçada atrás de você e te possuísse loucamente pelos corredores da base, na dúvida preferi ficar aqui e esperar você voltar.— Deu um sorriso de canto.
Eu quase morri de vergonha com o que ele falou, embora acabei imaginando algo desse tipo, na hora que foi dito.
— Eu quero ir embora. — Foi tudo que consegui dizer.
— Como que se fala? — Perguntou sacana.
— Por favor, Kaiser-sama.
— Claro, mas antes tem uma coisa que eu quero que você assista. — Passou a mão pelos cabelos. — Vem aqui.
— Estou bem aqui, posso assistir dessa distância
— Não foi um pedido, Miyako, vem aqui, agora!
Suspirei profundamente e segui a passos pesados, estava morrendo de vergonha, de medo, mais medo de mim mesma, mas…
— Sente-se. — Ordenou ríspido e eu olhei a minha volta, mas não havia outra cadeira na sala. — Quantas vezes devo dizer para você não testar minha paciência? — Ele me puxou, me fazendo sentar em seu colo.
Kami amado! Meu mundo parou, isso não está acontecendo, mas estava, com o braço esquerdo ele me segurou firme e o outro ligou o monitor e eu, definitivamente quis sumir, porque fui fazer algo tão estúpido assim? Porque me toquei pensando nele? Ele tinha a gravação em todos os ângulos, abaixei a cabeça a fim de fugir da humilhação, mas ele me obrigou a olhar.
— Levante a cabeça, quero que você veja como fica linda quando goza pra mim. — Sussurrou ao meu ouvido, me fazendo arrepiar, uma de suas mãos correu pela minha pele eriçada, se divertindo com a reação. — Olha querida, eu não me canso de assistir essa gravação, pensei em mandar uma cópia para Izumi, o que você me diz?
— Não, por favor, seria vergonhoso demais. — Choraminguei desesperada.
Sua boca veio para o meu pescoço, a mão que estava em meu ombro o acariciou em movimentos circulares, descendo para o recheio dos meus seios, os dedos contornando meus mamilos, causando uma sensação prazerosa devido ao atrito com o tecido.
— Está pedindo favor para alguém que você odeia tanto? — Seus dentes se afundaram contra a curva do meu pescoço e sua língua se moveu, quente, os dedos continuando a brincar em meus mamilos, eu não consegui conter um gemido.
— Ai kami, isso é errado demais...— Eu arfava, tremula, quase a beira de um desmaio, não queria que aquele toque estivesse sendo tão gostoso e vergonhoso ao mesmo tempo. — Você está brincando com a minha mente?
— Estou? — Lambeu toda extensão do meu pescoço, uma de suas mãos se afundou no recheio dos meus seios, com vontade, enquanto a outra correu por entre as minhas pernas, se afundando em minhas coxas. — Me diga você… — Mordiscou minha orelha. — Oh, eu adoro essa parte, olha o que você quer que eu faça com você. Que pervertida!
Ai Kami! Não acredito que falei aquelas coisas, não me lembrava disso e a forma como ele estava me tocando estava me deixando louca demais, não tinha como negar, mesmo envergonhada, humilhada eu queria mais. Aquilo era doentio demais, ele estava se divertindo, se aproveitando, abusando de mim e eu estava gostando, me deliciando com cada toque.
— Você não pode fazer isso comigo, sem a minha permissão. — Alerto, sem pensar.
— Claro que não. Suas coordenadas estão salvas alí naquele monitor e seu D-3 está em cima da mesa. Você está livre caso queira ir para o seu quarto e terminar isso sozinha, como fez da outra vez. Não estou te forçando a ficar. — Ao falar isso sua mão alcança minha vulva e seus dedos escorregam em concha, pela umidade do tecido, me fazendo gemer alto em resposta. — Foi o que eu pensei!
Eu não consigo mais dizer nada, aquele toque acabou de me render completamente, eu me odiava, mas queria demais, precisava de mais, não queria de forma alguma que ele parasse, com esse pensamento acabei relaxando meu corpo e deliberadamente virei meu rosto para beijá-lo e foi um beijo delicioso, tão molhado que o excesso de saliva chegou a escorrer dos nossos lábios, não me contive em soltar um longo gemido.
Seus dedos pressionavam meu ponto sensível, que já estava inchado de excitação, giravam sobre o local, como nossos línguas giravam uma contra outra disputando o controle do beijo, oras sua mão apertava minha vulva, aquilo estava me matando.
Quando separamos o beijo eu já não me importava com nada mais, com absolutamente nada, precisava que ele me tocasse mais, eu era uma perdida, uma devassa, a vadia dele, ele tinha conseguido e dane-se tudo!
— Pede. — Ofegou algumas vezes, os cabelos estavam mais desgrenhados que o normal, devido ao amasso anterior, as bochechas coradas, Kami como ele é lindo! — Pede para mim, como na gravação. — Pediu em voz rouca, sem deixar de acariciar toda minha intimidade com os dedos. — Ah, Miyako, vou te dar um orgasmo tão intenso, que vai te deixar desidratada. Vamos, peça!
Ele estava extremamente alterado,excitado, nunca o tinha visto assim antes, conseguia sentir seu pênis pulsando contra minhas nádegas. A verdade é que nunca me senti assim antes, tão, mulher? É, nunca me imaginei deixando alguém nesse estado de excitação e isso me acendeu uma chama, é como se toda vergonha, o constrangimento que sentia a pouco, se perdesse. Ele já viu essa droga desse vídeo mesmo.
Eu não sei pelo que eu fui tomada naquele momento, só queria mais de tudo aquilo e não ter que pensar no depois, queria mesmo ser tocada por ele, queria ver ele louco de excitação por minha causa então eu pedi.
— Por favor, me toca Kaiser-sama...— Pedi entre gemidos arrastados e seu corpo estremeceu todo com a provocação, sua cabeça pendeu contra a curva do meu pescoço, soltando um grunhido entre os dentes, a mão que estava em meu seio o apertou com mais força e a que se encontrava entre minhas pernas arrancou minha calcinha, rasgando-a de uma só vez e dessa vez que estremeceu toda, fui eu.
Seus dedos entraram em contato direto com minha feminilidade e eu vibrei completamente, não vou mentir, estava com medo de ser um toque brusco e chegar a ser incomodo e doer, mas não foi. Eu não faço a minima ideia se ele sabia por instinto, se pesquisou o assunto, mas foi um toque perfeito. Sua mão estava leve e os dedos deslizaram com delicadeza sem buscar o clitoris diretamente, percorreram por toda extenção massageando, brincando pela região lubrificada.
Virei meu rosto novamente e ele me beijou, aquele beijo incrível cheio de química, enquanto suas mãos me enlouquecia, me explorando, me matando de prazer, uma adentrando meu sutiã, tocando meu seio diretamente, a outra continuando a estimular minha vulva, dessa vez o polegar pressionou suavemente meu ponto sensível, me fazendo separar o beijo para gemer alto, ele sorriu vitorioso como quem fez uma descoberta, tornando a me beijar.
Doeu um pouco quando ele penetrou um dedo para dentro de mim, mas quando começou a ser menos estranho e até prazeroso, meu corpo pareceu pronto para receber o segundo. Kami, aquilo era loucura demais deixar ele me tocar daquela forma, pior pedir para ser tocada assim, mas eu estava rendida, aproveitando ao máximo cada momento.
Não seria ele se não fosse cruel, por várias vezes parou quando notou que o meu corpo começava a apresentar os tremores do meu orgasmo.
— Oh não, querida, para que a pressa? Vamos brincar mais um pouquinho! — Sorria sacana, reduzindo a intensidade dos toques, me deixando a beira de um ataque.
— Desgraçado, cretino!
— Isso, ofende que eu gosto. Quanto mais mal criada você for, mais vou demorar para te dar o que você quer. — Falou contra o meu pescoço.
Eu precisava daquele orgasmo, estava tão perto, aquilo estava me matando. Seus dedos entravam e saiam de dentro de mim, notei que ele controlou para não romper minha virgindade, mas eu não contribuia em nada, pois me movia freneticamente buscando aprofundar e acelerar o contado, sentia seu membro pulsar cada vez mais forte contra minhas nádegas, que de certa forma o estava estimulando.
— Assim? Você gosta? — Perguntou ao meu ouvido.
— Eu gosto.
— Quer mais? Mais forte? Mais rápido?
— Sim, quero mais, muito mais.
— An?
— Kaiser-sama, por favor, faça mais.
O puxei para um beijo provocativo e dessa vez ele seguiu o ritmo dos movimentos e eu me contorci toda, meu baixo ventre queimou violentamente, uma queimação que fez toda região púbica formigar, latejar, se contrair, espremendo seus dedos e derramando meu orgasmo contran eles, me fazendo gemer tão alto quanto conseguia.
Senti que foi o mesmo para ele, que me apertou forte com a mão que estava livre, e gemeu contra meu pescoço enquanto seu pênis se contraia sob o tecido de suas roupas, aquela esfregação toda também o fez ter um orgasmo.
E toda aquela euforia, a loucura do momento passou e tudo ficou calmo, nossos batimentos normalizaram, mas meu corpo parecia completamente sem forças, meus dedos das mãos e dos pés estavam dormentes, contraídos, foram relaxando aos poucos. Ele relaxou completamente na cadeira e eu me virei afundando a cabeça em seu peito, não sei porque fiz isso.
Era como se eu tivesse usado alguma droga, no momento foi uma loucura, mas quando passou é que eu tive consciência e parei para pensar no que fiz, no que disse, no que pedi. Nada fazia sentido, ele machucou meus amigos, nós brigamos, ele me machucou e eu o machuquei e agora… Agora estamos aninhados nessa cadeira, calados, sem nada para dizer um para o outro. Eu não quero acabar como aquela garota do meu predio.
O que aconteceu aqui? O que acontece comigo, eu tive nojo do Koushiro-kun me tocar, tentar me beijar, mas não tenho nojo do Kaiser, na verdade nunca experimentei um beijo tão delicioso e cheio de química em toda minha vida.
E um filme com todas as coisas que já aconteceram entre nós começa a passar em minha mente, foram tantas coisas e eu nem sei o que pensar, apenas que sou uma péssima pessoa, uma parceira horrível. Como posso ter tanto prazer com uma pessoa assim? Como posso sentir todas essas coisas por alguém que acaba com as pessoas que eu amo?
Quando percebo já estou chorando, a princípio as lágrimas rolam silenciosas, em seguida o choro se torna mais intenso, antes ele estava tão quieto, acaba se movendo e abrindo a gaveta, alcança um vidro de alcool gel que sempre guarda ali alguns lenços de papel, limpa sua mão e em seguida limpa a parte interna das minhas coxas, usando apenas o papel, eu me sinto, sei lá, constrangida.
Olho para minhas roupas e os botões estão arrancados, meu busto está completamente marcado, então penso em mais esse problema, as marcas que, com certeza ele me deixou, quanto mais penso em todos os problemas, mais eu choro. Noto que ele está tão perdido quanto eu e me puxa novamente para seus braços.
Ele me envolve nos braços e acaricia meus cabelos, eu só consigo chorar.
— Hey, pare de agir como se tivesse sido horrível. — Sussurra evidentemente chateado com a minha crise.
— Desculpe! — Espera, eu me desculpei com ele, mas isso não está certo, nada está certo. — Não foi horrivel e isso me fez questionar tudo. É complicado.
— É… É complicado, eu sei. Você está com fome?
— Não.
— Quer um banho?
Essa pergunta me fez me soltar do enlace e encará-lo incrédula.
— Sozinha, sabe, só você. Não foi… Aff! — Ele levou uma mão na cabeça, tentando formular as palavras e isso foi inédito e até divertido de ver.
— Eu acho que vou pra casa.
— Não creio que seja boa ideia. — Arqueou as sobrancelhas.
— Ah, claro sou propriedade sua e você decide quando eu vou, se eu vou… — Bufo frustrada, limpando algumas lágrimas.
— Na verdade, seu D-3 está alí e as coordenadas salvas, o monitor ligado, só estou falando por causa das… — Pigarreia apontando o dedo para o meu pescoço. — Bom, isso ai ta bem.
— Ah, claro, o macho alpha tinha que marcar território quase arrancando meu pescoço fora.
— Na hora eu não ouvi objeções da fêmea, muito pelo contrário estava pedindo mais.
— Quer saber, eu vou ficar, vou tomar banho e dormir.— Pego o sobretudo que estava sobre a cadeira e me levanto o colocando, corro os dedos pelos meus cabelos, mas eles estavam embolados, grudados e ressecados pelo suor e ficaram cheios de nós.
Ele? Ficou me olhando com as sobrancelhas arqueadas. Então me lembrei que agora ele dorme aqui e não volta mais para o mundo real, o que significa que vamos dormir juntos. Dane-se, a essa altura eu só preciso mesmo de dormir e deu uma outra coisa.
— Sabe… Seria muito se eu te pedisse para deletar aquele video?
— Não sei, o que eu ganho em troca?
— Bem, eu estou aqui, não é? Não precisa ver err… Aquilo em uma gravação idiota.
— Não chama minha gravação de idiota, porque ela já me fez muito feliz.
— Imbecil!
— Ae, está vendo como você não se comporta. Eu quase deletei, sabe para levantar a bandeira branca, o que você faz? Me ofende!
— Ah, quer saber, faz o que quiser com essa desgraça. — Virei as costas furiosa. — Só acende a luz dessa bagaça porque eu não quero cair por estes corredores. — Quando comecei a andar ele me puxou pelo pulso e me beijou.
Lá vamos nós novamente, eu não consegui deixar de corresponder.
— Eu deleto seu vídeo se você nunca mais dizer que me odeia. — Sussurrou ao separar o beijo.
— É justo. — Sorri concordando. — Não direi mais isso.
— Um entendimento, afinal. — Me beijou novamente.
Separei o beijo, ainda era estranho tudo aquilo e minha cabeça estava louca, precisando de descanso, começamos a seguir para fora da sala, em silêncio quando Wormmon nos parou no corredor.
— Ken-chan, Miyako-san, vocês estão bem? — A criaturinha verde perguntou com voz fininha.
— Porque não estaríamos? — Kaiser foi ríspido
— É que essas marcas na Miyako-san e eu ouvi… — Ele parou no meio da frase quando Kaiser puxou o chicote. — Err… Bom, melhor eu ir dormir, me lembrei agora que amanhã preciso acordar cedo, boa noite! Fui, tchau! — Se despediu e sumiu pelos corredores, fazendo barulho com suas patinhas.
Em meio a tanta loucura que aconteceu hoje, acho que esse foi o momento mais leve e engraçado, Kaiser revirou os olhos, guardando o chicote e enlaçando nossas mãos. É, estranho, bizarro, sem noção, não sei definir, por hoje nem vou tentar, só quero banho e uma boa noite de sono.
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